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06 julho 2014

QUERO MORRER NO VERÃO

Quero morrer no Verão!
Não sei se é melhor ou pior que em outras Estações.
Não tenho essa referência, pois ainda não conversei com ninguém que tenha morrido em qualquer Estação.
Mas algo me diz que morrer no Verão é mais leve.
Verão é alegria...
Natal... Carnaval... Fantasias... Roupagens minúsculas de bronzeadas na praia...
Quero morrer no Verão depois do Natal...
Depois do Réveillon também...
Detestaria estragar o período... Ser uma lembrança triste à época das festas...
Quero morrer após as festas, mas de repente... Sem ninguém contando os dias que me restem, sem qualquer parente trocando presentes, pensando em presentes melhores para o natal seguinte, supondo estar incluído num testamento que menti ter feito.
Quero morrer no Verão, mas não no Carnaval... Deixo essa apoteose aos sambistas.
E, caso seja velado de madrugada, não quero atrapalhar o programa de algum convidado da última hora, que houvesse planejado assistir aos desfiles no Sambódromo.
Quero morrer no Verão, antes de meu aniversário para evitar completar mais um ano na contagem regressiva da Vida.
Se morrer aos sessenta e nove (ou setenta e nove ou oitenta e nova) quase certamente ouvirei as habituais frases consternadas: “Morreu tão jovem... Não tinha nem setenta (ou oitenta ou noventa)”...  Morrendo aos setenta (ou oitenta ou noventa), quase ouvirei palavras habituais de consolo: “É a Vida... Viveu bastante... Estava com mais de setenta (ou oitenta ou noventa)!”.
Farei ouvidos moucos aos comentários: “Já foi tarde”.
Quero mesmo morrer no Verão...
Livrar-me-ei da obrigação da única certeza da Vida, depois da morte... Fazer a declaração do Imposto de Renda, no outonal final de Abril... Ao tornar-me Pó, viro Espólio...
Quero morrer no Verão para que se possa servir cerveja gelada, ao invés daqueles cafezinhos insossos das antessalas de velórios.
Com muito salgadinho, salame e azeitonas.
Quero morrer no Verão!
O Verão parece-me ser mais apropriado para rir daquelas passagens hilárias ou pitorescas, sempre lembradas nas últimas horas na presença do “de cujus”.
Quero morrer no Verão, apesar de alguns inconvenientes.
Que traje vestir-me-ão?
Estarei indefeso...
Por favor, não me obriguem um terno... Ficarei com calor.
Nada de melhor roupa
Basta-me uma camiseta polo básica e aquela habitual e surrada calça jeans. Poderia até ser uma bermuda, mas posso estar com as pernas muito brancas.
Quero morrer no Verão, mas se, por motivo de força maior, não for possível, prometo não reclamar no PROCON, nem no SAC da Vida, pois para esta não há garantias ou prazos de validade previsíveis.
Afinal, a Vida é apenas um breve intervalo que passamos acordados na eternidade sonolenta do Tempo.
Importa ser bem vivida em todas as Estações.

15 janeiro 2012

ITANHAÉM E O DIREITO AO SOSSEGO

Na mesma semana em que se divulgou a vitória de Itanhaém no combate a dengue, outro fato relacionado à saúde, deixa-me indignado e irritado.
Causa diagnosticada da irritação: exposição excessiva ao barulho.
Neste caso, a cidade é Itanhaém – litoral sul de São Paulo -, mas serve para qualquer uma onde a paz do cidadão é desrespeitada pelo poder público que, a titulo de divertir o turista, contrata (ou autoriza) caminhões de som para fazerem barulho na praia, por sete, oito, dez horas diárias.
Assim se deu.
Na primeira semana de Janeiro de 2012 - quinta, sexta, sábado e domingo - instalou-se na Praia do Sonho, conhecida também por abrigar a Cama de Anchieta, um caminhão de uma emissora de FM, com o patrocínio de uma empresa de esfihas, recentemente instalada na cidade, e uma marca de cerveja.
Talvez, oculto entre os patrocinadores haja interessados em garantir o emprego aos otorrinolaringologistas da cidade ou, porque não, no crescimento do comércio de aparelhos auditivos.
Fato o barulho ter permanecido, ininterrupto das 10 às 17 horas, em volume certamente muito superior ao recomendado como suportável pelo ser humano.
Estivesse entre nós, duvido que Anchieta conseguisse trabalhar em sua catequese com um barulho desses
Quem sabe até castigasse os índios se batessem um tamborzinho enquanto falasse aos aborígenes ou mesmo interrompessem sua “siesta”.
No mínimo, mandá-los-ia tocar lá na Cibratel ou outra praia mais deserta da cidade. Quem sabe na aldeia de Abarebebê, em Peruíbe?
No Poço das Antas em Mongaguá, talvez fosse mais apropriado, cochicha-me o Grilo Falante.
Seja para onde fossem, com certeza, respeitariam o Jesuíta.
Entretanto, nestes tempos de falta de respeito e ética, tudo se pode nas praias, ainda que fira o direito ao sossego dos moradores, garantido inclusive no Código Civil.
Mas aos organizadores do evento, parece tratarem por idiotas aos que incomodam.
O que a Prefeitura não percebe em seu oportunismo de momento, é que estes moradores, através do pagamento de seus impostos, é que sustentam a cidade, garantem os salários dos criadores da programação cultural da cidade e movimentam efetivamente o comércio da cidade ao longo do ano.
Vivêssemos numa democracia, far-se-iam análises e consultas prévias sobre as conseqüências do evento.
Algum morador da Praia do Sonho foi consultado sobre o interesse ou inconveniência em ouvir músicas – de gosto duvidoso por sinal – durante o dia inteiro?
Pergunto, e sei que alguns outros incomodados fazem o mesmo questionamento: Se o som não incomoda, porque não colocam o trio elétrico no pátio do estacionamento da Prefeitura, durante a semana, e em frente das casas do Prefeito, Secretário da Cultura e demais organizadores aos sábados e domingos.
Seguindo na trilha das consultas, se conseguirmos uma, chegaremos aos médicos.
Consultou-se algum otorrino sobre as irreversíveis lesões auditivas causadas pela prolongada exposição a ruídos superiores a 70 dB?
Talvez entre os presentes na praia houvesse diversos trabalhadores que recebem EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) na empresa onde trabalha, para proteger-se de máquinas muito menos ruidosas que o som a que se expunham.
Ouviu-se algum dermatologista ou oncologista quanto aos cânceres de pele causados, pela exposição ao sol, à platéia instigada a ficar dançando horas ao sol de fritar ovos na areia? Antes que contraponham, não há protetor solar que evite ao excesso.
Pediatras opinaram sobre os males causados pelo som às crianças pequenas.
Agora que a barulheira parou, consigo escutar incautos defensores da ditatorial zorra instalada na Praia do Sonho em Janeiro de 2012.
O que eles dizem?
Chega, mano!
Que cara chato!
Mude-se para o Alaska!
Este é um conselho sábio e mais simples que uma Ação Civil Pública.
Quem estiver incomodado que se mude.
Farei isso.
Não para o Alaska, pois o frio causa-me sinusite e não simpatizo com a Sarah Palin.
Entretanto, apesar de apreciar muito as belezas naturais de Itanhaém, no verão de 2013, provavelmente, farão a zorra na praia sem o dinheiro de meus impostos.
Vendo um apartamento, frente ao mar, na Praia do Sonho.
Preço a combinar.
O comprador receberá, no ato da escritura, um par de protetores auriculares usados e inúteis.

09 janeiro 2011

TUDO É PERMITIDO

Férias...
Verão...
Sol... (não esqueça o protetor)
Cerveja...
Era um domingão (Premê)...
Brasília Amarela (Mamonas)...
Vamos a La Playa?... Oh! Oh! Oh!
Chegamos...
Colocar cadeirinhas, guarda-sol...
Dá licença?
Só um espacinho...
Não pode?
Tem que pagar consumação?
Eu trouxe o frango, a farofa e a tubaína...
Tem que pagar?
As areias das praias paulistas – de Ubatuba a Peruíbe – foram loteadas pelos quiosques.
Notícia velha ou crime continuado?
Chama a polícia!
Chame o ladrão (Jorginho da Adelaide)
As praias são patrimônio da União... Não podem ser “alugadas”, cedidas em comodato, et coetera, et coetera, et coetera...
Arruma uma desculpa, rápido!
Aqui é “terras brazilis”....
Estamos abaixo do Equador (Chico e Ruy Guerra)...
É proibido proibir (Caetano)...
Não tem fiscal suficiente...
Está todo mundo em férias...
Não é comigo...
Nem com eu...
Tem culpa todo mundo...
Só não tem culpa eu...
E os demais turistas.
Pensando bem, temos...
Olha lá! Pega o binóculo...
No Guarujá...
É ele... O exemplo da nova classe média...
Forte da Marinha... Só para ele?...
Que é isso companheiro? (Gabeira)... A família inteira...
Mas pode?
Também não!
Nem com passaporte diplomático?
Devolve a câmera(jornalistas da Folha de S.P)...
Olha a chuva! (quadrilha)
A ponte quebrou! (quadrilha)
Está insinuando o que?
Deixa pra lá...
Circulando... Circulando...