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13 setembro 2020

O NEGÓCIO IMPERDÍVEL

Vejam só que negócio “imperdível”


Uma construtora quer comprar meu sobradinho de dois dormitórios, na tumultuada “Vila Perto de Tudo”. Construção velha e fora de moda, que meu avô comprou no século passado. Terreninho de 5 x 25m. Quase 100metros de área construída, fora o “puxadinho”, em cima do quartinho dos fundos. “Não vale nada”. Com a “fortuna” que me oferecem, conseguirei comprar, lá na “Vila Lonjura” um apartamento “enorme”. Três dormitórios, com 80m. de AU. Levo de brinde o conforto de um condomínio moderno e “baratinho” para a vida toda. Nem estiquei o a assunto. Só de pensar como seria maravilhoso os vizinhos dando palpite sobre o que posso fazer no “meu” quintal, onde pendurar a bicicleta, a que horas devo cantar parabéns e encerrar a festa... 

Ufa!  Vade, retro! Deixem-me quietinho no meu cantinho.

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Afastadas saudades ou a destruição da história do bairro, a realidade é que a Vila Mariana e outros bairros assemelhados, vítimas da ganância dos incorporadores, não possuem condições de abrigar uma população maior. Não há espaço para carros circularem, nem estacionarem. O trânsito já é caótico. Não há como ampliar o transporte público. São Paulo, ao oposto do que está ocorrendo, precisa espalhar-se e diminuir a verticalização. E apenas, para constar, são raros os casos de vendedores que melhoraram (ou mantiveram) seus padrões de vida, com a venda de seus imóveis.




09 junho 2017

RUA PROFESSOR TRANQUILLI - Quem foi esse professor.




Tranquillo Tranquilli, ou simplesmente Professor Tranquillo como era na intimidade conhecido,viveu no Brasil, de 1913 a 1947, com uma existência absorvida na educação da juventude Nasceu em Roma (06.Jul.1878, filho de Leopoldi Tranquilli e D. Luisa Ronci Tranquilli). Estudou no Seminário de Lille até os 18 anos de idade, completando sua educação superior na Sorbonne (França). Da natureza das funções de cônsul que exercia seu pai, morou nos Estados Unidos, Portugal e Inglaterra. Em Washington permaneceu até novembro de 1904. Nos países onde residiu foi sempre professor. Veio para Brasil em 1913 e exerceu o magistério secundário nos Colégios de São Bento, Anglo-Latino, Eduardo Prado, Madre Cabrini nas áreas Ciências e Letras, até 1947 quando faleceu. Exerceu várias funções públicas de confiança dos governos estadual e federal integrando bancas examinadoras oficiais. Coube-lhe, como professor, decisiva e segura orientação a diversas gerações de estudantes. Destes, muitos participando destacadamente na vida política, administrativa, industrial e comercial do pais. Faleceu em São Paulo no dia 29 de set.1947.
Havia entre os bairros de Vila Clementino e Vila Mariana duas ruas oficiais com a denominação de Rua Floresta:
1 - Rua Floresta --Começa:Rua Domingos de Morais- Termina: Rua Afonso Celso-- Bairro: Vila Clementino -- Distrito de Paz: Saúde. Histórico:- Nome de origem popular. Lembra o antigo bosque que existiu no local, conhecido por Floresta.
2 - Rua Floresta -- Começa: Rua Santa Cruz - Termina: Rua Loefgren Bairro Vila Mariana -- Distrito de Paz: Saúde -- Zona: Rural (Dec-Lei n 252/1840).
Esta recebeu a denominação de rua Professor Tranquillo Tranquilli, através da Lei 3770 de 8.Jun.1949 –
Art. 1 - Passa a denominar-se rua Professor Tranquilli a atual rua Floresta, e que começa na rua Santa Cruz e termina na rua Loefgren, no sub-distrito de Saúde. §único - As placas de nomenclatura conterão ainda, em letras menores, os seguintes dizeres: "Tranquilo Tranquilli - 1878 - 1947".
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(Dados extraídos da Lei 3770/49)

08 abril 2015

VILA MARIANA - TEMPOS TRANQUILOS DA PROFESSOR TRANQUILLI

04126-010.
No dia 10 de Outubro de 1928, quando Antonio Augusto Davin, meu bisavô, adquiriu o lote na Travessa Terceira, Freguesia de Villa Marianna, localizado a cinqüenta e cinco metros da Rua Loefreguin, não existia o Código de Endereçamento Postal. A Travessa Terceira só tinha mato. Depois ainda foi denominada Rua da Floresta. Hoje é a totalmente urbanizada Rua Professor Tranquilli, em homenagem ao professor Tranquillo Tranquilli, falecido em 1947, titular de diversas matérias no Colégio São Bento.
Na sala da casa que ocupa o último dos lotes herdados por seus familiares, ainda balança uma cadeira adquirida no dia do meu nascimento, em 1955, para que a dona Maria de Lourdes embalasse seu neto nos últimos dias de vida.
Nessa época, a rua de terra batida já estava com quase toda sua extensão habitada e quase igual ao que é hoje, não fossem dois prédios que roubam a insolação das casas.
Todos vizinhos se conheciam.
No lado par ao lado do muro do Hospital Santa Cruz era casa do Amadeu da venda. Atravessando a Jorge Tibiriçá estava a casa do seu Geraldo, ao lado do último terreno sem construção onde fazíamos guerra de canudos entre os pés de mamona. Depois vinha a venda do Seu Valdomiro e dona Sophia, a lojinha do Seu Domingos e dona Aurora, as três casas de meus primos Elisa, Aurora e Julinho, a casa da Dona Dolores e seu Nicola – estas quatro demolidas em 2005 para construção de um prédio -, vizinha do seu Manoel pintor, meu avô e pai da Dona Olga, a casa construída no terreno do tio Alberto, a casa do seu Hilário, depois a do Seu Luiz, vizinho do Luiz tintureiro, que toda sexta-feira saía de madrugada para pescar na Billings e às vezes levava os meninos da rua. Ao lado a casa do seu Francisco, fotógrafo. Os últimos cinco sobradinhos, que hoje são quatro, foram construídos no começo da década de 60. Do lado ímpar a oficina do Pedrão, a casa que eu achava a mais bonita da rua e está praticamente igual até hoje, na esquina da Rua Manoel de Moraes. A seguir, a dona Maria do 85, a casa do Tiguês, outra oficina mecânica - do Franco -, o açougue do Romeu, a casa da dona Julieta, costureira, a casa da dona Aurora, mãe da Dra. Irene, dentista; a casa da Dona Arlete, mãe do Ariel que correu a São Silvestre num ano da década de 60. Atravessando a Trabiju havia a casa da dona Emília, também costureira, esposa do Alcebíades, ao lado da dona Aparecida, outra costureira, mulher do seu Gino, motorista de praça, como meu pai Pedro, depois a casa e fábrica de cortiça do Seu Antonio e dona Rosinha, a casa da Dona Clélia e seu Davi – estas três também demolidas e finalmente a casa da mãe do Nenê que jogava no Corinthians e a vendinha do seu João, pai do Maurinho, recém demolida..
A gente sabia até quem eram os cães. O Biju do 239, o Banzé do 238, a Flay do 258.
Era necessário prendê-los às pressas para evitar que fossem pegos pela carrocinha que passava “de surpresa” às sextas feiras.
Na década de 60 brincamos “perigosamente” por uns dias, nos buracos onde era instalada a tubulação do esgoto. Era o fim da limpeza das fossas que se escondiam nas calçadas.
Uma grande felicidade. Asfaltaram a rua e pudemos descê-la de carrinho de rolimã. Se o seu Rômulo estivesse em casa, só da casa dele para baixo, por causa do barulho. Mas se ele não estivesse, era desde o topo da Jorge Tibiriçá até a Loefgreen na frente da vendinha do seu João. Algumas vezes nos esborrachávamos no terreno da dona Irma, esposa do seu Irmo, na Loefgreen. Algumas vezes assustamos o cavalo do verdureiro que passava duas vezes por semana.
Foi um grande evento a troca das carroças de lixo pelos caminhões.
Na época junina, Dona Aparecida organizava uma fogueira, ao lado do muro, onde hoje há um pé de romã.
A rua tinha seus defeitos. A feira de domingo atrapalhava as brincadeiras. A mesma declividade, tão útil para as velozes corridas de carrinhos, nos obrigava a jogar bolinha de gude e algumas peladas na Trabiju ou Loefgreen, que eram retas.
Falando em futebol até um poste tinha apelido e completava o time se faltava um. O Carlos Alberto, cortado da Copa de 1966 e que fizemos uma pequena homenagem a ele quando foi o capitão em 1970.
Campeonatos de jogos de botões não faltavam quase todas as tardes.
O começo do final desses bons tempos dourados foi em 1972, quando construíram o viaduto sobre o “buracão ou barroquinha” da Loefgreen e os carros começaram a “cortar caminho” por lá.
Nessa época, quatro moleques criados na rua - Cláudio, Luiz Carlos, Hiroshi e eu - todos vestibulandos nos despedimos da tranqüilidade da Tranquilli, com a última pelada na rua. Nunca mais vi ninguém brincando na rua. Nem meus filhos que cresceram na mesma casa, mas já se mudaram para outros caminhos em suas vidas.
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Crônica publicada no Jornal Vidaqui de 25.fev.2011

02 março 2011

RUA PROFESSOR TRANQUILLI - TEMPOS TRANQUILOS

04126-010.
No dia 10 de Outubro de 1928, quando Antonio Augusto Davin, meu bisavô, adquiriu o lote na Travessa Terceira, Freguesia de Villa Marianna, localizado a cinqüenta e cinco metros da Rua Loefreguin, não existia o Código de Endereçamento Postal. A Travessa Terceira só tinha mato. Depois ainda foi denominada Rua da Floresta. Hoje é a totalmente urbanizada Rua Professor Tranquilli, em homenagem ao professor Tranquillo Tranquilli, falecido em 1947, titular de diversas matérias no Colégio São Bento.
Na sala da casa que ocupa o último dos lotes herdados por seus familiares, ainda balança uma cadeira adquirida no dia do meu nascimento, em 1955, para que a dona Maria de Lourdes embalasse seu neto nos últimos dias de vida.
Nessa época, a rua de terra batida já estava com quase toda sua extensão habitada e quase igual ao que é hoje, não fossem dois prédios que roubam a insolação das casas.
Todos vizinhos se conheciam.
No lado par ao lado do muro do Hospital Santa Cruz era casa do Amadeu da venda. Atravessando a Jorge Tibiriçá estava a casa do seu Geraldo, ao lado do último terreno sem construção onde fazíamos guerra de canudos entre os pés de mamona. Depois vinha a venda do Seu Valdomiro e dona Sophia, a lojinha do Seu Domingos e dona Aurora, as três casas de meus primos Elisa, Aurora e Julinho, a casa da Dona Dolores e seu Nicola – estas quatro demolidas em 2005 para construção de um prédio -, vizinha do seu Manoel pintor, meu avô e pai da Dona Olga, a casa construída no terreno do tio Alberto e que seria do seu Vitório, a casa do seu Hilário, depois a do Seu Luiz, vizinho do Luiz tintureiro, que toda sexta-feira saía de madrugada para pescar na Billings e às vezes levava os meninos da rua. Ao lado a casa do seu Francisco, fotógrafo. Os últimos cinco sobradinhos, que hoje são quatro, foram construídos no começo da década de 60. Do lado ímpar a oficina do Pedrão, a casa que eu achava a mais bonita da rua e está praticamente igual até hoje, na esquina da Rua Manoel de Moraes. A seguir, a dona Maria do 85, a casa do Tiguês, outra oficina mecânica onde é arquivo do hospital, o açougue do Romeu, a casa da dona Julieta, costureira, para onde se mudou o Seu Vitório, a casa da dona Aurora, mãe da Dra. Irene, dentista; a casa da Dona Arlete, mãe do Ariel que correu a São Silvestre num ano da década de 60. Atravessando a Trabiju havia a casa da dona Emilia, também costureira, esposa do Alcebíades, ao lado da dona Aparecida, outra costureira, mulher do Gino, motorista de praça, como meu pai Pedro, depois a casa e fábrica de cortiça do Seu Antonio e dona Rosinha, a casa da Dona Clélia e seu Davi – estas três também demolidas e finalmente a casa da mãe do Nenê que jogava no Corinthians e a vendinha do seu João, pai do Maurinho.
A gente sabia até quem eram os cães. O Biju do 239, o Banzé do 238, a Flay do 258.
Era necessário prendê-los às pressas para evitar que fossem pegos pela carrocinha que passava “de surpresa” às sextas feiras.
Na década de 60 brincamos “perigosamente” por uns dias, nos buracos onde era instalada a tubulação do esgoto. Era o fim da limpeza das fossas que se escondiam nas calçadas.
Uma grande felicidade. Asfaltaram a rua e pudemos descê-la de carrinho de rolimã. Se o seu Rômulo estivesse em casa, só da casa dele para baixo, por causa do barulho. Mas se ele não estivesse, era desde o topo da Jorge Tibiriçá até a Loefgreen na frente da vendinha do seu João. Algumas vezes nos esborrachávamos no terreno da dona Irma, esposa do seu Irmo, na Loefgreen. Algumas vezes assustamos o cavalo do verdureiro que passava duas vezes por semana.
Foi um grande evento a troca das carroças de lixo pelos caminhões.
Na época junina, Dona Aparecida organizava uma fogueira, ao lado do muro, onde hoje há um pé de romã.
A rua tinha seus defeitos. A feira de domingo atrapalhava as brincadeiras. A mesma declividade, tão útil para as velozes corridas de carrinhos, nos obrigava a jogar bolinha de gude e algumas peladas na Trabiju ou Loefgreen, que eram retas.
Falando em futebol até um poste tinha apelido. O Carlos Alberto, cortado da Copa de 1966, completava o time se faltava um. Lembro que fizemos uma pequena homenagem a ele quando foi o capitão em 1970.
Campeonatos de jogos de botões não faltavam quase todas as tardes.
O começo do final desses bons tempos dourados foi em 1972, quando construíram o viaduto sobre o “buracão ou barroquinha” da Loefgreen e os carros começaram a “cortar caminho” por lá.
Nessa época, quatro moleques criados na rua - Cláudio, Luiz Carlos, Hiroshi e eu - todos vestibulandos nos despedimos da tranqüilidade da Tranquilli, com a última pelada na rua. Nunca mais vi ninguém brincando na rua. Nem meus filhos que cresceram na mesma casa, mas já se mudaram para outros caminhos em suas vidas.
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Crônica publicada no Jornal Vidaqui de 25.fev.2011

21 março 2010

BANCOOP NÃO ROUBOU A CAPELA, SEUS BÊBADOS!

Jorginho! Sabe aquela ajudazinha que eu havia pedido no caso BANCOOP...
Deixa prá lá!
Você já tem muitos problemas.
Soube que assaltaram sua capela na madrugada de sexta-feira.
Neste caso não há indícios que a Cooperativa esteja envolvida.
Mesmo que o Vaccari seja “bambi”, o Berzoini “viuvinha”, não acho que iriam fazer uma “porquice” dessa com o padroeiro do time do Chefe....
Além disso, a BANCOOP só costuma lidar com construções inacabadas e a capela estava inteira. Ou será que entraram para o ramo de demolições.
As coisas que roubaram não dava para colocar nas cuecas.
Fizeram um buraco em uma das paredes da capela e levaram objetos de valor como candelabros, cordões de ouro e até a roupa que vestia a imagem do padroeiro do clube.
Quem será que roubou seu manto, Jorginho?
Momento de informação histórica - A capela foi inaugurada em 1967 e guarda uma imagem de São Jorge, talhada à mão, mas não é do Aleijadinho. É original do Vaticano.
Não! Também não foi Michelangelo
A coisa está ruim, hein, Jorginho!...
Ano passado derrubaram você do andor e agora vai ter que desfilar sem manto.
Oh! Mano véio! Cuidado com a friagem!
Teje tranqüilo...
A polícia investiga e acha seu manto...
Ah! Se acha...
Com coisa séria não se brinca...
O que está esquentando são as investigações da Cooperativa de Fachada. Parece aquela brincadeira do quente-frio...
Está esquentando, esquentando...
Uma coisa leva a outra.
Esquentar me lembra bebida alcoólica.
Será que um dia verei nos vestibulares a prova de dosagem alcoólica. Isso é importante. Afinal, pelo menos aqui no pedaço da Vila Mariana, há duas universidades na mesma rua, entre um monte de barezinhos, que duvido estejam regularizados.
Tenho quase certeza que a freqüência nos bares é muito maior que dentro das instituições.
Estudar para que?
Melhor beber e falar bobagem...
Mirem-se no exemplo...

21 março 2009

BRASILIO MACHADO 1971 - UM REVIVAL

Tive o prazer de reencontrar colegas do Brasilio Machado
Nem me lembro se na época era Colégio Estadual e Escola Normal, Instituo de Educação ou outro nome qualquer que algum tecnocrata da educação tenha inventado.
O fato é que esse pessoal foi uma das últimas turmas de um ensino decente público.
A reunião foi de supetão.
Encontrei recentemente a Márcia no lançamento de meus livros.
Do Tatu nunca perdi o contato.
Com o Romeu e Douglas encontrei-me recentemente num supetão menor na hora do almoço.
O Douglas, a Suzana e Neumann mantêm contato.
O migrante Romeu ligou-me e deu a partida, lá de Goiânia.
Telefonemas para o baixista Douglas, a nômade Márcia, localizar o Meyer, seqüestrar o Tatu.
Douglas bateu tambor para a Suzana e o Neumann e pronto.
Sexta-feira, 22 horas o pelotão de prontidão na casa do Neumann, um local muito legal e apropriado para o grandioso e quase secreto evento, escondido dos paparazzi que devem estar se mordendo de raiva por haver perdido o momento histórico.
E tire a poeira das reminiscências 37 anos depois.
Casou? Descasou? E os filhos? Aposentou? O que está fazendo?
Como tira-gosto é legal!
Mas delicioso mesmo foi lembrar-nos das artes juvenis, de fatos guardados lá numa gavetinha da memória.
Fiquei sabendo que a Suzana tinha sido um príncipe.
Lembramos do dia em que subimos o obelisco do Ibirapuera pela escadaria interna?
Morram de inveja!
Que viu, viu!
Três horas foi pouco, mas um excelente aperitivo.
Não demore o próximo encontro outros trinta e sete anos.
Nem 27, se atendermos a proposta de nos vermos aos 80 anos de idade.
Que apareça mais gente da “tchurminha” que não tinha Internet e Orkut mas nem por isso deixava de navegar através de outros mares por um mundo de sonhos...
Encontrar esse pessoal foi um sonho realizado...

05 setembro 2008

LEMBRANÇAS DO BRASILIO MACHADO

(crônica de Pedro Galuchi)


Não pretendo fazer homenagem piegas, nem recompor diário de estudante.
Apenas umas pequenas lembranças.
Descobri recentemente, e sujeito a confirmação, ser o primeiro, senão o único aluno a estudar onze anos consecutivos, sem reprovação, no Colégio Brasílio Machado, no prédio da Rua Afonso Celso, 311
Em 1962, ingressei, às escondidas e sem matrícula oficial porque a classe estava lotada e eu não tinha sete anos, no Curso Primário Anexo ao Colégio Estadual e Escola Normal Brasílio Machado.
A gravatinha dos meninos e o vestidinho das meninas tinham a logomarca CEEN, que cheio de vergonha, dizia-se ser Cuidado! Estou Esperando Namorado ou, pior, Nenê.
De óculos, calças curtas e cabelinho cortado só a franjinha – igual o Ronaldinho, outrora fenômeno – já estava alfabetizado e caí nas graças da professora Coraly Nunes.
Logo a diretora, dona Creuza, regularizou minha situação.
Modéstia a parte, até porque a modéstia é minha segunda virtude, logo após a primeira, que é a pequena somatória de todas as outras, fui um dos melhores alunos não só na primeira série.
Sabia ler tudinho o que estava escrito na Cartilha Caminho Suave, da Branca Alves de Lima e tabuada tirava de letra.
Depois foi fácil, acho.
Entre uma brincadeira e outra no pátio, ia passando de ano.
Donas Lourdes, Geny, Isabel, Luiza, professoras das séries seguintes onde andarão?
Tínhamos tratamento dentário com o Dr. José Carlos, as normalistas faziam teatrinhos conosco.
Ganhávamos medalhas por bom comportamento e por fazer a lição de casa.
Lembro que um dia não tirei uma nota cem, porque estava com pressa e obviamente seis vezes oito se tornaram setenta e dois.
Depois o exame de admissão.
Que medo!
Qual o quê?
Lá estava eu, magrinho e pequeninho no meio de um monte de marmanjão, cheio de orgulho por usar calça comprida e estar num dos cinco melhores colégios de São Paulo.
Se me lembro eram o Caetano de Campos (Praça da Republica), o Presidente Roosevelt, o Alberto Levy (Indianópolis), o Brasilio e o Zuleika de Barros (Sumaré).
Professor Margarido, diretor da escola, em 1966, decidiu transferir todos os meninos e tive que estudar lá longe na Rua dona Julia, na extensão instalada no Marechal Floriano, onde se “entrava burro e saia baiano”.
O prédio da Afonso Celso ganhou o apelido de Convento.
Um ano de batalha dos pais e estávamos, os melhores alunos da extensão, de volta ao prédio central.
Uma classe só de meninos, no período da manhã.
Naquela época não havia classes mistas no Ginásio.
Segunda série do Ginásio, meu primeiro exame final.
Não consegui fazer os 49 pontos em Ciência e tive que decorar todos os 108 ossos do corpo humano.
Devem ter descoberto mais, mas felizmente eram só 108 naquela época.
O perônio virou fíbula, mas lembro do osso hióide e do músculo esterno-cleido-mastóideo até hoje.
O professor Antonio judiou da gente.
Aprendia-se taquigrafia, espanhol e francês. O Latim já havia sido excluído.
As meninas tinham puericultura e artes.
Aulas de música.
Quarta série do ginásio, outra decisão difícil.
Cientifico, clássico ou normal?
Justamente no meu ano o clássico e o científico se fundiram, o curso primário foi suprimido e os alunos que sobraram da limpeza feita pelos professores, deu num pinguinho de meninos no primeiro colegial em 1971, no Instituto de Educação Brasilio Machado.
Explico.
Era época do estêncil e um professor mais avançado já se valia da cópia heliográfica.
O funcionário da copiadora era amigo de um aluno e passava as provas para ele e este distribuía para seus amigos.
Os alunos mais bagunceiros da classe íam bem nas provas, enquanto os quietinhos, inocentes, tiravam notas abaixo da média.
A trama foi descoberta no dia que o professor disse que as cópias não tinham ficado prontas e iria passar as perguntas na lousa e ouviu alguém falar baixinho: “A prova está diferente!”
Esclarecida a situação foi feita a “limpeza étnica” pelo conselho de classe que reprovou a turma de falsários e convidou-os a se transferirem compulsoriamente.
Assim, os poucos adolescentes que sobraram, uniram-se a alguns que aguardavam na fila uma matrícula no Brasilio e às meninas que queriam estudar de manhã.
Irresistível dizer que a piada era que elas estudavam de manhã para ajudarem as mães a lavar roupa e cuidar da casa à tarde.
Namoricos, paqueras, festivais de música e o colegial passou voando.
Vestibular, todo mundo seguindo sua vida e se afastando do Brasilio.
Estarão vivos os professores?
Por onde andará o palmeirense professor Clóvis Alcides Campolli, cujo trabalho me influenciou a seguir para a Educação Física, quando todos achavam que eu seria engenheiro ou médico e diziam: “Educação Física, mas você é tão inteligente?”
O Professor Helio dos Anjos Menegon sei que se aposentou e continua indo quase diariamente, até a Escola Estadual Brasilio Machado. Certo dia, deu-me uma advertência e mandou-me para a diretoria porque me viu entrando pela janela.
Não acreditou quando disse que tinha ido pegar a bola que havia caído no telhado.
Só no dia seguinte tudo se esclareceu quando pedi ao Clovão que falasse com ele e limpasse minha barra.
Poderia descrever os teoremas da Professora Graciosa e o dia em que sua irmã, a professora Erina (Geografia), rasgou as provas de todos que haviam feito cola nas carteiras e obrigou a raspá-las com vidro e envernizar tudo.
Escapei dessa...
Minha cola estava na lousa lateral.
Agora, se não gostaram da descrição e do texto, culpem, em parte, os professores Mariano e Amílcar Martins Varanda, apesar da “chatice” deste ao conferir se tínhamos feito a lição de casa no caderno brochura com capa de plástico, onde não podíamos arrancar páginas e encher a paciência com as conjunções sindéticas, subjuntivas que tínhamos de saber sem alternativas, senão que se fazer.
O que e o se tinham dezenas de funções e a nossa função era estudar.
Ele me despertou o interesse pelos sonetos simbolistas e pela escrita em geral.
Azar ou sorte de vocês que leram umas pequenas passagens de minha vida em onze anos que passei por lá.
No Curso Primário Anexo ao Colégio Estadual e Escola Normal Brasilio Machado.
Está certo o cabeçalho, professora?
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Publicado também no site São Paulo Minha Cidade
http://www.saopaulominhacidade.com.br/list.asp?ID=2074
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Visite meu site literário
http://www.pedrogaluchi.prosaeverso.net

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02 setembro 2008

O VELHO QUE LIA NO BAR

Vejo-o há mais de trinta anos.
Não é recíproco.
Nem deve notar minha existência.
Diz a lenda, era funcionário de uma estatal e há muitos anos é aposentado.
Se tem família, esposa ou filhos ignoro.
Mora num predinho de dois andares e sai todos os dias com um livro embaixo do braço.
Sua caminhada sempre foi curta.
A parada era uma padaria, hoje fechada, localizada a menos de cinqüenta metros de sua casa.
Sentava-se numa das mesinhas, pedia um cerveja e abria o livro.
Livros grossos. Uma vez estava com um Dostoiesvky.
Que inveja!
Nunca o vi lendo um jornal.
Nunca incomodou ninguém.
Nunca o vi conversando com qualquer pessoa, exceto ao levantar o dedo e pedir mais uma cerveja ou um sanduíche ou perguntar quanto era a conta, antes de assinar a dívida no caixa.
Remanescente dos tempos finais do fiado e da caderneta deve ser um dos últimos a ter esse tipo de crédito no bairro.
Dá a impressão que a única mudança capital nestes tempos foi o fechamento da padaria.
Mudou de calçada.
Foi alojar-se num barzinho de esquina.
Primeiro sentava-se numa mesinha do fundo, agora ocupa a mesa mais próxima do balcão.
Alguns dias paro para observá-lo.
Agora também tenho todo o tempo do mundo para fazer qualquer coisa.
Ele parece não desviar os olhos do livro e nem parar a leitura sequer quando beberica o copo, morde o sanduíche ou coloca o garfo na boca.
Sempre lá.
Pela manhã, à tarde, à noitinha.
Sempre lendo.
Diria que ele altera significativamente a estatística da média de livros "per capita" lidos no braziu.
Quanta sabedoria deve ter guardado dentro de si?
Com quem a divide?
Quem passa rápido, quase nada diferente notará nele.
Já era totalmente careca, gordo, passos lentos.
Pelo meu espelho, ele envelheceu bastante.
Já deve ter mais de oitenta anos.
Talvez poucos percebam sua ausência no dia em que se for.
Mereceria uma estátua, perpetuando sua figura lendo na mesa de um bar.
Semelhante a que João Rubinato (Adoniran) ganhou no Bixiga e Carlos Drumond de Andrade em Copacabana.
Se não compôs como Adoniran, nem escreveu como Drumond, deve ser uma das pessoas que mais leram.
Pelo menos dentre as que conheci.
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