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18 março 2020

PANDEMIA – DECRETO DE SEGREGAÇÃO DO IDOSO



“APÓSTOLOS DE PEDRO” preocupado com a incrível e surpreendente quantidade maior de óbitos entre os mais idosos, vitimados pelo “Coronavírus” ou quaisquer outras causas, mesmo naturais, no intuito de proteger a saúde desta classe de seres humanos, decreta e determina o(a):
1) Fim da gratuidade do transporte público (esta medida já foi “sabiamente” tomada pelo burgomestre de plantão em Petrópolis/RJ);
2) Fim do banco preferencial nos meios de transporte;
3) Suspensão dos “varejões” em supermercados e assemelhados;
4) Suspensão dos “bailinhos da Terceira Idade”, “da Melhor” ou outro nome que seja dada à velhice;
5) Fim do atendimento preferencial nas filas de bancos, INSS e assemelhados;
6) Proibição de bingos, tômbola e outros jogos de azar, exceto os patrocinados pela Caixa Econômica Federal;
7) Proibição da permanência em filas de Casas Lotéricas;
8) Proibição de jogar milho aos pombos nas praças ou pontos de táxi;
Pena - O(A) Velhinho(a), digo o(a) Idoso(a) que for flagrado infringindo qualquer item deste decreto será apreendido e devolvido à família;
Na reincidência, será multado em até 20 (vinte) por cento do Salário Mínimo, com o valor imediatamente consignado em sua aposentadoria;
Este decreto entrará em vigor no momento de sua leitura.

29 junho 2018

ESMOLA ON LINE - AJUDE UM IDOSO

AJUDE UM IDOSO - ESMOLA ON LINE

Eu poderia pedir esmola na rua sentado na calçada com um chapéu nas mãos. Poderia incomodar o senhor, distribuindo papelzinho recortado de xerox vagabunda no vagão do metrô ou num terminal de trem ou ônibus. Entretanto, seguindo as orientações de minha assessoria de captação monetária, solicito uma pequena colaboração para ajudar um idoso em situação de necessidade pelas páginas da internet. Comova-se com minha situação. Sou idoso desde que fiz sessenta anos. Não tivessem mudado a Lei, eu ainda não seria. Cheguei a ter passe do idoso, mas o fiscal apreendeu, só porque eu o emprestava pela metade do valor da passagem. Estou aposentado desde quando minha memória ainda funcionava. Recebo muito menos que necessito. Já tive mulher, filhos e netos. Era feliz e sabia, mas primeiro foi aquele maldito carioca metido a alagoano que levou toda minha suada poupança. Com forças que tirei não sei de onde (onde foi mesmo?). Estão vendo a gravidade de minhas falhas de memória? Enfim, recomecei. Diziam-me: É preciso ter esperança. Grande mentira. Minha sogra, dona Esperança, sempre a última que morre, veio morar em casa. Não riam, nem tenham pena. Peço apenas sua colaboração. Pode ser uma moeda de bitcoin, fazer-me um crédito usando o aplicativo “Ajude um idoso”. Baixe o aplicativo - é grátis. A presença da Esperança tornou minha vida um inferno, ao ponto da trágica pergunta: Sou mãe ou eu... Moro na rua, desde então. Houve um tempo que minha mulher me procurou. Ou melhor, colocou Oficiais de justiça atrás de mim para que eu pagasse pensão alimentícia. Um absurdo! Minha mulher que sempre quis emagrecer, pedindo pensão alimentícia. Fui preso por causa disso, mas o STF concedeu-me um Habeas Corpus com liberdade provisória, prisão domiciliar e uso de tornozeleira eletrônica. Ao saber da decisão - que eu teria de voltar para casa -, minha mulher desistiu da ação. Depois, pensei que minha sorte mudaria. Ganhei um dinheirinho numa fezinha do bicho, mas aconteceu a predição bíblica: “Do pó vieste, ao pó voltarás”. Apliquei em ações. Petrobrás, empresas do Eike Batista. As ações viraram pó. É tanta desgraça que até uma cachorrinha da família, chamada Luma fugiu de casa. A desgraça tem seu lado cômico. Apesar da doença generativa, que me acomete, morro de rir no último dia útil de Abril, quando lembro-me que não preciso mais entregar declaração de Imposto de Renda. Ah! Um lembrete: Você pode contribuir para a ONG - “Ajude um idoso carente”. Sua doação é dedutível do Imposto. Visite nosso site: www.ajudeumidosocarente.com.brrrrrrr. Esta ONG não liga para você dia sim, outro também, pedindo colaborações. Manda email. Autorize o recebimento de notificações atualizando minhas mensagens. Desative o spam. Mas, colabore! Lembre-se, pode ser um bitcoin ou um crédito pelo aplicativo. Não fazemos carnê ou boletos. Se preferir, cadastre sua colaboração no débito automático. Não quero mais tomar seu precioso tempo. Visite minhas páginas no facebook, instagram ou twetter. Basta acessar “#ajude um idoso carente” ou “@um idoso carente precisa de você”. Estou momentaneamente sem whatsapps, pois meu smart foi furtado num aperto na estação do Metrô. Obrigado pela atenção e repita comigo o mantra final: “Contribua... Contribua... Contribua...!!!

28 junho 2016

O GOLPE DOS VELHINHOS



Didi, Juninho, Lindinho e Nariz eram companheiros de longa data. Aposentados, viviam distraindo o tempo nas mesas de jogos da praça.  Truco, dominó, dama eram s lida diária. Nenhuma aposta. O que valia mesmo era economizar os trocados das minguadas pensões. Quanto mais permanecessem jogando, menos tempo para usufruir de vícios. Despesas inúteis já bastavam as da caderneta da farmácia com os remédios de uso contínuo.
Entre uma jogada e outra seguiam a ladainha de comentários rotineiros sobre as monótonas notícias dos telejornais de ontem e as manchetes da  banca.
Meu time ganhou, o político roubou.
Frases típicas do dia a dia: “Viu só...”, “Que absurdo essa roubalheira...”
Sua vez, Didi... resmungou Nariz.
To pensando!
E precisa pensar para jogar truco?
Calma pessoal! ... ponderou Lindinho. O Didi anda lento. É da idade. Vamos ficar assim.
A gente poderia tirar o pé da lama, abriu um sorriso o Didi.
Vixe! A coisa é séria... Concordaram os parceiros de mesa.
Não tiro mais empréstimo consignado, afirmou Lindinho.
Joga logo... protestou Juninho.
Olha aqui, pessoal Poderíamos estar em Las Vegas tomando Cherry, ao invés desta praça, protegendo-nos das pombas.
Tomou seu remédio hoje, indagou Lindinho.
Tomei, tomei... Tive uma ideia para ganharmos uma grana.
Sua vez, Juninho...
Os olhares arregalaram-se ante a firmeza da fala.
Nariz arriscou: ”Como?”
Vocês não prestam atenção nos noticiários? Viram como é fácil desviar milhares de dólares sem que ninguém perceba? É só nos organizarmos.
Ma Che! Baixou o espírito de antepassados no Juninho. Vamos é acabar presos. Não viu o “Mensalão”?
Ta quase todo mundo solto, retrucou Didi. E de mais a mais, somos idosos, podemos pedir redução de pena ou então prisão domiciliar por motivo de saúde.
Sua vez, Nariz...
Mas, e nossas partidas de truco? Entristeceu-se Lindinho.
Jogamos na cadeia. E é só um tempinho. Pense nas vantagens que teremos. Comida boa, roupa nova. Podemos ter até enterro de luxo, com direito a mausoléu. Prometeremos devolver parte dos ganhos, como prova de boa vontade.
Sei, não...
Nariz arriscou: “Dá para incluir minha sogra na delação premiada? Jurar que a idéia foi dela?” Juninho concordou, gargalhando: “Ela merece. Era pior que tornozeleira eletrônica para pegar no seu pé e descobrir onde você estava”.
O Didi pode estar certo, afirmaram sorrisos cúmplices.
Sua vez, Juninho...
Por que não pensamos nisso antes?
Sua vez, Nariz...
Não custa arriscar...
Sua vez, Didi...
Pior que estamos, não ficamos...
Sua vez, Lindinho...
Peraí... To no Whats apps  vendo se meu cunhado quer ser laranja...
Desliga esse celular, assustou-se Juninho...
Pode estar grampeado, alertou Didi...
Ele disse que topa...  Só que ele quer cinco por cento...
Alguém sugere qual tipo de golpe podemos dar?
Vender fraldas descartáveis para fundos de pensão?
Genial, Didi. Verdadeiramente acima de qualquer suspeita.
Sua vez...