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30 dezembro 2008

O ANO NÃO ACABA DIA 31



Amanhã vai ser outro dia!
Adeus ano velho! Feliz ano novo!
Amanhã vamos nos acabar!
Eu moído na São Silvestre!
Lembrar-me-ei dela por mais de uma semana com as dores nas pernas do treinamento não feito.
O ano velho por inanição!
Mais algumas horinhas e um ano novo estará aí para nos trazer paz, felicidade, harmonia, dinheiro na Bolsa, saúde para dar e vender...
Seja bem vindo 2009!
Adeus 2008! Você passou!
Vê me esquece!
Não esqueço, não!
O que foi isso?
Socorro! Estou ouvindo vozes, novamente!
Quem está aí?
Aqui! Na parede... O calendário... Hoje é o dia D!
Dia D de quê, oh! Calendário?
De começar a juntar os papéis.
Não vá jogar os extratos bancários, do cartão de crédito, dos fundos de investimentos no meio das serpentinas, hein!
Ainda que suas ações na bolsa tenham virado pó!
Tinha que lembrar! Eu quero é esquecer!
Coloquei toda a coleção de moedas do porquinho no “maledeto” fundo de ações que o gerente indicou.
Deve ter sido praga do porquinho. Quebrei-o e me quebrei.
Que foi 2008? Está olhando o quê? Estou lhe devendo alguma coisa?
Dia 28 de abril a gente conversa. Esse é o dia em que nos despedimos
Estou lhe alertando para não jogar os extratos fora.
Tem que apresentar todos eles para o Imposto de Renda, hein!
E agora, 2008? Está cochichando com quem?
Com 2009. Explicando para o aninho novo tudo o que ele tem que fazer com você.
Passando-lhe a receita (ato falho!). Afinal, amanhã quando estourarem os primeiros fogos do ano novo, você já será devedor do IPTU e o IPVA para o aninho que está nascendo.
Só para começar.
Calma! É para guardar os papéis, não para comer...
Pode lhe causar indigestão e estraga a ceia e a São Silvestre.
Ei! Socorro! Não me rasgue ainda não!
A culpa não é minha!
Não sou a Joana D´Arc...
Adeus, ano velho!
Grrrrrrrr...... Ano Novo!

01 novembro 2008

CAÍ NA MALHA FINA



Fui premiado pela Receita Federal.
Preferia ser premiado por um dos caça níqueis das Loterias Federais.
Como quer ganhar, se não joga? Incomodou-se o grilo (*).
Eu não ganho nem disputa de par ou impar da mão esquerda contra a direita.
Pudesse optar não apresentaria declaração nem votaria, pois se fossem coisas boas não seriam obrigatórias.
Coisas boas, na maioria das vezes, são proibidas.
Também não entendo porque o termo “Malha Fina”.
Deve ser para pegar coisa miúda no fundo do aquário.
Para os grandes sonegadores, os tubarões, bastariam malhas grossas, senhor Leão.
Antes de ir ao Posto da Receita, que não deveria chamar Receita porque deixa a gente doente ao invés de curar, fiquei pensando com meus zíperes.
Onde errei?
Além de haver nascido no braziu “varemnós”.
Fica quieto! Podia ter nascido na Venezuela, Bolívia, Peru, Somália...
Fica quieto, você, grilo enxerido!
Terei esquecido de lançar meus rendimentos de aposentado?
Meu Santana 94 deve ser incompatível com meus rendimentos?
Já sei! Anteviram o sucesso de meus livros e tributaram-me antecipadamente para evitar evasão fiscal como dizem fazer alguns escritores brazileiros que moram em Paris.
Fiscalizaram a movimentação de meu cartão de crédito?
Não tenho cartão de crédito.
Aliás, não peço crédito em lugar algum.
Só compro “cash”.
Nada em “veis”.
Só emito cheques com mais de seis dígitos, desde 1997, quando fui roubado e tive meu nome inscrito no cartório de Protesto e Lista Negra do BACEN, porque um idiota carimbou o código de cheque sem fundos (alínea 12), quando o correto era cheque contra ordenado (alínea 21).
Como minha conta raramente chega a seis dígitos, posso dizer que não uso cheques.
A Receita deve ter percebido que paguei um imóvel inteirinho para a BANCOOP e a Cooperativa não entregou.
Suspeitaram de lavagem de dinheiro?
Levaram meu dinheiro, isso sim.
Será que o pessoal da estrelinha vermelha que dirige a cooperativa habitacional denunciou-me aos companheiros do Fisco?
Lá fui eu.
Foi num dia em que até a pomba achou que minha cabeça era penico, lembram?
Juntei todos os documentos que possuía.
Pensão do INSS, carnê do plano de saúde do SUS, carnês da escola – pública - e tudo que era doação.
O quêêêê?
Não posso abater o SUS como convênio médico?
Nem os remédios que o artista de TV disse que curam dor de cabeça, melhoram varizaes e hemorróidas?
Carnê da Associação de Pais e Mestres de escola pública também não pode?
Não podia abater os dez “mangos” que doei para o “Criança Esperança”?
Oh! Dotô! Isso o Didi não disse.
A Associação dos Ceguinhos Luz do Sol não é filantrópica?
Por que não posso abater as despesas do veterinário da Chininha, minha chihuaha?
Ela é minha dependente, sim senhor.
E a Pininha é mais que uma secretária do lar... É da família, também.
Fecha essa matraca! Alertou-me o grilo.
Posso pagar em até sessenta meses?
Legal! É que nem consórcio?
Se eu pagar todas as parcelas em dia, ganho um prêmio do Baú?
Cala a boca! Berrou o grilo.
Brincadeirinha. É que seu Sílvio pelo menos dá algo em troca quando a gente paga direitinho.
Assim se deu.
Ganhei um carnê tipo Casas Bahia, com a diferença que não levei nenhum eletrodoméstico.
E nem foram sessenta parcelas porque minha dívida não era tão grande assim.
Pelo sim, pelo não, fechei o bico, afinal manda quem pode, obedece quem tem juízo!
Vai que descobrem mais falcatruas na minha declaração.
Vocês sabem, né...
Aposentado só faz falcatrua... Tem conta em Paraíso Fiscal... Recebe mensalão...
Pára, grilo! Não enche!
Posso falar só mais uma coisinha?
Tudo que disser poderá ser usado contra você! Esgoelou-se o grilo!
Seu grilo, vou falar só mais uma coisinha...
Morrerei convicto que assalariado pagar imposto de renda é coisa de país subdesenvolvido.
O jeito foi “relaxa a glosa”, porque de acordo com a legislação e normas tributárias vigentes neste braziu, a Receita estava certa e eu me ferrei.
Nada a declarar, nada a declarar, nada a declarar...
É assim que se fala, grilo?
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(*) Grilo Falante – Originário do livro Pinóchio é o nome que se dá a consciência dos meninos. As meninas chamam de Grilo Escutante...

07 outubro 2008

EITA! DIAZINHO AZARADO!

SÓ FALTAVA ESSA...

Dia 07 de Outubro
Meu querido diário,
Na semana passada o carteiro trouxe-me uma notificação da Receita Federal...
Encontraram erros na declaração de Imposto de Renda e eu tinha uma pequena multa para pagar...
Coisinha simples...
Uns seis meses de minha aposentadoria...
Por favor, se alguém de financeira que “enche o saco” de aposentado estiver lendo, não me ligue para emprestar dinheiro...
Prefiro dever para a Receita Federal que para vocês.
Eles não ficam ligando, ameaçando colocar o nome no SERASA.
Fui ao posto da receita.
Metrô superlotado.
Horário de atendimento super apertado. Eu também...
Fila em pé, identidade, crachá, senha, banheiro sem fila...
Que alívio...
Fila sentado, espera, dois sudokus resolvidos...
O auditor descobre que devo muito mais que a notificação indicava...
Um ano de pensão...
Takeo, socorro...
O senhor pode comprovar que estamos errados...
Eu, hein! Só de vir até aqui já estou devendo o dobro... Cobra, aí...
Calma, pelas suas explicações parece que há erros. É só o senhor comprovar...
Moço, e se vocês descobrem que tenho contas em paraísos fiscais?
Vão me tomar meus apartamentos que a BANCOOP não construiu?
Confiscarão minha coleção de CDs, meus livros, minha edição número Um do Tio Patinhas, minha coleção do Pecos Bill - se conhecer essa tem muito mais de 60.
Minha sogra vai a leilão?
Calma! A Receita parcela em até 60 meses.
Interessante! Posso abater na declaração do ano seguinte?
Saio desenxabido.
Ufa! Havia lugar para sentar no metrô.
Olho com mais cuidado os dados que o fiscal me passa e...
Takeo... Quica...
Chamo o pessoal todo.
O erro foi grosseiro.
Baldeação na Sé...
Como entra gente no metrô Sé...
Metrô lotado...
Cheguei...
Saio da estação e paro.
Sinto um respingo na cabeça.
Oh! Dona Pomba... Só faltava essa...

(baseado em fatos reais)