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26 março 2020

SANGUE TIPO ZERO

Sangue tipo Zero
Zero à esquerda
Zero a zero na bola
Não estudou Direito
Mestre pegou a cola
Tolerância Zero
Não teve jeito
Zero na escola

Carro ponto zero
Pedia prato quente
Zero o refrigerante
Na conta saldo Zero
Pernas pra que te quero
Bye, bye ao restaurante

Gente tipo Zero
Dorme no Marco Zero
No relógio Zero hora
Frio abaixo de zero
Chega sem aviso
Recomeçar do Zero
Preciso ser Clark Kent
Não o Recruta Zero

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06 março 2020

ORAÇÃO AO MALDITO MAL DE PARKINSON















Diariamente faço esta prece:
“Parkinson maldito
Mal que ninguém merece
Não permite dormir
Comigo amanhece
Diária e perene
A nos fazer sofrer
Dores em permanente assédio
Inútil e perdida luta
Sem esperança, nem remédio
Dá vontade de morrer
Quase sem forças, grito
Pra todo mundo ouvir:
Doença fedapê
Vinda do inferno
Desejo a você
O fogo eterno
Na Pequepê.
E tenho dito!
Ouviu?”


16 dezembro 2018

O EXATOR (A Formiga e A Cigarra)



                                                           
Na Vila ouvia-se ao longe a cantoria da casa do Sr. Chico Doido da Ideia.
“Canto e gosto de cantar. Quero levar a vida sempre a cantar”.
Bateu à porta um estranho.
Quem é? Gritou Chico, prosseguindo a cantoria: “Canto e gosto de cantar. Quero levar a vida sempre a cantar”.
Novo vizinho.
Ora, ora... Vizinho novo e já reclamando. Canto porque gosto de cantar.
Tenho muito trabalho e careço de silêncio. Não se cansa de tanta cantoria? Além de incomodar a vizinhança com sua felicidade, não pensa em nada além de cantar?
“Canto e gosto de cantar. Quero levar a vida sempre a cantar”.
Não teme o futuro?
Pouco, mas de mais a mais, não espalhe o fato, chegaram-me notícias que receberei parte da herança de um velho parente, que desconhecia até a existência. “Canto e gosto de cantar. Quero levar a vida sempre a cantar”.
Isto não o envergonha? O velho parente deve ter labutado às extremas para enriquecer e irá desperdiçar as economias em coisas banais. Não conhece o ditado “A água traz, a água leva”?
Vizinho, não me preocupa a origem do dinheiro que me cai às mãos. Simplesmente, gasto. O próprio El Rey disse que o povo precisa gastar para movimentar a economia. E de que adianta trabalhar, entesourar-me e não desfrutar dos prazeres que a riqueza pode dar?
Necessário prevenir-se para o dia de amanhã. Formar-se uma previdência para os anos de idade avançada. São lições que aprendi com meus avós, que vieram de outras Vilas. Veja a situação de quase miséria de parte de nosso povo. Mal dá para alimentação e remédios a verba ínfima que recebem de El Rey.
Nesta região da Vila sempre há uma alma boa que socorre na hora da necessidade.  Se ficar a pensar em problemas futuros, não gozarei dos prazeres presentes. É do DNA de minha família vida breve. El Rey não devolve à família a verba deixada a seus cuidados, se o súdito parte antes do combinado. Talvez divida-a com os nobres do palácio.
Tem dose de razão seus argumentos, mas sei de súditos que não deixam todas as economias aos cuidados de El Rey.
Como assim? El Rey sabe de tudo. As paredes desta Vila têm ouvidos sensíveis. Dizem que El Rey coloca Vassalos com leões a fiscalizar nossas riquezas para exigir seus tributos.
Há notícias trazidas pelos nômades sobre Vilas nas montanhas que escondem riquezas, sem noticiar El Rey.
Isso é interessante. Se existissem tais lugares, seria um Paraíso. Conhece alguma?
Locais secretos. Ninguém sabe ao certo.
E o senhor.... Como é seu nome?
Aparecido Formis. Pode chamar-me de Cidão.
Cidão, você guarda seus tesouros nessas Vilas?
Não posso revelar. É segredo.
Ah! Se eu pudesse fazer isso com parte da herança, seria maravilhoso.
Faria mesmo isso?
Claro! Mas, ocorre-me uma dúvida. De que vivem os Senhores dessas Vilas? 
Ora! De parte da riqueza que escondem.
Então é a mesma coisa. Cobram impostos... Como El Rey.
Dizem haver diferenças. Eles cobram apenas uma taxa sobre o tesouro que deixa aos cuidados deles. Você diz o valor.
Não conferem?
Os nômades dizem que não,
Quem me garante que quando eu pedir de volta meu tesouro, devolverão o valor correto?
É uma questão de confiança.
Pensarei sobre o assunto. Só uma curiosidade. Mora em qual casa?
De verdade, não moro aqui. Moro no Castelo.
Que vem fazer nesta região tão pobre da Vila?
Sou Exator de El Rey. Estou de passagem a verificar se não há tesouros secretos escondidos nesta região.
Os nômades comentaram sobre esta região? Devem estar doidos. Aqui só há pobreza.
Estava apenas de passagem, mas o senhor cantava tão feliz que me chamou a atenção.
Não conhece o ditado: “Quem canta seus males espanta?” Nesta humilde casa não achará tesouro algum.
Por enquanto... Voltarei breve. Noticie-me sobre a herança.
Nem tenho certeza se receberei.
Noticie-me, por favor... E o valor correto.
E se não o fizer.
Mandarei os Vassalos dos Leões virem cobrar. Tenha um bom dia.
O senhor o estragou.
Cante, Sr. Chico... Como era mesmo o cantiga?
 Cidão, o Exator, partiu sem mais.
Com ar de arrependimento, Chico cantarolou baixinho: “Fica o dito por não dito... Em boca fechada não entra mosquito...”
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(*) Alegoria/Fantasia “Homos sapiens” da fábula “A Formiga (Formicidae) e a Cigarra (Cicadoidea)

08 maio 2018

PININHA E O CACHORRO NO CHAFARIZ

 

Pina! Entrando escondida, hein! Por que chegou tão atrasada?
Depois eu conto, Gegê.
Pina! Você está encharcada. Vai molhar todo o chão da sala. Entre pela porta da cozinha.
Era o que eu ia fazer quando a senhora me chamou.
Ai! Pina. Tire só o sapato e me conta. Você caiu numa poça dágua?
Quase isso, Gegê. Eu salvei um cachorro. E quase fui presa.
Como assim? Você faz uma bondade e é quase presa?
Eu também não entendo essas coisas. Mas, eu sou a Pina. Só faço confusão.
Desembucha, Pina!
Eu desci do ônibus lá na praça que tem o chafariz. Sabe aonde é?
Claro!
Eu vi um monte de gente ao redor da cerquinha do chafariz. A senhora sabe como eu sou. Fui ver o que acontecia. Tinha um cachorrinho dentro do chafariz.
Pina, como um cachorro foi parar dentro do chafariz?
Isso eu não sei. Ele estava lá dentro. Gania pedindo socorro. Acho que estava  se afogando.
Pina! Afogar-se no chafariz? Tem trinta centímetros de profundidade.
Era um desses cachorrinhos de madame. Que dava para esconder na bolsa quando era proibido entrar com cachorro em tudo que é lugar. Uma vizinha lá na vila carregava uma sacola e entrava com o cachorro no ônibus.
Entrava?
Entrava... Agora não deixam mais ela entrar com a bolsa.
Por que?
Deu uma confusão. Um dia, no meio do caminho entrou uma dona com uma sacola grande.
Já sei. Outro cachorro.
Antes fosse. A dona estava com um gato angorá escondido. Voou pelo pra tudo que era lado.
Ai... ai... ai... ai... ai... Pina... Conta do cachorrinho no chafariz.
Eu fiquei olhando o desespero do cãozinho. Ninguém socorria.
Como assim?
A senhora lembra que na praça tem uma placa proibindo pisar na grama.
Mas, era uma emergência.
Explica isso pros Guardas Metropolitanos que estavam lá.
Por que eles não salvaram o cachorrinho?
E eu sei lá. Ninguém passava a cerquinha. Então tomei a decisão. Vou salvar o cachorrinho.
Parabéns, Pina! Você é uma pessoa do bem.
Quase. Nem acabei de passar a cerquinha, os Guardas correram em minha direção, gritando mais que maritaca assustada. Pulei no chafariz. Foi por isso que molhei os pés.
O importante é que você salvou o cachorrinho?
Não salvei. Os dois Guardas me agarraram e levaram para fora do chafariz.
E o cachorrinho?
Não sei. Alguém salvou o bichinho, enquanto eles me tiravam da grama.
Pina! Que confusão pra nada... Acho que você foi boi de piranha.
Epa! Epa! Epa! Olha o respeito, Gegê. Sou mulher de respeito. Piranha? Olhe  que eu digo quem é piranha...
Pina! Boi de piranha é quando a boiada vai atravessar um rio e...
Gegê... Depois eu que não entendo. Era um cachorro no chafariz, não uma boiada no rio.
Ai... ai... ai... ai... ai... Deixe pra lá, Pina! Vá secar esses pés.
Gegê! Não vai pedir desculpa?
De que?
Quem é piranha?
Ai... ai... ai... ai... ai... A dona do cachorrinho... Ficamos bem assim?
Ta desculpada... Gegê! Posso pegar sua sandália de dedo? A minha quebrou a tira.
Pode, Pina! Pode...

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Inspirado em fatos (su)rreais de Brasília.

05 janeiro 2018

Feliz 2018 - Reveilón entre fogos, cães e cachorras


Preparem as atiradeiras os defensores “del Mondo Cannis” e investidores dos Pets não recicláveis.
Por favor, não me mordam, pois o estoque de antirrábica está em falta. As ampolas de vacinação foram usadas para a febre amarela. Deixem que os macacos - se sobreviverem - me mordam.
Estão proibidos no Reveilon os fogos de artifício com barulho, decretaram várias cidades.
Justificativa: o barulho dos rojões incomoda aos “Canis lupus familiaris”. Ninguém falou das criancinhas. As pequenas crias do animal bípede da ordem dos primatas pertencente à espécie “Homo sapiens”.  
Acho que só o Pelé lembrou-se das criancinhas num momento de festa. Corrijo... Esqueci-me de Papai Noel.
Esses pequenos seres que além da possibilidade de morrerem de febre amarela, podem ficar surdas pelo espoucar de foguetório. Ainda que seja por um motivo justo. Não foi lindo ver as comemorações na noite sagrada de 04 de julho de 2012? Metade do “braziu varemnóis” soltando rojões e gritando nas ruas “Somos loucos por ti Corínthians” e a outra metade soltando palavrões nas janelas.
Felicidade em meu coração. A Libertadores conquistada e os cachorros da vizinhança escondidos quietinhos nos cantos das salas das casas e apartamentos.
Pobres criancinhas! Indefesas! Um de meus vizinhos apareceu na sacada com um inocente “Meninus sapiens” vestindo uma camisetinha do “argh-rival white-green”. Colocou o garoto de uns nove meses em risco de vida. Chorava tanto o pequeno. Devia estar com alergia à roupa.
Pena que a festa acabou e os cães voltaram a latir .
Se o argumento para a redução de foguetório fosse os males à audição infantil, seria plausível, mas o medo canino?
“Use protetores auditivos”! Foi a frase que ouvi, certa feita, ao reclamar, à meia-noite, do som de um “pancadão” infanto-juvenil regado a “Se eu te pego” e “Metralhadora” entre outras no salão de festas do prédio vizinho.
Nenhuma palavra em defesa dos quadrúpedes com rabo da parte das candidatas a cachorras sem rabo que rebolavam na festa.
Da minha parte, quero dizer que usei protetores auditivos na festa de reveilon e foi bom ver e ouvir o foguetório.
Quanto aos cães, que seus donos coloquem protetores auditivos neles.
Ah! Quase esqueço das criancinhas indefesas aos rojões e “pancadões”...
Quando crescerem, encontrarão uma boa quantidade de aparelhos auditivos para surdez.
Sem mágoas desejo um 2018 com muito mais felicidade. Campeão Paulista, Brasileiro, Libertadores... Com foguetório e sem “pancadões”...  

Maloqueiro é a .... Desculpem-me! É o meu vizinho do menininho vestido de palmeirense.

20 novembro 2017

Nova central telefônica dos "Apóstolos de Pedro"

Como falar com Pedro, o Patriarca de "Apóstolos de Pedro"



NOVA CENTRAL TELEFÔNICA DOS APÓSTOLOS DE PEDRO
Devido à grande procura pelo atendimento telefônico ao Patriarca Pedro, da parte de associações beneficentes, escritórios de advocacia interessados em revisões de aposentadorias, empresas de telefonia, TVs por assinatura, empresas de cobrança, pelintras e estelionatários sequestradores de parentes e, especialmente, dos efetivamente interessados na adesão ao Apostolado, temos a grata satisfação de informar a instalação de sistema de atendimento telefônico automático, desde o dia 15.Nov.2017.

Seu funcionamento é simples.
Ao ligar para a central telefônica do Apostolado de Pedro: 09117969696969, você será atendido imediatamente por uma voz feminina que dirá: “Seja bem-vindo ao Apostolado”.
Ela o acompanhará até a finalização da chamada.

Serão oferecidas as opções:
Disque 01 – Se deseja falar com o Patriarca,
Disque 99 – se ligou por engano.
A seguir siga as outras opções
Disque 02 – informe seu nome
Disque 98 – Se conheceu o Apostolado pelo blog
Disque 03 – informe seu CPF
Disque 97 – Se já tem algum livro do Patriarca
Disque 04 – informe o nome de sua mãe
Disque 96 – se não conhece a mãe.
Disque 05 – informe o nome do parente do Patriarca sequestrado
Disque 95 – Se deseja adquirir algum livro do Patriarca
Disque 06 – se for associação beneficente angariando fundos para crianças doentes
Disque 94 – Se conheceu o Apostolado através de outro Apóstolo
Disque 07 – se for associação beneficente angariando fundos para idosos abandonados
Disque 93 – Se o idoso foi Apóstolo,
Disque 08 – se for associação beneficente angariando fundos para animais abandonados,
Disque 92 – se o animal pertencia a algum Apóstolo de Pedro.
Disque 09 – se for escritório de advocacia interessado em revisões de aposentadorias,
Disque 91 – para saber que 91 no jogo do bicho é Urso
Disque 10 – Se for empresa de telefonia,
Disque 90 – Se discou 190, é engano. Não é a Polícia Militar.
Disque 11 – se for empresa de TV por assinatura,
Disque 89 – se for escritório ou empresa de cobrança procurando a Milena, que não pagou a Net
Disque 12 - se for escritório ou empresa de cobrança procurando o Jaílson, que não pagou o Cartão de Crédito.

Alerta de perigo – Nunca digite 13.

Aguarde, por favor!
Enquanto estamos trabalhando arduamente para o completamento de sua ligação, ouça e reflita sobre as mensagens do Patriarca Pedro, sempre lembrando que sua ligação é muito importante para o Apostolado, principalmente se deseja adquirir algum livro do Patriarca.
Mensagem 1 - “Tudo é possível, exceto o impossível”.
Mensagem 2 - “A paciência é infinita, mas o infinito também tem fim”
Mensagem 3 - “Em questões duvidosas, seja dialético”.
Mensagem 4 – “Se cair e ferir os joelhos, não xingue, exceto se rasgar as calças”
Mensagem 5 – “Hoje já foi o amanhã de ontem.”
Mensagem 6 – “Entre um bom almoço e um excelente jantar, sempre cabe um cafezinho”
Mensagem 7 – “Idiotas são como relógios quebrados. Só atrasam sua vida.”   
Mensagem 8 – “Se o tempo passou muito rápido é porque seu time está perdendo”
Mensagem 9 – “O Perdão não é neste telefone. Este é do Pedrão”
Mensagem 10 – “Se cair a ligação, não ligue”.

Isso acontece!

22 maio 2017

“Pior não Fica”...




Seis da manhã! Muitos palhaços tomam café assistindo a TV.
Monótonas e repetitivas notícias:
“O sítio não era meu”.
“O apartamento não era meu”.
“A culpa é dela”.
“A gravação foi editada”.
“Friboi? Sou vegano”.
“A Previdência vai quebrar”.
“A Reforma aumentará os empregos”.
“Não tenho nada a ver com Bancoop”.
“As doações....
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A campainha interrompe um café...
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Quem é, Florentina?
Um Japonês.
Sr. Francisco Everardo?
Sim!
O senhor está detido por crime eleitoral.
O que eu fiz?
Promessas de campanha falsas.
Como assim?
O senhor dizia: “Pior não Fica”...
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