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10 outubro 2011

LIDER TAXI - DESRESPEITA DEFICIENTE VISUAL

Divulguem e boicotem a TAXI LIDER

Nota publicada no
Jornal o Estado de S.Paulo.

Érsea é vice-presidente do Instituto Iris, onde presto trabalho voluntário.


TAXISTA SE NEGA A TRANSPORTAR DEFICIENTE VISUAL

Sou deficiente visual e me locomovo com a ajuda de meu cão-guia. Embora exista uma lei que garanta o meu direito de ser transportada com ele em veículos públicos e privados, muita gente ainda insiste em desrespeitá-la. Em 15/9, por volta das 22 horas, liguei para a Líder Táxi solicitando um carro. Quando o taxista chegou ao local solicitado, negou-se a fazer a corrida e disse: "Animal dentro do meu carro, nem pensar". O motorista arrancou com o veículo ainda com a porta aberta. Naquele momento, eu estava apoiada na porta e, por pouco, não fui jogada ao chão. No ano passado, tive o mesmo problema. Fiz uma reclamação na Líder Táxi e, desde essa época, quando ligo de meu celular, nunca há um carro disponível. Novamente telefonei para reclamar, mas a ligação só chamava. Porém, ao ligar de outro telefone, fui atendida já no primeiro toque. A atendente justificou dizendo que "infelizmente, não dispomos de veículos adaptados para o transporte de passageiros com cão-guia". Ora, não é preciso nenhuma adaptação para fazer esse tipo de transporte. O cachorro, além de dócil, é treinado e fica sentado no assoalho do veículo durante todo o trajeto - sem causar qualquer interferência no trabalho do motorista. Além disso, a Lei 11.126/05 assegura ao portador de deficiência visual o direito de ingressar e permanecer com o animal nos veículos e nos estabelecimentos públicos e privados de uso coletivo.

ERSÉA MARIA ALVES / SÃO PAULO

18 abril 2011

CÃO GUIA

Na última quarta feira do mês de Abril “comemora-se” o Dia do Cão-Guia. Este ano será o dia 27.
Quem não se encanta quando vê um deficiente visual acompanhado por seu cão-guia?
Logo vem a vontade de acariciar o cão.
Parece coisa de filme. Distante da gente. E realmente está um pouco distantes.
Apenas em 2005 entrou em vigor a Lei Federal 11126/05 universalizando no país o direito de acesso do cão-guia a qualquer espaço público.
O cão-guia é um divisor de águas para o deficiente. Transforma a vida daqueles que conseguem um. Passam a ter maior independência, facilitam seu deslocamento, ampliam a acessibilidade, dentre outras dificuldades do dia-a-dia.
Quem é esse animal?
As principais raças de cão-guia são: o Labrador, o Gold Retriever, o Pastor Alemão e seus cruzamentos. Cada uma destas raças possui exigências básicas para um cão-guia: um temperamento disposto e estável, tamanho e peso saudáveis e pêlos fáceis de se tratar.
Treinados para conduzir a pessoa de um lugar a outro em linha reta, parar nas mudanças de elevação (meio fio, escadas); e conduzir seu dono em torno dos obstáculos, inclusive aéreos, tais como galhos das árvores e telefones públicos. O usuário deve saber os sentidos (direção) para alcançar os destinos desejados e dar ao cão os comandos verbais para chegar lá.
O trabalho de um cão-guia requer habilidade e comunicação. Os cães quando estão com a “guia de serviço” devem evitar distrações, como ruídos, cheiros, outros animais e pessoas, a fim de se concentrar no trabalho de guiar. O usuário aprende a reconhecer e seguir o movimento do cão, como p.ex. quando virar em uma linha reta a fim de evitar obstáculos. O usuário também deve saber como prosseguir com cuidado quando o cão retarda ou para.
Antes do treinamento formal, cada filhote tem seu nível de sensibilidade avaliado. Esta informação ajuda a determinar como prosseguir no programa de treinamento dentro das particularidades de cada cão. São feitos exames físicos completos, por uma equipe de veterinários, a fim de determinar se os cães estão em boa forma, saudáveis e prontos para começar a treinar.
O cão tem vida útil de trabalho de oito a dez anos quando são aposentados e recolhidos a uma instituição que cuida deles, se o deficiente não tiver condições de mantê-lo.
Simples e bonito, não?
Seria mais fácil se isto fosse a realidade do Brasil.
Os menos de oitenta cães-guia existentes por aqui são em sua maioria cães labradores.
Não qualquer labrador. São importados. Vêm dos EUA.
A pergunta é rápida: Porque isso se há tantos labradores e pastores andando por aí?
A resposta também rápida e simples: O Brasil não tem nenhum programa de criação e treinamento para os animais, embora possua alguns treinadores capacitados e existam cerca de cinco milhões de deficientes visuais no país.
Há uma entidade que organiza a “importação” dos cães.
O IRIS – Instituto de Responsabilidade e Inclusão Social – OCISP que vive basicamente de trabalhos voluntários e parcerias, tem cerca de três mil deficientes cadastrados na esperança da chegada de sua vez de receber gratuitamente seu cão, obtido através da parceria com a Dog Leader (Michigan-US) que doa os cães.
Entretanto, há as despesas por conta do treinamento exigido pela Dog Leader. É necessária a ida do deficiente até os EUA por cerca de quatro semanas para um período de adaptação, que são pagos pela IRIS.
O custo é de cerca de U$ 15.000 (cerca de R$ 25.000,00)
O último cão trazido foi Toby (foto). Veio em 2008.
IRIS, em 2011, espera enviar quatro deficientes para o treinamento, mas depende de patrocínios e doações.
Qualquer pessoa (física e jurídica) pode ajudar. Acesse o site www.iris.org.br.
Verão como é fácil facilitar a vida de quem não pode ver.

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31 março 2011

POMBAS E LATIDOS POR TODA PARTE

A ignorância e o desrespeito se somam em todas as partes da cidade: Comida distribuída às pombas pelas ruas e praças e cães que não param de latir.

POMBAS

Os que alimentam pombas devem achar bonitinhos esses ratos voadores que apenas servem para transmitir doenças.

Vejam uma pequena síntese sobre o assunto:
Doenças que podem ser transmitidas por pombos
Criptococose - micose profunda. Os sintomas são: febre, tosse, dor torácica, podendo ocorrer também cefaléia, sonolência, rigidez da nuca, acuidade visual diminuída, agitação, confusão mental. São transmitidas através da inalação de poeira contendo fezes de pombos contaminadas pelos agentes etiológicos.
Histoplasmose - micose profunda. Os sintomas que podem ocorrer variam desde uma infecção assintomática até febre, dor torácica, tosse, mal estar, debilidade, anemia..
Ornitose - doença infecciosa aguda, cujo agente etiológico. Os sintomas são: febre, cefaléia, mialgia, calafrios, tosse.
Salmonelose: doença infecciosa aguda no sistema digestivo. Alguns dos sintomas são: febre, diarréia, vômitos, dor abdominal. É transmitida através da ingestão de alimentos contaminados com fezes de pombos contendo o agente etiológico.
Dermatites - são provocadas pela presença de ectoparasitas (ácaros) na pele, provenientes das aves ou de seus ninhos.

Além de doenças, outros problemas
Entupimento de calhas; apodrecimento de forros de madeira; danos a monumentos históricos, em antenas de TV, em pintura de carros (devido à acidez de suas fezes); contaminação de grãos; acidentes aéreos ou terrestres.
Métodos de controle
Educativo - Baseia-se na orientação da população, alertando-a para que evite alimentar os pombos, pois tal hábito acarreta aumento exagerado do número de aves, com maior risco de transmissão de doenças e danos ambientais.
Barreiras físicas - Este método baseia-se na utilização de telas, fechamento das aberturas por onde as aves adentram, com alvenaria ou outro material resistente; colocação de fios de nylon.
Repelentes - Existem no comércio vários produtos, que são aplicados sobre telhados, beirais, etc. com o objetivo de afastar as aves do local.
Todos os métodos de controle possuem suas vantagens e desvantagens; entretanto, o que se recomenda é a utilização de medidas integradas, a fim de se obterem melhores resultados.

(Fonte: Centro de Controle de Zoonoses da Prefeitura de São Paulo)

LATIDOS A QUALQUER HORA

O segundo problema é o desrespeito de vizinhos a paz alheia. Cães que não param de latir.
Todos têm o direito a não serem incomodados em qualquer hora do dia. Nada de Lei do Silêncio
O direito a tranqüilidade, não ser incomodado em sua casa em qualquer hora do dia está, inclusive, protegido pelo direito de Vizinhança (artigo 1277 CC).
Não aceite argumentos tipo:
Cães têm que latir: os incomodados que se mudem; tomem calmantes; procurem seus direitos.
Procurar seu direito, sim.
Ao vizinho que não lhe respeita, não cuidando para que o cão não incomode com latidos persistentes e intermitentes há um caminho:
O processo cível, cabendo inclusive pedido de indenização pelo dano moral causado.
Já há diversos julgamentos nesse sentido, até com acórdãos do Tribunal de Justiça.
Procure o Juizado Especial Cível (Pequenas Causas). Não precisa de advogado
Cachorros são adestráveis pelo treinamento.
Donos mal educados ou desinformados são adestráveis pelo bolso.

Importantíssimo: Não faça nenhum mal ao cachorro.

Para terminar um recado a quem gosta ou não de cães:
Há milhares de deficientes visuais a espera de um cão-guia.

Saiba como ajudar acessando o site www.iris.org.br

20 janeiro 2011

DORINA NOWILL - HOMENAGEM DO GRUPO RETINA

Reproduzo o Texto de Marieta Boemel, publicado na Veja Falada e Recanto das Letras, nas vozes de Roseli e Pedro Galuchi.

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Dorina, mestra querida!
Dispensamos, hoje, o tratamento mais cerimonioso.
Receba-nos como humildes discípulos, já que tanto nos ensinaste.
Há pessoas que nascem com maior ou menor brilho.
Tu nasceste com brilho esplendoroso, tão intenso que iluminou não apenas tua existência, mas os caminhos dos que te rodeavam e a vida dos que necessitavam de tua luz para sobreviver.
Libertaste os cegos da clausura; estavas convencida de que o saber era o único caminho a trilhar pelos que pareciam condenados às trevas.
Desbravadora e pioneira iniciaste, a princípio sozinha, a batalha pela possibilidade de aprendizado.
Não havia um único livro em braile quando querias prosseguir os estudos. Iniciaste solitária, a busca do material necessário.
Aos poucos, formou-se um pequeno grupo de colaboradores, embrião da futura Fundação para o Livro do Cego.
Anos mais tarde, mentes brilhantes, numa justíssima homenagem perpetuaram teu nome, renomeando-a Fundação Dorina Nowill para o Cego.
Quantos, desprovidos de visão, nesta fundação, aprenderam a ler, a escrever e a caminhar?
Quantos renasceram após o processo de reabilitação, passando a encarar a vida sob outro prisma, tornando-se pessoas independentes?
Incontáveis os que Brasil afora, se beneficiam dos livros da biblioteca do livro falado e atualmente, do livro digital acessível.
O pequeno grupo que no início se formou foi crescendo; tornou-se uma multidão que conseguias arregimentar com teu carisma, um exército cujo armamento era o conhecimento.
Era a alavanca que conduziria o cego à condição de cidadão, ofertando-lhe, inclusive, oportunidade de trabalho para que sobrevivesse dignamente.
Nós, Grupo Retina São Paulo, somos uma entidade com pouco tempo de existência.
Nosso objetivo é o bem estar dos que enfrentam as dificuldades da gradual perda de visão.
Temos também o compromisso de estar em permanente contato com a comunidade científica para transmitir aos componentes de nosso grupo os avanços da ciência no sentido de combater as doenças da retina.
Buscamos forças, mirando-nos em teus exemplos de pertinácia e perseverança.
Prometemos aqui, inesquecível Dorina, não esmorecer no trabalho a que nos propusemos, buscando ofertar aos que nos procuram o empenho, o apoio e a força mostrando lhes a esperança.
Pregamos otimismo, enquanto aguardamos que a Ciência, um dia traga a solução de nossos problemas e nos encontre bem preparados para uma nova vida.
Seguiremos com nosso trabalho, baseados em teu lema:
“Vencer na vida é manter-se de pé, quando tudo parece estar abalado.
É lutar quando tudo parece adverso.
É aceitar o irrecuperável.
É buscar um caminho novo com energia, confiança e fé.”
Dorina! Perene será tua lembrança!

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Acesse o site do grupo Iris e veja como você pode colaborar para um deficiente visual obter um cão-guia.