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05 setembro 2020

MEU COMPANHEIRO (*)

Vladimir Herzog – Wikipédia, a enciclopédia livre

Houve tempos de terror

O medo era rotineiro 

Noites de pesadelos e temor

De tornar-se prisioneiro

Respirava-se o rancor

Perigoso e traiçoeiro

Poemas do compositor 

Censurados por inteiro

Análise da música "Apesar de você" - YouTube


Não se ouvia o trovador

Escondeu-se seresteiro

Sem palavras, o escritor

Foi embora pro estrangeiro

Proibido cantar-se a flor

Pisotearam o canteiro

Muitas lágrimas e dor

Nos porões do cativeiro

Placa Decorativa Mdf Frases Proibido Proibir no Elo7 | Loja a Casa Monstro  (1271668)

Gritou no portão o mensageiro

Trago notícias do professor

Pra esperar o companheiro

Comprei champanhe e licor

Continua o mesmo sonhador

Um perfeito cavalheiro

Fez-me um elogio lisonjeiro  

Trouxe bombons e uma flor

Ditadura militar (1964-1985): Breve história do regime militar - UOL  Educação

Não perdeu o bom humor

A malícia e jeito galhofeiro

O sorriso encantador

E o sotaque bem mineiro

Perguntou do velho cobertor

Cheirou o seu travesseiro

Entreguei-me sem pudor

Como fosse meu posseiro

anos 60 na tijuca | Léa Penteado

No fundo é mesmo meu senhor

Meu defensor e escudeiro 

Atento anjo protetor

Rei do nosso tabuleiro

Ouça, meu bravo guerreiro

Fiz estes versos em seu louvor 

Só lhe peço, por favor

Fica a meu lado, companheiro

Ditadura militar brasileira – Wikipédia, a enciclopédia livre

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(*) Escrita nos anos 80, apropriado alerta aos dias de hoje.


26 março 2020

SANGUE TIPO ZERO

Sangue tipo Zero
Zero à esquerda
Zero a zero na bola
Não estudou Direito
Mestre pegou a cola
Tolerância Zero
Não teve jeito
Zero na escola

Carro ponto zero
Pedia prato quente
Zero o refrigerante
Na conta saldo Zero
Pernas pra que te quero
Bye, bye ao restaurante

Gente tipo Zero
Dorme no Marco Zero
No relógio Zero hora
Frio abaixo de zero
Chega sem aviso
Recomeçar do Zero
Preciso ser Clark Kent
Não o Recruta Zero

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21 março 2020

NÃO DEIXE ENTRAR EM SUA VIDA

NÃO DEIXE ENTRAR EM SUA VIDA

De repente entrou em minha vida
Vinha de longe, não sei de que lugar
De meu corpo fez sua guarida
Peito em brasa, deixei-me aprisionar
Não imaginava o tamanho da ferida
De quase nunca mais iria cicatrizar

De repente feito fogo de palha
Espalhou-se, invadiu minha alma
Perdia a calma só de ouvir falar
Tanto insistiu que joguei a toalha
Passamos muitos dias na cama
Foi-se embora sem sequer me olhar

De repente, senti a total solidão
Ninguém vinha de mim se aproximar
Quantos dias eu fiquei olhando a porta
Peito aflito, angústia é dor que corta
Aperta forte, machucado coração
A razão temendo pudesse voltar

De repente, a gente quer um abrigo
Alguém que nos estenda a mão
Abraço afetuoso de um amigo
Melhor se cantarolar uma canção
Escreva simples verso num papel
Faça a Lua Cheia iluminar o Céu

De repente, a vida não é mais aquela
Fim de paixão sempre deixa sequela
Despedidas ardem feito febre terçã
Por favor, não me venha com conselho
A tristeza está gravada em meu espelho
Dá-me bom dia todo dia de manhã

De repente, nem vou mais até esquina
Temo esteja por ali a me esperar
Com uma flor novamente a me enganar
Sabe de cor todos os meus segredos
Madrugadas vêm-me tantos medos
Pareço ver sua sombra na cortina

De repente, penso o que fiz de errado
Sou do bem, só desejo algum mal
Nas horas que não consigo mais fingir
Será resquício do pecado original
Na pressa, não fui direito batizado
Penitência restou-me pra cumprir

De repente... Sei... ficará tudo bem
Tão difícil a gente se controlar
Partiu mansamente como veio
Deixou-me quantas noites com anseio
Voz rouca dizendo-me seu bem
Sensação igual não irei encontrar
Anda por aí livre e solta no ar
Cuidado! Não vá também se machucar 

20 março 2020

PONHAM A CULPA NO VÍRUS


De repente, um temor profundo
Do outro lado do mundo
Lá pras beiradas da China
Onde a Terra Plana termina
Surgiu doença que a Medicina
Não sabe ainda exterminar

De repente, a gripe se espalha
Morrem milhares na Itália
O Papa espirrou na Janela
A Capela Sistina decidiram fechar
Morreu gente na Espanha,
Na Alemanha, em todo canto e lugar

De repente, fecharam-se os caminhos
Cada um por si e todos sozinhos
O mundo do avesso, nada mais importa
Para piorar, mas que falta de sorte
O mal escorrega do hemisfério Norte
Está bem ali batendo na porta

De repente, voando no ar o perigo
Proibiram o aperto de mão
Nada de abraço no amigo
Crentes desprezando a Salvação
Ignorando o caminho do Céu
Estapeiam-se por um pouco de Gel

De repente, morre pobre e bem parido
Qualquer plano perde o sentido
Não se sabe se o dia nasceria amanhã
Proibiram o futebol, o banho de sol
Nada de compras ou ir ao cinema
O lema era combater aquela febre terçã

De repente, não se pode ir a esquina
Imortais morrendo de medo
Será assim quando a vida termina?
Pecadores contando segredo
Nunca revelado em confissão
Faltou padre pra tanta unção

De repente, até o amor vira pecado
Ordenam o lugar onde devo ficar
Será que posso, ao menos, sorrir
Vem a memória recente passado
A vontade de sair à rua e gritar:
“É proibido proibir... É proibido proibir””

De repente... tudo bem... tudo bem...
É o Apocalipse prestes a chegar
Vêm-me à cabeça aquele receio
Que todo poeta decerto o tem
Falte-me a palavra para rimar
A derradeira poesia não terminar
Reste um verso quebrado ao meio
Por causa de um vírus solto no ar...



02 dezembro 2019

GIINGADO DA MORENA (letra de samba)

GINGADO DA MORENA (letra de samba)

Quem acha feliz a morena gingando na passarela
Não é fácil a vida dela
Não é fácil a vida dela (refrão)

Cedinho dependurada no transporte
(Coisa que ninguém merece)
Faz prece pra ver muda a sorte
Se não for possível ganhar na loteria
Ser por um dia rainha da bateria

Quase meio-dia, preparar a mistura
Geladeira vazia, preços pela hora da morte
Grana curta, o jeito é a xepa na feira
Decidir entre a fruta ou a verdura
Qual vai durar a semana inteira

Tarde de sol, inveja quem fica na praia
Deitado na areia, ler, sem pressa, a revista
Imagina-se a principal passista
Canga a cobrir a tanga, só um tomara que caia
No calçadão seu passo ensaia

Volta à realidade ao repentino trovão
Nuvens cobrem a cidade, vem chuvas de verão
Escuridão anuncia o habitual temporal
Dispara a correr como fechassem o portão
Na apoteose e vai recolher as roupas do varal

Passada a tempestade
Busca forças na solidariedade
Resgatar as sobras do vendaval
Acalma quem está à beira da loucura
A dor da perda não tem cura
Amanhã breve nota no jornal

Sem juras de amor, paz é breve momento
Tatuagem na pele disfarça a cicatriz
Lembrança da agressão brutal
Na discussão banal
Desentendimento de casal

Um passo de improviso, abre no rosto o sorriso
Gingando na passarela
Parece estar a morena feliz
Ela tem mesmo um gingado
Diferente, especial
Que ninguém vê quando acaba o carnaval
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https://www.recantodasletras.com.br/poesias/6809262

20 novembro 2019

GRITO NEGRO



                                                           Liberdade...Liberdade.../ Abre as asas sobre nós
                                                                  Liberdade... Liberdade.../ Ouçam um dia nossa voz
(Incidentais – Ala de Compositores - Imp. Leopoldinense 1989).

Valei-me Ogum guerreiro,
Iluminai esta escuridão
No porão de Navio Negreiro
Partiram pai, mãe, irmão

Pele arde, a alma pena presas no pelourinho do porto negreiro
Sol de verão à pino, espera comprador que pague seu valor
Examina a boca, manda virar o corpo confere se está inteiro 
Queria levar, mas é magrinho preciso de um bom reprodutor

Macho dessa raça é viril e se levar dois cobro-lhe apenas mil
Moedas na mão, pregoeiro abre sorriso, anuncia os próximos lotes:
Preciosas prendas, perfeitas pra emprenhar, vejam que quadril
Predadores à espreita prontos pra provar seus dotes

Valei-me Iansã dos ventos
Levai ao céu nossas vozes
Soprai pra longe os sofrimentos
Afastai de nós os algozes

Triste a procura inútil pelo carinho de mãos amigas
Vida trancada em senzala, grossa corrente no pé
Madrugadas sofridas entoando estranhas cantigas
Lembrança dos antepassados para não perderem a fé

As noites são longas, escravos amontoados no chão
Cantoria se repete, persistente, cansativo estribilho
Serve para aplacar o banzo reforçar o ódio no coração
Esperança que resta, deixa como herança ao filho

Valei-me Oxóssi Caçador
Moleque seja seu protegido
Aquecei-o com seu calor
Nas lutas não saia ferido  

Apanhar desde pequeno pra aprender a prender o choro
Trabalhar sem preguiça, o chibata vai lanhar o couro 
Pode rasgar a pele, pele negra não serve para coser
Que vida é essa, apenas promessa o amor e prazer

Dias quentes e longos, resistem aos trancos e barrancos
Malungos abatidos de banzo, mandingas pra não perder a coragem
Na alma o ódio crescente, carne ansiando vingança aos brancos
Uma forma de luta, dengos e cafunés em inexorável mestiçagem

Valei-me grande Senhora
Olhai por seus filhos, Iemanjá,
Levai o sofrimento embora
Afastai dos males, Saravá!

Meninas pequenas impúberes sem defesa eram abusadas
Pelo dono da terra, amigos do dono, capitães do mato, o feitor
Rude rotina diária, a vida não para, ouve-se pelas madrugadas   
Gritos das dores do parto, nas mãos da mucama a mistura de cor

Ao mundo os primeiros negrinhos sararás e branquinhas pixaim
Corria nas veias sangue de Luanda e Congo junto ao português
Sem romantismo na história, era vitória dos povos de Benin,
Dos Bantus de Angola, Nagôs, de Benguela, Daomés e Malês

Valei-me a justiça de Xangô
Digam os Ofós... despertem Ossaim
Muita Saúde ao povo Nagô
Todos juntos na lavagem do Bomfim

Tempo tira a lisura do rosto, cerca o olhar de rugas
Tambores rompem horizontes espalhando aos ares
Trilhas secretas dos cafundó, onde há refúgio nas fugas
Os caminhos de Kalunga, Marolim, Urubu e Palmares

A liberdade é conquista de poucos nas Cartas de Alforria
Princesa assina um documento contendo falsa abolição
Permanecem invisíveis correntes, nas lutas de cada dia
Negros, Pardos, Mulatos... parece não ter fim a escravidão

Valei-me entre outros tantos
Ganga Zumba... Zumbi...
Meia Légua....
Dragão do Mar de Aracati...
À benção aos que deram a vida nas lutas da raça

Valei-me almas quase santas
Menininha do Gantois...
Carolina e Clementina de Jesus...
Dandara... Lia de Itamaracá...
À benção... mulheres negras e seus gritos de alerta

Valei-me, mentores e entidades
Tia Ciata, Maria Firmina, Solano Trindade...
Um salve a Castro Alves
À benção...Poetas cheios de luz
Seus versos revelam cruéis verdades...
Denunciam o laço que aperta a mordaça
Abafando até hoje os gritos dos porões

Joga capoeira, dança jongo, com abadá da escola
Libertos e forros, silentes de medo nas vielas do morro
Passado de luta insiste ecoar no sangue quilombola
Engana a realidade da falsa liberdade, pedem socorro

Há muvuca, cabeça de negro a prêmio, pretexto não falta
De preconceito em preconceito, vaga distante a paz
Curam antigas feridas, surge uma nova e lhe assalta
Ameniza as mais doloridas em preces aos orixás

Valei-me Oxalá! Poderoso criador
Dai-me seus conselhos Nanã
Escutai nosso grito de clamor
Afastai mau olhado um balangandã

Valei-me todos sincréticos santos
Enviem mensagem... um sinal
A liberdade dos Nagôs e Bantos
Chegue antes do Juízo Final
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https://www.recantodasletras.com.br/poesias/6798998

29 agosto 2019

QUEIMAÇÃO

QUEIMAÇÃO

Amazônia era legal,está se tornando virtual,
Pouco a pouco chegando ao fim

Fogo corre pelo chão, Pajé se desespera
Queima em brasa o terreiro do Avá Canoeiro
Cerra os olhos para não ver o fogareiro
Incêndio no rio ameaçava Anhanguera 
Sem casa, sem Floresta, sofre o guerreiro
Corrida sem destino de intocadas raças
Busca, em vão, pelas trilhas, não há caças

Amazônia era legal, está se tornando virtual,
Pouco a pouco chegando ao fim

Revoada sem destino, passa o passaredo
Asas e bicos queimados, mortos de medo
Jauaperis, Yanomanis, Arawetés
No Javaés não tem mais Tucunarés
Xô Caburé, amarelinho, andorinhão,
Xô Cardeal, araponga, arara, azulão
SOS Tupã e deuses de todas as fés

Amazônia era legal, está se tornando virtual,
Pouco a pouco chegando ao fim

Tum, tum, tum... acelerados os corações
Será que o Negro desviará do Solimões?
Foi o Boto... Foi o Boto... Sedutor de cunhantãs
A mata perdendo o verde... Vingança dos céus
Anhangá sopra línguas de fogo pelas manhãs
Queima igual Sodoma, de qual pecado serão réus
Xô Patativa, xô sanhaçu, choroso canto do Uirapuru

Amazônia era legal, está se tornando virtual,
Pouco a pouco chegando ao fim
Araguaia, Tapajós,Tocantins, Xingu
Rios morrendo, onde viverá Pirarucu,
Sem pássaro no céu, lago sem tracajá
Tristeza no Jawary, silencia o Boi-Bumbá
Não tem mais Caprichoso, adeus Garantido
Veio a queimação, cantar perdeu o sentido
Xô Figuinha, xô flautim, xô pequeno curumim
Amazônia era legal, está se tornando virtual,
Pouco a pouco chegando ao fim
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https://www.recantodasletras.com.br/poesias/6732133

01 setembro 2018

O CANTO DAS NINFAS


O CANTO DAS NINFAS


Do outro lado do rio haveria um segredo
Causava medo de provocar arrepio  
No meio da mata perto do horizonte
Existiria uma fonte, nascente do rio
Onde atraentes ninfas entoam canções
Cada uma mais bela de falsas ilusões

Reza a lenda que certo dia um pescador
Em plena juventude, valentia e ardor
Ouviu a cantoria, imaginou maravilhas
Ignorou alertas, desafiando o destino
Num ato de desatino, adentrou pelas trilhas
Nunca mais voltou, ninguém mais o viu

Desse tempo em diante, a coragem sumiu
Se o vento assovia, o arvoredo balança
Fecham janelas, alertam a vizinhança
Passam tramelas, protegem as crianças
Ninguém se atreve chegar perto do rio
Preferem ficar onde a ninfa não alcança

Medo e desconfiança não faz bom juízo
Se moça bonita surgisse no vilarejo
Andasse sozinha, ousasse um sorriso
Provocasse nos homens suspiro de desejo
Era motivo de ira de mulher ciumenta
Algumas até jogavam nela água-benta

A lenda reza que um homem surgiu no vento
Nenhuma mãe da vila reconhecia o rebento
Cabelos grisalhos, espalhando brilho no olhar
A Felicidade do pródigo retornando ao lar
Sentou-se no banco da praça e pôs-se a cantar
Uma história de vida e a volta ao seu lugar:

“Do outro lado do rio, não há mistério ou segredo
São as mesmas águas moldando o rochedo
O canto das ninfas é o despertar da ilusão
Enfrentar os medos que nos prendem no chão
Alçar voo livre e escrever nosso enredo
Olhar à frente, seguir perene rumo ao horizonte
As ninfas estão por aí cantando e estendendo a mão
Resta-nos o desafio de encontrar o caminho da fonte”

De repente...
No rastro de uma estrela cadente
Surgiu lentamente
Uma ninfa atraente
Cantando docemente
Estendeu seu véu
Deu a mão ao jovem valente
E desapareceram no céu

26 agosto 2018

TEM JEITO NÃO



As pedras se movem
Eles saem do covil
Ávidos consomem
A Pátria mãe gentil

Senhores feudais
E servis capatazes
Querem sempre mais
De tudo são capazes

Nunca satisfeitos
Ágeis e sutis
Fazem mil trejeitos
Passeiam em Paris

Malas cheias de grana
Jantar à luz de vela
Que vida bacana
Não largo mais ela

Algo fora de plano
Camburão e algemado
Deve ser engano
Cadê meu advogado

Uma tênue ilusão
No horizonte do povo
Mas essa história
Tem final sinistro

Amigo de Ministro
Passa só um dia na prisão
Faz sinal de vitória
Começa tudo de novo         

De certo, só um fato
Esse é sem perdão
Você pagará o pato
Não tem jeito, não!


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https://www.recantodasletras.com.br/poesias-do-cotidiano/6430376


14 agosto 2017

AMARRAÇÃO (DO BRAZIU)



Deve ser amarração
É mais que maré de azar
A mim, parece quebranto
Praga forte de madrinha...
Fiz consulta ao Pai João
Desculpou-se, mas não explica
Já pulei as ondas no mar
E joguei pinga pro santo
Fiz macumba com galinha
Nada de quebrar a zica

Deve ser amarração
Ou pior! Obra do Cão!
Nem acerto mais no bicho
Nos cavalos um “placê”
To devendo na lotérica
Gaveta cheia de carnê
Só arrumo “bico-mixo”
Luz em casa só de vela
A patroa fica histérica
Quando dá a hora da novela

Até dizem que não presto
Sempre fui um cara honesto
Cumpridor de meu horário
Mas não dá para fingir
O futuro está bem funesto
Que rumo devo seguir?
Não tem nem farol de trem
Indo em sentido contrário
Ao da minha estação
Deve ser amarração!

Basta-me falso discurso
Acreditar em promessa?
Só miragens no deserto
Dia vai melhorar? Carece!
A fome e a dor têm pressa
Cansa-me de tapeação
O que será que acontece?
Por que nunca dá certo?
O braziu não acerta o curso?
Deve ser amarração!