Mostrando postagens com marcador vida eterna. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador vida eterna. Mostrar todas as postagens

13 março 2017

FANTASMAS EXISTEM



O menino começou a acreditar em fantasmas numa noite em que ninguém soube explicar por que a cortina balançava, sem que houvesse vento na janela. Por misterioso paradoxo, quando uma brisa passou pela janela, a cortina parou de balançar.
Em seu raciocínio crédulo e simplista, concluiu que a brisa era um fantasma saindo da casa. Naquela noite quente, tremeu muito antes de, cansado de tanto relutar com o sono, adormecer.
Não sem antes fechar a janela.
Daí em diante, todas as noites conferia, desconfiado, o balanço da cortina. Abria e fechava a janela, olhava debaixo da cama e em sua oração noturna pedia que o fantasma não viesse assustá-lo.
Medo de fantasmas é realmente paradoxal.
Há pessoas que não pregam os olhos, madrugada a dentro, temerosos ao surgimento de um. Ignoram que fantasmas só costumam aparecer quando menos se espera.
Outras fecham os olhos a noite inteira para não ver os fantasmas. Apesar de algumas dessas pessoas jurarem de pés juntos, não acreditarem nessas “bobagens”, sabem que eles estão ali quietinhos em seu canto e, quando querem, aparecem na forma de pesadelos.
Há fantasmas em toda parte.
Todos têm seu fantasma de estimação.
Nem que surja na forma de uma prova de química orgânica ou de óptica.
Recentemente, até o futebol aceitou sua existência e instituiu o “Fantasma do Rebaixamento”.
Os vivos, talvez ignorando serem apenas futuros fantasmas, criaram um local apropriado para a coexistência pacífica;
No fundo queriam que os fantasmas ficassem reclusos.
Deram-lhe o imponente nome de Necrópole – “Cidade dos Mortos”. Regulamentaram que os fantasmas poderiam circular livremente na Necrópole.
À noite.
De dia, dormiriam.
No começo tudo parecia resolvido.
Mas, os fantasmas logo rebelaram-se.
Se vivos podiam fazer visitas na Cidade dos Mortos de dia, incomodando seu descanso, os fantasmas também podiam sair pela Cidade dos Vivos à noite.
Nada mais justo!
Assim o fazem.
Fantasmas são espertos. Cientes de sua invisibilidade, entram em tudo que é lugar. Veem o que ninguém imagina. Sabem de tudo o que acontece.
Parece 1984.
Todo cuidado é pouco!
Quando resolvem abrir o bico...
Psicografam...
Reza a lenda, exista um setor de censura no mundo dos fantasmas.
Um código de ética: “Você não conta meus podres, eu não conto os seus”.
Assemelha-se, no mundo dos Vivos ao “Fantasma da Delação Premiada”.
E os segredos de família?
Fantasmas sabem mais que fofoca de vizinha.
Língua de sogra é café pequeno.
Veem coisas de arrepiar padre em confessionário.
De deixar o Cão à espera de alguns santos vivos para tirar férias.
Como eu sei disso tudo?
Sabe aquele menino assustado com o balanço da cortina?
Era eu...
Em vida...
----------------------------------------------------------------------------------  

Nota do Autor:
Espero que este texto tenha sido psicografado.
Senão, morri e nem notei.

  






06 julho 2014

QUERO MORRER NO VERÃO

Quero morrer no Verão!
Não sei se é melhor ou pior que em outras Estações.
Não tenho essa referência, pois ainda não conversei com ninguém que tenha morrido em qualquer Estação.
Mas algo me diz que morrer no Verão é mais leve.
Verão é alegria...
Natal... Carnaval... Fantasias... Roupagens minúsculas de bronzeadas na praia...
Quero morrer no Verão depois do Natal...
Depois do Réveillon também...
Detestaria estragar o período... Ser uma lembrança triste à época das festas...
Quero morrer após as festas, mas de repente... Sem ninguém contando os dias que me restem, sem qualquer parente trocando presentes, pensando em presentes melhores para o natal seguinte, supondo estar incluído num testamento que menti ter feito.
Quero morrer no Verão, mas não no Carnaval... Deixo essa apoteose aos sambistas.
E, caso seja velado de madrugada, não quero atrapalhar o programa de algum convidado da última hora, que houvesse planejado assistir aos desfiles no Sambódromo.
Quero morrer no Verão, antes de meu aniversário para evitar completar mais um ano na contagem regressiva da Vida.
Se morrer aos sessenta e nove (ou setenta e nove ou oitenta e nova) quase certamente ouvirei as habituais frases consternadas: “Morreu tão jovem... Não tinha nem setenta (ou oitenta ou noventa)”...  Morrendo aos setenta (ou oitenta ou noventa), quase ouvirei palavras habituais de consolo: “É a Vida... Viveu bastante... Estava com mais de setenta (ou oitenta ou noventa)!”.
Farei ouvidos moucos aos comentários: “Já foi tarde”.
Quero mesmo morrer no Verão...
Livrar-me-ei da obrigação da única certeza da Vida, depois da morte... Fazer a declaração do Imposto de Renda, no outonal final de Abril... Ao tornar-me Pó, viro Espólio...
Quero morrer no Verão para que se possa servir cerveja gelada, ao invés daqueles cafezinhos insossos das antessalas de velórios.
Com muito salgadinho, salame e azeitonas.
Quero morrer no Verão!
O Verão parece-me ser mais apropriado para rir daquelas passagens hilárias ou pitorescas, sempre lembradas nas últimas horas na presença do “de cujus”.
Quero morrer no Verão, apesar de alguns inconvenientes.
Que traje vestir-me-ão?
Estarei indefeso...
Por favor, não me obriguem um terno... Ficarei com calor.
Nada de melhor roupa
Basta-me uma camiseta polo básica e aquela habitual e surrada calça jeans. Poderia até ser uma bermuda, mas posso estar com as pernas muito brancas.
Quero morrer no Verão, mas se, por motivo de força maior, não for possível, prometo não reclamar no PROCON, nem no SAC da Vida, pois para esta não há garantias ou prazos de validade previsíveis.
Afinal, a Vida é apenas um breve intervalo que passamos acordados na eternidade sonolenta do Tempo.
Importa ser bem vivida em todas as Estações.

05 fevereiro 2010

VERDADEIRO TEMPLO DOS MILAGRES

(baseado em fatos reais)

Deu na imprensa que em São Paulo surgem cerca de duzentos novos templos religiosos ao ano.
Logo, logo haverá mais garagens evangélicas que barzinhos ao redor de faculdade...
Por que a comparação?
Porque ambos fazem um barulho insuportável, por exemplo?
Porque nenhum costuma ter alvará de funcionamento?
Tem uma diferença marcante.
No templo pagam antes para obter promessas e no bar prometemos pagar depois.
Ma, viene qua, dio mio!
Não está na hora de mandar outro bambino para derrubar templos de falsos profetas?
Tudo bem que outro dia caiu um teto da Igreja dos pastores que ficaram em cana nos Estaites. Mas só isso?
Quem avisa amigo é: Ficará desacreditado, oh, painho!
Ficam prometendo miraculosos em seu nome e depois sabe quem vai pagar o pato...
Quando os consumidores caírem em si, vão dizer que o carnezinho do dizimo foi aí pra cima...
Já estão botando a culpa no xará síndico por causa do aguaceiro na cidade.
Na semana passada abriu um desses templos em frente a oficina do Chico, mecânico do bairro.
Mecânico de primeira. Achava de ouvido defeitos no motor.
Contou-me que não está escutando mais nada quando ligam o som da garagem da fé.
Coitado! Justo ele que não é de por os pés em igreja...
Exceto para casório, batizado... Essas coisas que mesmo comunistas italianos como ele praticam...
Ia reclamar na Prefeitura, mas a mulher dele converteu-se e é evangélica de outra fé e disse que deus castiga.
De nada adiantou argumentar que é ele que agüenta a penitência.
Homem que eu levava fé, estava ali!
Onipresente, salvou-me da aflição em muitas ocasiões.
Quantas vezes apareceu, atendendo meu pedido, quando meu velho Passat quebrava nas mais estranhas quebradas.
Sem contar os consertos sem ver o carro.
Olha se não é a vela que apagou!
A mangueira não está rasgada?
Tem gasolina?
Tinha também o poder da premonição...
A correia dentada vai quebrar. Ou: vai ficar sem embreagem...
O Chico era que nem a conta do bar. Primeiro ele fazia o milagre. Ficava na promessa de receber, sem nunca se negar a novos milagres a quem cometia o pecado do esquecimento...
Entre um grito e outro do pastor, deu tempo de rir...
Ele falou que estava seriamente pensando em mudar o nome de sua oficina de “Oficina do Chico” para “Templo do Senhor Chico”.
Acha que rende mais e quando precisar de silêncio é só pedir...
Milagres não lhe faltam...
Isso, já dei meu testemunho.

06 julho 2009

VELORIO DE MICHAEL - SORTEIO

Diretamente do outro lado do mundo e sem ingresso para o Death Show...
Calma, gente! O avião ainda não caiu em sima de mim...
------------------------------------------------------
NÃO CHOREM NO MEU VELÓRIO!

Eu nunca gostei de ir à velórios.
Sempre evitei esses locais, mas hoje não teve escapatória.
Quando eu era vivo e era obrigado a comparecer a um féretro, acabava por encontrar sempre algum conhecido...
Pêsames vão, lembranças vêm...
Vinham as passagens hilárias e acabávamos rindo.
Em muitos casos, acho que o falecente, vivo estivesse, também morreria de rir...
Tinha que se segurar para não espantar as visitas.
Agora eu compreendo.
Hoje mais que nunca tenho que permanecer quietinho, quietinho!
Se eu der um pio o pessoal se assusta...
Não posso falar nada...
Nem comentar que fiquei sabendo que distribuíram ingressos para o velório de Michael Jackson?
Ingresso para velório?
O meu é de graça e sem limite de visitas...
Ninguém andou fazendo cambio negro para o meu?
Psiu!
Se me mexer, então!
São capazes de me derrubar e me matar de novo.
Sempre me questionei porque não rir no enterro de um palhaço, por exemplo?
Eles queriam ver a tristeza longe.
Nos dão tanta alegria que merecem muita alegria como homenagem.
Charangas, marchinhas e até uma cambalhota!
Falando nisso, a vida dá cada reviravolta!
Ontem mesmo estava vivo...
Fazia planos em escrever esta história!
Não sei se consegui acabar...
Só me lembro que de repente meu deu um cochilo e quando dei por mim, acordei assim.
Fiz também uns versinhos que acho que não passei para o computador.
Estão no bolso da calça.
Se quiser ler é só pegar.
Prometo não me mexer.
Só não desmanche o arranjo de flores que ficou caro.
Ouço vozes!
É você, São Pedro?
Oh! Meu rei! São as visitas.
O que estão falando de mim, aí?
Fala deste lado que não escuto direito do lado esquerdo.
Ah! É! Vocês vão falar muito mais quando descobrirem que os exclui do testamento
Esses micro-aparelhinhos de audição são fantásticos. Descobrimos cada coisa que falam de nós, pensando que estamos totalmente surdos.
Acho que o meu caiu quando me vestiram.
Será que me deram um tapa na orelha?
Por favor! Alguém espante essas mosquinhas das flores! Tem uma no meu nariz!
Sou alérgico a flores, mas não posso espirrar.
Senão quem me carregará até a cova?
Vai embora, não! Pode ajudar a carregar... Tem alça para todo mundo pegar...
Cuidado com o fundo para eu não cair e sem roubar lasquinha para levar de souvenir que o meu não é de ouro...
De que será que eu morri?
Não estava no Rio, então não foi bala perdida, nem dengue.
Será que fui atropelado por algum motoqueiro que trafegava entre os carros?
Eu sempre tive o péssimo costume de atravessar entre os carros.
Fazer o que? Tá tudo dominado!
Os carros parados na faixa de pedestres e os camelôs na calçada do bairro.
Enfarto?
Fiz ergométrico há uns três meses.
Derrame?
Que é isso companheiro?
Está me achando com cara de pobre?
Derrame é quando tomba caminhão de pau de arara na estrada e morre todo mundo.
Um derramada só.
Remediado tem AVC.
Parada cardíaca!
Coisa mais vulgar!
Todo mundo morre de parada cardíaca.
Eu estava com uma gripinha e velho sabe como é?
Pega um ventinho, vira gripe, evolui para pneumonia e vai escutar harpa.
Nunca saberei! Que me importa?
Será que fizeram necropsia?
Não estou sentindo nenhum processo de cicatrização e meu convênio não cobria laparoscopia para estes casos.
Algum médico da família ou conhecido deve ter assinado o laudo do óbito.
Quem convidou esse cara?
Vivia se escondendo de mim...Veio ter certeza?
Pagar aquele dinheiro, nadica!
Vou levantar!
Fica quieto, aí!
Até aqui, grilo falante!
Você não aposenta quando batemos com as dez?
Agora quero ver quem é que vai reclamar da aposentadoria!
Cambada de puxa-sacos! Virei bonzinho, é?
Cadê meus óculos? O que está escrito na coroa?
Saudade dos filhos... Filhas?
Epa! Epa! Epa! Nada de tirar material para DNA.
Alguém se lembrou de trazer a trilha sonora para este evento único?
Ninguém?
Era de se esperar! Se não me davam ouvidos antes, não iria ser agora.
Toca qualquer coisa, uma ova...
Se tocarem axé, reggae ou funk eu choro...
Levanto e ponho todo mundo para correr.
Sepultura?
Não estava na lista.
Estava tudo organizadinho.
Tinha “Don´t cry for me Argentina”, só para me “achar”.
Já que é para chorar, muito chorinho.
Não coloca aquela musiquinha do Ghost?
Isso! Unchained Melody.
Se for cantada pela Whoopy Goldberg com o coro do Mudança de Hábito pode.
Só para arreliar!
Na hora da descida o hino do Manto com todo mundo cantando.
Ta na chuva é para sem queimar, diria o Matheus aos bambis e porquinhos eventualmente presentes.
Canta aí, senão venho puxar o pé.
Que os seus, coisa nenhuma! Do centroavante de seus times na hora do gol.
Antes que eu fique parecendo desodorante vencido, estou indo.
Por motivos óbvios, não direi para que voltem sempre.
Se me virem por aí, rondando pelas madrugadas, não fujam...
E não me digam adeus!
A gente se encontra!
Até logo!

03 julho 2009

VELORIOS E MAUS AGOUROS...

INGRESSOS PARA VELÓRIO

Já estão sendo distribuídos ingressos para o velório de Michael Jackson...
Eu li direito?...
Ingresso para velório?
Olhe aqui pessoal!
Nada de vender ingressos no meu funeral, hein!
Não quero shows!
Quero uma fita alvinegra (desculpe, Noel)!
Pode chegar perto, terá alça para todo mundo passar a mão... Vai embora, não! Pode pegar e ajudar a carregar...
Cuidado com o fundo para eu não cair e sem roubar lasquinha para levar de souvenir que o meu não é de ouro...
25 mil dólares em ouro no caixão do MJ... Acho que ele doaria para os desabrigados da África...

LULLA BEBE NA TAÇA

Quem deu a idéia de passar lá em brazilia e deixou o Luizinho beber no troféu da Copa do braziu...
Dá azar!
Adeus campeonato nacional e tríplice coroa em 2009...
Assim, haja milagre, Jorginho!

ÁLVARO DIAS OU LULLA? QUEM ESTÁ CERTO?

O Senador disse que o pessoal da BANCOOP seriam SALAFRÁRIOS, mas, em 2006, Lulla tinha chamado o pessoal do Berzoini de ALOPRADOS, não foi?
Quem está certo?... Por favor, esclareçam minha ignorancia.
http://www.senado.gov.br/agencia/verNoticia.aspx?codNoticia=92535&codAplicativo=2

25 junho 2009

PUBLICIDADE IMBECIL!

Minha aparência está muito ruim?
Meu pulmão detonado pelo cigarro?
Bêbado inveterado!
Devo estar horrível!
Alguém me fotografou e distribuiu na Internet...
Bem que avisei meus distribuidores...
Vão tentar explorar meu sucesso...
Quem ficou com as minhas “Marias Biblioteca”?
Como descobriram meu verdadeiro nome...
Meu telefone... O celular não, pois não tenho...
Meu endereço...
Corro risco de ser seqüestrado?
Não tem quem pague meu resgate?
Posso ser atingido por um relâmpago?
Estou em pânico...
Não tem horário para terapia esta semana?
Por favor, doutor... E a minha depressão?...
Se eu comprar a prazo e não conseguir saldar a dívida, posso usar o bem?
Serei condenado ao fogo eterno?
Ficarei com remorso por deixar problema de inventário...
Posso me tornar uma alma penada, pois nunca consegui ir embora deixando problemas por resolver...
Se eu morrer de medo, entrar em pânico, deixo um recadinho ao responsável pela publicidade do Cemitério Congonhas que chegou ao meu endereço:
Vá à merda, seu imbecil!
Sou supersticioso e estou colocando seu nome no bico do corvo.
As pessoas não sabem os perigos que geram uma simples publicidade...

05 junho 2009

BANHO É UM PERIGO!

BANHO É UM PERIGO!

Cascão tem razão!
Banho é um perigo.
Principalmente para idosos.
Meu avô tomava um por semana.
No inverno menos, porque a casinha ficava no fundo do quintal.
O quase octogenário viveria até mais não fosse o cigarro.
Estou entrando naquela idade em que tenho que tomar cuidado.
Não consigo ficar sem banho, mas já estou saindo do banho vestido.
Onde enfiei minha meia de lã?
O frio já começa a congelar meus dedos do pé que tanto correram descalços na rua atrás de bola debaixo da chuva.
Sabem que ainda me lembro das garoas de St. Paul?
Elas existiram mesmo.
Até hoje escuto: “Vem pra dentro que vai se resfriar!”
Acho que era imune a gripes.
Estranhava quando algum dos meninos tinha que pincelar a garganta.
Era passar mercúrio na garganta.
Outro dia fui ao posto de saúde e na entrada, gentilmente, me perguntaram se eu iria tomar vacina para gripe.
Ofendi-me!
Mas começo a me preparar para enfrentar a agulha dentro de alguns poucos anos.
Fechem a janela que acabei de sair do banho.
Nem adianta pedir que não vou à padaria.
Não é preguiça!
Prevenir é melhor que remediar!
E o plano de saúde está pela hora da morte!
Ai! Arrepio-me só de escrever.
Epa!
Arrepio pode ser sinal de febre.
Minha mãe contava que eu tinha meses e tive uma febre muito forte durante dias.
Pensaram que não sobreviveria.
Agora acredito que isso seja viável.
Uma friagem... Uma febre...
Comprei um termômetro e já sou conhecido no Pronto Atendimento.
Esses médicos não têm criatividade.
São muito repetitivos.
Nada nos pulmões. É só uma rouquidão.
Não foi desta vez.
Cada dia acredito mais no Cascão.
Velho não deve se descuidar.
Não deve tomar banho no inverno.
Janela aberta nem pensar.
Reação química em cadeia.
Banho quente com vento frio resulta em friagem.
Friagem origina um resfriadinho.
Do resfriadinho vem a gripe.
E não é daquelas gripinhas que saram em uma semana com remédio ou sete dias sem medicação.
Pode ensejar uma pneumonia.
E velho quando pega pneumonia é internação, UTI e óbito.
Começo a me acostumar com a idéia de tomar banho dia sim, dia não.
Meu avô era um sábio!
Todo cuidado é pouco!
Como sou quase “sem quase tudo”, quem sabe eu chego aos cem.

12 março 2009

ABORTE-SE OS EXCOMUNGADORES

Ficar discutindo a atitude da Igreja em excomungar os médicos que salvaram a vida da criança estuprada é, como diria minha avó, gastar vela com mau defunto.
Discussão estéril e fútil.
Ninguém matou tanto quanto a Igreja na história do mundo.
Proporcionalmente nem o holocausto de Hitler.
Assassinatos em série foram feitos por “serial killers” em nome da santa madre nas sombras da Inquisição.
Guerras foram abençoadas.
Criminosos contumazes perdoados a troco de indulgências banhadas a ouro.
Incontáveis as tribos de índios dizimadas nas operações jesuíticas.
Não chego a me aprazer cada notícia de um padreco ou pastor condenado por crimes sexuais, mas beira a tal cada vez que surge uma condenação.
Às favas a opinião da Igreja.
Ela não impede a fé.
Apenas atrapalha!
Padres, pastores, criadores de seitas que brotam nas esquinas travestidos de intermediários de deus são meros comerciantes.
Vivesse Yoshua hoje, teria muito trabalho derrubando falsos templos.
Quem precisa ser excomungada é a Igreja.
Esse aborto da natureza!
-------------------------------------------------------------------------------
Cassaram até Jorginho, mas a fé continuou!
--------------------------------------------------------------------------------

18 fevereiro 2009

O BONÉ FUJÃO DO PAPA!



Cumpades e cumades!
Voou o boné do papa!
O solidéu do Papa Bento XVI foi para o espaço durante uma audiência na Praça do Vaticano.
Corre-corre geral entre os cardeais que acompanhavam o evento.
Juntas estalando, terços se enroscando, tropicam sandálias franciscanas...
Deve ser pecado dizer essas coisas, mas...
Diria Osmar Santos:
“É fogo no boné do guarda!”
Não deixa cair, senão suja, grita uma Eminência!
O solidéu?
O solidéu e para nós!
O Papa vai ficar furioso e esse papa não é lá muito pop...
Ufa! Pegou corrente de ar!
Cuidado aí! Vai bater num satélite!
E se o Papa sair voando para pegar o boné?
Dirão os fiéis: Oh! O Papa sob aos céus!
Já vejo a multidão fazendo a “holla” e gritando;
São Bento! São Bento! São Bento!
Ops! Desculpem o ato falho! Eu que eu tenho uma quedinha pelo Azulão de Sorocaba.
Tenho até camiseta!
Não deixa o papa ir atrás, não!
Lembrem que, lá em “terras brazilis” teve aquele padre que morreu voando em bexigas de gás.
Ta caindo no meio do povo!
Segura, pião!
Quem pegou? Quem pegou?
Devolve aí, mano!
Pegou mal!
Devolve aí, irmão!
Ih! Desmanchou o cabelo do Papa!
Pronto, uma penteadinha, solidéu no local!
Pode continuar, Santidade!
Muito Obrigado! Onde estávamos mesmo?
Ah! Sim...
Amados irmãos, por precaução convidaremos os senhores Albertosi, Zoff e Buffon para integrar a comitiva papal!
Para quem nunca ouviu falar, foram goleiros da Azzurra nas copas de 1970, 1982 e 2006 e faziam "verdadeiros milagres".

28 setembro 2008

RECEITA PARA VIVER MAIS DE CEM ANOS

(ou a imortalidade)

Quando era criança a vida parecia eterna e não tinha noção de que já estava na fila da morte.
Lembro que assisti alguns filmes de terror onde almas eram vendidas para o diabo em troca de felicidade e riqueza.
Adorava esses filmes.
Dorian Gray não era exatamente isso, mas era um dos meus preferidos. Somente depois de muito tempo compreendi um pouco a realidade filosófica da história. Entendê-lo mesmo, creio que nem com duzentas releituras.
Sempre achei que nunca fizera esses pactos.
Afinal, se o diabo tivesse tantos poderes assim não viveria no inferno.
Já nasci com genes céticos.
Mas, fazia pequenas promessas para uns santos.
Era só quebrar alguma coisa e esperando um milagre, imaginava que ela se refaria sozinha. Jurava que nunca mais a quebraria.
Sempre cumpri a segunda parte. Nunca mais a quebrava porque ela não se refazia.
Era só perder algo e...
Alô! São Longuinho?
Parecia mais um Saci-Pererê e ainda bem que não morava em apartamento, porque desde a primeira infância eu já tinha os primeiros sintomas de “anciedade”.
Ficava à frente do rádio, quase Galena, orando...
Ai! Meu deus, não deixa o Pelé marcar outro gol contra o Manto Sagrado...
E nada de milagre...
“Ele”, o “negão” era uma “fera”. Fazia o “diabo” em campo.
Ia marcando gol atrás de gol...
Vá pro inferno marcar tantos gols assim.
Enquanto ele jogou, o Manto nunca foi campeão nem de torneio de cara ou coroa com a mesma face dos dois lados da moeda. A danada caía em pé.
E olha que eu rezava.
Foi um dos primeiros motivos para eu descrer em divindades.
Se Jorginho (São Jorge) era arrasado pelo Santos como poderia acreditar em igualdade social.
Quando estava voltando a acreditar no Jorginho após a quebra do tabu, em 1968, aquele Capadócio foi cassado pelo Papa Paulo VI em 1969.
Era época do governo militar. Talvez tenha sido alguma influência.
De repente, a vida passa voando e a morte começa a se avizinhar.
É muito comum, ao aparecimento das primeiras doenças mais sérias começarem as negociatas com deus com aquela fala mole: “Se eu sarar, eu prometo...”
Quase o mesmo que vender a alma a Satã...
Para falar a verdade, tenho que confessar...
Quando criança, também fiz uma promessa ou impus minha condição para morrer.
Não me lembro com qual dos lados foi o acordo, o pedido, a negociata, a promessa, ou a manifestação de último desejo...
O desejo era que antes de morrer eu gostaria de ver o Corínthians campeão da Libertadores da América.
Se essas coisas de fato existirem, aviso a Dercy (in memorian) e ao Niemeyer:
A pessoa mais velha do braziu serei eu...
Provavelmente, serei imortal sem entrar para a Academia Brazileira de Letras...
Agüenta, coração!