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05 novembro 2019

PININHA, A INEXORÁVEL



Bom dia, Pina...
(silêncio)
Pina, bom dia...
(silêncio)
Pina! Estou falando com você...
(silêncio)
Pina, você não está me ouvindo?
(silêncio)
Ai... Ai... Ai... Ai... Ai... O que deu nela?
(aos gritos) – Piiiiiiiinaaa...
Vixe! Carece de gritar, Dona Gertrudes.
Acordou?
Faz tempo... Às quatro... Já peguei “busão” lotado... Trânsito parado... Não bronqueia que eu estou atrasada.
Ai! Pina... Que susto!... Pensei que tivesse acontecido algo diferente. Que você “tivesse” magoada comigo.
Gegê, não é tivesse... É estivesse...
Que deu em você? Engoliu um dicionário?
Não! A Zefinha, vizinha de casa “tá” no EJA.
Não é “ta”. É está.
Está correta, Gegê.  A senhora aprendeu no EJA.
Não! Eu não frequentei o EJA.
Ta bom!
Por que?
Ia perguntar o que é EJA?
AI! Pina... Educação de Jovens e Adultos.
Vivendo e aprendendo.
Mas o que tem o EJA com você não dizer bom dia.
Boca fechada não entra mosca, nem sai bobagem.
Quanta filosofia! O que deu em você hoje?
A Zefinha deu de ficar corrigindo tudo o que eu falo errado.
Sempre é bom aprender.
Gegê! Parei de escutar rádio de madrugada.
Por que?
Falam muita palavra errada. Depois, a Pina, que é “meia” analfabeta pensa que eles falam tudo certo, repete e a Zefinha parece um papagaio corrigindo o que eu falo.
O que aconteceu?
Noite dessa, o moço do rádio falou que o “primeiro ouvinte que trazer sei lá o que na emissora, ganharia um par de ingresso pro show sei lá de quem”.
E daí, Pina?
A Zefinha falou que o certo era o moço dizer “trousser” ao invés de trazer.
A Zefinha ta certa.
Está, Gegê... Está...
Ai... Ai... Ai... Ai... Ai...
Fica difícil pra mim entender.
Para eu entender.
A senhora também faz confusão?
Não, Pina! Não é “mim” entender que se diz. É para eu entender. Mim é pronome oblíquo e pronomes oblíquos não podem ser sujeito.
Que?
Esquece a explicação. Lembre-se apenas que mim nunca faz nada. Quem faz é ”eu”.
A senhora? Eu é que levanto cedo, dou duro o dia inteiro faxinando a casa...
Ai... Ai... Ai... Ai... Ai...
Que foi?
Não é isso...
Não entendi...
Melhor deixar pra lá...
Já estou imaginando o que a senhora está pensando...
O que?
A burrice da Pina é “inezorável”...
Nossa Pina! É isso mesmo...
Vou procurar o Sindicato, falar com o advogado...
O que foi agora?
A senhora disse que sou burra.
Não! Pina... Você falou inexorável certinho.
Foi a Zefinha quem me ensinou. Eu falei que tinha escutado o moço do rádio falar que era inequizorável o que não sei quem fazia e ela disse que era “inezorável”.
É Pina! Muitas pessoas cultas falam errado “inexorável”. Muito bom o EJA que a Zefinha frequenta.
Gegê, posso fazer uma pergunta?
Adianta falar não?
Não! Se não souber não tem importância.
Pergunte, Pina.
O que é inexorável?


15 setembro 2018

PININHA E O HORÁRIO POLÍTICO


PINA E O HORÁRIO POLÍTICO


Pina! O que está fazendo com a TV ligada a essa hora.
Vendo o horário político. É minha hora de descanso.
Sua hora de descanso? Você me falou às 11.30h que iria almoçar mais cedo. São uma e quinze. Aliás combinamos reduzir seu horário de almoço para meia-hora, para você sair mais cedo.
Gegê, que mau-humor!
Veja lá como fala!
Desculpa, dona Gertrudes, mas o moço do rádio de manhã disse que é programa obrigatório. Tem que cumprir a lei, não tem?
Ai... Ai... Ai... Ai... Ai... Pina. É obrigatória a transmissão do programa, não é obrigatório assistir...
Ah! Nunca entendo direito.
E de mais a mais, se você escutou no rádio, não precisa assistir à televisão. É a mesma coisa. Falam as mesmas coisas.
Isso a senhora tem razão. Eu até pensei que fosse reclame de novela. Essas tipo assim “Vale a pena ver de novo”.
Então, desligue a TV e vai arrumar a cozinha.
Agora não! Quero ver a moça que prometeu trabalhar para melhorar as condições de trabalho das empregadas domésticas.
Quem é?
Não sei. Ela falou no rádio de manhã. Quero votar nela.
Eu vejo na Internet. Lembra o nome dela?
Não.
Lembra o número dela?
Não.
Lembra o partido dela?
Partido?
Ai... Ai... Ai... Ai... Ai... Pina, como você vai votar numa pessoa que você não tem a menor ideia de quem seja.
Ai... Ai... Ai... Ai... Ai... Dona Gertrudes. Por isso, eu quero ver a cara dela. Pra ver se ela é igual eu... Se tem cara de quem levanta às quatro e meia, toma três conduções para trabalhar...
E você vai saber tudo isso vendo a pessoa cinco segundos?
Pelo jeitão dela dá pra saber...
Pina! Por que você não muda de profissão?
Gegê, o que eu fiz de errado?
Não é isso, Pina! É que se você consegue saber o que uma pessoa é em cinco segundos, deveria montar uma tenda e prever o futuro numa bola de cristal.
A senhora acha que eu tenho jeito pra isso?
Talvez, mas não tem férias, 13º.terceiro, Fundo de Garantia...
Quero não.
Agora, pode desligar a TV, que acabou o programa...
Ai! Gegê... Viu só...Você me atrapalhou... Não vi a minha candidata...
Amanhã passa de novo.
E eu posso assistir?
Pina! Quer ver como você prevê o futuro? Adivinhe o que direi...
Já sei... Pina! Já pra cozinha...

08 maio 2018

PININHA E O CACHORRO NO CHAFARIZ

 

Pina! Entrando escondida, hein! Por que chegou tão atrasada?
Depois eu conto, Gegê.
Pina! Você está encharcada. Vai molhar todo o chão da sala. Entre pela porta da cozinha.
Era o que eu ia fazer quando a senhora me chamou.
Ai! Pina. Tire só o sapato e me conta. Você caiu numa poça dágua?
Quase isso, Gegê. Eu salvei um cachorro. E quase fui presa.
Como assim? Você faz uma bondade e é quase presa?
Eu também não entendo essas coisas. Mas, eu sou a Pina. Só faço confusão.
Desembucha, Pina!
Eu desci do ônibus lá na praça que tem o chafariz. Sabe aonde é?
Claro!
Eu vi um monte de gente ao redor da cerquinha do chafariz. A senhora sabe como eu sou. Fui ver o que acontecia. Tinha um cachorrinho dentro do chafariz.
Pina, como um cachorro foi parar dentro do chafariz?
Isso eu não sei. Ele estava lá dentro. Gania pedindo socorro. Acho que estava  se afogando.
Pina! Afogar-se no chafariz? Tem trinta centímetros de profundidade.
Era um desses cachorrinhos de madame. Que dava para esconder na bolsa quando era proibido entrar com cachorro em tudo que é lugar. Uma vizinha lá na vila carregava uma sacola e entrava com o cachorro no ônibus.
Entrava?
Entrava... Agora não deixam mais ela entrar com a bolsa.
Por que?
Deu uma confusão. Um dia, no meio do caminho entrou uma dona com uma sacola grande.
Já sei. Outro cachorro.
Antes fosse. A dona estava com um gato angorá escondido. Voou pelo pra tudo que era lado.
Ai... ai... ai... ai... ai... Pina... Conta do cachorrinho no chafariz.
Eu fiquei olhando o desespero do cãozinho. Ninguém socorria.
Como assim?
A senhora lembra que na praça tem uma placa proibindo pisar na grama.
Mas, era uma emergência.
Explica isso pros Guardas Metropolitanos que estavam lá.
Por que eles não salvaram o cachorrinho?
E eu sei lá. Ninguém passava a cerquinha. Então tomei a decisão. Vou salvar o cachorrinho.
Parabéns, Pina! Você é uma pessoa do bem.
Quase. Nem acabei de passar a cerquinha, os Guardas correram em minha direção, gritando mais que maritaca assustada. Pulei no chafariz. Foi por isso que molhei os pés.
O importante é que você salvou o cachorrinho?
Não salvei. Os dois Guardas me agarraram e levaram para fora do chafariz.
E o cachorrinho?
Não sei. Alguém salvou o bichinho, enquanto eles me tiravam da grama.
Pina! Que confusão pra nada... Acho que você foi boi de piranha.
Epa! Epa! Epa! Olha o respeito, Gegê. Sou mulher de respeito. Piranha? Olhe  que eu digo quem é piranha...
Pina! Boi de piranha é quando a boiada vai atravessar um rio e...
Gegê... Depois eu que não entendo. Era um cachorro no chafariz, não uma boiada no rio.
Ai... ai... ai... ai... ai... Deixe pra lá, Pina! Vá secar esses pés.
Gegê! Não vai pedir desculpa?
De que?
Quem é piranha?
Ai... ai... ai... ai... ai... A dona do cachorrinho... Ficamos bem assim?
Ta desculpada... Gegê! Posso pegar sua sandália de dedo? A minha quebrou a tira.
Pode, Pina! Pode...

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Inspirado em fatos (su)rreais de Brasília.

04 maio 2018

PININHA NÃO QUER PRESENTE




Gegê... Este ano não quero presente.
De que você está falando?
No mês que vem eu faço aniversário, mas não precisa comprar nenhum presentinho para mim.
Pina! Nem tinha pensado nisso.
Não!?
Ainda... Agora que você me lembrou, vou pensar no assunto.
A senhora tinha esquecido do meu aniversário?
Não, Pina! Apenas não tinha me lembrado ainda. E você sempre faz uma confusão com a data do seu nascimento. Diz que nasceu num dia, mas foi registrada em outro.
Verdade, Gegê! Você não acredita nunca.
Acho que é só para ganhar dois presentes. Ainda bem que este ano não quer ganhar nenhum.
Gegê! Não é que eu não queria, mas pode ser perigoso. Temos que nos cuidar...
Perigoso? O que tem de perigoso num presente de aniversário para uma empregada doméstica?
Empregada doméstica? Eu não era sua secretária do lar.
É, Pina! Mas na Carteira de Trabalho é empregada doméstica. É parecido com sua data de nascimento.
Que confusão!
Pina! Desembucha logo... Qual é o perigo no presente de aniversário?
Gegê! Você sabe que eu fico escutando o rádio o dia inteiro?
Sei! Você para de trabalhar para escutar.
Não consigo fazer duas coisas ao mesmo tempo. Nenhuma sai direito.
Ai! Pina...                                                     
O moço do rádio falou que um homem mandava presente todo mês para um outro.
E o que tem isso de mais?
Os dois foram presos. O moço do rádio disse que os presentes vinham de dinheiro roubado...
Meu dinheiro não é roubado, Pina! É suado...
Já pensou, Gegê... Polícia Federal na porta às seis da manhã. A gente aparecendo na TV? O que vão pensar de nós.
Você está ouvindo muita notícia de política. Comece a escutar uma emissora que toque música.
Eu coloco, a senhora manda trocar.
Aquelas músicas não dá, né, Pina. A vizinhança pode reclamar...
A senhora tem razão. Algum vizinho pode me denunciar, a Polícia vem aqui, revista a casa, encontra meu presente e eu sou presa.
Por que você seria presa?
Porque eu não tenho advogado e a senhora tem.
Ai... ai... ai... ai... ai... Pina, pare de me enrolar.
Se eu for presa, vou mofar na cadeia, sem nenhuma visita... A senhora vai me visitar na cadeia?
Claro que não...
Está vendo só...
Pinaaaaa.... Para... Você não será presa.
Tem certeza?
Claro que tenho.
Gegê... Estou pensando melhor...
Pina pensando, perigo chegando... Diga logo, que a bacia de roupas está esperando na lavanderia.
Acho que a senhora pode me dar um presentinho de aniversário. Uma lembrancinha... Qualquer coisinha... Eu sei que a situação está difícil para todos nós.
Pina! Pode parar o discurso... Seu presente já está comprado...
Já?
Já...
A senhora lembrou de mim? Que maravilha! O que é? O que é?
No dia de seu aniversário você verá...
Perfume da TV?... Roupa daquele brechó chique?... Rasteirinha outra vez?...
Pinaaaaaaa! Vai lavar a roupa... Vai... Vai...
Calma, Gegê... To indo... E prometo que não escuto mais essas notícias.
Ai... ai... ai... ai... ai...  Pina... Pina...
Piiiiinaaaaaa!.... Abaixa esse volume... Para de cantar!... Troca de estação...

01 maio 2018

PININHA E O INCÊNDIO


 

Pina! TV ligada a esta hora? Já terminou a cozinha?
Peraí, Gegê... Caiu um prédio... Olha lá!
Nossa! Aonde é isso? Bombardeio na Síria?
Que nada! Incêndio no centro da cidade.
Sai da frente, Pina! Que fogaréu...
Gegê, tem coisas que eu não entendo.
O que?
A moça da TV perguntou prum homem se não faltou fiscalização da prefeitura.
Pode ser... Mas são muitos locais para fiscalizar.
Como será que eles escolhem os lugares pra fiscalizar? Deve ser sorte e azar.
Como assim, Pina?
Veja só, dona Gertrudes!... A senhora sabe que eu moro pertinho do fim do mundo... Desce no fim do mundo e pega mais uma condução... O Zito, meu vizinho, estava fazendo um puxadinho no terreno dele... De repente, assim do nada, apareceu um fiscal e falou um monte... que não podia... era proibido... precisava pedir na prefeitura...
É assim mesmo... Ele fez tudo direitinho, não fez, Pina?
Sei lá... Eu sei que eles conversaram, conversaram, conversaram e devem ter se entendido. O moço até apareceu no churrasco pra comemorar o enchimento da laje.
Ai! Pina... Será que ele subornou o fiscal?
Subornar é dar uma caixinha?
É...
Acho que sim...
Não se deve fazer essas coisas.
Gegê! Lembrei... Tem um recado para a senhora... É para a senhora ligar pro Silva. Ele falou alguma coisa sobre a calçada... Deixou um cartão...
Ai! O Silva...
Ele é da Prefeitura, não é?
Vamos mudar de assunto... Que desgraceira, Pina! Tenho pena desse pessoal... Perdem tudo num incidente destes!
Dona Gertrudes... O que é incidente? É incêndio?
Deixa pra lá...
A moça da TV disse que o prédio era invadido e não devia ter extintor de incêndio.
Pois é, Pina! Quem se preocupa com segurança, se faltam outras coisas mais importantes?
Gegê! Explica pra mim. Os bombeiros não podiam ter visto antes que o prédio não tinha extintor? Era mais fácil que apagar... gastar essa montanha de água e não adiantar nada.
Pina! Não dá para vistoriarem todos os prédios. O síndico é responsável.
Prédio invadido tem cínico?
Síndico, Pina! Síndico... Acho que não!
Que pena, não é Gegê... Tivesse cínico, não tinha incêndio...
Não é bem assim...
Melhor começar a arrumar a cozinha... Eu nunca entendo direito essas coisas... Pobre nasce sem sorte...
Ai, Pina! Sem fazer drama... Pode deixar a TV ligada...

29 abril 2018

PININHA E A DELAÇÃO PREMIADA


Que coisa feia, Gegê!... Escutando na extensão?
Ora, Pina! O telefone tocou e eu estava ao lado......
Quem atende o telefone fixo sou eu... E digo logo que a senhora não está...
Que você está dizendo Pina? Você atende o telefone e diz que não estou?
A senhora quer atender, eu começo a chamar a senhora. Mas, vou avisando... As ligações são quase todas de casa de caridade pedindo donativo, escritório cobrança procurando um tal de Jaílton, uma tal de Milena, empresa vendendo TV por assinatura, essas coisas...
Tem razão, Pina! Melhor não chamar... Mas, esse telefonema não era nada disso, era?
Não! Era a Maroca, que mora na vila... Ela está visitando a mãe lá no Nordeste...
Deve ser coisa importante, ficaram mais de meia hora conversando. A ligação vai ficar cara...
Ela ligou a cobrar...
Pina! Você ficou esse tempo todo numa ligação a cobrar?
Nem percebi o tempo passar... A Maroca começou a contar de um moço que queria namorar com ela. Ela até gostou do rapaz, mas ela já tem um companheiro lá na Vila e...
...E ele não ir gostar de saber a história... essa parte eu ouvi, Pina...
O que mais a senhora escutou?
A parte da noite na praia.
Nossa! Segredo, hein Dona Gertrudes!
Foi divertido...
Não sei!... A senhora já fez aquelas coisas na praia?
Pina... Não é da sua conta...
Ah!... Fez?...
Que tal pararmos a conversa por aqui e você começar a faxina do banheiro?
A senhora não tem senso de humor... Deve ter algo a esconder...
Piiiinaaa! Estou começando a perder o humor....
Ta com medo que eu faça delação premiada?
Delação premiada? Onde você ouviu isso?
Só se fala nisso... No rádio... na televisão... no celular... Não sei direito o que é.
A senhora pode me explicar?
É mais ou menos assim... Uma grupo de pessoas comete um crime... Se alguém confessar e disser quem é o chefe da quadrilha é perdoado em parte.
Deixa eu ver se entendi... O namorado da Maroca – o Zito - “vende uns bagulhos(*)”. O Zico também vende pra “rachar” com o Zito. O Zico é pego num “enquadro”(**). Os “gambés”(***) começam um “esculacho” e o Zico fala que a mercadoria era do Zito “pra livrar a cara”. É isso, Gegê?
Se eu entendi o que você quis dizer com esse dialeto, acho que é...
Isso lá na vila a gente chama de deduragem... Coisa feia! Dá uma confusão!
Pina! A delação é feita por gente rica, político. Combinado entre os advogados e a Polícia Federal, Ministério Público, Magistrados...
Para, dona Gertrudes!... Eu não entendo essas pessoas... Falam umas palavras esquisitas.
Eu também não entendo muitas palavras que eles falam...
Gegê! Vamos falar do que a gente entende?
De que, Pina?
Das fofocas que a Maroca me contou. Fazer fofoca é bem mais fácil, não é?
Desta vez, você tem razão, Pina...
Posso ir buscar um café?
Pode, mas não enrola muito que tem muita faxina e roupa pra lavar.
Tá certo! Café com açúcar ou adoçante?
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(*) bagulho - maconha ou produto de pequenos furtos.
(**) enquadro - batida policial, revista
(***) gambé – Policial Militar
(****) esculacho – agressão policial

20 agosto 2016

Pininha Olímpica




Gege, voltei!
Ah! Que bom... Por onde andou? Seu celular não atendia. Pensei que tivesse adoecido, sido sequestrada.
Sequestrada? Só se fosse por um disco voador, para fazer faxina num outro planeta.
Quinze dias sem dar notícia. Isso é quase abandono de emprego. Que história vai inventar desta vez.
Fui pras Olimpíadas. Rio de Janeiro. Cidade Maravilhosa.
Ai! Pina. Inventa outra.
Verdade, Gege!
Com que dinheiro?
Ganhei quase de presente.
Como assim?
Sabe a Zica, companheira do Zico, que mora lá na Vila...
Já sei quem é...
Pois é... Ela tinha sido contratada por um casal de bacana... Gente assim quase igual à senhora...
Pina! Vai logo com essa história.
Ih! Tomou sua “valeria” hoje?
Pinaaaaaa! 
Tá bom... tá bom... O casal ia para as Olimpíadas e precisavam de uma babá. Aí, o Zico não deixou a Zica ir e eu fui no lugar dela. Pronto! Contei!
E não me avisou?
Se avisasse, quem não ia me deixar ir era a senhora.
Vou fingir que acredito. Vai fazer os serviços atrasados e depois você me conta a verdade.
Verdade? Mas é verdade. Eu assisti a um monte de jogo, competição de corrida, pular, vi uns homens gigantes, umas mulheres que pareciam de borracha. Tinha até uns, que acho que eram tudo parente do Seu Takeo. Uns jogos eu não entendia nada, mas foi legal. Torci tanto, tanto, que quase esqueci o filhinho deles na geral.
Estou começando a acreditar nessa história.
Gege! Você me explica umas coisas desses jogos.
Se eu souber...
A senhora viu algum jogo pela TV?
O que deu. Era muita coisa.
Viu o Tênis? Eu fui lá uma tarde. E não entendi.
Vi... O que você não entendeu? É tão simples. É só jogar a bolinha para a quadra adversária.
Isso que eu não entendi... Se precisa jogar a bolinha para o outro jogar de volta, por que jogam a bolinha longe e tão forte e comemoram quando o outro não consegue devolver?
Pina! É que tem que fazer o outro errar.
Isso que eu não consigo entender. Pra que jogar então, se o mais legal é quando um rebate para o lado do outro?
Ai! Pina! Que mais você achou estranho?
Eu achei divertido um parecido. Também era com raqueta. Jogavam uma peteca por cima da rede de vôlei. Os parentes do Takeo ganhavam tudo. Parece que chama “BodeMilto”.
Badmington, Pina... Badmington...
Isso aí, Gegê.
Agora ao trabalho, Pina.
Peraí, tem mais uns esportes estranhos.
Quais?

Fazer cavalo pular é esporte?
Claro! Hipismo.
Os cavalos tudo de crista arrumada. Eles fazem “chapinha”?  
Ai... Ai... Ai... Ai... Ai...
Tem um esporte que é bem brasileiro.
Futebol?
Não! Gege... Descer rio a remo... Lembrei-me dos bombeiros quando vem socorrer na enchente. Lá na Vila tem muito, quando chove forte.
.....
Gegê... explica uma coisa pra mim...
O que mais?
Por que não tem Olimpíadas todo ano?
Ai! Pina... É muito caro fazer uma Olimpíada. Por isso, só a cada quatro anos.
Hum!...
Por que?
Porque eu gostei de sentir-me importante. A senhora nem imagina como... Agora acabou... Volto a fazer comida, limpar a sala, lavar banheiro... Pegar ônibus lotado.
É a vida, Pina!... É a vida... As medalhas são para alguns.
Medalha! Ah! Ganhei uma.
O que?
Vê, Gege... O casal me deu uma medalhinha. Disseram que é de ouro... Será que é?
Se for, você deve ter merecido, Pina.
Mereço um aumento e umas folgas?
Ah! Pina... Já pro trabalho...

05 março 2013

PININHA NA RINHA DO MMA



Qual a desculpa de hoje, Pina?
Não me olhe com essa cara, dona Gertrudes.
Foi o ônibus, o congestionamento, falta de energia no trem, despertador atrasou?
Tudo isso e nada disso, Gegê.
Gertrudes, por favor, que hoje não estou para Gegê. Estou atrasadíssima para a Academia. Fala logo, a desculpa...
A senhora não me deixa falar...
Desembucha...
Foi o seu Takeo...
Ora, Pina... Até o Sr. Takeo vai levar a culpa de seus atrasos. Tenha a paciência.
Verdade, Gegê... Eu passava no ônibus e vi que estava cheio de viatura na frente da casa dele.
O que aconteceu? Ele estava ferido? Foi assalto?
Não entendi direito, mas ele estava sendo algemado.
O que foi, fala logo...
Calma, ai! Eu desci do ônibus e fui tomar informações sobre o qüiproquó.
Sabe o que os poliça me disseram?
Claro que não!
Primeiro eles mandaram eu circular. Disse que estava circulando desde madrugada no ônibus, aí eles disseram que eu estava desacatando a autoridade e veio pondo a mão em mim. Aí, eu falei para ele que ia contar tudo para minha patroa, que ela era mulher de um repórter e ia denunciar “eles” na TV. Eles ia tudo aparecer naqueles programas da tarde.
Está bem, Pina! Agora conta por que estavam prendendo o Sr. Takeo.
Eu comecei a gritar: Takeo, Takeo, Takeo... O que aconteceu? Um poliça com duas estrelinhas na lapela falou grosso: Ele cometeu uma contra invenção. Eu respondi: O Takeo não é inventor. Ele é, Gegê?
Contravenção, Pina, contravenção. Que contravenção ele cometeu?
Sei lá! Se eu souber o que é isso posso explicar...
Bom, volta a fita. O Sr. Takeo foi preso por que?
Disseram que ele tinha galo no quintal.
E daí?
Também não entendi e pedi para explicarem: Disseram que ele estava treinando os galos para uma tal de rinha...
Ai! O Takeo fazendo rinha de galo? Isso é piada. O Takeo cria umas duas ou três galinhas por que gosta de ovos naturais, sem produtos químicos.
Pois é... Mas, eu tive uma idéia para soltarem o Takeo,
Ai, ai, ai, ai, ai... Que você fez?
Falei que os galos eram encomenda da minha patroa para fazer canja.
Canja de galo, Pina?
Sei lá, com essas modernidades, galo pode ser galinha.
E soltaram o Takeo?
Eles falaram que iam vir aqui investigar se era verdade... Se eles aparecerem, a senhora confirma.
Está bem! E o Takeo?
Perguntei para um moço que estava assistindo a confusão o que era rinha. Com paciência ele explicou... Os galos ficam num cercado lutando até sangrarem e se matarem. Demorou um pouco, mas quando entendi, virei mulher-macho... No bom sentido... Comecei a gritar: Se o Takeo está contravertendo (existe isso, Gegê?) tem um monte de gente na televisão fazendo igual e eles ganham até dinheiro.
Como é que é, Pina?
Eu vi o marido da Zefa assistindo. Dois homens entram no cercado e ficam se batendo até sangrarem e um desistir.
Isso é MMA...
O que é isso?
Artes Marciais Mistas. Uma luta onde vale quase tudo.
Homem pode e galo não pode? Não entendi. A senhora pode me explicar a diferença?
Acho que os dois estão errados, mas fazer o que? Briga de galo é proibida, MMA não é... Bem, mas o Takeo? Os policiais o soltaram?
Em parte...
Como em parte?
Colocaram ele na viatura, mas tiraram as algemas.
E para onde foram?
Disseram que iam para a Delegacia, mas antes iriam confirmar a história que eu contei...
Que história?
Da canja, ora...
Ai, não, Pina... Assim não dá... Tocaram a campainha... Vá lá, veja quem é?
Vixe, Gegê...  São os poliças... Deixo entrar ou digo que não está?

12 agosto 2011

PINA VOLTOU DAS FÉRIAS


Oi, Gegê!
Pininha? O que aconteceu? Você sumiu...
Posso voltar ou a senhora me deu justa causa?
Claro que pode... Justa causa por que?
Verdade! Não sou rezistrada...
Deixe esses detalhes para lá... Por onde andou, menina?
Fui fazer turismo... Visitar uns parentes lá em cima...
Seis meses visitando parente, Pina! Haja parente... Ainda bem que você não é política, senão haja lugar para tanta gente...
Tenho muito mesmo. Tenho parente por tudo esse Nordeste. Em tudo que é estado.
No Piauí, em Maceió, Juazeiro do Norte e do Sul, Arapiraca, Aracaju, Caruaru, Camanducaia...
Pina, não exagere! Camanducaia é logo ali, em Minas...
Não senhora! É perto de Fortaleza...
Pina! Perto de Fortaleza? Não seria Caucaia?
Por isso é que eu demorei... Eu pedia passagem errada...
Ai! Pina! Você não mudou nada... Vá vestir o uniforme que tem bastante serviço...
Pra já!... Dona Gegê...
O que foi?
Quem ajudou a senhora esse tempo todo...
Tive que me virar sozinha...
Por isso que está essa bagunça... Depois fala mal de mim...
Pina! Não começa...
Ai! Gegê... Eu não tenho culpa dessa confusão, não é?...
Que confusão?
Do pessoal da mulher do Lula.
Que mulher do Lula?
A que eu votei. A presidenta...
Ai... ai... ai... ai... ai... O que você tem a ver com a presidente?
Sei não! Eu fiz confusão nas Cidades, posso ter atrapalhado o Transporte de alguma mercadoria... Sei lá! E estão algemando quem faz Turismo.
Pina! Pelo amor de Deus... Não é nada disso...
É sim! Eu vi na televisão do meu primo lá em Cabaceiras... A TV dele é mais bonita que a da senhora... Porque a senhora não compra uma igual?
Não interessa! E fica de boquinha bem fechada, senão mando colocar um zíper...
Puxa vida! Já vi que não mudou nada!
Vai lavar a louça, vai!

19 julho 2010

PINA NO DRIVE-THRU DA ORAÇÃO

Gege! Cheguei...
Pina! Qual a desculpa para o atraso?
Nem vou dizer... A senhora não vai acreditar mesmo...
Ah! Eu acredito... Em você eu acredito...
Se a senhora acredita em mim, vai acreditar nessa...
Desembucha, que tem um tanque de roupa esperando...
Gege, eu fui num “drivitru”...
Ora, Pina! Inventa outra... Você não tem carro... E é “draive-tru”...
Podia entrar sem carro.
Para que serve um “drive-thru” sem carros?
Sei lá!... Mas podia entrar... E a senhora sabe como eu sou curiosa...
Entrei na fila, fiz um pedido num livro e paguei...
Claro, Pina! Drive-thru é assim mesmo. O que você pediu... Esfiha? E para que o livro?
Gege! Isso é segredo... O homem disse para eu ter fé, rezar bastante e quem vai atender o pedido é deus e que receberei o pedido no Paraíso...
Pina! Você endoideceu?
Juro, Gege! Se a senhora quiser eu levo lá... Aliás, o homem disse que devemos fazer isso... Eu até pus o endereço daqui... Podia, não é?
Não!
Agora já foi...
Pina, sabe o que eu acho? Que você foi tapeada...
Ai, Gegê! Não fala assim... O moço era tão simpático... Disse umas coisas tão bonitas... Que eu vou ser feliz... Foi mais otimista que a cartomante... A senhora já consultou cartomante?
Já, Pina!...
E o que ela disse?
Disse que iria aparecer um homem trabalhador em minha vida...
E apareceu?
Não! Apareceu você que fica enrolando para não trabalhar...
Ai! Gege... A senhora deve ser o inferno de minha vida que o homem falou... Ainda peço demissão...
Trouxe a carteira de trabalho?
Calma! Estava só brincando...
Brincando com fogo...
Está vendo... O homem tinha razão... O inferno... A senhora tem que ir lá...
Pina! Por deus... Olhe a hora... Hoje tem feira... Pega o carrinho...
To indo!
.........................
Gege! Será que eu posso passar o carrinho de feira no “draivetru” para ele abençoar?
Ai! Pára, senão eu é que chamo o Takeo... “Draive tru” de oração... Pode?

27 setembro 2009

O EVANGELHO BATE À SUA PORTA?

Oito horas...
A campainha toca em minha casa... Só Pina para me salvar...
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Pina! Abaixe o volume...
Ila,ila,iLariê... Ohohoh... È o bonde da Pininha que acaba de chegar...
Piiiiinaaaa! A campainha está tocando...
To de folga... Hoje é domingo e só vim ajudar a preparar o almoço das visitas...
Ai! Atende lá, Pina, que eu estou de camisola...
Dona Gertrudes, é para a senhora...
Como você sabe?
Ih! Conheço esse povo... Esse pessoal já passou lá em casa...
Quem são?
Sei lá... Dizem que vem trazer mensagens... Na primeira vez eu atendi pensando que fosse carteiro disfarçado... Não era... Era de uma igreja...
Ai! Pina, fala que eu não estou...
Não adianta!
Porque?
Eles voltam mais tarde... Não acreditam nas empregadas... Acham que as patroas não querem atender...
Isso é verdade!
O que é verdade, Gegê?... Não acreditam nas empregadas ou que as patroas não querem atender?
Pina! Não começa...
Deve ser por isso que eles passam de domingo de manhã... Pensam que as empregadas estão de folga...
Vai lá... Diz que estou no banho... Dispensa...
Ih! Estão em quatro... E estão conversando com o seu Takeo...
Aproveita, Pina... Você vai lá, me salva e salva o Takeo também...
Vai dar confusão, Gegê... Eles é que dizem que trazem a palavra da salvação... Vão pensar que estou fazendo “concorrença”... É assim que se fala?
Concorrência... Mas que história é essa de concorrência?
Era o que eu ia perguntar... Lá na Vila cada domingo passa um grupo de pessoas... Já passou a Igreja Triangular, a Metódica, a Verdadeira Testemunha, ...
Pina! Eles ainda estão no portão?
Cercaram o Takeo... Então, Gege! Eu ia perguntar por que tem tanta igreja dizendo que estão levando a verdadeira palavra?
Sei lá, Pina... Cada uma deve ter sua razão...
Eles é que nem advogado? Cada um tem a sua versão da mesma coisa?
Pina, não faz confusão... Atende lá...
E se eles me cercarem? Mando entrar?
Claro que não! Diz que o almoço está atrasado...
E se eles disserem que é preciso jejuar?
Fala que tem roupa para lavar...
E se disserem que domingo é dia do descanso?
Pina! Deixe que eu atendo...
Assim? De camisola?
Eu vou tirar a camisola lá na frente deles...
Dona Gertrudes, a senhora está bem?
Claro... Eu não estou de jogar fora, estou...
Sei não, Gegê... Se eu disser que está, perco emprego e se eu disser não a senhora vai pensar o que de mim?
Sua opinião não me interessa...
Sabia...
Tiro a camisola... Testo a pureza dos pensamentos dos homens, deixo as mulheres indignadas e eles vão embora... Livro-me deles e podemos continuar a preparar o almoço...
Depois eu é que sou doida... Mas não vai precisar não, Gege... Eles estão indo embora...
Viu só, Pina! Nem sempre é só bater que a porta se abre...
Vixe, Gegê... Para de filosofar essas coisas... Daqui a pouco vai dizer que foi a sua força de pensamento que removeu o pessoal aí da frente... Afinal, se a fé remove montanha, não é mesmo?...
Pina, não enrola, não! Vamos preparar o almoço...
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Com o perdão da má palavra, Jojó vê se dá um jeito no padroeiro dos bambis hoje...
Assim quem sabe melhora o meu humor que a campainha estragou, interrompendo o merecido descanso de um cidadão que ficou até a cinco na balada...
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14 setembro 2009

PININHA NO RAUAI


Dona Gertrudes!
Fala, Pina!
Hoje estou feliz!
Que bom! O que aconteceu?
Hula, Hula! Hula! Vou pegar a prancha e me mandar pro Havaí...
O que é isso?... Pirou de vez?... O carnaval está longe
Não, Gegê... Estou feliz porque estou me sentindo uma pessoal realizada.
Explica isso, Pina!
A senhora sabe... Eu estava peruando o jornal que distribuem no trem e li uma coisa interessante...
Desembucha que a pia do café está esperando.
A senhora não vai acreditar...
Fala, logo...
Calma! A senhora sabe que lá no Haway... Onde fica o Haway mesmo? Perto de Uochinton, onde aqueles avião derrubaram os prédios?
Que salada, Pina! Rauai é uma ilha no Pacífico.
A senhora precisa ir para lá... Está muito nervosa...
Ai! Pina, vai pra cozinha...
A senhora não quer saber por que eu estou feliz?
É mesmo...
Então Gegê... Não é lá que tem umas moças que ficam distribuindo colar de flores e dançando quando chegam os turistas?
Dizem que sim.
Descobri porque distribuem as flores.
?????

É que o povo de lá fede muito.
O que?
Tava escrito no jornal... Fizeram uma lei lá para proibir que gente fedida entre nos ônibus.
Pina, não inventa!
Verdade, Gegê... Estava escrito no jornal.
Ta bom, mas porque você ficou feliz com isso?
Oh! Dona Gertrudes! Logo se vê que a senhora não pega trem, ônibus...
??????
De hoje em diante quando vier entrando pelo nariz aquele “cheirinho” de havaiana fedendo, de sovaco fedendo, de tudo fedendo dentro do trem, eu vou relaxar e pensar:
Ah! Que bom! Estou indo para o Rauai... Praia, sombra e água de coco fresca...
Pina vai trabalhar, vai...
A senhora quer que hoje eu use o detergente com cheirinho de Ipê ou florais?...
Piiiiiina!!!!
Só mais uma coisinha... Político anda de ônibus no Rauai?

29 agosto 2009

PININHA E OS CARTÕES

Pina! Você está revirando minha gaveta?
Só dando uma arrumada.
Você estava mexendo nos meus cartões?
Oh! Dona Gertrudes! Estava só dando uma olhadinha. Prá que tanto cartão?
Não é da sua conta, Pina!
É sim...
Porque?
Eu estava hoje pendurada no trem e tinha um senhor muito distinto sentado lendo uma revista. Eu “peruei”... A senhora sabe como eu sou curiosa... Pensei que estivesse falando da novela... Não era, mas falava de gastar dinheiro... A senhora sabe como eu gosto de gastar dinheiro... É que eu não tenho...
Pára, Pina! O que tem a ver com meus cartões?
Calma, Gege! Ta parecendo pobre fazendo conta no final do mês...
Pelo amor de Santa Edwiges!...
Ta vendo só! Já ta apelando para a padroeira dos endividados.
Piiiiina! Conta logo essa história que o tanque está esperando.
Então! O homem estava lendo sobre como usar o cartão de crédito. A senhora tem um monte...
Não é da sua conta!
É sim... Se a senhora não consegue pagar o cartão vai sobrar para quem?
??????
Para mim...
Pina! Alguma vez eu lhe pedi para pagar meus cartões?
Não, mas atrasou meu pagamento no mês passado e não pagou com juros, multa, correção monetária...
Atrasei um dia, Pina!... Um dia...
É, mas eu tive que pedir emprestado para o seu Takeo para pagar a conta de luz do mês passado, senão eles vêm cortar a luz, descobrem que tem “gato” no poste...
Pina guarde meus cartões, por favor...
To dando uma arrumada por cor... A senhora tem de tudo que é cor, hein! Esse rosinha é do sex-shop?
Que sex-shop, Pina! É da loja de lingeries... Dá aqui!
Quase igual!
E esse verde? É do pet shop?
Não! Da floricultura... Você já viu cachorro verde?
Sei lá! A senhora vive falando que ainda espera um príncipe encantado... Vai que comprou um sapo...
Ai! Minha caapora, protetora dos animais sem pena da floresta... Pina! O que deu hoje em você?
Posso falar a verdade, mesmo?
Deve...
To com medo de ser mandada embora.
E o que a ver com meus cartões?
Tava conferindo se a senhora tinha cartões vermelhos. Achei três de banco, dois de supermercado, um de magazine... A senhora não tem mesmo nenhum daqueles que juiz de futebol usa para expulsar jogador que nem um político fez com o outro na televisão outro dia? Eu vi na loja enquanto esperava o ônibus no terminal...
Fora, Pina! Já pro tanque ou lhe mostro o cartão vermelho mesmo...
O Takeo disse que tem que mostrar o amarelo antes de expulsar...
Cheeeeega! To indo ao shopping e toda roupa lavada até eu voltar...

18 agosto 2009

PININHA E A AGENDA DA GERTRUDES

Pina! Você viu a minha agenda?
È aquele caderninho azul que fica na segunda gaveta do móvel da sala onde fica o telefone?
Quase isso, Pina! Essa é a agenda de telefones... Estou procurando aquela vermelhinha com os dias da semana onde marco os meus compromissos.
Era uma que ficava na gaveta do móvel da sala onde a senhora coloca aquele monte de enfeitinhos que dá uma trabalheira para limpar?
Essa mesma...
Eu guardei...
Onde?
Deixe-me lembrar... Pobre não tem esses problemas... Pobre não precisa de agenda...
Como você lembra seus compromissos?
Não é isso, não, Gegê... Pobre sabe tudo o que tem que fazer...
Como assim?
Vê só... De segunda a sexta é sempre igualzinho... Pegar condução cheia, arrumar desculpa pelo atraso no serviço, levar ralo do chefe, esquentar marmita, trabalhar o dia inteiro, pegar condução cheia, arrumar desculpa do atraso em casa, assistir televisão e dormir...
E os pagamentos que tem que fazer, como você faz?
Ah! O cobrador vem na casa da gente lembrar...
Tem razão, Pina! A vida de pobre é mais simples... Não tem que resolver nada... Veja só eu, que não sou rica, como tenho compromissos... Não consigo me lembrar de todos...
Eu sei, Gegê... Segunda-feira chá com a Dona Matilde, terça fazer compras no Shopping, quarta levar a Frederica ao pet-shop, quinta tem que me mandar ir à feira, sexta cabeleireiro, sábado o aniversário da Marília, domingo almoço na churrascaria...
Porque a senhora não marca quando vai na Vinte e Cinco de Março?
Pina, como você sabe todos meus compromissos da semana?
Eu achei a agenda...
Onde deixei?
Em cima do computador...
Porque você olhou meus compromissos? Isso não é coisa que se faça...
Deixa eu explicar... Eu não queria confusão... Podia ser a agenda do Seu Takeo. A senhora lembra aquela vez que ele esqueceu a agenda dele no bar e a mulher do dono do bar ligou para a casa dele e deu uma confusão danada com a mulher do Takeo que foi tomar satisfação com ela e o dono do bar ficou bravo com a mulher dele que sabia o telefone celular do Takeo?
Pára, Pina!
Agenda só dá confusão, não é mesmo, dona Gertrudes?
Não desconversa... Porque você olhou a minha agenda?
Para devolver certo... Já pensou se eu devolvo a sua agenda para o Takeo e ele descobre as coisas da senhora?
Ai, Pina! Você me enlouquece... Diga logo, onde você colocou?
Guardei no lugar. Na segunda gaveta do móvel da sala onde fica o telefone.
Ali é o lugar da agenda de telefones...
A senhora nunca está satisfeita. Eu acho a agenda, devolvo e ainda levo bronca... Da próxima vez eu entrego no Achados e Perdidos do Metrô. Aí a senhora vai ver o que é bom... Fica todo mundo sabendo de sua vida...
Pina, hoje é quinta... Vai fazer a feira, vai...
Ah! Só porque eu gosto da senhora não vou contar para ninguém que a senhora agendou um encontro com a dona Vilma Stella e a dona Lina e depois cancelou...
Vai logo, Pina...

04 agosto 2009

PININHA E O DIA DO PADRE

Gege!
Que foi Pina?
Estou encafifada... Não consigo entender...
O que é desta vez? Cada vez que você não entende algo, fica pensando o dia inteiro e não o serviço não rende...
Nossa, dona Gertrudes! A senhora dormiu descoberta?
Fala logo, Pina...
Eu escutei no radinho de pilha de um companheiro de trem que hoje é o dia do Padre... E que importância tem isso?
Hoje é uma terça-feira, dia 04 de agosto... O dia do padre não é domingo?... Não é no domingo que a gente é obrigada a ir ver o padre na igreja?...
Tem lógica, Pina... Deveria ser...
Se bem que com essas histórias de abrir igreja em tudo que é porta de oficina falida, os padres podem estar fazendo concorrência... A senhora sabe que abriram duas igrejas no quarteirão de casa?
Acho que hoje eu vou passar na Igreja...
Por quê?
Quem sabe tem uma festinha lá para comemorar o dia do padre e ele distribui um pouco de vinho dele para os paroquianos...
Ai, Pina, hoje eu não estou para piadinha sem graça...
A senhora é novinha, mas quando eu era criança se a gente era o último a chegar numa brincadeira dizia que era a mulher do padre... A senhora sabe por quê?
Não sei não, Pina... Volta a trabalhar...
Vou chamar o Takeo... Ele sabe essas coisas...
Ih! Fala no diabo, aparece o rabo...
O senhor sabe me explicar porque mulher do padre?... Tem alguma coisa a ver com umas histórias que eu ouvi sobre o Lula do Paraguai...
Ai, Dio Mio! Esbravejou o Takeo... É o Lugo no Paraguai... Ele tinha um monte de mulher...
Entendi! Elas iam visitá-lo no dia do Padre, ele dava vinho para as beatas e “crescei e multiplicai-vos”, né?
Nada disso, Pina!
O dia do Padre é uma homenagem ao Santo protetor dos padres...
Mas, eles precisam de proteção?
Claro... Todo mundo precisa de proteção...
Mas eles não dizem que a Igreja protege a alma? Eu ouvi o Vigário falar isso no sermão.
Será que era conto do Vigário?
Aliás, o senhor sabe por que é conto do vigário?
Parece que é porque um padre tapeou o outro na disputa pela imagem de uma santa lá em Minas Gerais...
Com tanta mulher santa em Minas, eles ficaram brigando por causa de uma imagem?
Pina, hoje você tirou o dia...
Para não trabalhar, Takeo...
Vocês não explicam direito!... Eu só queria saber por que o Padre tem dia que não é domingo e vocês confundiram ainda mais minha cabeça...
Calma, Gertrudes! Senão depois tem que ir confessar...
Dona Gertrudes, posso sair mais cedo hoje?
Qual a desculpa?
Dia do Padre deve ser dia santo e eu preciso rezar... Quem sabe sobra um vinhinho...
Pina, já pra cozinha...

04 maio 2009

PININHA E A ECONOMIA DOMÉSTICA

Dona Gertrudes, assim não é possível!
Que foi desta vez, Pina?
O governo não disse que ia reduzir impostos para os produtos que pobre consome, não é verdade?
É, Pina!
Pois é! O álcool aumentou... Vai ficar mais caro para limpar as janelas... Fazer caipirinha... Acender a espiriteira...
Pina, não vem com desculpa! Hoje é dia de faxina e tem que limpar os vidros... E aqui em casa não bebemos cachaça...
Tem seu lado bom, dona Gertrudes! Com a vidraça suja não vemos o que se passa lá fora...
Tem mais, patroa! O aumento de um tal de IPI nas bebidas alcoólicas vai trazer carestia!
Explica mais uma coisa para mim...
Porque estão barateando o preço dos carros?
Para garantir os empregos das indústrias...
Mas, o carro não é a álcool? Se aumentaram o imposto do álcool vai aumentar o custo de vida dos pobres, que ainda por cima vão ter que pagar as prestações do carro.
Ai, Pina! Que maluquice é essa?
Vaca não bebe álcool, bebe?
Claro que não!
O leite aumentou...
Entressafra, Pina!
O que é isso?
É o período que as vacas produzem menos leite.
Mas, a gente compra leite longa vida...
O leite está aumentando porque o pessoal do governo não toma leite...
Eles tomam conhaque, uísque, vinho para acompanhar os rega-bofes... Aí, aumenta as despesas de custeio do gasto público, gera inflação e o pobre paga o pato que a gente não come...
Que confusão é essa, Pina? Desde quando você entende de economia?
Eu não entendo! Ouvi um homem falando na TV, ontem, enquanto limpava a sala...
Por isso demorou aquele tempão para limpar?
Dona Gertrudes, ou eu prestava atenção no homem ou limpava a sala...
Para de me enrolar e limpa esses vidros...
A senhora quer que passe álcool mesmo?
Claro!
Depois não vai reclamar que a pensão da senhora não dá para pagar meu aumento.
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Campeão Invicto, Jorginho!
Agora rumo a Libertadores!

28 fevereiro 2009

OBAMA E SARKOZY GANHAM PREMIO NOBEL

Pininha chegou entre curiosa e indignada!
Dona Gertrudes! A senhora não sabe o que eu li hoje enquanto estava pendurada no trem...
Isso não está cheirando bem! E não era o sovaco do dono do jornal!
Calma, Pina!
A noticia dizia que o Obama e o marido da Carlinha estão sendo indicados para um tal prêmio Nobel da Paz... Pode isso?
Claro... Porque a revolta?
Eu não consigo entender essas coisas... Noutro dia estava peruando o jornal do balcão do açougue...
Pina, você compra carne embrulhada em jornal?
Só na feira lá perto de casa... É mais barato... Mas, essas notícias ainda não chegaram lá... Era o jornal de um outro senhor que estava comprando no açougue da esquina...
Não me interrompe que eu esqueço o que ia falar...
Estava escrito que o presidente dos EUA tinha mandado um monte de soldados para um país de nome complicado... Como pode ser um homem de paz?
Isso são coisas políticas... A gente não entende mesmo, Pina!
Nem perguntando para o Takeo?
Acho que essa, nem ele sabe...
E o marido da Carlinha? A senhora sabe o que ele pode ter feito pela paz mundial? Não era ele que armava barraco com a ex-mulher?
Não tem nada uma coisa com a outra, Pina...
Sei não, Gege!
Respeito, Pina!
O jornal dizia que qualquer pessoa pode indicar qualquer pessoa para esse Premio Nobel e que o ganhador ganha uma grana preta...
...
Dona Gertrudes!
Que foi, Pina?
Tava pensando!
Pina pensando, perigo à vista!
Acho que vou indicar a Toinha para o Premio Nobel?
Quem é a Toinha?
É a líder do movimento comunitário lá do bairro... Ele aparta cada briga... Já conseguiu até juntar os dois chefes do tráfico numa reunião...
Queriam até que ela fosse vereadora... Eu votava nela...
Mas, ela não quis...
Pina, diz logo aonde você quer chegar com essa enrolação que a limpeza está esperando...
A senhora pode se informar como se faz para eu mandar o nome da Toinha?... Se ela ganhar tenho certeza que distribui o dinheiro lá para a comunidade...
...
Vê para mim, vai dona Gertrudes!...
Não prometo, nada!
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Jorginho, responde para mim...
Se o Fenômeno prometer que não vai para a zona, a gente deve acreditar?
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O PATRIARCA INFORMA AOS LEITORES...
O BLOG REPOUSARÁ POR SETE DIAS...
DEPOIS VIRÁ INSTALAR O CAOS...
ISSO SE O PARTIDO DA ESTRELA VERMELHA E A BASE DE APOIO NÃO O INSTALAREM ANTES ...

17 janeiro 2009

DÚVIDAS DA PININHA

Dona Gertrudes! Posso perguntar?
Já acabou o serviço, Pina?
Estou arretada e a senhora sabe... Não consigo trabalhar e ficar matutando ao mesmo tempo...
Fala, Pina!
Não estou entendendo nada...
Olha, Gege!
Respeito Pina, respeito...
Eu estava peruando o jornal dum doutor de gravata que sentou do meu lado no trem...
A senhora viu que bom... Eu consegui sentar no trem...
Para de enrolar, Pina que está cheio de serviço na casa...
Então... Acho que estava escrito que um Zé foi absolvido de um crime e o careca que era cúmprice seria solto.
Qual crime?
Não deu para ler... O trem imbalançou e o doutor mudou de página quando percebeu que eu estava peruando.
Mas eu continuei peruando...
Na outra página, se eu li direito, parece que o braziu não perciza de gás...
Precisa, Pina!
Mas o LuLLa disse que não perciza e vai comprar só para ajudar a Boliva...
Ai! Pina! Vai trabalhar...
Peraí, Dona Gertrudes.
O homem virou a página e estava escrito uma noticia boa. O careca das putas foi absolvido.
O que? Que história é essa? Que careca?
O careca que construiu um prédio na frente dos aviões. Vai acabar com a história que só preto, pobre e puta são presos...
Ai! Meu deus! Nem o Takeo “te agüenta”, Pina... Muda de assunto...
A senhora viu o final da novela?... Prenderam a Flora...
Verdade que os advogados dela já foram para brazilia para ela ser solta igual àquele italiano que matou quatro e está condenado à prisão prepétua...
Perpétua, Pina! Tem que aprender a falar direito!
Que impricancia! O presidente diz que não perciza estudar...
Precisa...
Ele disse que não... A senhora sempre do contra...
Vai trabalhar, Pina! Vai trabalhar!
É vá trabaiar... Vá, dona Gertrudes...
Pina! Já ouviu falar que o desemprego está aumentando? Quer virar estatística?...
Sem crise, Dona Gertrudes... To indo!