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06 novembro 2016

PORTEIRO DE ENEM



Assistindo ao desespero da parte de um aluno que chegava atrasado ao exame do ENEM e foi impedido de entrar, quando o portão ainda baixava, chego a algumas conclusões quanto ao perfil necessário para ser segurança de portaria do ENEM:

Ser portador de alguma doença psicopática, que exija sentir prazer na tristeza e desespero alheio. Enfim, praticante de sadismo.
Não ter qualquer comiseração com os outros.
Nunca ter chegado a uma repartição pública, com o guichê sendo fechado na sua vez.
Ou coisas do tipo: Precisar agendar perícia e encontrar o INSS em greve.
Jamais ter perdido a hora, nem depender de transporte público.
Talvez, a mais cruel, jamais ter feito ENEM ou ser pai de quem perdeu a oportunidade, por um minuto.

23 outubro 2016

ESCOLAS COM PARTIDOS E O ENEM




O ENEM avizinha-se. Era para ser uma forma democrática de ingresso nas Universidades. Entretanto, adeptos da Escola Com Partido, desde que seja sinistro, decidiram pelos estudantes invadir escolas e paralisar as aulas.
Do ponto de vista pragmático, menos conteúdo nessa competição ao curso superior.
Por tabela impedirão, caso não as desocupem até dia 01.novembro, milhares de alunos de sequer fazer o exame.
O Estado de São Paulo requereu ao Judiciário a reintegração de posse das Escolas. Teve o pedido negado.
Peçam ao bispo!
O Ministério da Educação ameaça cobrar o prejuízo de sabe-se lá quem, referentes às despesas de exames que tenham que ser refeitos.
Quem paga essa conta?
Quem está perdendo nesse conflito de (in)competências é certo.
Os alunos.
As vítimas de professores politicamente “engajados” num rumo que perdeu a direção. Inclusive, seus mais “graduados” dirigentes políticos estão sendo, um a um, devidamente esquadrados pelo Judiciário.
Nas redes sociais divulgam, garbosos, a quantidade imensa de vitórias de invasões.
Péssimos cegos, não admitem ver a derrota nas urnas.
É golpe! É golpe! É golpe!
Golpe é o que estão fazendo, valendo-se de adestráveis, ainda, estudantes cheios de esperança que melhores dias virão.
Esperança que toda uma geração teve e entregou a esses que destruíram a economia e locupletaram-se.
E não querem largar o butim.
Ainda que para isso impeçam alunos de estudar, ler e avaliar o que é melhor para eles.

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https://www.facebook.com/apostolosdepedro/?ref=ts&fref=ts

25 março 2011

PEDRAS NA EDUCAÇÃO DA PEDRA

- Juntem dez dessas pequeninas ásperas e substituam por esta maior quadradinha. Quando tiverem dez quadradinhas, vale uma lisinha um pouco maior. E se conseguirem dez lisinhas, pronto: È o mesmo que mil pequeninas ásperas. Estão vendo só como Matemática não é assim uma pedra no sapato?
- Pode sim! Pode escrever na parede. Daqui a uns séculos...
- Quanto é um século?
- Século são dez quadradinhas ou...? Quem sabe?
- Uma lisa?
- Perfeito!
- Daqui há uns séculos vão nos dar importância. Seremos famosos. Esses desenhos que vocês ficam fazendo na parede serão chamados de rupestres e interpretados como...
- Kamasutra dos Flintstones?
- Não, Joãozinho! Receberá uma análise antropológica, filosófica do espectro conceitual sobre a vida dos pré-cambrianos.
- Como?
- Eles nem imaginarão o que somos.
- Pare, Pedrinho! Não jogue seu material didático na cabeça dela... Pode machucar... Espere quando tiver uma namorada. Poderá usar um porrete.
- Quantas você engoliu, Pedrita? Amanhã não reclame...
- É verdade que no meio do caminho tinha uma pedra?
- Não se diz tinha... É havia...
- Era desmoronamento.
- O governo contratou qual empreiteira para tirar?
- De onde tiraram tanta bobagem? Cabeças duras...
- Para semana que vem estudaremos Guimarães Rosa?
- Quem é esse cara? Joga boliche com o Barney?
- Minha mãe disse que é o autor do “Burrinho Pedrês”, seu bobo...
- Bobo é você. A aula é matemática, não de gramática. São pedras diferentes.
- Literatura. Ai! Você me acertou uma áspera.
- Calma gente! Escutem um pouquinho, só... Podemos misturar as pedras... Isto é, nestes tempos o ensino é interdisciplinar. Um pessoal, depois de estudar muito, redescobrirá isso daqui a algum tempo. Umas lisinhas de anos. Entenderam?
- ...
- Não!
- O sinal! O sinal! Até amanhã, professora!
- Crianças! Cuidado! Não machuquem o dedo chutando o material didático. Nem maltratem os filhotes de dinossauros dos vizinhos.
- Ai! Amanhã eles voltam. Quem me ajuda a apagar a parede e guardar o material?

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“Ser professor é literalmente carregar pedras desde aqueles pedregosos tempos”.
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Este texto faz parte do Exercício Criativo - A Educação pela Pedra.
Outros textos em http://encantodasletras.50webs.com/pelapedra.htm

28 janeiro 2011

MATEMÁTICA MODERNA APLICADA?

Que saudade da aurora da minha vida, da escola querida, que acho que nem voltando mais.
Que conta é essa, perguntou a professora?
De mais.
E esta?
De menos. (Se dissesse “menas” era exame, segunda época e reprovação irrecuperável).
E esta aqui, crianças?
De vezes.
E esta?
De dividir.
A professora completou: Como só acertaram, por aproximação, a divisão, dividirei a nota de vocês até aprenderem que a de menos é subtração, de vezes é multiplicação e a outra é adição. Não é demais aprender o nome certo?
Nós custávamos a aprender aritmética. A professora trabalhava muito, passava-nos dezenas de problemas, continhas, expressões, et coetera.
Eu pensei que aprendera.
Mas sabe gente, são tantas coisas que ouço e faz tanto tempo que aprendi... Assim tipo a nível de estou começando a achar mesmo que mudaram a matemática (ou aritmética) junto com a nova ortografia.
Rádio e TV também são educação. Ou não, diria ouvir estrelas. E .ensinam errado, despudoradamente, sem direito a revisão.
Outro dia o spiquer do football protestava que o preço do ingresso dobrara de valor. Aumentara 200%. Não fosse o amor a minha calculadora, presenteada pela madrinha, tê-la-ia defenestrado. Refleti e guardei-a, pois é uma raridade não chinesa.
Consultei um dicionário de matemática. Dobrar significa aumentar 100% e não 200.
Um economista não economizou na análise. Disse que a taxa de inflação crescera 3% menos. Acho que terei voltar para terapia analítica.
Já me assustei com demanda ociosa, paralisei-me ao aumento negativo. Assim, sinto-me diminuído em meus conhecimentos.
Uma pérola? O valor do produto (não era o resultado da conta de vezes) está oitenta vezes menor. Tentei decifrar a conta, mas essa nem pedindo socorro a Dona Graciosa (*)!
Coisa de louco, sô!
“Me solta, enfermeiro. Amarra eles”.

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(*) – Professora de Matemática do Colégio Estadual Brasílio Machado, nos anos dourados da aurora de minha vida, no século passado, que muito me ensinou.

12 novembro 2010

TIRIRICA - RETRATO DA EDUCAÇÃO

O palhaço que faz rir amplia minha vontade de chorar.
Tragédia...
O eleito Tiririca teve doze horas para ler um texto e mostrar que não era analfabeto.
Talvez tenham pedido para fazer um zero com o fundo do copo e tenha tido dificuldade em descobrir qual lado era o fundo.
No outro lado da comédia, candidatos do ENEM, que em protesto colocaram narizes de palhaço, nem relógios podiam usar para em, aproximadamente, a metade desse tempo tinham que mostrar tudo que sabiam.
A apoteose do espetáculo da farsa burlesca – Retratos da Educação do braziu Varemnós”- foi a foto de Everardo mostrando o polegar. Será que já havia tirado a tinta após assinar a prova?
O fato serve como um cala a boca no Mercadante. Nunca mais critique a aprovação continuada. O candidato “abestado” elegeu quantos petistas mesmo?
Sem suscetibilidades feridas, hein! A Imprensa ainda é livre. Mesmo que a televisiva seja subsidiada pelas publicidades estatais e aquisições de bancos falidos pela Caixa.
Mais um aviãozinho! Calma não é o Aerodiuma desta feita.
Quem quer dinheiro?
A escola pública não quer... Precisa...
Ao menos para ficar pior.
Não fica?
Óia!

28 julho 2010

VELHOS RECICLAVEIS

Estavam em duas ou três caixas.
Velhos, úmidos, rasgados.
Esperando o lixeiro ou o catador de recicláveis.
Deu-me um aperto, enquanto espero o semáforo abrir.
Fossem outros tempos, talvez, sentasse no chão e os folheasse.
Nunca se sabe o que podemos encontrar quando procuramos qualquer coisa ou nada.
Quem já pesquisou dicionários, sabe bem o que isso.
Procura uma palavra, erra pelas páginas e descobre diversas outras com significados que nem fazia idéia.
Estrapilhos devem recolher aquelas caixas.
Pesá-las e vendê-las por um sanduíche ou uma pitada de crack.
Nunca tive coragem de jogar um fora.
Tenho me abstido de transportar mais alfarrábios para casa, por falta de espaço.
Falta de espaço também no cérebro.
O semáforo de transeuntes verdeja e sigo.
Completa a travessia, não resisto a parar e virar-me para olhar mais um pouco para eles.
As páginas dos velhos livros estão condenadas a se tornarem matéria prima reciclada.
Fica a dúvida se as informações que contêm em cada palavra também já cumpriram seu papel.
Num país de tantos analfabetos, funcionais ou não, quanto ensinamento aqueles livros poderiam ainda distribuir.
Penso no trabalho dos escritores.
Tudo indo ao lixo.
Vou em frente, com meu arrependimento de não recolher os condenados.

04 março 2010

ENTRE BITUCAS E CHAMNÉS

Não dá mais para divisar chaminés no céu.
Estão abaixo da linha dos arranha-céus.
Arranha-céus?
Isso era na época das chaminés.
Hoje são torres.
Residenciais ou empresariais... Não faz diferença...
Num verdadeiro jogo de xadrez procuro a razão da fumaça que polui a cidade e entope meu pulmão.
Será o escapamento dos carros?
Busco abrigo temporário da fumaça e vejo um bar onde a placa na parede proíbe fumar.
Peço para usar o banheiro e tomar uma água.
Quanto é?
Dois... Um da água, um do uso do banheiro.
Dou cinco e enquanto aguardo o troco vejo a diversidade de maços de cigarro espalhados pelo caixa do estabelecimento.
A placa avisa que não aceitam cartão de crédito para a venda de cigarros.
Procuro a lógica num dilema.
É proibido fumar, mas vende cigarros.
Não aceita cartão, porque se o fumante morrer antes do vencimento, o crédito vira fumaça?
Pego o troco e saio tropeçando nas bitucas da calçada sem lixeiras.
Antes fossem só bitucas.
Tropeço em pedaços de gente.
No limite da divisa de ser ou não ser humano.
Todos abaixo da linha da pobreza dormem embaixo de alguma coisa.
Uma marquise, uma caixa de papelão, um viaduto, nossos narizes.
Quase nem sinto mais o cheiro da fumaça, com a atenção desviada para o cachimbinho que dança na mão do garoto que pede um (centavo, cruzeiro, real) para se alimentar.
Alimentar o vício que lhe impuseram.
Olho para cima e procuro uma chaminé.
Vejo janelas de arranha-céus.
Experimento acenar para uma sacada e ninguém retorna o gesto.
Talvez os cachimbinhos também acenem, mas ninguém lhes vê.
Embarco no ônibus a expelir fumaça.
Desço no Parque arborizado para uma caminhada.
Dizem que o oxigênio limpa organismo.
Mas só sinto gás carbônico.
Chego em casa preocupado.
Melhor relaxar num banho quente... Sentir o stress sair pela fumacinha do calor do chuveiro... Melhor ainda: Uma sauna!
Na parede da sala, antes de ligar a TV e ver que o governo está muito preocupado em acabar com o tráfico, observo a velha foto com uma antiga paisagem.
Ao fundo da avenida arborizada, bem ao fundo havia uma única chaminé.
Prestando mais atenção, havia crianças brincando pela rua e nenhum carro estacionado.
Não deve ser foto.
Deve ser a imaginação do pintor.
Adormeço.
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Jorginho, o assunto foi fumaça...
E hoje tem o Botafogo, hein!

03 fevereiro 2010

VOLTAM AS AULAS... CUIDADO, CRIANÇAS!


VOLTAM AS AULAS... CUIDADO, CRIANÇAS!

Cadê meu silício?
Fui cúmplice e algoz disso durante 30 anos...
Será que tenho perdão?
Escola é um perigo!
Pobres crianças!
Bem, parte disso eu tinha ciência...
Aqueles olhares sonolentos chegando às sete horas da manhã no inverno.
Que pecado terão cometido para tamanho castigo, perguntava a meus zíperes.
Sinto-me menos culpado por haver trabalhado sempre em escolas públicas e umas horinhas depois alguns tomavam sua primeira refeição.
Sei de alguns que só se alimentavam na escola.
Escola faz é muito mal.
Peraí! Segurem as pedras! A escola também tem coisas boas... As férias, por exemplo...
Querem dar mau exemplo para as crianças ficarem mais violentas.
Como é o nome da violência da moda?
Bullying?
No meu tempo era briga de turminhas... E terminava com uma bronca de algum morador.
Estou na calçada esperando o hominho acender e observo o congestionamento à porta de um grande colégio da Zona Sul de São Paulo.
Os agentes de trânsito parecem diretores de bateria de tanto apito para que as mamães (e papais também) não parem em fila dupla para descarregar seus fofíssimos rebentos adolescentes.
Que saudade da aurora da minha vida, quando ia e voltava a pé... Eu era magrinho...
Sabem que eu chegava a caminhar três quilômetros para ir até a escola.
Chutava tampinha pra caramba!
E conhecia um monte de colegas que iam se juntando pelo caminho.
Hoje não tem mais essas coisas.
Os pais de hoje tem razão em levar seus filhos até a porta.
A violência da metrópole.
Quem ia roubar um Keds Bamba ou um Conguinha?
Acho uma violência carregar as mochilas de hoje em dia.
Eu, mirradinho que era, acho que não conseguiria. E esqueceria num canto perto das pedras que faziam os gols na rua.
Fico refletindo...
Se as crianças conseguirem aprender metade do conhecimento que carregam em suas mochilas certamente serão novos Einsteins.
No fundo, acho mesmo que sirva apenas para musculação, nestes tempos virtuais.
Na dúvida o livro ou Dr. Google?
Acendeu o hominho verde. Posso atravessar...
O senhor dá licença de tirar o carro da faixa de pedestre?
Não xinga que o menino está ouvindo...
Eu posso!
O garoto diz algo e desce do carro a uma quadra da escola.
Seu Zíper, fala a verdade! Se era para o garoto descer aqui podia ter vindo de metrô ou de ônibus, que tem faixa exclusiva e parava mais perto do colégio.
Putz! Era o maior prazer quando podia gastar um passe escolar e voltava de trólebus nos dias de chuva.
Trólebus, crianças!
Nunca ouviram falar? Ônibus elétricos? Os sucessores dos bondes.
Parem de rir!
Ainda bem que a mochila dele tem rodinhas... Não entorta a coluna!... Vixe! Quebrou a rodinha no buraco da calçada.
Pela carinha de "Oh! Vida! Oh! Dor! Oh azar!!" deve estar odiando o primeiro dia de aula.
Eu também...
Hoje eu acordei as sete com o buzinaço que dava para ouvir até na minha casa...
E eu não quero mais acordar cedo!
Deve ser castigo!

30 novembro 2009

COISAS DE TEATRO

Não vou a cinema há anos...
Uma pelas filas para entrar em cinemas apertadíssimos e outra para não ficar escutando o mastigar de pipoca e sorvidas de refrigerantes dos ruminantes ao redor...
Prefiro, não só por isso, o teatro.
Uma apresentação nunca é igual à outra...
Mas tem gente que deveria ir somente ao cinema...
Nesta semana, em três diferentes espetáculos, vi algumas cenas tragicômicas.
Numa delas, uma professora levava um grupo de alunos, provavelmente de nível médio, ao teatro. Chegaram atrasados e os artistas retardaram em mais de quinze minutos o início da apresentação. Resolveram, então, interagir com os artistas...
Essas coisas de sessão pipoca...
Vaiar uma cena! Aplaudir a declaração de amor! Contar piadinhas sobre o gay! Arriscar o final do enredo... Dizer: Eu não disse!
Foi pior que celular tocando em ópera!
Mereceu até uma reprimenda do ator ao final do espetáculo...
Depois de levarem a carraspana, aquela cara de virgem saindo de motel... Olhando pros lados, ressabiados, como se todos olhassem para eles...
E o público incomodado olhava mesmo.
A professora responsável pelo grupo, envergonhada, refugiou-se rapidamente no ônibus que os transportava.
A segunda cena, felizmente não interferiu no espetáculo. Uma “doce e meiga” jovem teve que jogar fora o pacote de pipoca salgada na porta. E entrou reclamando...
A terceira, na fila de ingressos.
Não entendia porque a fila não andava travada por um casal umas três posições á minha frente...
Achei que não encontrassem a carteira de estudante... Essas coisas...
Mas não...
O rapaz apontava e apontava a tela de lugares...
Não resisti e estiquei as anteninhas...
Acreditem no diálogo:
G14 e 16? Disse a bilheteira...
Isso...
A bilheteira marcou a tela e fez a besteira de perguntar: Certo?
Não! Esses dois e enfiou o indicador na tela...
Foi um tal de F14, D12, H18 que eu estava com vontade de pegar uma AR-15...
Ou gritar: ”Água”!
De repente, o alívio...
Esse mesmo! Esse e o do lado...
Pensei: Ufa! Afundaram o destroyer...
Posso imprimir? Disse, com ar de arrependimento, a bilheteira...
Pode...
Enquanto aguardava mais um pouco chegar nossa vez, fiquei conversando
com meus zíperes sobre a intenção séria da lei que obrigou a numeração dos lugares nos espetáculos teatrais em São Paulo...
O legislador se esqueceu que nem todos jogaram batalha naval ou estudaram gráficos cartesianos na escola...
Ao chegar nossa vez, não resisti e perguntei à moça:
Afinal, os jovens escolheram qual local?
G14 e 16?
Mas...
Isso mesmo... E o senhor, qual lugar quer?
Tirei os óculos, franzi a testa e ameacei enfiar o dedo na tela...
Juro que bilheteira riu antes de mim...
Só para terminar a pantomima, havia duas entradas para a platéia.
Uma para o lado par e outra para o lado ímpar...
Adivinhem por qual porta o casal entrou?
Elementar, meu caro Watson!

16 novembro 2009

CONSCIÊNCIA NEGRA, AQUI Ó!

Olha o Branquinho livre, gritou o Alemão, um dos crioulos, com uniforme roto igual ao meu...
O Azul lançou e o Breu pediu que cruzasse a bola...
O Branquinho era eu... Tive esse apelido quando apenas mais um e o goleiro não éramos negros e era moda cabelos “black power”.
Preconceito lá no campo só com quem dava canelada na bola...
Pouco depois dessa época, senti pela primeira vez o preconceito racial.
A diretora da escola – concursada e afro-descendente – chamou-me à diretoria, onde uma mãe, também “afro-descendente”, reclamava de modo histérico que “aquilo” tinha que acabar.
“Aquilo” era eu chamar os alunos de “neguinhos” nas aulas de Educação Física.
Ainda bem que “A Grande Familia” ainda não estava no ar, senão coitada da Bebel, mulher do Agostinho...
Sem perder o rebolado, propus uma conciliação...
Chamar o filho dela pelo nome ou por algum apelido familiar.
Tipo assim: “O Givanildo e os Neguinhos” vão ficar me enrolando ou vão fazer o exercício?”
Parece nome de conjunto de pagode, não?
Quem perdeu o rebolado foi ela, ante o riso recolhido pela diretora.
Propedêutica perfunctória à parte, Novembro me cansa...
Passado o “Halloween”, durante vinte dias pratica-se a ideologia do preconceito racial e da valorização virtual do negro.
Temo pelo dia em que descobrirem que são maioria ou tomarem o poder.
Hoje no braziu 50,2% da população são afro-descendentes (PNAD 2008).
Vão trucidar aos não negros?
Será que devo me rebelar e exigir a proteção de meus direitos de minoria branca?
Revolta-me saber que líderes afro-descendentes lutam para expulsar de suas casas muitos cidadãos brasileiros, sem culpas no passado, a título de serem terras quilombolas. Essas mesmas pessoas não movem uma palha em defesa de reservas indígenas, reais proprietários de “terras brazilis” na sua linha de raciocínio.
Vou além...
Talvez, se estivessem na África matassem outros negros em batalhas tribais ou para se tornar tiranos à molde Idi Amin (Uganda), Mobutu (Zaire) ou Mugabe (Zimbábue).
Teorias sobre cotas raciais, defesas de “minorias” raciais interessam apenas aos que ambicionam ou detêm o poder na manipulação de massas em benefício, geralmente, próprio.
À população, de qualquer cor, interessa um mínimo de bem estar e iguais condições no emprego, educação, saúde, transporte, habitação,
Se a questão fosse meramente racial, porque não cotas aos descendentes de imigrantes italianos, onde me incluo, ou japoneses?
Esses povos vieram, de modo quase escravo, substituir a mão de obra dos escravos alforriados pela atrasada Lei Áurea, como ainda chegam hoje bolivianos e peruanos explorados nas confecções de roupa de chineses e coreanos abastados ou ainda os norte-nordestinos nas fazendas de tantos outros coronéis norte-nordestinos detentores do poder a bala ou serras elétricas,
O problema do preconceito no “braziu varemnós” multicor é econômico.
Todos os outros “preconceitos” tratam de “dividir para reinar”.
Negros, brancos, amarelos, cinzas, gays, portadores e até as loiras têm que aprender isso.
A divisão do braziu e de todo o mundo, socialista, neoliberal ou bolivariano, é entre a manutenção da riqueza na mão de poucos e a pobreza crescente.
Olho para o espelho, o saldo bancário e...
Caracas! Estou frito!
Estou no meio do tiroteio, mesmo não morando no Rio.
Não enriqueci apesar de mais de 35 anos de trabalho árduo e na adolescência da terceira idade vejo-me condenado a voltar à pobreza, dos tempos do futebol na várzea, por conta da aposentadoria que míngua dia a dia.
O IBGE, por falta de opção, me inclui na “classe média”, obrigando-me a sustentar com impostos, diretos e no pãozinho, aos ricos, políticos e banqueiros...
O “nordestino apedeuta” que “minha terra paulista escravocrata” acolheu ainda me xinga de “zelite” e, lá do alto de seu palácio, instiga aos pobres que sou culpado da pobreza que nada tem de alvinegra...
Concluo que sou um indefeso membro da minoria branca!
Socorro!
Valei-me meus São Benedito e Santo Antonio de Categeró...
Fazei passar logo o último feriado antes do Natal...
Assim até a quarta-feira de cinzas, quando as esfuziantes loiras e morenas guardarem suas fantasias de destaques das escolas de samba, teremos a paz reinando nas relações dos cidadãos normais.
Depois, dai-me o direito de andar livremente.
Encontrando cidadãos de qualquer cor.
E nos finais de semana possa ir até o campinho relembrar histórias como o cruzamento na cabeça do Breu resultando no gol do empate que comemoramos abraçados, sem o menor preconceito...

09 novembro 2009

EXPULSÃO E INJUSTIÇAS!

Esse mundo é muito injusto!
Sei de vários casos de pessoas que foram expulsas de vários locais, por causas de práticas de atos que atingiam a moral, os bons costumes e a sexualidade da época e não tiveram seus quinze dias de holofotes como o caso da estudante que foi expulsa de uma faculdade só porque estava de micro-vestido.
Vovó diria que ela se esquecera de colocar a calcinha do baby-doll...
Naqueles tempos do twist, não havia twiter nem “youtube”, então resgatarei algumas injustiças “expulsatórias” para ver se consigo pelo menos uns cinco minutinhos na mídia.
Nem vou pedir quinze minutos, como dizia Andy Warhol, porque eu poderia morrer de overdose de tanta fama.
Ui!!!
Para começar, ninguém me defendeu, nem pude exercer meu direito de ampla defesa, quando a professora de catecismo me expulsou da igreja só porque me flagrou, nos meus tenros oito anos, levantando os vestidinhos dos anjinhos do altar.
Até hoje não acredito que anjo não tem sexo...
Fui obrigado a confessar que pecava contra a castidade, sem nem saber o que era isso, e condenado a rezar vinte pais-nossos e cinqüenta ave-marias pelo pecado mortal.
Fiquei com um peso danado na consciência pelo pecado da mentira para mim mesmo, pois não rezei tudo.
Anos depois, quando soube de umas fofocas do padre, que me condenara, com umas beatas, me arrependi da parte que rezei.
Deu uma raiva que quase me mudei para o Paraguay...
Mas dizem que lá até o padreco presidente fazia essas coisas indecentes, como dizia a vovó, que não fazia.
No Gymnasyo, foi uma injustiça que fizeram com os meninos da sala... Na aula de Ciências estava rodando um “catecismo” e o professor flagrou.
Pegos em flagrante delito todos fomos suspensos por três dias.
Oba!
Mais tempo para peladas, digo futebol na rua, jogo de botão pela calçada, et coetera.
O estranho é que o “catecismo” sumiu.
Deve ter ficado com o professor, mas ninguém se atreveu a pedir de volta.
Essa vovó morreu sem saber...
A imprensa também não deu nenhum destaque da injustiça da eliminação do Marinho do clube.
Também pudera...
Naquela época ninguém tinha celular com câmera.
Expulsaram-no só porque fez xixi na piscina.
Aliás, ia fazer...
Umas meninas gritaram, ele “travou” e o segurança o arrancou do trampolim antes que fizesse.
Já Ronaldinho “Fenômeno” não foi expulso de campo quando fez xixi no gramado durante a Olimpíada de 1992.
E todo mundo viu...
Você não viu, não?
Vovó até quis ver o replay.
A vida é assim mesmo.
Dois pesos e duas medidas, sempre.
É preciso estar no lugar certo, na hora certa e dá tudo certo...
Se não der, consulte um advogado!

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Por falar em Advogados, dia 17 tem eleição na OAB...
Votarei contra o continuismo do atual presidente...

08 novembro 2009

COTAS PARA LOIRAS GOSTOSAS! JÁ!

UNIBAN EXPULSA ALUNA...




Na defesa da ética, da virtude e da moral a UNIBAN resolveu radicalmente, cortando pela raiz, o mal que manchava o bom nome da escola.




Deu um pé na bunda da loira maluca que desfilou quase nua pelas rampas de seu campus de São Bernardo do Campo... Fosse a da Rita Cadillac dariam beijos...
Em nome da decência expulsou-a de seu quadro discente...
Nada mais lógico!
Estudante de turismo tem mais que passear...
Ela queria o que?
Estudar?
À noite?
Onde pensa que está?
Deveria ter ido para o bar ao lado!
Vê se pode!
Caixa de supermercado querer estudar na escola onde se graduaram os doutores Vicentinho e Luiz Marinho (afilhado de casamento de LuLLinha Love and Peace e prefeito da cidade) com proficiência em onipresença?
Freqüência máxima na faculdade sem sair de Brasília?
Ou será salário pleno de deputado sem sair de São Bernardo?
Acreditou no Martinho da Vila e esperava receber o canudo de papel na UNIBAN?

Toma simancol!
Depois coloque seu topezinho, fio dental e vá tomar sol na laje.
Estudar para que? Já preconizou o ícone metalúrgico.
Espera-se a reação da UNE, UEE e outras entidade na defesa da “sem faculdade”...
Da minha parte, amplio minha plataforma eleitoral:
Cotas para loiras gostosas com micro-vestidos já!

07 novembro 2009

ITANHAEM E SEU POLICIAMENTO OMISSO

Dia de finados...
Depois de passar raiva com a Marcha de Jesus na metrópole resolvi me refugiar pós- feriado em Itanhaém...
O percurso foi divertido... Muito legal rir da desgraça alheia estampada nos quilômetros de congestionamento em sentido contrário...
Paulista adora um congestionamento...
É atávico...
Finalmente, escureceu no horário de verão...
Quase nove horas da noite...
Sossego... Paz finalmente...
Qual o quê!
Três carros tunadíssimos, algumas motos e diversos infratores resolvem fazer uma festa rave à porta do prédio...
Pararam na baia do ônibus...
Os manifestantes destapavam seu ardor sexual, rebolando em cima de uma picape ao som das típicas músicas de gosto duvidoso.
Juro que não fui eu, porque alguém mais ligeiro o fez, chamaram a polícia para restauras a paz...
Duas motos com cidadãos fardados surgiram e sem descer das motos interpelaram os inconvenientes de modo omisso.
Entretanto não cumpriram o que deveriam na legalidade deste “braziu varemnós”...
Senão vejamos as infrações que não foram devidamente coibidas e autuadas...
1 – Estacionamento irregular...
2 – Visível uso de álcool pelos motoristas e motoqueiros...
3 – Perturbação do sossego...
4 – Volume de som acima do permitido pelo Código Brasileiro de Trânsito...
Infrações suficientes para apreender carteiras e apreender veículos, que obviamente não foi feito pelos omissos fiscais da lei...
Só espalharam o problema para outro lugar, se é que alguns acharam algum lugar, tendo em vista um motoqueiro, ter encontrado sérias dificuldades para identificar qual era a frente da moto ao tentar subir para fugir da cena do crime...
Pobre braziu...
Por seus jovens e suas autoridades...

DESEJOS DE UM SERIAL KILLER - MARCHA PARA JESUS...

Se querem marchar para onde entenderem que marchem...
Para Jesus ou somente para assistir a apresentação de um cantor ou atriz recém “gospelado”...
Como vende CD religioso!...
Afinal... “quem não sabe tocar violão nem pistão toca surdo”...
Os burgomestres paulistanos – todos – por medo de perder apoio das bases eleitorais se fazem de omissos, permitem a vida de quem quer marchar para casa, precisa trabalhar em domingos e feriado ou ter um pouco de lazer transformar em um literal inferno...
Que é onde eu quero que os que acreditam purguem
Sem contar a lixarada deixada pelos irmãos para os garis limparem no dia seguinte...
Nesse assunto de marchas, trios elétricos, paradas gays e de machos, desfiles de loiras e de consciências negras, tenho opinião sedimentada...
Quero ter sossego...
Não ver cerceado meu direito de seguir meu caminho, atravessado por essas facções da população.
Facções, sim... Revoltam-se virulentamente ao receber críticas quanto a incomodarem com suas manifestações...
Demorei mais de vinte minutos para andar um quilômetro na região de Santana no dia de Finados...
Desejo a todos que marchem para os céus...
Vão indo!
Às alturas!
Logo!
Os crucificados por vocês agradecem...

18 outubro 2009

OS GORDOS QUE SE LIXEM....

Nota do Autor - Este texto, por não ser light, nem diet, pode ter efeitos colaterais...
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Paiê! Tem promoção do Maique Chique... Comprando dois, ganha um elefantinho colorido...
Compra! Compra! Compra!
Oh! Pai... Porque não?
O bebê Johnson era gordinho...
Desconheço algum que tenha ganho a São Silvestre ou a Maratona de Neviorque, mas durante a prova devem ter deglutido milhares de salgadinhos e refrigerantes...
Isso enquanto folheavam revistas com fórmulas mágicas para emagrecer, com vasta publicidade de roupas que os transformam em provolones...
Ai! Essa catraca é muito apertada.
Não entro no carro popular sem calçadeira.
Andar a pé nem pensar...
O que fazer?
Tomar cerveja assistindo uma pelada dos magricelas, imaginando pelada a magrela da novela...
Felizmente, aqui pelas beiradas de São Paulo, o Rei Momo já pode ser magrinho.
Agora falta um Papai Noel que não entale na chaminé...
Gordo sofre! E muito...
Que é isso? Gordinho está sempre feliz... Sorrindo...
Sorri para não chorar, lembrando-se da quantidade imensa de atividades que não consegue fazer, mesmo simples como, por exemplo, sentar e cruzar as pernas para tomar um e outro sorvete e singelos chocolates devorados no intervalo das duas lautas refeições do dia, de preferência em rodízios que é para valorizar cada centavo...
Minuto para interatividade...
Pronto! Já desviei de todas as pedras...
Posso destapar os ouvidos?
Segue a carruagem pelo elevador, que vou subindo de escada, os dois andares até o consultório onde decidirá pela cirurgia do estômago ou a lipoaspiração...
E tome publicidade incentivando produtos que causam má alimentação!
A má alimentação reduz o tempo e a qualidade de vida...
É muita sacanagem que fazem com os gordinhos!
As agências de publicidade deveriam pagar vultosos impostos e subsidiar a saúde pública pelo mal que fazem a boa parcela da população...
Caro gordinho! Você pode não ter gostado de engolir esta, mas é um alerta...
Se você não consegue emagrecer, não deixe seu filho engordar...
Ele agradecerá...

14 outubro 2009

DIA DOS PROFESSORES - SAUDADES DA PROFESSORINHA?

Que saudade da professorinha que me ensinou... !!!
Saudade da velha escola pública?
Claro!... Muito melhor... Bastava estudar e pronto...
Você estava aprovado para a vida...
Facérrimo!...
Orelha de burro nele!
Facílimo ou facilíssimo, segundo o Houaiss!...
Aritmética? Só decorar a tabuada...
Simples!
Você copiava uma, duas, três, quatro, cinco vezes seis, sete, oito, nove, dez vezes os números...
Saía falando sozinho pela rua os valores que resultavam.
Aí, na hora da aula, ficava com o rabinho gelado entre as pernas que tremiam...
Ai! Se esquecesse uma continha só.
Já para o milho!
Porque não podíamos carregar pedrinhas ou palitinhos, jogá-los no chão ou pegar o giz e riscar a lousa “xis vezes ene risquinhos” e contá-los?
Tinha que ser abstrato? Sempre gostei de poesia concreta...
Não sou da época de ajoelhar no milho, da orelha de burro e da palmatória, mas era uma “escutatória na orelha” da professora e da mãe que quase tinha que ajoelhar e pedir perdão pelo pecado de não haver aprendido que “seis vezes oito” não era igual a “sete vezes sete”...
Mas era quase!
Até hoje não entendi porque o Nenê não passou para a quarta série do Curso Primário... Diziam que não sabia tabuada... Justo ele que ajudava seus pais na vendinha; fazia as contas “de mais” das cadernetas nos dedos, ágil como um ábaco; não errava um troco; sabia quantas dúzias de garrafa de cerveja tinha no depósito; calculava “de cabeça” quanto custava um quarto de mortadela... Foi reprovado porque nunca aprendia que oito vezes sete era cinqüenta e quatro... Ou quase isso...
A vendinha deles cresceu e tornou-se um supermercado, administrado pelo Seu Nestor, um comerciante semi-analfabeto que, além das duas pequenas filiais do comércio, tem algumas casinhas de aluguel, um sítio e apartamento de cobertura na praia... Isso que se saiba... Às vezes, vejo o Nenê no caixa... Cabelos ralos, comentou-me, certa vez, que se orgulha de seus filhos estudarem na escola mais cara do bairro, porque não quer que eles terminem a vida num balcão.
Quanta tinta vermelha foi gasta pela professora no meu caderno de caligrafia porque a letra teimava em sair da linha. Ainda bem que não gastei todas as minhas tardes endireitando a letra e brinquei na rua, jogando bola, botão, et coetera...
A datilografia e a invenção do computador quebraram meu galho, assim posso escrever à vontade sem me preocupar com o alinhamento da letra...
Ah! Agradeço também o advento do xizinho no vestibular que me possibilitou ingressar na faculdade, porque duvido entendessem minha letra lá naquelas priscas eras e como não tinha dinheiro para pagar um escriba com caligrafia bonita estaria “frito”.
Assim meu Caminho foi mais Suave que o do Gera, um catador de papel que vaga pelo bairro... Gera era um craque no futebol... Nas aulas de Educação Física ou era o capitão do time ou o primeiro a ser escolhido... Um caso quase igual ao Nenê... Fazia tantos gols que perdia a conta... Não passou da primeira série do Gymnásio... Oriundo de família pobre limitou-se a ser trabalhador operacional, aposentou-se e complementa seu salário mínimo por trinta e cinco anos de serviço puxando sua carroça pela rua.
Já o Ivo não via a uva, mas viu a viúva...
E enriqueceu o danado.
Vivíssimo, vinte anos mais novo que a dona Vivi, contra tudo e contra todos, deu o “golpe do baú”, como se dizia naqueles tempos anteriores ao cartão de crédito.
De dia, anda de carro do ano carregando sua “velhinha” como ele gentilmente a chama.
Depois que a põe para dormir ainda tem tempo para sair, em “happy-hours” com amigos do “high-society” e usufruir a vida.
Recentemente, recebi recentemente um email da Carminha, uma colega de escola que andava perdida na memória... Achou-me na Internet... E olhe que ela era uma das mais bobinhas na brincadeira do esconde-esconde... Não achava ninguém...
Se me lembro e não estou enganado repetiu em Geografia...
Também pudera!
Não sabia o que eram ventos alísios e ao lhe perguntarem no exame oral de segunda época qual era a capital da Argentina, pensou, refletiu e disse:
Caracas! Putz! Não me lembro...
Seus pais foram chamados e ela foi suspensa por ofender a professora. Depois do estágio obrigatório como “repetente” foi jubilada, desta vez em Ciências, pois - acreditem - não sabia os 108 ossos do corpo humano que hoje são mais de 200.
O email dela veio como “carmencita@models.com.es”... Parece morar em Barcelona, cidade que venta muito e talvez pense seja a capital da Grécia...
Enfim, cada tempo ao seu tempo...
De um jeito ou de outro, aprende-se...
Como diria minha avó: se não for por bem, vai por mal... Engole aí, moleque!
O Nenê, o Gera, o Ivo e a Carminha são nomes fictícios de casos quase verídicos.
Exemplos que conheci, e muitos devem ter conhecido semelhantes, da condenação escolar que existia nos “Caminhos Suaves da Tabuada decorada com boa caligrafia”.
Se não aprendia, saía da escola para dar lugar a outro mais interessado e inteligente.
Os jubilados, condenados ao fracasso acadêmico, tinham que se virar para sobreviver.
Hoje a condenação é outra.
Os excluídos ficam vagando pela escola, mesmo que saiam dela sem aprender nada e condenados pelo carimbo “escola pública”...
Tanto naqueles rígidos anos dourados como no atual império da leniência escolar ninguém deveria ter o direito de dominar o saber, nem ser condenado por sua falta.
Nem poder, como ocorre por estes tempos modernos, de múltiplas inteligências, tudo ficar dominado...
Especialmente, pela omissão e proposital desinteresse do Estado numa educação, pautada pelo assistencialismo barato, onde se multiplica o desalinhamento social, condenando-se, por princípio, ao fracasso da ignorância quem tem, e busca, na escola pública sua esperança de aprendizado.
Não serão os condenáveis ardis das cotas ou PROUNI a iludirem aos pobres, que resolverão o problema de “ene vezes xizes” alunos de escola pública resultar em milhões de “cidadões” que não sabem sequer responder, nem alinhado, nem em desalinho que sete vezes nove não são o mesmo que oito vezes oito...
Sequer dirão quase, nem terão a capacidade do Nenê, a esperteza do Ivo, ou o voluntarismo da Carminha...
Estarão mais propensos a ser um Gera, sem a aposentadoria...
Ou quase...
Não é tão difícil resolver isso, mas interessa a quem?
Tia Professora, não é isso mesmo?...
Ou quase?