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26 agosto 2018

TEM JEITO NÃO



As pedras se movem
Eles saem do covil
Ávidos consomem
A Pátria mãe gentil

Senhores feudais
E servis capatazes
Querem sempre mais
De tudo são capazes

Nunca satisfeitos
Ágeis e sutis
Fazem mil trejeitos
Passeiam em Paris

Malas cheias de grana
Jantar à luz de vela
Que vida bacana
Não largo mais ela

Algo fora de plano
Camburão e algemado
Deve ser engano
Cadê meu advogado

Uma tênue ilusão
No horizonte do povo
Mas essa história
Tem final sinistro

Amigo de Ministro
Passa só um dia na prisão
Faz sinal de vitória
Começa tudo de novo         

De certo, só um fato
Esse é sem perdão
Você pagará o pato
Não tem jeito, não!


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https://www.recantodasletras.com.br/poesias-do-cotidiano/6430376


11 agosto 2018

MANIFESTO AO APOSTOLADO DE PEDRO



MANIFESTO AO APOSTOLADO DE PEDRO – O Patriarca vem a público comunicar e PROTESTAR que há um cheiro de golpe no ar. O PUM (Partido de União das Massas) está sendo boicotado. Apesar do Patriarca não ter culpa em cartório (apenas algumas promissórias e boletos em cobrança extrajudicial), não estar envolvido com nenhum lava-rápido (o  Patriarca não possui automóvel de passeio, apenas de trabalho), não ter sido pego com a mão na massa (o Patriarca pede pizzas delivery), não ter malas com dinheiro em apartamento frente ao do Omar (o Patriarca usa apenas plásticos para o cartão do SUS, bilhete único de idoso e mora numa quitinete na Zona Portuária), ter cumprido as normas legais para a candidatura à presidência, “exclusive” apresentando seu golpe (digo plano) de governo, onde constam seus dez principais projetos, como:
1)    a proibição de chuvas nas férias escolares,
2)    a proibição da presença de moscas em churrascos
3)    o fim da última semana do mês,
4)    o fim do agendamento de duas confraternizações na mesma data
5)    a  instituição do novo calendário para o mês de Dezembro com 15 sábados, 14 domingos, o Natal e o Reveilon,
6)    et coetera
7)    et coetera
8)    et coetera
9)    et coetera
10)  nihil obstat

Apesar disso, o Patriarca não foi convidado para o debate, nem recebeu verbas
eleitorais.
Divulguem e alardeiem por todos os cantos e no dia da eleição, façam como a Pininha:
“Votem nos candidatos do PUM...
Para presidente votem Pedrão! Pode ser a solução!“...

25 abril 2018

Orgulho de ser Brasileiro!


Que mentira, que lorota boa! Que mentira, que lorota boa!
Sonho meu! Sonho meu!
Assim não dá, pátria amada!
O orgulho some ao primeiro espreguiçar
Hoje não quero ouvir notícia ruim!
Que coincidência!
No rádio toca Cazuza.
Mostra tua cara antes do galo cantar três vezes.
Melhor nem prestar atenção!
Mudo de emissora!
“Ai! Esta terra ainda vai cumprir seu ideal. Ainda vai tornar-se um imenso Portugal”.
Peralá!...
Meu avô era honesto e um ex-primeiro-ministro lusitano foi preso “aquém-mar”.
Estamos chegando lá... “Braziu varemnóis” também tem um ex-presidente devidamente preso “além-mar”.
É para sentir orgulho disso?
Temos tantas coisa boas.
“Bolsa-família”.
Quem dá mais? Quem dá mais?
“Mega-sena”.
Quem dá mais? Quem dá mais?
Uma vez Flamengo, sempre Flamengo!
Quem dá mais? Quem dá mais?
Tinha que lembrar do Sete a um!
Falando nisso... Como tem “Um...Sete... Um...”!
Dou “Habeas corpus”...
Feito!
Tomaladacá!
Motorista! Rápido!’
Põe a mala no porta mala, leva-a-jato para o apartamento.
Trânsito fechado!
Tá lá o corpo estendido no chão!
Mais um!
Mais um!
Mais um! Mais uma...
Chacina na periferia!
É preciso rebelar-se...
É preciso estar atento e forte...
Alguma coisa acontece no meu coração...
Dor no peito?
Pode estar à beira da morte...
Tínhamos tantos sonhos...
Detalhes tão pequenos de nós dois...
Detalhes?
Há pedras imensas pelo caminho que não dá para desviar.
Nem sentir orgulho!

11 junho 2017

FLASHES DO BRAZIU (cordel)




Puxa pena sai galinha
Assim disse o ministro
Todo cheio de razão
O Brasil anda sinistro
Nosso trem saiu da linha
Perdeu seu itinerário
Um sete a um no Mineirão

Legislativo e executivo
Vírus no princípio ativo
Dá pra curar na eleição
O que dizer do Judiciário?
Se todo dia um notável
Explica o inexplicável
Rasga a Constituição

Manchete do noticiário
PF leva pra prisão
Vereador e deputado
Que fizeram roubalheira
Basta fazer a delação
Por uma tornozeleira
Pronto! está perdoado

São tantas formas de fraudes
Parecem atacar de enxame
Fazem cara de vexame
Corrupção no país inteiro
De Brasília aos arrabaldes
Do rico Rio de Janeiro
Aos fundões de Limoeiro

Faz de tudo a quadrilha
Paga implante de cabelo
Sustenta a pensão da filha
Chegava fim de semana
Presidente ia pra Havana
Certa alergia ao ar de Cuba
Vice pra Comandatuba

Apartamento em Miami
Avião grátis pra Bahia
Jantares finos em Paris
Presentinhos pra Madame
Foi herança da titia
Contas na Suíça? Nem sabia
Vem com desculpa o infeliz

Homem bão, o Mineirinho
Pôs em cana sua mana
Mas por que somente ela?
O avião era do Perrela
Não tem fim esse novelo...
Tem mais... muito mais
Basta abrir os jornais

Folhear uma revista
Tem a grana pro artista
No sítio do tio a pista
O tríplex lá da praia
Reformas em Atibaia
Presente do Leozinho
Já dei toda explicação

Ainda surge na televisão
Confessa, sem mais aquela
Roubei, mas só um pouquinho
Agora, saia de meu caminho
Chama a pizza e o vinho
Ao povão fique a sequela
Braziu não tem solução!

12 maio 2017

A APARIÇÃO DE MARISA


Calma! Não é a Federal
Sou eu! A sua galega
Dizia-se meu amigo
O meu grande protetor
Exemplo ético e moral
Dá um tempo! Chega!
Ora! Faça-me o favor!

Está tudo bem comigo
Exceto pelo calor
Parecendo o Guarujá
Aqui tem muitas fogueiras
Espetos a cutucar
Cansaram-me suas besteiras
Querendo me acusar

Que vergonha o depoimento!
Não vi na televisão
Estive de alma presente
Melhor se ficasse mudo
Eu fui a culpada de tudo?
Comprei pra investimento?
Quem queria ver o marzão?

Você não é o mais valente?
O que só fala a verdade
Deu agora de me entregar
Fazer essa cachorrada
Você não sabia de nada?
Não me faltou uma vontade
Danada de lhe enforcar

Fiquei numa enrascada
Na triagem do purgatório
Eu jurei não saber de nada
Arderei em fogo eterno
Minha vida será um inferno
Sabe o discurso do velório
Virei motivo de piada

Quando passo é um diz-que-diz-que
Lá vem a mulher do santo
Do brasileiro mais puro
Contar que bebeu o meu uísque
Devia estar num porre e tanto
Nem sei por que me espanto
Sempre foi um dedo-duro

Acho que fui meio xarope
Sem Brasília no caminho
Pensei que iria sossegar
Pedi ao Leozinho reformar
Nosso prédio da Bancoop
Comprei até um barquinho
Pra em Atibaia descansar

Somos jararaca e cascavel
Sei que não irei pro céu
Estou negociando com o Cão
Para esfriar meu caldeirão
Fazer a minha delação
E você que me espere
Se eu lhe vir com Rosemary



Não terá conversa não
Venho lhe pegar a tapa
Vai preferir que fosse o Japa
Cumprindo ordem de prisão
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http://www.recantodasletras.com.br/cordel/5997073