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11 março 2020

EXECUÇÃO


Sirenes de radiopatrulhas
No tiroteio balas perdidas
Rasgam o céu as fagulhas
E o receio do fim de vidas

Do corre-corre o barulho
De Coturnos e chinelos de dedo
No chão jaz inerte o bagulho
Ar exalando o cheiro do medo






Repete-se em eterno estribilho
Legítima defesa, diz a Televisão
Mãe chorando a partida do filho
Bandeira do time enfeita o caixão

Parar o trânsito na linha vermelha
Mera rotina, ninguém mais dá atenção
Roteiro diário que se assemelha
À dor da bala explodindo no coração 

25 setembro 2017

MANEQUIM



De sua natureza não ligar ao mundo a seu redor. Talvez iludido pelas luzes que nele refletiam, dando-lhe destaque, ignorava o risco. De repente, entre estilhaços e caquinhos, desaba, sem a cabeça, atingida em cheio pela bola perdida de um chute sem direção. De instante, gritarias. Fuga coletiva de um lado. De outro, em desespero raivoso, aos berros, lamenta-se a perda de mais uma vitrina. Dia seguinte, trocados ele e o vidro, o futebol voltou. Poucos se lembrarão do fato corriqueiro... Apenas mais um manequim.