“Braziu varemnóis”
está em maus lençóis. Ideologias à parte, como é a letra daquele samba Reunião
de Bacana? Em rápida análise temos quatro candidatos com espírito fascista.
Bolsa e o coronel de Sobral escancarados. A musa do Acre enrustida em sua rede com
a fala mansa de discutir... discutir... discutir... O Organização Criminosa
defensora das democracias latino-americanas é fascista no DNA. Lembro ainda que
o governo do "cavalo do homem mais puro" foi um desastre em Sampa.
Sua grande obra foram ciclofaixas pintadas a esmo e redução de velocidade nas
marginais. As opções seriam o "Novo" ou "Podemos". Muito estranho
o baixo índice do Picolé nas pesquisas. O estado de SP (22% do eleitorado
brasileiro) é dominado pelo tucanato e no boca a boca, especialmente no
interior, ele tem muito voto.
16 setembro 2018
15 setembro 2018
PININHA E O HORÁRIO POLÍTICO
PINA E O HORÁRIO POLÍTICO
Pina! O que está fazendo com a TV ligada a essa hora.
Vendo o horário político. É minha hora de descanso.
Sua hora de descanso? Você me falou às 11.30h que iria
almoçar mais cedo. São uma e quinze. Aliás combinamos reduzir seu horário de
almoço para meia-hora, para você sair mais cedo.
Gegê, que mau-humor!
Veja lá como fala!
Desculpa, dona Gertrudes, mas o moço do rádio de manhã
disse que é programa obrigatório. Tem que cumprir a lei, não tem?
Ai... Ai... Ai... Ai... Ai... Pina. É obrigatória a
transmissão do programa, não é obrigatório assistir...
Ah! Nunca entendo direito.
E de mais a mais, se você escutou no rádio, não precisa
assistir à televisão. É a mesma coisa. Falam as mesmas coisas.
Isso a senhora tem razão. Eu até pensei que fosse reclame
de novela. Essas tipo assim “Vale a pena ver de novo”.
Então, desligue a TV e vai arrumar a cozinha.
Agora não! Quero ver a moça que prometeu trabalhar para
melhorar as condições de trabalho das empregadas domésticas.
Quem é?
Não sei. Ela falou no rádio de manhã. Quero votar nela.
Eu vejo na Internet. Lembra o nome dela?
Não.
Lembra o número dela?
Não.
Lembra o partido dela?
Partido?
Ai... Ai... Ai... Ai... Ai... Pina, como você vai votar
numa pessoa que você não tem a menor ideia de quem seja.
Ai... Ai... Ai... Ai... Ai... Dona Gertrudes. Por isso,
eu quero ver a cara dela. Pra ver se ela é igual eu... Se tem cara de quem levanta
às quatro e meia, toma três conduções para trabalhar...
E você vai saber tudo isso vendo a pessoa cinco segundos?
Pelo jeitão dela dá pra saber...
Pina! Por que você não muda de profissão?
Gegê, o que eu fiz de errado?
Não é isso, Pina! É que se você consegue saber o que uma
pessoa é em cinco segundos, deveria montar uma tenda e prever o futuro numa
bola de cristal.
A senhora acha que eu tenho jeito pra isso?
Talvez, mas não tem férias, 13º.terceiro, Fundo de Garantia...
Quero não.
Agora, pode desligar a TV, que acabou o programa...
Ai! Gegê... Viu só...Você me atrapalhou... Não vi a minha
candidata...
Amanhã passa de novo.
E eu posso assistir?
Pina! Quer ver como você prevê o futuro? Adivinhe o que
direi...
Já sei... Pina! Já pra cozinha...
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01 setembro 2018
O CANTO DAS NINFAS
O CANTO DAS NINFAS
Do outro lado do rio haveria um segredo
Causava medo de provocar arrepio
No meio da mata perto do horizonte
Existiria uma fonte, nascente do rio
Onde atraentes ninfas entoam canções
Cada uma mais bela de falsas ilusões
Reza a lenda que certo dia um pescador
Em plena juventude, valentia e ardor
Ouviu a cantoria, imaginou maravilhas
Ignorou alertas, desafiando o destino
Num ato de desatino, adentrou pelas trilhas
Nunca mais voltou, ninguém mais o viu
Desse tempo em diante, a coragem sumiu
Se o vento assovia, o arvoredo balança
Fecham janelas, alertam a vizinhança
Passam tramelas, protegem as crianças
Ninguém se atreve chegar perto do rio
Preferem ficar onde a ninfa não alcança
Medo e desconfiança não faz bom juízo
Se moça bonita surgisse no vilarejo
Andasse sozinha, ousasse um sorriso
Provocasse nos homens suspiro de desejo
Era motivo de ira de mulher ciumenta
Algumas até jogavam nela água-benta
A lenda reza que um homem surgiu no vento
Nenhuma mãe da vila reconhecia o rebento
Cabelos grisalhos, espalhando brilho no olhar
A Felicidade do pródigo retornando ao lar
Sentou-se no banco da praça e pôs-se a cantar
Uma história de vida e a volta ao seu lugar:
“Do outro lado do rio, não há mistério ou segredo
São as mesmas águas moldando o rochedo
O canto das ninfas é o despertar da ilusão
Enfrentar os medos que nos prendem no chão
Alçar voo livre e escrever nosso enredo
Olhar à frente, seguir perene rumo ao horizonte
As ninfas estão por aí cantando e estendendo a mão
Resta-nos o desafio de encontrar o caminho da fonte”
De repente...
No rastro de uma estrela cadente
Surgiu lentamente
Uma ninfa atraente
Cantando docemente
Estendeu seu véu
Deu a mão ao jovem valente
E desapareceram no céu
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26 agosto 2018
TEM JEITO NÃO
As pedras se movem
Eles saem do covil
Ávidos consomem
A Pátria mãe gentil
Senhores feudais
E servis capatazes
Querem sempre mais
De tudo são capazes
Nunca satisfeitos
Ágeis e sutis
Fazem mil trejeitos
Passeiam em Paris
Malas cheias de grana
Jantar à luz de vela
Que vida bacana
Não largo mais ela
Algo fora de plano
Camburão e algemado
Deve ser engano
Cadê meu advogado
Uma tênue ilusão
No horizonte do povo
Mas essa história
Tem final sinistro
Amigo de Ministro
Passa só um dia na prisão
Faz sinal de vitória
Começa tudo de novo
De certo, só um fato
Esse é sem perdão
Você pagará o pato
Não tem jeito, não!
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https://www.recantodasletras.com.br/poesias-do-cotidiano/6430376
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11 agosto 2018
MANIFESTO AO APOSTOLADO DE PEDRO
MANIFESTO AO APOSTOLADO DE PEDRO – O Patriarca
vem a público comunicar e PROTESTAR que há um cheiro de golpe no ar. O PUM
(Partido de União das Massas) está sendo boicotado. Apesar do Patriarca não ter
culpa em cartório (apenas algumas promissórias e boletos em cobrança
extrajudicial), não estar envolvido com nenhum lava-rápido (o Patriarca não possui automóvel de passeio,
apenas de trabalho), não ter sido pego com a mão na massa (o Patriarca pede
pizzas delivery), não ter malas com dinheiro em apartamento frente ao do Omar (o
Patriarca usa apenas plásticos para o cartão do SUS, bilhete único de idoso e
mora numa quitinete na Zona Portuária), ter cumprido as normas legais para a
candidatura à presidência, “exclusive” apresentando seu golpe (digo plano) de governo,
onde constam seus dez principais projetos, como:
1)
a
proibição de chuvas nas férias
escolares,
2)
a
proibição da presença de moscas em churrascos
3)
o fim da
última semana do mês,
4)
o fim do
agendamento de duas confraternizações na mesma data
5)
a instituição do novo calendário para o mês de
Dezembro com 15 sábados, 14 domingos, o Natal e o Reveilon,
6)
et coetera
7)
et coetera
8)
et coetera
9)
et coetera
10)
nihil obstat
Apesar
disso, o Patriarca não foi convidado para o debate, nem recebeu verbas
eleitorais.
Divulguem
e alardeiem por todos os cantos e no dia da eleição, façam como a Pininha:
“Votem
nos candidatos do PUM...
Para
presidente votem Pedrão! Pode ser a solução!“...
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10 julho 2018
O SUMIÇO DO REDENTOR
Havia algo errado
No alto do Corcovado
Olhares atentos...
Passados uns momentos...
Gritaria de repente:
Cadê o Redentor?
Começam os disparates
Um sugere procurar
No PS do Souza Aguiar
Perda de tempo cara
Lá nem adianta perguntar
Sistema sempre fora do ar
Mais fácil procurar no Saara
Se foi algum sequestrador
Logo virá o telefonema
Da Milícia a pedir resgate
Discam Um nove zero...
Imagina trote a Polícia
Sem bilhete nem notícia
A tristeza se abate
Pelas bocas a surpresa
Zum-zum-zum dispara
As ruas cheias de boato
Cada qual mais insensato
Uns incorporam santos
Quem sabe vem mensagem
Vasculham todos cantos
Nada de encontrar a imagem
Chovem hilários palpites
Cansara-se da paisagem
O vento causava friagem
Ele piorou das artrites
Ficara com medo de assalto
Não descera pelo trenzinho
Mas, fora visto no bondinho
Do Morro Santa Teresa
Chamadas do Jornal das Oito
“Redentor aparece no Catete!”
“Cristo visto na zona do Caju!”
Viram-no comendo biscoito
E chupando sorvete
Na geral do Maracanã
Assistindo ao Fla-Flu
Toda fé era necessária
Faziam promessa e oração
Ir de joelhos até a Candelária
Um gaiato solta um rojão
Com tantas balas perdidas
Voando pelas avenidas
Desistem da procissão
A TV faz a chamada
Furo de reportagem
“Nóia viu passar o Redentor!”
História meio maluca!
Sorri o apresentador
Vamos a narrativa exclusiva
Link na floresta na Tijuca
Cidade para a ouvir o rapaz
“Fumei umas pedras de crack
Mas, juro não tenho visões
Era fim de madrugada
Quase cinco de manhã...
À noite ao ver os arrastões
Em Copacabana e Ipanema
O Redentor teve um ataque
Parecia fora do normal
Gritou: quero um dia de paz
Desceu do pedestal
Soltou alguns palavrões
Fez aos céus um sinal
E seguiu rumo a Niterói”
Deixou ao povo carioca
Este pequeno recado:
“Aqui é a casa de Noca
Vou pra Saquarema
Búzios ou Cabo Frio
Para proteger o Rio
Só um super-herói...”
Fui!...
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rio de janeiro
29 junho 2018
ESMOLA ON LINE - AJUDE UM IDOSO
AJUDE UM IDOSO - ESMOLA ON LINE
Eu poderia pedir esmola na rua
sentado na calçada com um chapéu nas mãos. Poderia incomodar o senhor, distribuindo
papelzinho recortado de xerox vagabunda no vagão do metrô ou num terminal de
trem ou ônibus. Entretanto, seguindo as orientações de minha assessoria de captação
monetária, solicito uma pequena colaboração para ajudar um idoso em situação de
necessidade pelas páginas da internet. Comova-se com minha situação. Sou idoso
desde que fiz sessenta anos. Não tivessem mudado a Lei, eu ainda não seria. Cheguei
a ter passe do idoso, mas o fiscal apreendeu, só porque eu o emprestava pela
metade do valor da passagem. Estou aposentado desde quando minha memória ainda
funcionava. Recebo muito menos que necessito. Já tive mulher, filhos e netos. Era
feliz e sabia, mas primeiro foi aquele maldito carioca metido a alagoano que
levou toda minha suada poupança. Com forças que tirei não sei de onde (onde foi
mesmo?). Estão vendo a gravidade de minhas falhas de memória? Enfim, recomecei.
Diziam-me: É preciso ter esperança. Grande mentira. Minha sogra, dona
Esperança, sempre a última que morre, veio morar em casa. Não riam, nem tenham
pena. Peço apenas sua colaboração. Pode ser uma moeda de bitcoin, fazer-me um crédito
usando o aplicativo “Ajude um idoso”. Baixe o aplicativo - é grátis. A presença
da Esperança tornou minha vida um inferno, ao ponto da trágica pergunta: Sou
mãe ou eu... Moro na rua, desde então. Houve um tempo que minha mulher me
procurou. Ou melhor, colocou Oficiais de justiça atrás de mim para que eu pagasse
pensão alimentícia. Um absurdo! Minha mulher que sempre quis emagrecer, pedindo
pensão alimentícia. Fui preso por causa disso, mas o STF concedeu-me um Habeas Corpus
com liberdade provisória, prisão domiciliar e uso de tornozeleira eletrônica. Ao
saber da decisão - que eu teria de voltar para casa -, minha mulher desistiu da
ação. Depois, pensei que minha sorte mudaria. Ganhei um dinheirinho numa fezinha
do bicho, mas aconteceu a predição bíblica: “Do pó vieste, ao pó voltarás”.
Apliquei em ações. Petrobrás, empresas do Eike Batista. As ações viraram pó. É
tanta desgraça que até uma cachorrinha da família, chamada Luma fugiu de casa. A
desgraça tem seu lado cômico. Apesar da doença generativa, que me acomete, morro
de rir no último dia útil de Abril, quando lembro-me que não preciso mais
entregar declaração de Imposto de Renda. Ah! Um lembrete: Você pode contribuir
para a ONG - “Ajude um idoso carente”. Sua doação é dedutível do Imposto.
Visite nosso site: www.ajudeumidosocarente.com.brrrrrrr.
Esta ONG não liga para você dia sim, outro também, pedindo colaborações. Manda
email. Autorize o recebimento de notificações atualizando minhas mensagens.
Desative o spam. Mas, colabore! Lembre-se, pode ser um bitcoin ou um crédito
pelo aplicativo. Não fazemos carnê ou boletos. Se preferir, cadastre sua colaboração
no débito automático. Não quero mais tomar seu precioso tempo. Visite minhas
páginas no facebook, instagram ou twetter. Basta acessar “#ajude um idoso
carente” ou “@um idoso carente precisa de você”. Estou momentaneamente sem whatsapps,
pois meu smart foi furtado num aperto na estação do Metrô. Obrigado pela atenção
e repita comigo o mantra final: “Contribua... Contribua... Contribua...!!!
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13 maio 2018
PALINDROMIA CRÔNICA
Paixão à primeira vista!
Ana e Oto mal se conheceram e ele teve certeza que encontrara “A dama
amada”.
Tinham algo profundo em comum.
Ela também sofria de Palindromia crônica.
“Oto” Pedro era filho de dona Yaray Acaiaca
Yaray(*) e do seu Rener.
Preguiçoso para levantar, era comumente despertado pela Dona Yaray
batendo tambor e gritando: “Acorde, Pedroca!”
Ana era filha do seu Natan e dona Ebe.
“Amar dá drama!”
Quem não gostava de Ana aconselhava: “Ame
a Ema”.
“A Leda, sacana, ia na casa dela” fazer fofocas e garante: “A Marta trama”.
Num “ato idiota”, “após a sopa”, “Oto come mocotó” e pede Ana em casamento, dizendo: “Oto ama Ana e Ana ama Oto”
Dona Ebe com “A cara rajada da jararaca” indignada
esbraveja com “ódio doido”: É “Mega bobagem”. “Ele padece da pele”. “A cera
causa sua careca”.
Ana respondeu: “É
amor! Eu quero, mãe!”.
“E assim a missa
é”!
Para padrinhos convidaram os tios “Ramarim e Miramar”.
No dia do
casório, seu Rener avisou: “Nos ligou o Gílson”. Desejou felicidades.
Lua de mel rumo à Europa no “Navio do Ivan”
Noites sob “O céu sueco”.
“Luz azul!”
“Roma é amor” o verso escrito na Piazza...
No Vaticano: “Ame o poema”, “E até o papa poeta é”
”O namoro do romano” deu frutos...
Cinco filhos...
Elenice, Robert, os gêmeos Leonam e Manoel e Oto Pedro Júnior.
Carinhosamente
chamados de Elê, Bob, Lél, Nenén e... Mirim.
Mirim não gosta de ser chamado assim. Insiste em
ser chamado de Juninho e faz terapia por esse motivo.
A psicóloga é a
doutora “Irene Neri”.
Isso mesmo...
Aquela da música
“Irene ri... Irene ri... Irene ri... “
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* “Yaray Acaiaca Yaray” é nome indígena não catalogado da
tribo dos “Sararas” e significaria: “Arara... arara... o treco certo...
Arara... arara...”
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08 maio 2018
PININHA E O CACHORRO NO CHAFARIZ
Pina! Entrando escondida, hein! Por que chegou tão
atrasada?
Depois eu conto, Gegê.
Pina! Você está encharcada. Vai molhar todo o chão da
sala. Entre pela porta da cozinha.
Era o que eu ia fazer quando a senhora me chamou.
Ai! Pina. Tire só o sapato e me conta. Você caiu numa
poça dágua?
Quase isso, Gegê. Eu salvei um cachorro. E quase fui presa.
Quase isso, Gegê. Eu salvei um cachorro. E quase fui presa.
Como assim? Você faz uma bondade e é quase presa?
Eu também não entendo essas coisas. Mas, eu sou a Pina. Só
faço confusão.
Desembucha, Pina!
Eu desci do ônibus lá na praça que tem o chafariz. Sabe
aonde é?
Claro!
Claro!
Eu vi um monte de gente ao redor da cerquinha do
chafariz. A senhora sabe como eu sou. Fui ver o que acontecia. Tinha um cachorrinho
dentro do chafariz.
Pina, como um cachorro foi parar dentro do chafariz?
Isso eu não sei. Ele estava lá dentro. Gania pedindo
socorro. Acho que estava se afogando.
Pina! Afogar-se no chafariz? Tem trinta centímetros de
profundidade.
Era um desses cachorrinhos de madame. Que dava para esconder
na bolsa quando era proibido entrar com cachorro em tudo que é lugar. Uma
vizinha lá na vila carregava uma sacola e entrava com o cachorro no ônibus.
Entrava?
Entrava... Agora não deixam mais ela entrar com a bolsa.
Por que?
Deu uma confusão. Um dia, no meio do caminho entrou uma
dona com uma sacola grande.
Já sei. Outro cachorro.
Antes fosse. A dona estava com um gato angorá escondido.
Voou pelo pra tudo que era lado.
Ai... ai... ai... ai... ai... Pina... Conta do cachorrinho
no chafariz.
Eu fiquei olhando o desespero do cãozinho. Ninguém
socorria.
Como assim?
A senhora lembra que na praça tem uma placa proibindo pisar na grama.
A senhora lembra que na praça tem uma placa proibindo pisar na grama.
Mas, era uma emergência.
Explica isso pros Guardas Metropolitanos que estavam lá.
Por que eles não salvaram o cachorrinho?
E eu sei lá. Ninguém passava a cerquinha. Então tomei a
decisão. Vou salvar o cachorrinho.
Parabéns, Pina! Você é uma pessoa do bem.
Quase. Nem acabei de passar a cerquinha, os Guardas correram
em minha direção, gritando mais que maritaca assustada. Pulei no chafariz. Foi
por isso que molhei os pés.
O importante é que você salvou o cachorrinho?
O importante é que você salvou o cachorrinho?
Não salvei. Os dois Guardas me agarraram e levaram para
fora do chafariz.
E o cachorrinho?
Não sei. Alguém salvou o bichinho, enquanto eles me tiravam
da grama.
Pina! Que confusão pra nada... Acho que você foi boi de
piranha.
Epa! Epa! Epa! Olha o respeito, Gegê. Sou mulher de
respeito. Piranha? Olhe que eu digo quem
é piranha...
Pina! Boi de piranha é quando a boiada vai atravessar um
rio e...
Gegê... Depois eu que não entendo. Era um cachorro no
chafariz, não uma boiada no rio.
Ai... ai... ai... ai... ai... Deixe pra lá, Pina! Vá
secar esses pés.
Gegê! Não vai pedir desculpa?
De que?
Quem é piranha?
Ai... ai... ai... ai... ai... A dona do cachorrinho...
Ficamos bem assim?
Ta desculpada... Gegê! Posso pegar sua sandália de dedo?
A minha quebrou a tira.
Pode, Pina! Pode...
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Inspirado em fatos (su)rreais de Brasília.
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Pininha
04 maio 2018
PININHA NÃO QUER PRESENTE
Gegê... Este ano não quero presente.
De que você está falando?
No mês que vem eu faço aniversário, mas não precisa
comprar nenhum presentinho para mim.
Pina! Nem tinha pensado nisso.
Não!?
Ainda... Agora que você me lembrou, vou pensar no
assunto.
A senhora tinha esquecido do meu aniversário?
Não, Pina! Apenas não tinha me lembrado ainda. E você
sempre faz uma confusão com a data do seu nascimento. Diz que nasceu num dia,
mas foi registrada em outro.
Verdade, Gegê! Você não acredita nunca.
Acho que é só para ganhar dois presentes. Ainda bem que
este ano não quer ganhar nenhum.
Gegê! Não é que eu não queria, mas pode ser perigoso.
Temos que nos cuidar...
Perigoso? O que tem de perigoso num presente de
aniversário para uma empregada doméstica?
Empregada doméstica? Eu não era sua secretária do lar.
É, Pina! Mas na Carteira de Trabalho é empregada
doméstica. É parecido com sua data de nascimento.
Que confusão!
Pina! Desembucha logo... Qual é o perigo no presente de
aniversário?
Gegê! Você sabe que eu fico escutando o rádio o dia
inteiro?
Sei! Você para de trabalhar para escutar.
Não consigo fazer duas coisas ao mesmo tempo. Nenhuma sai
direito.
Ai! Pina...
O moço do rádio falou
que um homem mandava presente todo mês para um outro.
E o que tem isso de
mais?
Os dois foram presos. O moço do rádio disse que os presentes vinham de dinheiro roubado...
Os dois foram presos. O moço do rádio disse que os presentes vinham de dinheiro roubado...
Meu dinheiro não é
roubado, Pina! É suado...
Já pensou, Gegê... Polícia
Federal na porta às seis da manhã. A gente aparecendo na TV? O que vão pensar
de nós.
Você está ouvindo muita
notícia de política. Comece a escutar uma emissora que toque música.
Eu coloco, a senhora
manda trocar.
Aquelas músicas não dá,
né, Pina. A vizinhança pode reclamar...
A senhora tem razão.
Algum vizinho pode me denunciar, a Polícia vem aqui, revista a casa, encontra
meu presente e eu sou presa.
Por que você seria
presa?
Porque eu não tenho
advogado e a senhora tem.
Ai... ai... ai... ai...
ai... Pina, pare de me enrolar.
Se eu for presa, vou
mofar na cadeia, sem nenhuma visita... A senhora vai me visitar na cadeia?
Claro que não...
Claro que não...
Está vendo só...
Pinaaaaa.... Para...
Você não será presa.
Tem certeza?
Claro que tenho.
Gegê... Estou pensando
melhor...
Pina pensando, perigo chegando...
Diga logo, que a bacia de roupas está esperando na lavanderia.
Acho que a senhora pode
me dar um presentinho de aniversário. Uma lembrancinha... Qualquer coisinha...
Eu sei que a situação está difícil para todos nós.
Pina! Pode parar o
discurso... Seu presente já está comprado...
Já?
Já...
A senhora lembrou de
mim? Que maravilha! O que é? O que é?
No dia de seu
aniversário você verá...
Perfume da TV?... Roupa
daquele brechó chique?... Rasteirinha outra vez?...
Pinaaaaaaa! Vai lavar a
roupa... Vai... Vai...
Calma, Gegê... To
indo... E prometo que não escuto mais essas notícias.
Ai... ai... ai... ai...
ai... Pina... Pina...
Piiiiinaaaaaa!....
Abaixa esse volume... Para de cantar!... Troca de estação...
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01 maio 2018
PININHA E O INCÊNDIO
Pina! TV ligada a esta hora? Já terminou a cozinha?
Peraí, Gegê... Caiu um prédio... Olha lá!
Nossa! Aonde é isso? Bombardeio na Síria?
Que nada! Incêndio no centro da cidade.
Sai da frente, Pina! Que fogaréu...
Gegê, tem coisas que eu não entendo.
O que?
A moça da TV perguntou prum homem se não faltou
fiscalização da prefeitura.
Pode ser... Mas são muitos locais para fiscalizar.
Como será que eles escolhem os lugares pra fiscalizar?
Deve ser sorte e azar.
Como assim, Pina?
Veja só, dona Gertrudes!... A senhora sabe que eu moro pertinho
do fim do mundo... Desce no fim do mundo e pega mais uma condução... O Zito,
meu vizinho, estava fazendo um puxadinho no terreno dele... De repente, assim
do nada, apareceu um fiscal e falou um monte... que não podia... era proibido...
precisava pedir na prefeitura...
É assim mesmo... Ele fez tudo direitinho, não fez, Pina?
Sei lá... Eu sei que eles conversaram, conversaram, conversaram
e devem ter se entendido. O moço até apareceu no churrasco pra comemorar o enchimento
da laje.
Ai! Pina... Será que ele subornou o fiscal?
Subornar é dar uma caixinha?
É...
Acho que sim...
Não se deve fazer essas coisas.
Gegê! Lembrei... Tem um recado para a senhora... É para a
senhora ligar pro Silva. Ele falou alguma coisa sobre a calçada... Deixou um
cartão...
Ai! O Silva...
Ele é da Prefeitura, não é?
Vamos mudar de assunto... Que desgraceira, Pina! Tenho
pena desse pessoal... Perdem tudo num incidente destes!
Dona Gertrudes... O que é incidente? É incêndio?
Deixa pra lá...
A moça da TV disse que o prédio era invadido e não devia
ter extintor de incêndio.
Pois é, Pina! Quem se preocupa com segurança, se faltam outras
coisas mais importantes?
Gegê! Explica pra mim. Os bombeiros não podiam ter visto antes
que o prédio não tinha extintor? Era mais fácil que apagar... gastar essa
montanha de água e não adiantar nada.
Pina! Não dá para vistoriarem todos os prédios. O síndico
é responsável.
Prédio invadido tem cínico?
Síndico, Pina! Síndico... Acho que não!
Que pena, não é Gegê... Tivesse cínico, não tinha
incêndio...
Não é bem assim...
Melhor começar a arrumar a cozinha... Eu nunca entendo
direito essas coisas... Pobre nasce sem sorte...
Ai, Pina! Sem fazer drama... Pode deixar a TV ligada...
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29 abril 2018
PININHA E A DELAÇÃO PREMIADA
Que coisa feia, Gegê!... Escutando na extensão?
Ora, Pina! O telefone tocou e eu estava ao lado......
Quem atende o telefone fixo sou eu... E digo logo que a
senhora não está...
Que você está dizendo Pina? Você atende o telefone e diz
que não estou?
A senhora quer atender, eu começo a chamar a senhora.
Mas, vou avisando... As ligações são quase todas de casa de caridade pedindo donativo,
escritório cobrança procurando um tal de Jaílton, uma tal de Milena, empresa
vendendo TV por assinatura, essas coisas...
Tem razão, Pina! Melhor não chamar... Mas, esse telefonema
não era nada disso, era?
Não! Era a Maroca, que mora na vila... Ela está visitando
a mãe lá no Nordeste...
Deve ser coisa importante, ficaram mais de meia hora
conversando. A ligação vai ficar cara...
Ela ligou a cobrar...
Pina! Você ficou esse tempo todo numa ligação a cobrar?
Nem percebi o tempo passar... A Maroca começou a contar
de um moço que queria namorar com ela. Ela até gostou do rapaz, mas ela já tem
um companheiro lá na Vila e...
...E ele não ir gostar de saber a história... essa parte
eu ouvi, Pina...
O que mais a senhora escutou?
A parte da noite na praia.
Nossa! Segredo, hein Dona Gertrudes!
Foi divertido...
Não sei!... A senhora já fez aquelas coisas na praia?
Pina... Não é da sua conta...
Ah!... Fez?...
Que tal pararmos a conversa por aqui e você começar a
faxina do banheiro?
A senhora não tem senso de humor... Deve ter algo a esconder...
A senhora não tem senso de humor... Deve ter algo a esconder...
Piiiinaaa! Estou começando a perder o humor....
Ta com medo que eu faça delação premiada?
Delação premiada? Onde você ouviu isso?
Só se fala nisso... No rádio... na televisão... no
celular... Não sei direito o que é.
A senhora pode me explicar?
É mais ou menos assim... Uma grupo de pessoas comete um
crime... Se alguém confessar e disser quem é o chefe da quadrilha é perdoado em
parte.
Deixa eu ver se entendi... O namorado da Maroca – o Zito
- “vende uns bagulhos(*)”. O Zico também vende pra “rachar” com o Zito. O Zico
é pego num “enquadro”(**). Os “gambés”(***) começam um “esculacho” e o Zico fala
que a mercadoria era do Zito “pra livrar a cara”. É isso, Gegê?
Se eu entendi o que você quis dizer com esse dialeto,
acho que é...
Isso lá na vila a gente chama de deduragem... Coisa feia!
Dá uma confusão!
Pina! A delação é feita por gente rica, político.
Combinado entre os advogados e a Polícia Federal, Ministério Público,
Magistrados...
Para, dona Gertrudes!... Eu não entendo essas pessoas...
Falam umas palavras esquisitas.
Eu também não entendo muitas palavras que eles falam...
Gegê! Vamos falar do que a gente entende?
De que, Pina?
Das fofocas que a Maroca me contou. Fazer fofoca é bem
mais fácil, não é?
Desta vez, você tem razão, Pina...
Posso ir buscar um café?
Pode, mas não enrola muito que tem muita faxina e roupa
pra lavar.
Tá certo! Café com açúcar ou adoçante?
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(*) bagulho - maconha ou produto de pequenos furtos.
(**) enquadro - batida policial, revista
(***) gambé – Policial Militar
(****) esculacho – agressão policial
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25 abril 2018
Orgulho de ser Brasileiro!
Que mentira, que lorota boa! Que mentira, que lorota boa!
Sonho meu! Sonho meu!
Assim não dá, pátria amada!
O orgulho some ao primeiro espreguiçar
Hoje não quero ouvir notícia ruim!
Que coincidência!
No rádio toca Cazuza.
Mostra tua cara antes do galo cantar três vezes.
Melhor nem prestar atenção!
Mudo de emissora!
“Ai! Esta terra ainda vai cumprir seu ideal. Ainda vai
tornar-se um imenso Portugal”.
Peralá!...
Meu avô era honesto e um ex-primeiro-ministro lusitano
foi preso “aquém-mar”.
Estamos chegando lá... “Braziu varemnóis” também tem um ex-presidente
devidamente preso “além-mar”.
É para sentir orgulho disso?
Temos tantas coisa boas.
“Bolsa-família”.
Quem dá mais? Quem dá mais?
“Mega-sena”.
Quem dá mais? Quem dá mais?
Uma vez Flamengo, sempre Flamengo!
Quem dá mais? Quem dá mais?
Tinha que lembrar do Sete a um!
Falando nisso... Como tem “Um...Sete... Um...”!
Dou “Habeas corpus”...
Feito!
Tomaladacá!
Motorista! Rápido!’
Põe a mala no porta mala, leva-a-jato para o apartamento.
Trânsito fechado!
Tá lá o corpo estendido no chão!
Mais um!
Mais um!
Mais um! Mais uma...
Chacina na periferia!
É preciso rebelar-se...
É preciso estar atento e forte...
Alguma coisa acontece no meu coração...
Dor no peito?
Pode estar à beira da morte...
Tínhamos tantos sonhos...
Detalhes tão pequenos de nós dois...
Detalhes?
Há pedras imensas pelo caminho que não dá para desviar.
Nem sentir orgulho!
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18 abril 2018
EFEITO COLATERAL DE REMÉDIO?
Só pode ser efeito colateral da medicação.
A bula alerta sobre ocorrências raríssimas de alucinação (0,001% dos casos).
Justo comigo que nunca tive a sorte de ganhar na loteria.
Por mero detalhe de não jogar.
O remédio tive que tomar.
Pensando bem talvez seja alguma armação visando a beatificação “in vitae”.
Esse pessoal é capaz de tudo para voltarem a ser incluídos na Fopag de algum órgão estatal.
Vou digitar de pouquinho, pois não consigo parar de rir.
Ouvi com todos os fonemas o causídico afirmar no meu radinho de pilha:
“Luigi Ignatius, o Puro” está (ops!) lendo (ops! ops!) livros (ops! ops! ops!)...
Pensar que, reza a lenda, o Santo Homem perguntou ao chegar na PF se era arroz, feijão e mistura.
Fez uma expressão feliz quando responderam que era cana.
Fala sério, companheiro!
O “Amigo” nunca foi dado a leitura de livros.
Quando muito perguntava do livro-caixa.
Entretanto, teria afirmado que gostara muito de ser lembrado logo nas primeiras páginas. Nos dois livros havia um capítulo chamado “Inácio”.
Óleo de peroba, como diria vovó...
Me poupem!
A ênclise errada é proposital.
Não é efeito medicamentoso...
20 janeiro 2018
Mané Garrincha
Corre manco Mané
Bola colada no pé
Dança sem bola, Mané
A bola parada
Na grama aparada
Medo trêmulo
No olhar do João
O olhar de Mané
Inventa no espaço
Um ponto futuro
No infinito
Mané valsa suave
Céu azul de arco-íris
Cinco, seis, infinitas pontas
Estrelas espiam
Flecha certeira a cruzar
Ponta de lança voar
João desvia o olhar
Bola dorme na rede
Bandeiras balançam ao vento
Descansa... Mané... Descansa...
“Solitária Estrela”
Brilho eterno no Maracanã
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Dia 20.jan.1983 falecia o Anjos de Pernas Tortas
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18 janeiro 2018
ANJOS E AS PREVISÕES DE NASCIMENTO
Quando nasci, acho que não vieram anjos. Nem tortos, nem
disfarçados de querubim.
Vieram vizinhas, parentes e curiosos.
Eu, ali no quentinho do cobertor no improvisado berço de caixa
de bacalhau, não entendia nada. Elogios e falas estéreis... - “que lindinho!”, “parece
com o pai”... “É a carinha da mãe”... - que norteiam as conversas da primeira
visita.
Soube, tempos depois, que visitou-me uma parente
distante. Prima em terceiro ou quarto grau de uma titia de me avô. Tão distante
que morava na zona Leste, além de onde seria construída a Arena Itaquera.
Ela prometera que levaria os dados da hora exata de meu
nascimento para uma parente do marido dela, que fazia mapas astrais.
Mapa astral!
Imaginem isso no começo da segunda metade do século XX.
Essa feitiçarias!
Um pecado tão grande que confessar sua prática e denunciar
praticantes era como fazer delação premiada. Mereceria destaque no Repórter
Esso.
Hoje posso falar livremente, que meu mapa astral dizia
que o Sol estava na casa de Mercúrio, na hora de meu nascimento.
Esse dado fez-me entender algumas coisas.
Minha mãe dizia-me que nasci numa tarde fria e chuvosa
O Sol provavelmente estivesse escondido na casa de
Mercúrio, para não se resfriar e, assim os cuidados maternos dos insistentes “Leva
uma blusa!” toda vez que eu saía de casa.
De forma genérica, afirmava o mapa astral, que os
nascidos naquele dia, raramente admitem sua ignorância.
Cheia de razão minha sábia e profícua afirmação autobiográfica:
“A modéstia é minha segunda virtude e a primeira a união de todas as outras”.
Entretanto, na contramão, um absurdo científico.
Teria a facilidade com línguas e aptidão para destreza
manual.
Ora! Neste caso, como dar ouvido às estrelas?
Não sei falar direito nem o português. Quando muito, uso
a língua para falar mal dos outros. A única habilidade que tenho com as mãos é
aplaudir quem consegue desenhar, pintar, tocar um instrumento, fazer tricô.
O leitor não vê, mas a tecla que mais uso é “delete” e
fui um grande produtor de papel para rascunho nos tempos das máquinas de
datilografia.
Horóscopos!
Como acreditar?
É impossível, eu, nascido em São Paulo, no bairro dos
Jardins, sem nenhum pezinho no Nordeste, exceto uma ou outra excursão, ser qualificado
como Cabra de Madeira, como afirma o Horóscopo Chinês.
Deduções levam-me a concluir que deva ser um “Cara-de-Pau”.
Se bem que tem lógica...
Um “Cabra de “Madeira”, reza o HC...
Só um instantinho, senão o STF se intromete...
HC neste caso é Horóscopo Chinês.
Um “Cabra de “Madeira”, reza o HC, é capaz de sonhar
acordado durante toda a tarde. Explica-se em parte a minha insônia. Uma
confusão neurológica determinada pelo mapa astral.
Eu não acredito muito nessas coisas de astrologia.
Ainda mais, depois que um companheiro de bar de meu pai, disse
que a cunhada de uma prima em terceiro ou quarto grau de seu vizinho de quintal
estudava numerologia. Assim, que a encontrasse, pois ela que morava na zona Sul,
perto de onde São Paulo faz divisa com Itanhaém, passaria o meu nome certinho
para que ela previsse meu futuro.
Teve boa vontade.
Encontrei-o algumas vezes e ele sempre perguntando se meu
nome era com “Z” ou “S” e o sobrenome com um ou dois “L”, dois “C” ou “CH”.
Isso alteraria o meu destino. Meu número poderia ser
DOIS, QUATRO ou SEIS.
Esses pequenos detalhes na formação de minha numerologia
devem ser a causa de acertos e erros nas provas de matemática e a falta de suficiência
de saldo na conta bancária.
Ou seja, talvez eu não seja eu, porque o sobrenome de meu
pai foi grafado errado pelo cartório.
Queria tanto ser NOVE um dia, QUATRO no outro, SEIS de
vez em quando.
No fim das contas, são tantos detalhes a predizer o que
seremos, que eu chego a pensar que os anjos não tenham nada a ver com isso.
Talvez, sequer existam.
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05 janeiro 2018
Feliz 2018 - Reveilón entre fogos, cães e cachorras
Preparem as atiradeiras os
defensores “del Mondo Cannis” e investidores dos Pets não recicláveis.
Por favor, não me mordam, pois
o estoque de antirrábica está em falta. As ampolas de vacinação foram usadas
para a febre amarela. Deixem que os macacos - se sobreviverem - me mordam.
Estão proibidos no Reveilon os
fogos de artifício com barulho, decretaram várias cidades.
Justificativa: o barulho dos
rojões incomoda aos “Canis lupus familiaris”. Ninguém
falou das criancinhas. As pequenas crias do animal bípede da ordem dos primatas pertencente à espécie “Homo
sapiens”.
Acho que só o
Pelé lembrou-se das criancinhas num momento de festa. Corrijo... Esqueci-me de
Papai Noel.
Esses
pequenos seres que além da possibilidade de morrerem de febre amarela, podem
ficar surdas pelo espoucar de foguetório. Ainda que seja por um motivo justo.
Não foi lindo ver as comemorações na noite sagrada de 04 de julho de 2012?
Metade do “braziu varemnóis” soltando rojões e gritando nas ruas “Somos loucos
por ti Corínthians” e a outra metade soltando palavrões nas janelas.
Felicidade em meu coração. A Libertadores conquistada e os cachorros da
vizinhança escondidos quietinhos nos cantos das salas das casas e apartamentos.
Pobres criancinhas! Indefesas! Um de meus vizinhos apareceu na sacada
com um inocente “Meninus sapiens” vestindo uma camisetinha do “argh-rival
white-green”. Colocou o garoto de uns nove meses em risco de vida. Chorava
tanto o pequeno. Devia estar com alergia à roupa.
Pena que a festa acabou e os cães voltaram a latir .
Se o argumento para a redução de foguetório fosse os males à audição
infantil, seria plausível, mas o medo canino?
“Use protetores auditivos”! Foi a frase que ouvi, certa feita, ao
reclamar, à meia-noite, do som de um “pancadão” infanto-juvenil regado a “Se eu
te pego” e “Metralhadora” entre outras no salão de festas do prédio vizinho.
Nenhuma palavra em defesa dos quadrúpedes com rabo da parte das candidatas
a cachorras sem rabo que rebolavam na festa.
Da minha parte, quero dizer que usei protetores auditivos na festa de reveilon
e foi bom ver e ouvir o foguetório.
Quanto aos cães, que seus donos coloquem protetores auditivos neles.
Ah! Quase esqueço das criancinhas indefesas aos rojões e “pancadões”...
Quando crescerem, encontrarão uma boa quantidade de aparelhos auditivos
para surdez.
Sem mágoas desejo um 2018 com muito mais felicidade. Campeão Paulista, Brasileiro,
Libertadores... Com foguetório e sem “pancadões”...
Maloqueiro é a .... Desculpem-me! É o meu vizinho do menininho vestido
de palmeirense.
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