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02 dezembro 2019

GIINGADO DA MORENA (letra de samba)

GINGADO DA MORENA (letra de samba)

Quem acha feliz a morena gingando na passarela
Não é fácil a vida dela
Não é fácil a vida dela (refrão)

Cedinho dependurada no transporte
(Coisa que ninguém merece)
Faz prece pra ver muda a sorte
Se não for possível ganhar na loteria
Ser por um dia rainha da bateria

Quase meio-dia, preparar a mistura
Geladeira vazia, preços pela hora da morte
Grana curta, o jeito é a xepa na feira
Decidir entre a fruta ou a verdura
Qual vai durar a semana inteira

Tarde de sol, inveja quem fica na praia
Deitado na areia, ler, sem pressa, a revista
Imagina-se a principal passista
Canga a cobrir a tanga, só um tomara que caia
No calçadão seu passo ensaia

Volta à realidade ao repentino trovão
Nuvens cobrem a cidade, vem chuvas de verão
Escuridão anuncia o habitual temporal
Dispara a correr como fechassem o portão
Na apoteose e vai recolher as roupas do varal

Passada a tempestade
Busca forças na solidariedade
Resgatar as sobras do vendaval
Acalma quem está à beira da loucura
A dor da perda não tem cura
Amanhã breve nota no jornal

Sem juras de amor, paz é breve momento
Tatuagem na pele disfarça a cicatriz
Lembrança da agressão brutal
Na discussão banal
Desentendimento de casal

Um passo de improviso, abre no rosto o sorriso
Gingando na passarela
Parece estar a morena feliz
Ela tem mesmo um gingado
Diferente, especial
Que ninguém vê quando acaba o carnaval
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https://www.recantodasletras.com.br/poesias/6809262

01 março 2017

Braziu das ditaduras


Quem é a favor das ditaduras, levante o braço.
Ou permaneça como está.
Tudo depende da hora e lugar.
Ou da oportunidade e conveniência.
Democracia já!
Você tem o direito de manifestar sua opinião.
Entretanto, evite festejar gol do Corínthians se estiver nas imediações da sede da Mancha Verde.
Isso não seria saudavelmente correto.
O atendimento do SAMU pode estar em greve.
Vá comemorar lá na Zona Leste.
Ditadura militar, eu sei, todos são contra, exceto os admiradores de Cuba e de Chavez.
Noves fora, subtrai a população do Acre, os artistas ativistas (incluo os passivistas?), os nomeados em comissão pelo governo de St. Luigi Ignatius, o Puro e seu poste (ou sua posta?), os que odeiam Bolsonaro, os que repudiam a Globo, mas não perdem suas novelas, os defensores do Gênero, Número e Grau.
Bom, soma aqui, divide acolá...
Esqueci dos manifestantes em protesto ao Patinho da Fiesp.
80% da população é contra a ditadura militar.
Você escapou?
Então, à frente, firme e forte.
Ditadura pet.
Como alguém pode ser contra os pobres cãezinhos... ou gatinhos? Por que não porquinhos da Índia ou ratinhos recém-paridos por ratazanas do centro da cidade?
Ninguém é contra, eu sei, exceto os que são vizinhos de cães que latem o dia inteiro, os que precisam dormir, os que pisam em cocô, os que têm de limpar o cocô de sua calçada e os que teriam o direito natural de não gostar, não fosse isso absolutamente politicamente incorreto.
Some-se a maioria silenciosa, os temerosos de bulliyng, os defensores da fabricação de tamborim de pele de gato, os fabricantes de sabão e os vizinhos das clínicas veterinárias, que desejam entrar em casa, mas tem um carro parado à frente de seu portão, chegamos em 50% da população contra a ditadura pet.
50%, sim, senhor!... Ou você tem seu ratinho de estimação?
Restam 50% contrários a alguma ditadura.
Você prossegue firme e forte?
O teu cabelo não nega, Maria Sapatão!
O que foi, mano? Não gosta de Carnaval?
Então somos dois.
Mais alguém?
Claro que não, eu sei, exceto os que não podem sair de casa, porque tem desfile de blocos nas imediações, os que precisam trabalhar durante o carnaval e têm que aguentar o barulho dos mesmos blocos, os que ficam incomodados pelo mal que o barulho faz ao seu cãozinho.
Que fantasia é essa, moça? Pena de faisão? Isso não pode.
Ora, vá atrás dos seus direitos...
Calma, gente!
Eu sou o culpado?
Quer saber? Os defensores das ditaduras que se entendam.
Ditadura? No Braziu?
Você é favorável a alguma delas ou não?
Claro que não, eu sei, exceto...
Seu politicamente incorreto!
Junte-se a nós...
À frente, firmes e fortes!

15 fevereiro 2016

CARNAVAL NO BRAZIU É O ANO INTEIRO



 
Não tenho propriamente aversão ao Carnaval. Feriados serão sempre bem vindos. O problema são os carnavalescos.
Na infância assisti, em TV preto e branco, concursos de fantasia invariavelmente vencidos por Clóvis Bornay, que completaria 100 anos em 2016. Três vezes fui “in loco” a desfile de escolas de samba – uma vez na Av. São João, outra na Av. Tiradentes e a terceira vez no Sambódromo do Anhembi. Em algumas noites insones, trechos de desfiles muito coloridos, carros alegóricos e seus destaques escondendo as “vergonhas” dentro de um band-aid, também chamado de tapa-sexo.
Em Sampa, este ano, ocorreu um fato inusitado: “A modelo Ju Isen, considerada musa das recentes manifestações contra o governo federal e destaque da Unidos do Peruche, foi expulsa da avenida por despir parte de sua fantasia, em protesto após ser impedida pela escola de usar tapa-sexo com a imagem da presidente Dilma Rousseff”. (fonte Uol)
Atrevo-me a dizer que o uso de tal “modelito” de tapa-sexo faria mais efeito que cinto de castidade ou métodos anticoncepcionais.
Carnaval, ora o Carná!...
Quem na juventude não tem seus ímpetos e surtos de idiotia?
Gostar de carnaval assemelha-se a acreditar que o comunismo é bom, que o PT iria mudar o “braziu”, que Luigi Ignatius será canonizado, et coetera similares.
Esses desvios de comportamento são admissíveis na adolescência, na primeira fase da idade adulta, mas ultrapassada a barreira dos trinta, “hominis e feminis sapiens” portadores de tais vícios são merecedores de avaliação psiquiátrica.
Tenho, ainda, motivo forte para desgostar do Carnaval.
O carnaval tem sua parcela de culpa em minha surdez.
Domingo de Carnaval de 1997.
Sobreveio-me a surdez súbita e a Dra. Paula, médica “otorrino” que me atendeu, depois de perguntar-me se eu não tinha ido a algum baile de carnaval, afirmou que eu precisava de uma lavagem auditiva, mas ela “não podia fazer” no Pronto Socorro.
Na quarta-feira gorda, quando consegui uma consulta ambulatorial, era muito tarde. Deveria ter sido internado e medicado de imediato.
Lá se foi minha audição.
O mais chato do fato, logo após o zumbido cerebral permanente até hoje e a perda unilateral da audição, era ter que “escutar” outras pessoas perguntando, detrás daquele sorrisinho irônico se eu não tinha mesmo passado a noite num ensurdecedor baile de Carnaval.
Não! Não tinha...
De lado o problema pessoal, as atividades momescas (Nestes tempos de obesidade coletiva ainda existem Reis Momos?) causam mais males que benefícios.
Exposição a som de 90db danifica as células auditivas em quatro horas.
Talvez por isso o som dos trios elétrico atinja 120 ou mais decibéis.
Quem está perto já deve estar surdo ou calibrado em estado letárgico. Quem esteja a quilômetros de distância, tentando descansar ou fazendo qualquer outra coisa, que o suporte.
“Eu quero é botar meu bloco na rua” cantou o falecido compositor Sérgio Sampaio
“A Praça Castro Alves é do povo”, cantava o tropicalista Caetano.
Analisando os inconvenientes do xixi no muro de d. Eva, os preservativos no jardim do Sr. Adão – quem mora na Vila Madalena sabe o que é isso -, o som infernal incomodando quem está parado no trânsito a caminho de algum compromisso mais ameno, uno as frases e desejo:
“Que os foliões dos blocos de rua de São Paulo sigam os trios elétricos. Rumem à Via Dutra, cruzem a ponte Rio-Niterói, arrastem suas sandálias pela BR116, cheguem felizes a Salvador e fiquem definitivamente na Praça Castro Alves”.
Pronto!
Com esta solução prática para o tríduo de cinco semanas “pré” e pós Carnaval, passo a preocupar-me com os outros “carnavais”, esquecidos durante a folia.
“Carnavais” a desfilar repetidamente nas manchetes da imprensa, tendo como destaques políticos, que tentam, sem-vergonhas, esconder seu locupletar-se, o desvio dinheiro público. Aos arquibaldos e geraldinos, fantasiados com seus narizes vermelhos, resta cantar e popularizar o Sr. Newton.
Vamos lá, comunidade!
Comigo! Em ritmo de Marchinha dos anos dourados...  soltem a voz:
“Ai! Meu Deus! Me dei mal... Bateu na minha porta o japonês da Federal”.

06 julho 2014

QUERO MORRER NO VERÃO

Quero morrer no Verão!
Não sei se é melhor ou pior que em outras Estações.
Não tenho essa referência, pois ainda não conversei com ninguém que tenha morrido em qualquer Estação.
Mas algo me diz que morrer no Verão é mais leve.
Verão é alegria...
Natal... Carnaval... Fantasias... Roupagens minúsculas de bronzeadas na praia...
Quero morrer no Verão depois do Natal...
Depois do Réveillon também...
Detestaria estragar o período... Ser uma lembrança triste à época das festas...
Quero morrer após as festas, mas de repente... Sem ninguém contando os dias que me restem, sem qualquer parente trocando presentes, pensando em presentes melhores para o natal seguinte, supondo estar incluído num testamento que menti ter feito.
Quero morrer no Verão, mas não no Carnaval... Deixo essa apoteose aos sambistas.
E, caso seja velado de madrugada, não quero atrapalhar o programa de algum convidado da última hora, que houvesse planejado assistir aos desfiles no Sambódromo.
Quero morrer no Verão, antes de meu aniversário para evitar completar mais um ano na contagem regressiva da Vida.
Se morrer aos sessenta e nove (ou setenta e nove ou oitenta e nova) quase certamente ouvirei as habituais frases consternadas: “Morreu tão jovem... Não tinha nem setenta (ou oitenta ou noventa)”...  Morrendo aos setenta (ou oitenta ou noventa), quase ouvirei palavras habituais de consolo: “É a Vida... Viveu bastante... Estava com mais de setenta (ou oitenta ou noventa)!”.
Farei ouvidos moucos aos comentários: “Já foi tarde”.
Quero mesmo morrer no Verão...
Livrar-me-ei da obrigação da única certeza da Vida, depois da morte... Fazer a declaração do Imposto de Renda, no outonal final de Abril... Ao tornar-me Pó, viro Espólio...
Quero morrer no Verão para que se possa servir cerveja gelada, ao invés daqueles cafezinhos insossos das antessalas de velórios.
Com muito salgadinho, salame e azeitonas.
Quero morrer no Verão!
O Verão parece-me ser mais apropriado para rir daquelas passagens hilárias ou pitorescas, sempre lembradas nas últimas horas na presença do “de cujus”.
Quero morrer no Verão, apesar de alguns inconvenientes.
Que traje vestir-me-ão?
Estarei indefeso...
Por favor, não me obriguem um terno... Ficarei com calor.
Nada de melhor roupa
Basta-me uma camiseta polo básica e aquela habitual e surrada calça jeans. Poderia até ser uma bermuda, mas posso estar com as pernas muito brancas.
Quero morrer no Verão, mas se, por motivo de força maior, não for possível, prometo não reclamar no PROCON, nem no SAC da Vida, pois para esta não há garantias ou prazos de validade previsíveis.
Afinal, a Vida é apenas um breve intervalo que passamos acordados na eternidade sonolenta do Tempo.
Importa ser bem vivida em todas as Estações.

21 abril 2009

DEPUTADO QUER MUDAR CARNAVAL

O CARNAVAL VAI MUDAR

Tramita na Câmara dos Deputados projeto de Lei do deputado Asnício Amin Venga Tudo prevendo a implantação de um segundo tríduo oficial de três dias carnavalesco no “braziu varemnós”...
O projeto já passou por diversas comissões.
No bom sentido.
Comissão de constituição e justiça, comissão de tributos, comissão de viagens e turismo, comissão de frente e de alegoria entre outras.
A proposta encontra boa receptividade junto ao colégio de líderes de diversos partidos, que entendem imperdível a desculpa para inutilidade da casa legislativa com o desvio da atenção popular que poderia ir para a praia ou fazer compras na 25th. Mars Avenue.
O braziu passaria a ter dois carnavais.
Um oficial e outro também oficial.
Da parte da deputância haveria a possibilidade de justificar injustificáveis despesas com viagem para as bases ao litoral nordestino e articular com aspones formas de equilíbrio entre a seca e as enchentes.
A proposta prevê a realização do segundo carnaval oficial nas datas de 19, 20, 21 e 22 de abril.
Epa! Perguntaram leitores eleitores da farra ao deputado.
Tríduo de três dias com quatro?
Claro como a luz de neon que ilumina as noites das baladas e outros inferninhos, explica o Nobre e Excelentíssimo Venerável deputado Asnício.
Dia 19 é o dia do Índio! Simbolicamente no Carnaval Todo Mundo Nu.
Farras e bacanais familiares preliminares.
Dia 20 dia do nascimento de Hitler, da morte de Ataulfo Alves, de Cantinflas, do assassinato do índio Galdino, dia de santa Rosa de Lima, padroeira do Peru.
Enfim um motivo qualquer para fazer a ponte com dia 21.
Dia 21 é o dia dedicado a Tiradentes, mártir da Pátria, meio esquecido e que enforcaria novamente de vergonha do que acontece. Dia da fundação de Brazilia, cuja construção afundou os Fundos de Previdência na década de 50. É ainda o dia da morte do Tancredo, primeiro primeiro-ministro do braziu e diz a lenda foi o dia em que um marinheiro depois de quase dois meses de viagem, avistou o falcatrua, ave símbolo do braziu e, alucinado, começou a gritar:
Estou vendo as índias!Chegamos às Índias.
Pobres índias!
E o dia 22?
A apoteose, ora.
O braziu é achado e começa a descoberta de tantas falcatruas num verdadeiro carnaval quase oficial que passará despercebido pelo eleitor leitor, cioso como eu, às voltas com o Imposto de Renda que deve ser entregue até o dia 30 para sustentar a farra.
Isso me deixa doente!
Por falar nisso, não encontro o recibo do médico!
Me solta, enfermeiro!