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10 julho 2018

O SUMIÇO DO REDENTOR

Rio amanheceu diferente
Havia algo errado
No alto do Corcovado
Olhares atentos...
Passados uns momentos...
Gritaria de repente:
Cadê o Redentor?

Começam os disparates
Um sugere procurar
No PS do Souza Aguiar
Perda de tempo cara
Lá nem adianta perguntar
Sistema sempre fora do ar
Mais fácil procurar no Saara

Se foi algum sequestrador
Logo virá o telefonema
Da Milícia a pedir resgate
Discam Um nove zero...
Imagina trote a Polícia
Sem bilhete nem notícia
A tristeza se abate

Pelas bocas a surpresa
Zum-zum-zum dispara
As ruas cheias de boato
Cada qual mais insensato
Uns incorporam santos
Quem sabe vem mensagem
Vasculham todos cantos
Nada de encontrar a imagem

Chovem hilários palpites
Cansara-se da paisagem
O vento causava friagem
Ele piorou das artrites
Ficara com medo de assalto
Não descera pelo trenzinho
Mas, fora visto no bondinho
Do Morro Santa Teresa

Chamadas do Jornal das Oito
“Redentor aparece no Catete!”
“Cristo visto na zona do Caju!”
Viram-no comendo biscoito
E chupando sorvete
Na geral do Maracanã
Assistindo ao Fla-Flu

Toda fé era necessária
Faziam promessa e oração
Ir de joelhos até a Candelária
Um gaiato solta um rojão
Com tantas balas perdidas
Voando pelas avenidas
Desistem da procissão

A TV faz a chamada
Furo de reportagem
“Nóia viu passar o Redentor!”
História meio maluca!
Sorri o apresentador
Vamos a narrativa exclusiva
Link na floresta na Tijuca

Cidade para a ouvir o rapaz
“Fumei umas pedras de crack
Mas, juro não tenho visões
Era fim de madrugada
Quase cinco de manhã...
À noite ao ver os arrastões
Em Copacabana e Ipanema

O Redentor teve um ataque
Parecia fora do normal
Gritou: quero um dia de paz
Desceu do pedestal
Soltou alguns palavrões
Fez aos céus um sinal
E seguiu rumo a Niterói”

Deixou ao povo carioca
Este pequeno recado:
“Aqui é a casa de Noca
Vou pra Saquarema
Búzios ou Cabo Frio
Para proteger o Rio
Só um super-herói...”
Fui!...
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https://www.recantodasletras.com.br/cordel/6387840





29 junho 2018

ESMOLA ON LINE - AJUDE UM IDOSO

AJUDE UM IDOSO - ESMOLA ON LINE

Eu poderia pedir esmola na rua sentado na calçada com um chapéu nas mãos. Poderia incomodar o senhor, distribuindo papelzinho recortado de xerox vagabunda no vagão do metrô ou num terminal de trem ou ônibus. Entretanto, seguindo as orientações de minha assessoria de captação monetária, solicito uma pequena colaboração para ajudar um idoso em situação de necessidade pelas páginas da internet. Comova-se com minha situação. Sou idoso desde que fiz sessenta anos. Não tivessem mudado a Lei, eu ainda não seria. Cheguei a ter passe do idoso, mas o fiscal apreendeu, só porque eu o emprestava pela metade do valor da passagem. Estou aposentado desde quando minha memória ainda funcionava. Recebo muito menos que necessito. Já tive mulher, filhos e netos. Era feliz e sabia, mas primeiro foi aquele maldito carioca metido a alagoano que levou toda minha suada poupança. Com forças que tirei não sei de onde (onde foi mesmo?). Estão vendo a gravidade de minhas falhas de memória? Enfim, recomecei. Diziam-me: É preciso ter esperança. Grande mentira. Minha sogra, dona Esperança, sempre a última que morre, veio morar em casa. Não riam, nem tenham pena. Peço apenas sua colaboração. Pode ser uma moeda de bitcoin, fazer-me um crédito usando o aplicativo “Ajude um idoso”. Baixe o aplicativo - é grátis. A presença da Esperança tornou minha vida um inferno, ao ponto da trágica pergunta: Sou mãe ou eu... Moro na rua, desde então. Houve um tempo que minha mulher me procurou. Ou melhor, colocou Oficiais de justiça atrás de mim para que eu pagasse pensão alimentícia. Um absurdo! Minha mulher que sempre quis emagrecer, pedindo pensão alimentícia. Fui preso por causa disso, mas o STF concedeu-me um Habeas Corpus com liberdade provisória, prisão domiciliar e uso de tornozeleira eletrônica. Ao saber da decisão - que eu teria de voltar para casa -, minha mulher desistiu da ação. Depois, pensei que minha sorte mudaria. Ganhei um dinheirinho numa fezinha do bicho, mas aconteceu a predição bíblica: “Do pó vieste, ao pó voltarás”. Apliquei em ações. Petrobrás, empresas do Eike Batista. As ações viraram pó. É tanta desgraça que até uma cachorrinha da família, chamada Luma fugiu de casa. A desgraça tem seu lado cômico. Apesar da doença generativa, que me acomete, morro de rir no último dia útil de Abril, quando lembro-me que não preciso mais entregar declaração de Imposto de Renda. Ah! Um lembrete: Você pode contribuir para a ONG - “Ajude um idoso carente”. Sua doação é dedutível do Imposto. Visite nosso site: www.ajudeumidosocarente.com.brrrrrrr. Esta ONG não liga para você dia sim, outro também, pedindo colaborações. Manda email. Autorize o recebimento de notificações atualizando minhas mensagens. Desative o spam. Mas, colabore! Lembre-se, pode ser um bitcoin ou um crédito pelo aplicativo. Não fazemos carnê ou boletos. Se preferir, cadastre sua colaboração no débito automático. Não quero mais tomar seu precioso tempo. Visite minhas páginas no facebook, instagram ou twetter. Basta acessar “#ajude um idoso carente” ou “@um idoso carente precisa de você”. Estou momentaneamente sem whatsapps, pois meu smart foi furtado num aperto na estação do Metrô. Obrigado pela atenção e repita comigo o mantra final: “Contribua... Contribua... Contribua...!!!

13 maio 2018

PALINDROMIA CRÔNICA



Paixão à primeira vista!
Ana e Oto mal se conheceram e ele teve certeza que encontrara “A dama amada”.
Tinham algo profundo em comum.
Ela também sofria de Palindromia crônica.
“Oto” Pedro era filho de dona Yaray Acaiaca Yaray(*) e do seu Rener.
Preguiçoso para levantar, era comumente despertado pela Dona Yaray batendo tambor e gritando: “Acorde, Pedroca!”
Ana era filha do seu Natan e dona Ebe.
“Amar dá drama!
Quem não gostava de Ana aconselhava: “Ame a Ema”.
“A Leda, sacana, ia na casa dela” fazer fofocas e garante: “A Marta trama”.
Num “ato idiota”, “após a sopa”, “Oto come mocotó” e pede Ana em casamento, dizendo: “Oto ama Ana e Ana ama Oto”
Dona Ebe com “A cara rajada da jararaca” indignada esbraveja com “ódio doido”: É “Mega bobagem”. “Ele padece da pele”. “A cera causa sua careca”.
Ana respondeu: “É amor! Eu quero, mãe!”.
“E assim a missa é”!
Para padrinhos convidaram os tios “Ramarim e Miramar”.
No dia do casório, seu Rener avisou: “Nos ligou o Gílson”. Desejou felicidades.
Lua de mel rumo à Europa no “Navio do Ivan”
Noites sob “O céu sueco”.
“Luz azul!”
“Roma é amor” o verso escrito na Piazza...
No Vaticano: “Ame o poema”, “E até o papa poeta é”
”O namoro do romano” deu frutos...
Cinco filhos...
Elenice, Robert, os gêmeos Leonam e Manoel e Oto Pedro Júnior.
Carinhosamente chamados de Elê, Bob, Lél, Nenén e... Mirim.
Mirim não gosta de ser chamado assim. Insiste em ser chamado de Juninho e faz terapia por esse motivo.
A psicóloga é a doutora “Irene Neri”.
Isso mesmo...
Aquela da música “Irene ri... Irene ri... Irene ri... “

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* “Yaray Acaiaca Yaray” é nome indígena não catalogado da tribo dos “Sararas” e significaria: “Arara... arara... o treco certo... Arara... arara...”


06 julho 2014

QUERO MORRER NO VERÃO

Quero morrer no Verão!
Não sei se é melhor ou pior que em outras Estações.
Não tenho essa referência, pois ainda não conversei com ninguém que tenha morrido em qualquer Estação.
Mas algo me diz que morrer no Verão é mais leve.
Verão é alegria...
Natal... Carnaval... Fantasias... Roupagens minúsculas de bronzeadas na praia...
Quero morrer no Verão depois do Natal...
Depois do Réveillon também...
Detestaria estragar o período... Ser uma lembrança triste à época das festas...
Quero morrer após as festas, mas de repente... Sem ninguém contando os dias que me restem, sem qualquer parente trocando presentes, pensando em presentes melhores para o natal seguinte, supondo estar incluído num testamento que menti ter feito.
Quero morrer no Verão, mas não no Carnaval... Deixo essa apoteose aos sambistas.
E, caso seja velado de madrugada, não quero atrapalhar o programa de algum convidado da última hora, que houvesse planejado assistir aos desfiles no Sambódromo.
Quero morrer no Verão, antes de meu aniversário para evitar completar mais um ano na contagem regressiva da Vida.
Se morrer aos sessenta e nove (ou setenta e nove ou oitenta e nova) quase certamente ouvirei as habituais frases consternadas: “Morreu tão jovem... Não tinha nem setenta (ou oitenta ou noventa)”...  Morrendo aos setenta (ou oitenta ou noventa), quase ouvirei palavras habituais de consolo: “É a Vida... Viveu bastante... Estava com mais de setenta (ou oitenta ou noventa)!”.
Farei ouvidos moucos aos comentários: “Já foi tarde”.
Quero mesmo morrer no Verão...
Livrar-me-ei da obrigação da única certeza da Vida, depois da morte... Fazer a declaração do Imposto de Renda, no outonal final de Abril... Ao tornar-me Pó, viro Espólio...
Quero morrer no Verão para que se possa servir cerveja gelada, ao invés daqueles cafezinhos insossos das antessalas de velórios.
Com muito salgadinho, salame e azeitonas.
Quero morrer no Verão!
O Verão parece-me ser mais apropriado para rir daquelas passagens hilárias ou pitorescas, sempre lembradas nas últimas horas na presença do “de cujus”.
Quero morrer no Verão, apesar de alguns inconvenientes.
Que traje vestir-me-ão?
Estarei indefeso...
Por favor, não me obriguem um terno... Ficarei com calor.
Nada de melhor roupa
Basta-me uma camiseta polo básica e aquela habitual e surrada calça jeans. Poderia até ser uma bermuda, mas posso estar com as pernas muito brancas.
Quero morrer no Verão, mas se, por motivo de força maior, não for possível, prometo não reclamar no PROCON, nem no SAC da Vida, pois para esta não há garantias ou prazos de validade previsíveis.
Afinal, a Vida é apenas um breve intervalo que passamos acordados na eternidade sonolenta do Tempo.
Importa ser bem vivida em todas as Estações.

18 fevereiro 2013

I DON’T SPEAK ENGLISH



 “ “The book on the table” ...“O Buick tem tablet” ... “O Burton teve a Taylor”?
As assemelhadas frases retrocitadas (ou supracitadas) significam quase exatamente nada para mim e milhares de pessoas brazilianas que não falam (nem entendem) uma única Word em Inglês.
Minha ignorância e incapacidade em aprender inglês sempre me foi dolorosa. Via os colegas de “Gymnasio” cantarem e não entendia nientes o que John, Ringo, Paul e George diziam em suas músicas.
Acredite, se quiser: Um de meus professores no colegial (lembram-se dele?) foi o professor João Fonseca, gabaritado autor de “Ih! Espique English”.
Não sei por que tamanha dificuldade com o Inglês.
Aprendia com alguma facilidade os outros três idiomas ensinados naqueles bons tempos de escola pública. Está certo não lembrar praticamente mais nada de Francês, exceto os primeiros acordes da Marselhesa, do Platini e do Zidane. No Espanhol tropeço, mas não digo “Cueca Cola”, mesmo que esteja colando. No português, rastejo. Se dissesse que sei o Português estaria faltando com a verdade. Poucos têm essa capacidade. É quase impossível saber-se plenamente o português. Tanto é verdade que o governo estendeu a aplicação das novas normas ortográficas, até que um ex-presidente aprenda minimamente as velhas.
Escutou bem, corretor do Word? Pare de me corrigir...
Curioso foi, num dos vestibulares que prestei, haver obtido um dez na prova de inglês.
Três hipóteses para tal milagre.
A primeira era que traduzir um texto daqueles, qualquer criança de cinco anos, nascida na Inglaterra ou USA – exceto Miami – conseguiria. A segunda era o vestibular ser para Direito, onde se privilegia o Latim, diga-se “en passant”, - vg. (verbis gratia) de passagem - também não entendo bulhufas de pitipiricas. Na terceira, e mais provável, o encarregado da correção iria dar-me um zero. Começou a tremer de tanto rir com as asnices de minha prova, a caneta caiu e riscou um traço à frente do zero. O responsável pela transcrição da nota para a folha de fechamento, traduziu que o risco era o número um e escreveu dez.
Para não me dizer absolutamente ignaro quando se trata de inglês, aprendi que JIP (Japonês, Inglês e Português) são as únicas nacionalidades em que o feminino também usa chapèuzinho (quando estudei, chapèuzinho tinha o charme do acento grave). Quem quiser comprovar o uso do chapèuzinho pelas mulheres dessas nacionalidades, pode visitar o bairro da Liberdade em São Paulo, Trafalgar Square in London ou a padaria do seu Manoel, aqui na Vila.
Meu sofrimento com o inglês atingiu seu auge quando Diana apareceu em minha vida. Não a Lady Di, mas uma professora da faculdade de Jornalismo.
Talvez fosse uma dose de ciúme.
Ela chegava sempre com um tal de “Good Night”. Não dava a mínima para qualquer palavra que eu lhe dizia em Português. Ia embora com o “bye bye” ou com Solon (seria aquele grego? Afinal ele era legislador, jurista, poeta e mais 998 utilidades, tanto que era apelidado de Bombril entre seus pares).
Não falava uma única palavra em língua nativa, isto é em Português, pois a língua nativa do “braziu varemnós” é o Tupi-guarani.
Talvez, não soubesse falar nossa língua.
Desculpável...
O que não era desculpável eram as notas que obtínhamos.
No final do ano, com o intuito de melhorar nossa média e evitar a DP (v.g. dependência), propôs um trabalho para os alunos do fundão. Aqueles com notas abaixo da média. Teríamos que apresentar uma entrevista, em inglês, com alguém famoso.
Nosso grupo compunha-se por cinco alunos ou dez analfabetos funcionais, pois íamos duplamente mal. Tanto na última flor do Lácio, quanto na língua de Robin Hood.
Quatro seriam os entrevistadores.
Eu, com minha tradicional sorte, fui sorteado para ser o entrevistado.
Ao menos poderia escolher quem seria.
Escolhi Bjorn Borg, tenista sueco que maravilhou o mundo nas décadas de 70/80. Afinal, sabia alguns termos inglêses do tênis. Coisinhas como ace, game, set-ball, match-point, advantage, smash, tie-brake, Orange-bol, Roland Garros, Taça Davis, Wimbledon, Thomas Koch, Maria Esther Bueno. Essas palavras que se aprende na transmissão de jogos pela TV.
O entrevistado responderia dez perguntas. Tipo “roda-viva”.
Tudo em inglês.
Óbvio!
Decoramos as perguntas e respostas de forma seqüencial e lá fomos nós. Católicos no centro do Coliseu Romano a espera dos leões, no caso da Leoa.
Na ponta da língua a ordem das respostas.
Tudo ia bem até a sétima pergunta, quando um dos “entrevistadores”, no limiar da ansiedade, trocou a pergunta e fez-me a oitava. Rapidamente respondi o combinado para a sétima.
Algo assim: a pergunta para o Borg aqui era onde havia nascido e respondi minha partida contra Rod Laver (nunca se enfrentaram – o australiano Laver jogou nos anos 50).
A mestra, diga-se “en passant” (verbis gratia de novo - de passagem), lia um texto e parecia não prestar a mínima atenção ao trabalho, quase caiu da mesa e gritou: Stop!
Melhor seria dissesse: Estepe! Afinal era um caso de troca. Trocaram a pergunta. A resposta eu acertara a ordem.
Com aquele olhar meigo do leão vendo a gazela, perguntou-nos: What?
Entendi o ocorrido e travei, gaguejando mais que George VI.
Segundos após, o “nobre” colega – na hora acho que disse fedapê em inglês – percebendo a asneira que fizera, desatou a rir.
Não sei se ria pela graça da situação ou de pavor do que poderia advir.
Farsa descoberta, para completar a tragicomédia, emendei:
Sorry! I am Swedish. I don’t speak English and not understand the question.
Até a teacher caiu na risada, provavelmente causada pelo sotaque norueguês de Bjorn. Traindo-se, disse in Portuguese: Vocês não têm jeito!
Agraciou-nos com honrosa nota five, salvando-nos da temível DP(já explicado).
Bye bye, Solon, bye bye... (Quem lembrou dessa, tem mais de 50).
Thank you, people!

13 novembro 2012

METRÔ ALTERA NOME DE ESTAÇÃO

Por determinação da Portaria 2013/A2 a estação da Linha Vermelha Palmeiras-Barra Funda, passa a ser denominada PALMEIRAS SÓ AFUNDA.

03 fevereiro 2012

SEMPRE IGUAL... NUNCA MUDA...

Às vezes, para não dizer sempre, nem nunca, dizem que fico mal humorado.
Sempre me dizem isso, mas nunca concordo, e, como é óbvio aos modestos, sempre tenho razão.
Nunca discuta isso.
Meu grilo falante é meio fofoqueiro e sempre me provoca. Nunca dei muita atenção a ele. Mas, ele garante que também andam dizendo que estou caducando.
Nunca escutei falarem isso perto de mim. Entretanto, sempre é bom desconfiar, ainda que a racionalidade, sempre costumeira, de meus textos comprovar o contrário, à semelhança de um litotes.
Tais fofocas devem ser decorrentes de quase sempre me estrepar nas estripulias que cismam sempre dizer que faço. Ou levo a culpa desde criança. Também, pudera. Nunca escutava minha mãe sempre a recomendar para eu tomar cuidado.
Outra coisa que ela sempre dizia é que era necessário estudar para crescer na vida e, perdoem-me a humilde modéstia e sinceridade, é claro, como sempre acontece, nunca fazia isso, mas sempre passava de ano.
A cada 365 dias, eu e todos os demais passávamos de ano.
Quase sempre assim.
Às vezes, coincidentemente sempre nos anos de Jogos Olímpicos, o dia 28 de fevereiro ficava de segunda época e tinha que repetir.
Sempre foi assim, não foi?
Claro que não!
Tudo começou quando Gregório XIII, também apelidado – sempre tem um apelido – de Gregório Chiiiiiiiii, que humildemente, como sempre cabe a nós, os magnânimos, batizou o seu calendário de calendário GregoriAno.
Feliz com o fato, saiu, como sempre fazia, cantando como nunca pelos corredores do Vaticano.
As datas são mais ou menos precisas. Afinal, diz a lenda, o calendário de Chiiiiii foi oficializado em 24 de fevereiro de 1582. Então, como sabermos corretamente datas anteriores, “vg”, como o dia do achamento do braziu, da América, et coetera, et coetera, et coetera?
Nunca saberemos ao certo, certo?
E pensar que sempre tirava notas baixas, porque nunca acertava, ou sempre errava as datas que o professor de história me perguntava.
O astuto leitor deve estar encafifado como sempre. Questionando como nunca meus conhecimentos.
Foi apenas uma pegadinha. Como sempre é a desculpa dos mestres quando erram.
Gregório Chiiii nunca cantou nos corredores do Vaticano. Cantava sempre, mas no Palácio de Latrão onde os papas ficavam de 313 d.C (calendário Juliano) até 1929 d.C.(calendário Gregoriano), quando criaram o Vaticano.
Não! Nunca desejei confundir o leitor.
È exatamente assim.
O calendário gregoriano alterou todas as datas anteriores, estabelecidas pelo calendário Juliano do Julio César em 46 a.C.
Verbi gratia, para o Juliano, Fevereiro tinha 29 ou 30 dias.
Sempre achei fosse porque o César gostasse muito de Carnaval, para esconder suas atrocidades, mas nunca tive certeza.
En passant (galicismo), uma pequena observação, apenas para confundir e desviar a atenção do que sempre importa...
Sempre (quase) me perguntam por que uso “vg”, ao invés de “p.ex”., isto.é “verbi gratia” (latinismo ou romantismo?), no lugar de “por exemplo” como sempre fazia até descobrir que os “vgs” dos textos jurídicos nunca significaram vírgula, como sempre achei.
Aí, passei sempre a escrever assim.
Uns dizem que é Direito demais, outros que é errado.
Nunca todos concordam. Sempre tem um do contra.
Isto é, quase sempre...
Aprendi, em minhas análises – psiquiátricas e não sintáticas - que nunca, como sempre fazemos, devemos dizer que algo ou uma pessoa sempre é assim, nunca é assim.
Assim é assim e “pf”. Este “pf” é minúsculo, uma vez signifique ponto final. Prato feito de boteco deve sempre ser escrito PF maiúsculo.
Que foi grilo-falante?
Ah! Como sempre, estou esquecendo de algo. Hoje é aniversário de quem? Nunca me lembro de aniversários.
Mas sempre me lembro que nunca lembrava de pagar minhas contas no dia certo. Até seguir os conselhos de um senhor que garantia que quase nunca esquecia de nada. Passei a usar um calendário gregoriano que ganhei do Sr. Juliano, gerente do banco, e que está sempre caído (o calendário) no chão perto da escrivaninha.
Não que eu marque qualquer data de vencimento das contas.
Nunca me lembraria de fazer isso.
Já pensaram no trabalho que dá, “vg”, escrever no dia 01 “pagar conta de Luz”, no dia 10 “pagar conta de água”, no dia 15 “pagar telefone” e assim até o dia 20, quando sempre parei de pagar qualquer conta, porque nunca sobra dinheiro.
Salário sempre acaba antes do mês.
Querem saber como marco o calendário?
Simples solução, como sempre convém a grandes problemas.
Fiz um carimbo e coloco em todos os dias: “Veja se hoje não tem conta ou imposto a pagar”.
Aí, abro a gaveta e confiro.
Genial, não?
Como sempre.
Nunca tinham pensado nisso, falem a verdade.
Calma! Agüenta aí! Estou concluindo.
Sempre me ensinaram que a conclusão tem sempre que confirmar a tese apresentada no início do texto.
Nunca se esqueçam disso, bradava sempre um professor de redação e lógica.
Quem quiser entender melhor, siga meus sempre exemplares e lógicos textos. Às vezes, enrolo-me um pouco, mas não neste texto, aparentemente sem nexo, onde, se me lembro, comecei dizendo que sempre dizem que estou sempre mal humorado. Lembram-se ou se esqueceram, como quase sempre ocorre comigo? Nunca me lembro – ou quase sempre me esqueço - do parágrafo anterior e quase sempre (ou às vezes?) tenho que retomar a leitura.
Sou brasileiro!
E como é de nossa natureza, sempre acreditamos em estranhas profecias que algum dia a corrupção acabará ou os impostos diminuirão nestas terras, que nem sabemos a data correta que foi achada.
Hoje, como sempre, acordei feliz com a esperança renovada.
Até abrir o jornal e ler que mais e mais corrupções são descobertas, outro ministro saiu, há mais suspeitas pelo ar e o governo pensa em novos impostos para cobrir gastos impublicáveis.
Todos os dias a mesma coisa.
Sempre... Sempre... Sempre...
Nunca... Nunca... Nunca sossegam...
Sempre assim...
Não tenho, como sempre, razão em ficar mal humorado e parecer caduco?
Parece que isso nunca acaba.
Pronto... Acabei!
Por favor, não diga que estou caduco, nem fique mal humorado.
Sorria!
Ah! E volte sempre...
Prometemos que não haverá caos aéreo.
Nunca mais?
Nem pra Copa?
Volta, vai!

17 dezembro 2011

PREVISÕES INFALIVEIS PARA 2012

PREVISÕES PARA 2012

Nossas previsões para 2011 foram um sucesso.
Mais de 95% de acerto.
Em time que está ganhando não se mexe...
Repetiremos o feito em 2012.
Então, vamos lá:

O ano será bissexto.
Assim sendo, seguramente Fevereiro terá 29 dias.
Todos os demais meses também.
A BANCOOP não entregará nenhum imóvel.
O Corinthians disputará novamente a Libertadores.
Pela Internet, circularão informações que Elvis não morreu, que querem acabar com o 13º.salário, que alguém amanheceu numa banheira de gelo sem o rim, que alguém foi dopado ao pegar o segundo prato num restaurante, que este parágrafo está parecendo boletim de ocorrência de tantos “quês”.
Haverá shows com sobreviventes da Jovem Guarda.
A TV Globo apresentará o Especial de Natal de Roberto Carlos.
Se Roberto não se converter à Universal e apresentar-se na Record.
Acontecerão tragédias aéreas. O BBB e a Fazenda continuarão no ar.
Quem sobreviver, e não tiver o que fazer, verá. Estarei ocupado.
Morrerão pessoas que nunca haviam morrido antes.
Em não existindo Medidas Provisórias alterando as datas por motivo de força maior, a terça-feira de Carnaval será numa terça-feira, a sexta-feira Santa numa sexta e Corpus Christi (não confundir com Habeas-Corpus) numa quinta.
Os Habeas-Corpus serão concedidos em todos os dias da semana, liberando o geral.
O governo anunciará a descoberta de poços de petróleo no pressal.
O preço da gasolina continuará salgado.
O índice de reajuste do aposentado será menor que o do Salário Mínimo.
Haverá greves do funcionalismo público. E ninguém notará.
Professores entrarão em greve. E ninguém notará.
Alunos invadirão a reitoria da USP.
O dia das Mães será no segundo domingo de Maio.
Já o dia dos Pais, independentemente de quem seja, será no dia 12 de Agosto.
Haverá congestionamentos em São Paulo.
Diretores de Escolas de Samba reclamarão de injustiça no resultado.
Caetano Veloso dará entrevista garantindo – ou não, sei lá...
Infelizmente, será difícil um filme brasileiro ganhar o Oscar.
Todavia, os astros garantem: Um filme brasileiro ganhará a categoria nacional do Festival de Gramado.
Atrizes globais cinqüentonas (ou mais) unir-se-ão a homens muito mais jovens.
Artistas estarão envolvidos com drogas.
Haverá programação especial para comemorar o centenário de Nelson Rodrigues, Mazzaropi e Jorge Amado e, talvez, novamente, de Adoniram.
O Braziu classificar-se-á antecipadamente para a Copa de 2014.
Noventa e nove por cento de possibilidade do campeão gaúcho ser o Internacional ou o Grêmio.
É semelhante a possibilidade do campeão mineiro ser o Cruzeiro ou Atlético.
O Íbis vencerá uma partida. (N.A.– Preciso errar algo para ter credibilidade).
Chipre não se classificará para as finais da “Euro-Copa”.
José Sarney e parte do PMDB apoiarão o governo.
Outra parte apoiará quem estiver no Governo.
Dilma demitirá ministros por causa de denúncias da imprensa.
Continuaremos sem saber como uma tartaruga sobe num poste e o que faz lá.
Surgirão templos evangélicos em diversas esquinas e galpões.
Eduardo Suplicy cantará “Blowin´in the Wind” , em uma sessão do Senado..
Um membro do Judiciário cometerá crime e será absolvido por seus pares.
Presos indultados cometerão crimes no período do indulto.
Membros do tráfico serão libertados por seus pares que explodirão uma delegacia.
Políticos envolvidos com milícias e com o tráfico serão julgados e absolvidos por seus pares.
A lei da Ficha Limpa talvez seja julgada pelo STF.
O povo discutirá os crimes nas novelas e prescreverão crimes reais de políticos.
O Mensalão poderá ingressar na primeira série, pois completará sete anos.
Haverá horário político obrigatório.
O Ministro da Saúde falará em rede nacional sobre o surto de dengue e afirmará que os culpados são seus vizinhos e os donos de borracharia.
Haverá muitas balas perdidas no Rio.
Morros desabarão por causa das chuvas.
Haverá denúncias de desvios nas doações.
A passeata do Orgulho Gay terá muito mais gente que em 2011.
Miss Braziu ainda será uma mulher.
Há fortes probabilidades de nascer a Miss Braziu-2032.
Se houver a conjunção da constelação de Áries com a Estrela Dalva, haverá forte reação de Touro que exigirá o teste de DNA dos Gêmeos no programa do Ratinho.
Depois dos Quartos Crescentes virão sempre as Luas Cheias.
Haverá “blue moon” em Agosto.
Para terminar, deixo uma mensagem de esperança:
Que todos estejamos aqui ao final de 2012, para novas estonteantes previsões.
Um feliz 2012 !

15 novembro 2011

ENTERRO DO QUERENCIO (quase cordel)

Vilarejo em silêncio
Quando a noticia correu
Morreu o seu Querêncio
Antes ele do que eu

Raquel caiu em pranto
Desses de desesperar
Tido quase como santo
Pelo povo do lugar

O padre se lamentou
A perda do sacristão
Porque não me esperou?
Queria dar extrema unção

Na hora do velório
Todo mundo apareceu
Que nem festa de casório
Quem não foi, diz que perdeu

Nem é bom lembrar
Confusão já começou
As beatas a rezar
Carpideira enciumou

Na viúva, a Raquel
Chegou um desconhecido
Foi mostrando um papel
Dívida do falecido

Zé do Empório escutou
E se manifestou
Se for pra ser assim
Também devia para mim

O Mané da Padaria
Foi ao padre e cochichou:
Tem vinho da sacristia
Que ele levou e não pagou

O Toninho lá do bar
Tomou coragem e reclamou
Minha mesa de bilhar
Com o taco ele rasgou

Murmurou uma mocinha
Da casa do pecado
Teve uma vezinha
Que eu lhe fiz fiado

O que é ruim também piora
Surgiu dona Esperança
Veio na última hora
Mostrar o pai para a criança

Querêncio deitadinho
Não podia reagir
Com cara de santinho
Parecia até sorrir

Raquel quase desmaiou
Só pode ser maldade
O cunhado confirmou
Tudo mesmo era verdade

Gritou enraivecida
Que vá logo para o inferno
Pra chegar bem na outra vida
Ainda lhe comprei um terno

Já vai tarde seu safado
Nem olhou para o caixão
E saiu de braço dado
Com um tal de Ricardão

27 outubro 2011

O SEQUESTRO DA FILHA DA SECRETARIA ELETRÔNICA

Alô! Você ligou para 5081-XYXZ. Mansão do Pedrão. Após o sinal deixe seu recado, que retornaremos – proposital a cruel dúvida: retornaremos de algum lugar ou retornaremos a ligação? - assim que pudermos ou ligue para meu celular - se for alguma coisa importante, a pessoa terá meu número.
A secretária lá de casa atende mais ou menos assim as ligações quando não estou ou não quero atender. Viva o B Identifica Número de A.
Tenho que confessar que eu acho que é assim.
Tem muito que na frase anterior? Não gostou, vá a Delegacia e faça um Boletim de “Oqueorrência”.
Eu ia dizendo que não se exatamente o que minha secretária eletrônica responde quando é incomodada.
Deve ser porque não ligo para ela.
Confesso: certa época eu ligava muito, para não me esquecer de algo. Deixava alguns recados para mim, como não “se esqueça de pagar a conta do telefone”.
Juro que sempre escuto as mensagens e retorno quando é algo importante.
Hoje, encontrei minha secretária quase em pânico.
Piscava desesperadamente.
Corri para ouvi-la.
A fita fazia fita.
Dizia, com voz de medo: Mãe! Mãe! Responde, mãe! Fui assaltada! Me ajuda! Me seqüestraram!
Breve silêncio...............
...................................................................
Dona! Seqüestramos sua filha! Responde, dona! Vamos matar sua filha!
Toin...toin...toin...toin...
Claro que o esperto leitor já deve ter concluído o lógico. Tratava-se daqueles telefonemas onde bandidos assustam familiares dizendo que seqüestraram seus filhos.
Estou acostumado a esse tipo de ligação.
Certa noite “meu filho” telefonou as três da matina dizendo que estava sendo seqüestrado. Ele jamais me ligaria às três da manhã. Cortaria sua mesada se fizesse isso. E as baladas acabavam geralmente as quatro.
Noutra madrugada, novo seqüestro. Minha filha. Mandei que a matassem, pois ela me enchia a paciência. Além disso, não tenho filhas.
Em outro seqüestro, voz convincente. Quase cai na esparrela, não estivessem meus filhos viajando fora do país.
A ameaça recebida hoje causou indignação com a queda da qualidade do seqüestrador. Será que o Sindicato dos Seqüestradores não tem um curso de qualificação profissional?
Eita, bandido burro! Não sabe nem conversar com uma secretária eletrônica. Poderia ter ameaçado mais. Dizer aonde eu deveria levar o dinheiro do resgate. Para eu não chamar o CSI. Não ligar para o 190. Ao menos deixar um telefone para retorno. Algo assim, não acham?
De outra parte, o telefonema deixou-me encafifado. Minha secretária parece ter ficado muito preocupada com o recado.
Será que a “filha seqüestrada” seria mesmo a minha? Ou será que a minha secretária terá mesmo uma filha que eu desconheço?
Nestes tempos de modernidade, nada surpreende. Espera-se qualquer coisa.
Estou desconfiado!
Será que a minha secretária terá tido um caso nessas conduítes da vida? Com o cabo da antena de TV, da TV a cabo, do alarme.
Sei não!

19 outubro 2011

FIAT LUX

DIVAGAÇÕES ILUMINADAS



Hoje quase entrei em estado de choque.
Queria escrever um texto e pus-me a matutar à busca de uma idéia luminosa.
Oh! Raios!... Porque me falham, conexões cerebrais? Onde estão vocês, neurônios? Melhor consultar um neurologista. Posso estar com um axônio com defeito químico na sinapse.
Eu, que sempre diziam estar ligado em duzentos e vinte, talvez esteja com algum plug desligado.


Esperem um pouco. Preciso ter uma conversinha com o corretor automático de textos.
“Se liga, meu! Pare de corrigir para plugue. Em meados do século XX era plug mesmo. De mais a mais o plug é meu, eu escrevo como eu quero. Se continuar grifando meu texto, eu lhe desligo”
Essas máquinas!
Continuando...
Puxando pelo fio da memória, imagens surgem lentamente como nas velhas televisões valvuladas.
Algumas notícias tristes.
Lembrei-me da história do Nélson, um rapaz tamanho guarda-roupas, que trabalhava com manutenção de elevadores. Deve ter conectado o vermelho no amarelo, quando era para conectar o preto no branco e foi lançado ao fosso. Felizmente estava apenas no segundo andar e não veio (ou foi) a óbito. Entretanto, o deslocamento de ar e o barulho levaram parte de sua audição.
Em outra situação, perdi um aluno. Empinava pipa e tentou desenganchar uma do fio com uma barra metálica. A descarga foi fatal.
Um terceiro caso nunca foi muito claro.
Diz a lenda que um casal estava no escurinho, fazendo sei lá o que. Não era no cinema, nem chupavam dropes (no meu tempo era drops) de anis, que nem a Rita Lee. De repente, como em outra música: A lâmpada acendeu...
Que foi grilo falante? Como você é chato! Se liga, mano! Qual o grilo desta vez?
Ah! A música era “... a lâmpada apagou....”
Sei lá! O fato é que a lâmpada acendeu, o marido apareceu e encheu o rapaz de porrada.
Está muito trágico? Parecendo aqueles programas de fim de tarde?
Para iluminar seu sorriso, lembrei-me de uma historinha singela.
Bem light...
Um menininho assistia a um filme no cinema, quando um black-out (prefiro o estrangeirismo a esse neologismo do apagão) apagou (ou blequeteou?) o bairro. Inocentemente, o garoto perguntou à mãe se iriam passar o filme a vela.
Engraçadinha, não?
Algo mais sério?
Minhas linhas de transmissão levam-me às usinas energéticas.
Itaipu... Furnas...
A quantidade de pessoas em cargos dos Conselhos de Administração dessas estatais não lembra uma árvore de Natal cheia de penduricalhos, enfeites e estrelinhas, entre pisca-piscas coloridos?
Por essa luz que me ilumina: Disse algo que não devia?
Que foi desta vez, grilo? Ainda troco você por um vaga-lume falante.
Ah! Eles preferem ficar longe dos holofotes?
Melhor homenagear alguém? Mais seguro?
Já sei!
Ninguém melhor que Thomas Edison.
Oh! Iluminado descobridor (e não inventor) da energia elétrica. Você merece todas as homenagens e loas. Foi o grande transformador do mundo. Sua descoberta, depois da roda, a maior de toda humanidade. Sem ela, quase nada seria possível. Basta-nos abrir os olhos e veremos quantas coisas o ser humano pode desenvolver com sua descoberta....
Epa! Que foi isso?
A lâmpada piscou...
Será que dará tempo de terminar o tex...

05 setembro 2011

HEMORRÓIDAS...ARDEM!!


Vejam isso é email que se mande.
Foi redigido por um "premiado" durante o "pós-operatório" do traseiro.
Diz a lenda que é assim mesmo.
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Ptolomeu em 150 d.C. falava que a terra era o centro do universo e que tudo girava em torno dela.
Foram precisos cerca de 1400 anos para esta teoria ser rebatida por Nicolau Copérnico provando para a humanidade que o Sol sim era o centro.
Eu, simplesmente eu, descobri em apenas três dias, após 56 anos, que ambos estavam redondamente enganados: O centro do Universo é o ..... (fiofó)
Isso mesmo! O vulgarmente chamado de ...!
Operei das hemorróidas em caráter de urgência algumas semanas atrás.
No domingo à noitinha, o que achava que seria uma singela eliminação de gases, quase me virou do avesso.
É difícil, mas vamos ver se reverte, falou meu médico.
Reverteu merda nenhuma. Era mais fácil o Lula aceitar que sabia do mensalão do que aquela lazarenta bolinha (?) dar o toque de recolher.
Foram quase 2 horas de cirurgia e confesso não senti nadica de nada e não sofri abuso sexual durante minha letargia!
Dois dias de hospital, passei bem embora tenham tentado me afogar com tanto soro que me aplicaram, foram litros e litros.
Recebi alta e fui para casa repousar.
Passados os efeitos anestésicos e analgésicos, vem a primeira vez.
TAKEO...!! Parece que você está evacuando um croquete de figo da Índia com pedregulho, casca de abacaxi, concha de ostra e arame farpado.
É um auto-flagelo.
Por uns três dias dói tanto que você não imagina uma coisinha tão pequena e com um nome tão reduzido (...) possa doer tanto.
O tamanho da dor não é proporcional ao tamanho do nome.
Acho mesmo que o ... deveria chamar-se dobrovosky, tegulcigalpa, nabucodonosor.
Passam pela cabeça soluções mágicas:
Usar um ventilador! Só se for daqueles túneis aerodinâmicos.
Gelo! Só se eu escorregar pelado por uma encosta do Monte Everest.
Esguichinho d’água! Tem que ser igual a da Praça da Matriz, névoa seguida de jatos intercalados.
Descobri também que somos descendentes diretos do bugio, porque você fica andando como macaco e com o (...) vermelho; qualquer tosse, movimento inesperado, virada mais brusca o (...) dói, e como!
Para melhorar as idas à privada, recomenda-se dieta na base de fibras.
Foi o que fiz.
Devo ter comido cinco vassouras piaçaba, um tapete de sisal e alguns metros de corda.
Agora sei o sentido daquela frase: quem tem medo de cagar não come!
Tudo valeu, agora já estou bem. Vou ao banheiro como manda o figurino, não preciso pensar para soltar pum e o (...) está afinado. Uma beleza. Acho que em “ré” menor.
O chato é que tive de usar Modess por 20 dias após a cirurgia e hoje estou sentindo falta dele!
Ai! Meu Deus!

12 agosto 2011

PINA VOLTOU DAS FÉRIAS


Oi, Gegê!
Pininha? O que aconteceu? Você sumiu...
Posso voltar ou a senhora me deu justa causa?
Claro que pode... Justa causa por que?
Verdade! Não sou rezistrada...
Deixe esses detalhes para lá... Por onde andou, menina?
Fui fazer turismo... Visitar uns parentes lá em cima...
Seis meses visitando parente, Pina! Haja parente... Ainda bem que você não é política, senão haja lugar para tanta gente...
Tenho muito mesmo. Tenho parente por tudo esse Nordeste. Em tudo que é estado.
No Piauí, em Maceió, Juazeiro do Norte e do Sul, Arapiraca, Aracaju, Caruaru, Camanducaia...
Pina, não exagere! Camanducaia é logo ali, em Minas...
Não senhora! É perto de Fortaleza...
Pina! Perto de Fortaleza? Não seria Caucaia?
Por isso é que eu demorei... Eu pedia passagem errada...
Ai! Pina! Você não mudou nada... Vá vestir o uniforme que tem bastante serviço...
Pra já!... Dona Gegê...
O que foi?
Quem ajudou a senhora esse tempo todo...
Tive que me virar sozinha...
Por isso que está essa bagunça... Depois fala mal de mim...
Pina! Não começa...
Ai! Gegê... Eu não tenho culpa dessa confusão, não é?...
Que confusão?
Do pessoal da mulher do Lula.
Que mulher do Lula?
A que eu votei. A presidenta...
Ai... ai... ai... ai... ai... O que você tem a ver com a presidente?
Sei não! Eu fiz confusão nas Cidades, posso ter atrapalhado o Transporte de alguma mercadoria... Sei lá! E estão algemando quem faz Turismo.
Pina! Pelo amor de Deus... Não é nada disso...
É sim! Eu vi na televisão do meu primo lá em Cabaceiras... A TV dele é mais bonita que a da senhora... Porque a senhora não compra uma igual?
Não interessa! E fica de boquinha bem fechada, senão mando colocar um zíper...
Puxa vida! Já vi que não mudou nada!
Vai lavar a louça, vai!

22 abril 2011

QUEM É ESSE NA FOTO?

- Cuidado! Não coloque os dedos nelas para não engordurar mais. Estão quase desmanchando.
- Quem era este aqui, vó Hilda?
- Seu tataravô materno. Meu avô paterno
- Está amarelada. Não existia máquina digital naquele tempo?
- Claro que não!
- Então digitalizaram...
- Isso mesmo.. É assim que falam quando colocam fotos antigas no computador?
- Será que a máquina era daquelas que o flash explodia no rosto das pessoas?
- Não são tão velhas assim, mas fotos iguais a essa só eram tiradas no fotógrafo. Tinha que marcar hora.
- Oh! vó... Inventa outra...
- Verdade.
- Porque tão poucas fotos?
- Porque eram caras. Não eram como hoje em dia que se a foto não sai boa é só apagá-la da câmera. Nos filmes cabiam no máximo 36 poses.
- Pose? Era preciso posar para a foto? Dizer xis?
- Não se tirava foto de qualquer coisa, nem de qualquer jeito. As pessoas tinham que se concentrar para saírem bonitas na foto. Eram avisadas que a máquina ia disparar. Um fotógrafo teve a idéia de colocar uma gaiola atrás da câmera e gritava “olhem o passarinho!” quando ia disparar a foto para que as pessoas olhassem para a câmera.
- Ah! Seria bom se tivéssemos mais fotos, não é?
- Era desnecessário. As fotos eram quase todas iguais. A diferença é que as pessoas ficavam um pouco mais velhas, as crianças crescendo. Raramente se alterava, aparecia alguém novo na família.
- Namorado?
- Que é isso, menino? Só entrava nas fotos de família quando casava. E bem casadinho. Não era assim como hoje que em cada foto sua irmã aparece com um namorado novo.
- A senhora já deu cada bola fora, hein! Lembra quando cumprimentou um dizendo o nome de outro.
- Nem me lembre. Hoje só dou um aceno. Mas, como eu vou decorar tantos nomes. Cada hora ela está com um namorado diferente. Deve ter um arquivo de fotos para cada um no computador
- Que nada, vó! Têm namorados que ela nem passa para o computador... E se passou, ela deleta.
- Ah! Ah! Ah! Essa juventude de hoje.
- Poxa, vó! Estou pensando numa coisa. Deve se desagradável se em cada foto a mãe aparece com um pai diferente.
- Nem me fale. E há tantas famílias com meio-irmãos hoje em dia.
- Por isso que os pais apareciam tão pouco nas fotos antigamente?
- Claro que não, seu bobo! É que antes do disparador automático, alguém tinha que ser o fotógrafo e essa incumbência era dos homens que sabiam mexer melhor nas máquinas. E geralmente era o pai.
- Achei uma com o “bisavô”.
- Isso mesmo. Essa ao lado dele, pequeninha, sou eu.
- Quem tirou a foto?
- Um vizinho, amigo da família.
- Como era o nome dele?
- A gente chamava de Zé Alemão.
- Era mais um José de nome complicado?
- Quase isso. Era Adolph, Wolfgang ou algo parecido. Acho que era fugitivo da segunda guerra.
- Ele sabia tirar bem as fotos. As pessoas estão bem centradas. Nenhum pé cortado.
- Era alemão. Bons de fotos. Desenvolveram a Rolleiflex.
- Que é isso?
- Uma das mais famosas máquinas fotográficas do século passado.
- Devia ser bem amigo, para o “bisa” deixá-lo pegar sua máquina. Ele ainda está vivo?
- Não sei. Ele se mudou do bairro quando eu era pequenina. Atenda ao telefone, por favor.
- É para a senhora.
- Quem é?
- Deve ser cobrança. Estão procurando Dona Hildegard Tavares da Silva Dantas.
- Já estou indo... O que será para me chamarem pelo nome completo?
- Posso ir olhando as fotos enquanto isso?
- Pode, mas cuidado... E sem muitas perguntas.

25 março 2011

PEDRAS NA EDUCAÇÃO DA PEDRA

- Juntem dez dessas pequeninas ásperas e substituam por esta maior quadradinha. Quando tiverem dez quadradinhas, vale uma lisinha um pouco maior. E se conseguirem dez lisinhas, pronto: È o mesmo que mil pequeninas ásperas. Estão vendo só como Matemática não é assim uma pedra no sapato?
- Pode sim! Pode escrever na parede. Daqui a uns séculos...
- Quanto é um século?
- Século são dez quadradinhas ou...? Quem sabe?
- Uma lisa?
- Perfeito!
- Daqui há uns séculos vão nos dar importância. Seremos famosos. Esses desenhos que vocês ficam fazendo na parede serão chamados de rupestres e interpretados como...
- Kamasutra dos Flintstones?
- Não, Joãozinho! Receberá uma análise antropológica, filosófica do espectro conceitual sobre a vida dos pré-cambrianos.
- Como?
- Eles nem imaginarão o que somos.
- Pare, Pedrinho! Não jogue seu material didático na cabeça dela... Pode machucar... Espere quando tiver uma namorada. Poderá usar um porrete.
- Quantas você engoliu, Pedrita? Amanhã não reclame...
- É verdade que no meio do caminho tinha uma pedra?
- Não se diz tinha... É havia...
- Era desmoronamento.
- O governo contratou qual empreiteira para tirar?
- De onde tiraram tanta bobagem? Cabeças duras...
- Para semana que vem estudaremos Guimarães Rosa?
- Quem é esse cara? Joga boliche com o Barney?
- Minha mãe disse que é o autor do “Burrinho Pedrês”, seu bobo...
- Bobo é você. A aula é matemática, não de gramática. São pedras diferentes.
- Literatura. Ai! Você me acertou uma áspera.
- Calma gente! Escutem um pouquinho, só... Podemos misturar as pedras... Isto é, nestes tempos o ensino é interdisciplinar. Um pessoal, depois de estudar muito, redescobrirá isso daqui a algum tempo. Umas lisinhas de anos. Entenderam?
- ...
- Não!
- O sinal! O sinal! Até amanhã, professora!
- Crianças! Cuidado! Não machuquem o dedo chutando o material didático. Nem maltratem os filhotes de dinossauros dos vizinhos.
- Ai! Amanhã eles voltam. Quem me ajuda a apagar a parede e guardar o material?

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“Ser professor é literalmente carregar pedras desde aqueles pedregosos tempos”.
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Este texto faz parte do Exercício Criativo - A Educação pela Pedra.
Outros textos em http://encantodasletras.50webs.com/pelapedra.htm

09 março 2011

QUE ROLO!

Faz uns tempinhos houve “séria” discussão na mídia, com os órgãos de defesa do consumidor bradando contra a atitude dos fabricantes em diminuírem a metragem dos rolos de papel higiênico de 40 para 30 metros.
À época achei uma grande traição. Afinal, você pensava que ainda tinha dez metros e...
Cadê o papel?
Resolveu-se que tinha que estar destacado (no picote?) a metragem dos rolos.
Hoje voltou-me a imagem da discussão.
A guerra dos papéis continua.
Em forma de promoções.
Compre 16 rolos e pague 15.
Rolos com papeis duplos de 20 metros versus papeis simples de 30.
Quem vai pensar nisso na hora agá?
Se for simples dobra, ora...
Compre quatro rolos do papel Xis e ganhe uma caixa de lenços de papel. Deve ser indicado para intestinos presos. Secar as lágrimas.
Compre oito rolos do papel ypsilon e ganhe uma caixa de lápis de cor. Deve ser para pichar a porta de banheiros públicos, enquanto espera.
Publicitário pensa em cada coisa.
Pensando bem. Eita guerrinha de ...! (interatividade aí, pessoal!)
Agora preciso ir.
Aonde?
Não é da sua conta! Vocês não têm nada a ver com isso.
Têm, gente?

18 janeiro 2011

NÃO SEI SE SOU...

Descobri não ser quem pensava ser, logo deixo meu passado para reencontrar minha família.
Sou ou não sou quem sou?
Se depender de meus avôs, não sou neto deles e sim de outras pessoas que jamais imaginei existirem.
Se os leitores estão achando o texto meio confuso, imaginem a minha cabeça ao descobrir que meus avôs maternos não eram eles e sim... (Ah! coloquem o que quiserem, oh! raios).
Eu que sempre admirei o Vô Mané e a vó “da parede” – não a conheci, exceto pela foto no túmulo – depois de mais de cinqüenta anos descubro que não eram eles.
Acho que minha mãe sempre quis revelar esse segredo. Várias vezes, disse-me que a cegonha me trouxera, encontrara-me dentro de um repolho, numa caixa de sapatos – não! isso foi em Monthy Pyton –, abandonado na porta da igreja.
Não a condeno!
No fundo, talvez tenha morrido sem saber que ela sim não era filha de seus pais.
É provável.
Uma coisa bate fundo em minha dúvida. Meus avôs não eram eles, mas meus bisavôs eram.
Raios! Raios! Raios!
Custei a entender. Mas tentarei explicar!
Tentava a obtenção da cidadania portuguesa.
Se Marisa (não a Tommei, que ganhou o Oscar) é italiana, porque eu não posso ser português? Só porque meu apelido é italiano e meu avô carcamano registrou doze filhos com sete apelidos diferentes?
Pus-me a desvendar a árvore genealógica.
Meu avô Manoel nascera no final do século XIX, num vilarejo cheio de terrinha no continente. Ele e milhares de Manuéis.
Manoel que era bom mesmo, nenhum.
Isso se conserta, dirá o atento leitor.
Respondo: claro! Dá um pouco de trabalho e, de fato, não faz tanta diferença. Difícil está de ensinar o galo. Acostumou-se com o cocorococó e não quer de jeito algum cantar cucurucucu.
Mané pra lá, Mané pra cá foi o de menos.
Quem?
Maria de Lourdes?
Não tem ninguém com esse nome, não!
Tem que ter.
Não tem...
Tem...
Não tem...
Ai! Jesus!
Maria de Jesus tem... Dezenas...
Maria de Jesus era a bisavó.
Tem Maria de Jesus filha de Maria de Jesus.
Um aparte! Não entendo por que minha mãe dizia tanto que queria ser filha de Maria? Será que era para aumentar a confusão?
Oh! Gajo! Veja se a Maria de Jesus filha da Maria de Jesus era filha do Antonio filho do Francisco. Esse Francisco teve um monte de filhos, mas nenhum Mirosmar.
Era!
Outra dúvida paira sobre o enevoado.
Será que meu avô Manalgumacoisa desposou a Maria certa ou casou-se com a mãe dela para livrar-se da sogra?
Dirá o leitor: Que confusão, minha Nossa Senhora de Lourdes...
Lourdes, não! Por favor! Lourdes é na França. E nem remende com Fátima, que ela apareceu depois da confusão.
Averbações para lá, averbações para cá e quase tudo certo, exceto por estar ouvindo vozes.
Deve ser um bate-papo no além. Pedrão conferindo se os Manuéis e Manoéis estão nos lugares certos. Minha avó ele que se atreva a conferir. É de Jesus, xará. Vai se meter com o filho do Chefe? As Marias são todas de Jesus e pronto.
Posso até obter a cidadania, mas aí será que estará correta?
E se a Lourdes e o Manoel existiram e eram espiões? Mudaram de nome para enganarem os agentes da KGB e CIA?
Improvável, pois elas não existiam.
Francamente, não sei mais quem sou.
Nem sei se existo.
Sou um fenômeno da natureza?
Um ET?
Coisa de louco, sô!
“Solta eu”, enfermeiro! Solta! Desta vez, não tenho culpa.

03 novembro 2010

ALTERAÇÃO DAS MARÉS - A CULPA É DO GORDO

Muito se fala em alterações da geografia. Que o sertão vai virar mar. O mar virar sertão. Praias serão invadidas pelo mar. Cubatão e Belo Horizonte serão cidades a beira-mar.
Isso tudo é provável mesmo. Mas não por força da meteorologia, da geologia, das forças eólicas, das mudanças climáticas.
O grande culpado é o homem.
Sem machismo... A mulher também é culpada.
A mídia é culpada. A publicidade é culpada.
Como diz aquele clássico da música popular: “Tem culpa todo mundo”.
O Mac Donald, a Kibon, a gordura trans, a picanha, a cevada da cerveja, o japonês do pastel, a novela das oito, a Palmirinha e todos os programas femininos da tarde.
Tem culpa até o et coetera. Tem sim... Muito et coetera também engorda.
Não há mar que agüente segurar a onda e não deixar vazar a água.
Tem muita gente gorda na praia.
Eu sou testemunha. Exemplo, uma ova!
Ou os maiôs, as sunguinhas e biquínis estão encolhendo?
Deve ser de lavar.
Aquele bando de IMC (Índice de Massa Corpórea) modelito 30 entra no mar. Tudo ao mesmo tempo. Não tem como. O excesso de água escorre para a areia na maré baixa mesmo. Encontra a praia meio inclinada pela tonelagem que está estirada na areia ou degustando frituras e frango e está feito o caos.
A água do mar invade até a mureta do calçadão. Mesmo onde não existe calçadão.
É o jeito da natureza se defender. Enche a praia de água salgada – cuidado com a pressão - e obriga o pessoal a se levantar da esteira e sair da praia. Atrás seguem o moço do camarão e os ambulantes de cerveja, caipirinha e refrigerante.
Ufa! Que sorte!
A maioria dos gordinhos pegou seu isopor e saiu da praia. A Terra se reequilibrou e o mar desceu um pouquinho.
Da última vez, entrou água na garagem do prédio e quase me estraga o motor do carro.
Por favor, por favor! Sejam conscientes. Pensem na natureza.
Não arremessem o saquinho de batatas fritas em mim. Nem os palitos de camarão e sorvete.
Tem um cesto de lixo logo ali.
Tinha!
Á água levou...

24 outubro 2010

CENAS DE CASAMENTO

Quem dita moda sobre o que se deve usar em cerimônias de casamento não entende nada das necessidades que envolvem desde o ato cirúrgico. Não é litúrgico não. É cirúrgico, pois a partir desse momento solene a mulher extrairá tudo do homem.
Opsss! Isso é assunto que não cabe neste espaço.
A hora é de festa, mas pergunto: por que os homens têm que usar gravatas e não bermudinhas e camisetas na igreja, se as mulheres vão de alcinha, com as costas toda de fora e micro-saias, que não deixam os homens prestar a atenção na cerimônia, sem maiores cerimônias.
Ah! Os homens têm que ser solidários no ato de enforcamento?
E não basta às mulheres pegar o buquê para serem as próximas. Têm que ter algo mais. Vai que, por sorte, entre os convidados tem um cantor de pagode, um jogador recém contratado por um time do Azerbaijão dando sopa. Deve ser este o motivo, pois não nenhuma lógica nas vestimentas e apetrechos das mulheres.
Bolsinhas que mal cabem o batom.
Onde colocar o documento?
No bolso do paletó do acompanhante, que além do documento da mulher, leva também o do carro, a chave deste e da casa, cartão do Plano de Saúde. Tudo isso e ainda tem que sobrar espaço para carregar uma dúzia de bem casados e dezenas de docinhos para a sogra, cunhada, sobrinha, entre outras que não foram convidadas.
Senão haja docinhos! Não haveria bufê com capacidade para tanto.
Mulheres deveriam ir a casamentos com casacões e sacolas de feira.
E a festa, gente! Aqueles oculozinhos? Pulseirinhas que ficam piscando? Homens de tiarinhas?
O som alto até se justifica. Afinal, quem está interessado em saber que a Tia Clotilde não veio porque ficou cuidando da prima que está com lumbago. Ou ouvir comentários sobre a Dorinha, que namorou cinco anos, teve uma festa muito mais bonita e o casamento não durou nem um ano.
Finalmente a festa chega ao fim.
Um arraso!
Homens procurando paletós e companheiras pelas cadeiras.
Alguns perderam até a direção da mesa. E se acharem a mesa, é claro que não acharão nem a cadeira onde colocaram o paletó, nem a companheira.
Será que a loja onde alugaram o terno confere mesmo a cor e o tamanho?
Coisa mínima! Por exemplo, calça preta tamanho 52 e paletó café 44.
Muito pior seria chegar com uma mulher 42 e sair com 54. Ou vice-versa.
Melhor conferir!
Um conselho: não olhe os bolsos. É um perigo! Ou o paletó não é o seu ou o bilhete não era para você.
Agora é só ir embora!
Achar o carro!
Espere todos saírem e o que sobrar é seu.
Fácil, não? Isso se não tivesse mais uma dezena de pessoas fazendo o mesmo no estacionamento.
Finalmente! Foi todo mundo embora.
Não sobrou nenhum carro.
Roubaram o seu? Não é possível. Alguém levou por engano.
O jeito é pegar um táxi e pela manhã ir a delegacia fazer o Boletim de Ocorrência.
O que é isso?
Uma voz o chama!
Chefe! Sai a caixinha? Só falta o senhor tirar o carro da frente da garagem da padaria. Abre em meia hora e preciso recolocar a corrente.
Depois do beliscão, o melhor mesmo é entregar a chave para mulher dirigir sem sandália e com o pé cheio de bolhas.
Não exagerei, não senhor!

29 setembro 2010

ELEIÇÕES – QUE MEDO!

Regina Duarte!
Soninha!
Também estou com muito medo!
Juro!
Pé de pato, mangalô três vezes.
Olhe só o que pode ocorrer.
São Paulo, o Padroeiro, deve estar se virando na sepultura.
Tiririca será o deputado mais votado.
Padim Ciço, isso me dá urticárias.
Imaginem se o Netinho vira senador.
Faz dupla com Supla e saem cantando blowin’in the Wind em ritmo de pagode.
Te cuida, Martha!
O ex-marido, lutador de boxe, influenciado por outro que cobre a mulher de porrada.
Que horror! Minha Nossa Senhora da Penha!
Para completar a tragédia, o segundo turno será no dia de Halloween.
Teremos que escolher entre a Bruxa e o Vampiro!
Que medo!