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22 julho 2010

CAT KILLER... UM PLANO DE AÇÃO

Nada como uma quarta-feira chata, depois de uma terça-feira feliz...
Meu livro “Vampiros... Do outro lado do muro?” ficou pronto....
Eita quarta feira braba!
Muito indigesta!
Começou a notícia de uma “frutífera” reunião de advogados com a BANCOOP e terminou com a derrota do Manto...

Mas, houve a interessante a notícia que alguém está dando fim nos gatos do cemitério do Araçá.
Já não bastava o estilista que colecionava vasos de bronze da Necrópole da Consolação?
Paz aos mortos, please...
Mr. Serial Killer de Gatos, posso doravantemente (ai, adoro um bem amado juridiquês) denominar V.Sra. de Cat Killer?
Simpático o nome, não?
Então vamos lá...
Cat Killer, my dear...
Venho através desta, enviar-lhe um estratagema para facilitar sua vida e também pode colaborar para solver outros problemas da metrópole.
Acho que nem o CSI descobrirá a trama.
Podemos atrair uns idosos para frente do ponto de táxi do Campo Santo.
Um folder com promoção de supermercado é ideal para isso.
Plantamos, na imprensa, notícias sobre o estacionamento em volta não ter mais zona azul. Vai chover flanelinhas para fazer a comum extorsão.
Podem cobrar à vontade...
Apenas uma obrigação, conforme o Código de Defesa do Consumidor...
Só receberão após a prestação do serviço...
Além de não riscarem os carros, terão que impedir a queda de dejetos inservíveis das “palomas” sobre o teto dos pontozeros financiados em 72 parcelas sem juros, no carnê. Se houver algum sem teto, não pode sujar os bancos...
As pombas sem ter aonde se aliviarem, o farão sobre os flanelinhas, que, enraivecidos, soltarão os cachorros nas pombas...
Os cães, incapazes de alcançar as pombas, atacarão os gatos do cemitério e estes, inconformados com a perda da tranqüilidade que viviam, sairão ao encalço das columbas...
Columba?!?! Pascal!?!?... Idéia genial para colocarmos na promoção do folder...
Que tal, Cat?
Em desespero e não conseguindo voar de tão gordas, de tanto comer porcarias gordurosas, as pombas soltas, a molde de certos países, serão apedrejadas pelos flanelinhas...
Logicamente serão expulsos do local pelos idosos e taxistas em balbúrdia, estes indignados pelo óbito das penosas e, aqueles, muito mais revoltados ainda, pelo fim do estoque das Columbas Pascais do supermercado...
Viu como facilita sua vida, Cat?
Cães atacam gatos, que atacam pombas, que defecam na cabeça de flanelinhas, que são expulsos pelos idosos e taxistas.
Fecha-se o elo perdido da cadeia (cáspite, tinha que me lembrar da Bancoop) ecológica alimentar.
Você estará vingado do susto que levou quando saiu aquele gato preto da sepultura.
A paz voltará a reinar aos mortos.
E os cachorros? Ficarão abandonados?
Será que algum taxista ou idoso não quer adotar um?
Mas, por gentileza, leve-o para bem longe de minha casa, pois o da vizinha ficou latindo a tarde inteira para completar a tormenta desta quarta-feira.

08 dezembro 2009

CHUPIM VIRA BOSTA

Apesar das notas baixas escolares em zoologia aérea, sempre tive atração e curiosidade por pássaros.
Creio que cultivada pelo fato de na infância ver pessoas colecionarem pássaros aprisionados.
Com meu amplo desconhecimento ecológico, achava bonitos os canários da terra e belgas, cardeais, periquitos, tuins presos que coloriam o viveiro de um vizinho...
Mea culpa, mea culpa, mea culpa...
Felizmente, hoje tenho outros conceitos sobre pássaros.
Tomei consciência sobre os maus tratos e os riscos de extinção de muitas aves e agora só tento manter aprisionadas em meu bolso algumas araras, que, apesar de meus esforços, insistem em escapar...
Logo, logo também devem entrar em processo de extinção á semelhança dos beija-flores, substituídos pelas moedas por determinação do Banco Central...
Virarão peças de colecionador.
Infelizmente, uma espécie, que deveria se extinta ou viver presa, aumenta velozmente sua população em “terras brazilis”.
O chupim.
Detestam ser chamados assim.
Se chamar pelo outro nome, vira bosta...
Calma!
Vira bosta é um dos nomes pelo qual é conhecido popularmente o popular “Molothrus bonariensis”.
É meio confuso, mas tem lógica.
Onde o chupim se enfia vira bosta...
Olhe ao seu redor!
Pode procurar que tem um chupim perto de você.
Procura que tem.
Se não encontrar, sintonize a televisão.
Alguma emissora vai noticiar sobre algum chupim.
Preste atenção que às vezes usam outros nomes, dependendo do local do país.
Nem chocar seus ovos os danados fazem.
Aplicam, entre outros, o “conto do ovo”. Põem seus ovos nos ninhos dos Zonotrichia Capensis, o Tico-tico, mesmo que seja no quintal da Igreja, deixando o vigario que nem te conto...
Deixam os ovos para os outros pássaros chocarem, enquanto ficam “saracoticoticoando” de um lado para outro virando bosta...
Chupinzinho não é mamífero, mas, por analogia, pode-se dizer que desde o nascimento mama em tetas alheias.
Os chupins maiores, considerados uma praga agrícola, invadem propriedades rurais para comer arroz que outros plantaram ou buscar comida nas fezes de outros animais.
Na zona urbana catam migalhas em diversos locais públicos.
Geneticamente é preto-azulado, mas muda de cor. No braziu, hoje em dia, tem crescido a quantidade de pássaros de cores vermelhas.
Por mais enxotado seja, sempre tenta dar um jeitinho de voltar...
Faz carinha de piedade e canta baixinho e tenta seduzir a fêmea, via de regra.
Promete que ficará quietinho, mas rapidamente recomeça a comer pelas beiradas e se torna novamente uma praga difícil de se livrar.
Como a cadeia ecológica não tem predador natural para esse improdutivo ser, para que o crescimento da espécie não gere um desequilíbrio ecológico irreversível a solução encontrada por produtores rurais são as armadilhas e o veneno.
Um alerta!
Não se deve confundir o chupim com o falcatrua, outra ave existente em profusão pelo braziu afora e que até pouco tempo era considerada ave símbolo do país.
O chupim jamais será ave símbolo.
Ao menos declaradamente, pois vivem na moita.
Encontrou algum agora, não é mesmo.
Fique de olho que ele vai tentar se aproveitar de você.
Depois não diga que não avisei.

25 novembro 2009

CUMPADE E O PEIXE VIADO (puro besteirol)

Cumpade, ocê já viu peixe viado?
E tem? Já vi peixe boi e peixe-galo... Tem tamém o cavalo marinho, agora peixe viado nunca vi não... Cume esse peixe...
Peixe viado, ora!... Peixe que invés de atacá as peixas fica fazeno chamego proutro peixe...
Oh! Cumpade, que história é essa?
Nada não! È que eu tô cismado que ainda vai aparecer...
Que deferença faiz?
Bom! Que eu se lembre quase nenhuma, fora que vai ter metade dos peixes no dia da Parada Gay...
Ocê doideceu di veiz... Pruque ocê ta vino com essa história?...
Nadica... É que eu tava veno a TV e dissero que um artista de novela foi numa dessas casinha que no nosso tempo tinha a luzinha vermeia...
No putero...
Num fala ansim, não!... As moça lá é de respeito... Diz que tem até niversitária...
E daí? O que os peixe tem que vê cum isso...
Quem tem que vê é o cê... Levaro sua isca...
Me dá outra... Mas conta essa história...
Disse que o mocinho – modo de dizê – ao invés de se engraçar com uma sereia, preferiu ficar no aquário gigante com outro mocinho – modo de dizê...
Que raios de aquário gigante é esse?
Uns tanque cheio de vidrinho que dá para vê as pessoa por baixo... As perna, as coisa...
Como ocê sabe?
Ói otro peixe beliscano sua vara...
Num discunversa!
Ocê já foi nesses lugá?
Vê se eu tenho tempo pressas bobage... Prefiro pescá... É mió...
Verdade!
Aqui nesse rio então... É tranqüilo...
Verdade... Não tem piranha, jacaré...
Nem peixe viado...
Cismou, hein, cumpade!
Nóis é feliz e num sabe...
Cumpade, que isca ocê ta usano?...
Pruque?
Só prá sabê...
Minhoca...
Minhoca macho ou fêmea...
Minhoca não tem sexo... Ou tem os dois, num lembro bem...
Pois é... E eles estão ino só na sua vara?...
Será?
Sei não...

22 novembro 2009

PISCA-PISCA ECOLÓGICO

Nega, acende a árvore que o Natal está chegando...
Não dá...
Porque?
O pisca-pisca era chinês e quebrou... Este ano compre um de melhor qualidade...
Com que dinheiro?
Tem idéia melhor?
Fazer uma criação de pirilampos...
Pirilampo? O que é isso?
Pirilampos são os Lampyris noctiluca... Os Vaga-lumes, nega!
Mas tem um probleminha... Como a gente acende?
No automático...
Como assim?
O macho vê a fêmea e logo acende uma luzinha... A fêmea vê e dá uma piscadinha... E assim vai... Ciclo reprodutor...
Só assim acende?
Acende também para atrair inseto curioso e garantir o jantar...
Dois problemas, querido!
Quais?
O primeiro é aonde a gente acha esse pisca-pisca ecológico...
Na Amazônia e no Cerrado... Qual é o outro?
Como prendê-los na árvore de Natal?
É mesmo!
Não dá para pendurar pelo rabo?
Até dá porque a luz sai do abdômen... O que não pode é pendurar pelo pescoço...
Porque?
Oh! Nega... Enforca o bicho e eles apagam...
Ah!
E você me lembrou de mais uma coisa...
Que foi?...
Não vai dar certo... Eles acendem mais de Abril a Outubro...
Então o jeito é comprar outro pisca-pisca...

28 outubro 2009

ENTRE A VIDA E A MORTE

O cheiro ainda era imperceptível.
Menos para os urubus que volteavam cada vez mais baixos...
Pousam nas pedras, aumentando em quantidade atemorizante, como um filme de Hitchcock.
Devagar, seu prato vem rolando, imenso, nas ondas até parar na areia...
O casal se aproxima e não deixa seu cão cheirar, puxando-o enquanto late...
Um policial para sua moto no calçadão e, cuidando para não molhar o coturno, confere não fosse um ser humano... Burocraticamente, se vai dando lugar ao vendedor de cangas e bugigangas...
Um garotinho tenta acordar o pai que arde na areia...
Ciclistas olham de soslaio...
Senhoras que caminhavam, em crise de ecologismo, protestam...
Pescadores lamentam o golfinho que deve ter morrido enganchado numa rede... Nem pensar em cortá-lo e vender...
A praia segue sua pacificidade de um dia útil...
Sem frango, nem farofa...
Os urubus, com seu andar manco, pé ante pé, aproximam-se.
O faro atinado misturando-se ao olhar brilhante pela refeição que estava logo ali.
Apodrecendo.
Ao longe, em rude contraste, via-se um e outro atobá mergulhando em busca de alimento fresco.
Uma espécie, ágil e admirada, rouba vida para se alimentar e sobreviver...
Outra, desprezada, aguarda, placidamente, o fim...

17 outubro 2009

HORARIO DE VERÃO ATRAPALHA PESCARIA

Cumpade, qui cunteceu?... Trasô?
Não... Pruque?
Já são oito hora...
São não...
São sim... Óia o relójo...
Oiei...
Deixa eu vê...
Num tenho relójo, cumpade... Oiei o relójo da Igreja...
Óia o meu... Oito horas...
Num pode sê...
É sim... Ocê tá atrasado!
Num vô discuti, mas num tô atrasado...
Ih! Já sei o que cunteceu...
Exprica...
Ocê mora do outro lado do rio...
I daí?
Lá oces tá atrasado...
Num tô entendeno nada...
Ocê num ouviu falá no horário de verão?
Qué isso?
Os hóme do governo mandaro diantá os relójo do lado de cá em uma hora...
Num vi nada disso, não... Cumé é isso?...
Já expriquei... As pessoa desse lado do rio adianta o relójo prá economizá luiz...
Vai compricá...
Pruque?
Nóis num vai se entendê... Ocê vai ficá dizeno que eu to atrasado... E se eu
saí uma hora mais cedo a cumade vai me preguntá onde vô tão cedo?
Verdade! Ocê vai sai de noite...
Cumpade! Seis hora num tá mais escuro...
Aqui desse lado tá...
Tá não... Eu levantei quinze para a seis e vi... Tava craro...
Do lado de cá num tava...
Tava que eu vi...
Num vamo discuti qui espanta os pexe...
Já pegô algum?
Acho que eles num acordaro ainda...
Ta veno, ta veno! Nem os pexe acordaro...
Verdade!
Escuta só!
O que?
Os galos do Zefinho tá cantando sete veiz... É sete hora...
Nisso ocê tem razão... Percisa avisá ele para regulá os galos...
Esse horário de verão cumprica a vida da gente...
A gente custuma...
Custuma não! Pensa só... Vê a confusão que vai sê nossas pescaria... Ocê vai chegá antes dos pexe, ficá com fome antes de eu, vai querê embora mais cedo que sua isca vai acabá antes...
Verdade!
Se eu saí cedo já disse que a cumade vai impricá e num sei nem se a barsa já tá funcionano... Ocê sabe que o Nezinho num levanta cedo...
E se eu vortá uma hora mais tarde a minha “cumdade” é que vai ficá desconfiada que parei prá bebê...
Confusão, né?
Tive uma idéia...
Qual?
Eu chego uma hora mais tarde...
E na vórta eu vô embora uma hora mais cedo...
Aí dá certo!
Chato, né?... A gente vai ficá duas hora a menos pescano...
Verdade!
Óia aí, acho que os pexe acordaro...
Nem joguei a minha isca ainda...
E já levaro a minha...
Amanhã a gente continua...
As sete ou às oito?

11 outubro 2009

CUNVERSA DE CUMPADE - EXPLOSÃO NA LUA

Cumpade...
.......
Cumpade! Acorda...
Hum...
Ufa! Pensei que ocê tinha batido as botas...
Vade retro... Num tem pena do cão, não?...
Sustei, né!... Tá conteceno umas coisa estranhas... Vai que ocê se susta...
Que foi?
Os mericano estão doido...
Pruque?
Mandaro exprodi umas bomba lá na Lua...
Uai! Que cunversa é essa... Exprica mió...
Num entendi direito... Os lunático tão lá quietinho, quietinho e fica provocano... Vai que eles se irrita e manda os marciano entrá em guerra com nóis... Nóis vai tudo pro espaço...
Na Lua não tem ninguém, cumpade...
É memo... São Jorge matou todos os dragão que tinha lá...
Oh! Cumpade... Isso é forcrore...
Mintira! Matô sim... A vó contou pra eu...
Num vamo discuti senão espanta os pexe... Cumé essa história de bomba na Lua...
Eu tava suntando a TV e dissero que os mericano mandaram um foguete explodi para tirá foto...
Gente besta, esses mericano... É só vim na festa de São João que a gente sortava o foguete e eles fotografa... Sai mais barato!
Cumpade, ocê rezô hoje pra a Santa Ignorância?...
Não!... Santa nova?
Percisa rezá pra sua padroeira... É bomba pra fazê pesquisa...
Ah! Ocê perdeu a isca...
Eles qué vê se tem água na Lua...
Vixê! Será que eles qué ir pescá lá?... Deve ser gostoso de pescá lá em cima... Só num vai dá prá vê se a lua tá boa pra pescaria...
Eles num qué sabê se tem pexe... Qué sabê se dá para fazê uma tar de base espaciár...
Prá que isso?
Sei lá... Ocê num viu Guerra nas Estrela? Pode tê contecido um ato terrorista dos Incas Venusianos... Nunca se sabe... As notiça chega tudo pela metade...
Esses cara são doido!... Aí fica Perdido no Espaço e óh!... Tudo mundo ferrado!
Tem pirigo, não! São amigo do Fleche Gordo e Superómi... Eles vem sarvá...
Presta atenção! Acho que levaro sua isca...
Cumpade... Será que já estoraro as bomba?
Era dia desses... Pruque?...
Acho que tá caindo pedacinho da Lua...
Chi! Cumpade... Seu chapéu virou pinico de passarinho...
Sinár de sorte...
Pruque?
Podia tá sem chapéu...
Tem razão... Logo, logo, nóis num vai percisá de chapéu...
Num tendi...
Oh! cumpade... E se eles resorve exprodi o Sór?
Ta beliscano...
Pescô?
Escapô...

10 setembro 2009

SABIÁ FORA DE HORA



Acordei com um trinar fora de hora.
Consultei o rádio relógio e eram três e trinta. Faltava muito para amanhecer.
O visor não piscava, então não faltara energia.
A TV desligada.
Ufa! Lembrei-me de acionar o timer.
Tentei dormir novamente acreditando fosse um sonho ou aqueles instantes entre sonolência e vigília que temos antes do sono profundo.
O trinar voltou minutos depois.
Encafifei-me!
Parecia um sabiá.
Naquela hora?
Lembrei-me da antiga música dos anos 40, o Passarinho do Relógio, de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira, que dizia “cuco, cuco, cuco... O passarinho do relógio está maluco...”
Arrisquei abrir a janela e tentar espiar.
As grades de proteção impediam-me de procurar melhor o pássaro maluco que cantava de madrugada.
Insistia!
Tomei coragem e alguns tropeções depois estava quase acordado. Não era minha imaginação.
O pássaro cantava mesmo.
Eu me lembrei que um sabiá há um ano fizera um ninho no pé de maracujá.
Teria voltado e estava comemorando o parto dos ovinhos?
A noite estava lindamente clara e as luzes do prédio vizinho, esquecidas acesas, iluminavam sobremaneira o quintal, espaço raro arborizado no bairro verticalizado.
Lá estava ele pousado no muro.
Trinava e olhava como esperasse alguém ou chamando o dia a raiar tal Chantecler, o galo que imaginava controlar o dia e a noite.
Fiquei hipnotizado olhando o trinado.
Minutos depois, o sabiá deve ter percebido, que assim como eu, tinha acordado fora de hora e provavelmente foi recolher ao seu ninho.
Ou a cantar em outra freguesia, como diria minha avó.
Hoje eu e ele, talvez, estejamos pagando a conta do sono quebrado.
Demorei muito a dormir novamente.
Fiquei imaginando como é interessante trocar-se o dia pela noite.
Quando a cidade se agita recolher-se ao repouso.
Quando a cidade dorme encantar-se com um simples, solitário e maravilhoso cantar de uma ave.
Será que a luz estará brilhante e prédio esquecerá as luzes acesas?
Será que ele se deixará enganar novamente e voltará?
Por via das dúvidas, será de bom alvitre, dar um cochilo durante o dia para o caso dele voltar na próxima madrugada.
Se ele não se assustar com minha desafinação, cantaremos juntos para espantar nossos males...

06 agosto 2009

FLORA OU FAUNA? (conto minimalista eco...ilógico)

(O pássaro e a samambaia)

Vinha todos os dias...
Abrigava atrás da samambaia...
Vento e frio estragavam as folhas...
Envidraçaram a sacada...
Bateu no vidro...
Caiu no jardim...
Morreu de frio...


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Jorginho!
Estamos batendo cabeça...
Caindo pelas tabelas
Morrendo de medo de ser bi da segundona...
Sai da redoma, véio...

05 janeiro 2009

CADÊÊÊÊ O SOOOOOOOLLLLLLLLL!



Hoje acordei úmido!
Sem piadinha...
Nenhum problema (ainda) com as fraldas!
Estava tudo úmido!
O lençol, o cobertor, os sapatos, as meias...
Olho para a janela e a rua, as calçadas, a vegetação esparsa que ainda insiste em recobrir alguns espaços que sobram no cimento da metrópole também estão todas úmidas.
Ouso dizer que até o sol estaria úmido do lado de lá dos stratus cumulus e cumulus nimbus. Ou não aparecera porque não quer se umedecer e resfriar-se.
Era isso!
Sintoma de resfriado!
Olhos úmidos, nariz úmido...
Se eu tivesse alguém com quem conversar acho que a voz não sairia.
Sairiam gotículas de sílabas ou fonemas.
Felizmente há a caneta e o teclado para me comunicar.
Só o teclado, pois o papel também está úmido e a tinta borrando.
Em condições normais de pressão e temperatura já teria acabado o texto, mas o teclado parece úmido, as teclas enganchando uma na outra e o corretor de textos não para de interromper meu raciocínio.
E neurônios umedecidos quando param, demoram a “pegar no tranco” novamente.
Um café quente vai me fazer bem!
Os talheres estão úmidos, o pão amanhecido, que deveria estar seco, está úmido.
Açúcar úmido é o que há de ruim. Seus grãos unem-se em torrões e formam crostas na colherzinha.
Ligo o rádio... Elis Regina está cantando Águas de Março...
Termina a música e o locutor comenta sobre as enchentes do outro estado.
Será que estou em Atlântida?
Arrisco a TV...
Mostram a enchente de ontem em um dos bairros...
Agora, a moça da previsão do tempo, toda agasalhada, diz que há uma massa de ar quente encontrando uma frente de baixa pressão conjugada com fortes ventos advindos da Patagônia.



Desligo e observo o girassol que está desesperado girando para todos os lados.
Poderia aproveitá-lo como ventilador, mas o que menos quero é vento.
Não há pássaro no pé de maracujá!
Não dá nem para lavar as roupas úmidas da chuva de ontem.
Relaxar e ler um livro?
Quem sabe Vinte Mil Léguas Submarinas?
Assistir um filme? Procurando Nemo ou Titanic?
Tenho compromissos pela rua úmida!
Frias contas esperam na gaveta para serem pagas.
Poderia simplesmente fazer versos sobre a singeleza de ficar tomando um chá e ver as flores caírem numa manhã de outono.
Outono?
Estamos no verão!
Pleno verão!
Horário de verão!
Se não fosse ele poderia ter ficar um pouco mais no calor da cama.
Socorro!
Alguém deve ter mexido e desregulado o seletor das estações climáticas.
Cadê o verão? O calor de 35 graus à sombra?
Eu quero umedecer minha sunga na praia.
Quero pingar suor!
Eu quero Sol!
Desculpem-me interromper, mas preciso sair e procurá-lo.
Assim que encontrar meu guarda-chuva.

16 outubro 2008

CAMPANHA PELO FIM DAS ÁRVORES

Árvore é um estorvo!
Já teve o desgosto de ver um galho repousando no painel do carro, após atravessar o vidro?
Ou ter que varrer a calçada, constantemente, em virtude da quantidade de folhinhas que outra solta?
E essas seringueiras que quebram as calçadas? Veja lá se pode uma seringueira brotar onde havia uma calçada!
A trabalheira que dá afastar ou podar os galhos que se enfiam no meio dos fios da rede elétrica?
Quantas pipas eu enrosquei quando a Vila Mariana ainda era uma vila habitável.
Em certos momentos vêm-me desejos que todas as árvores do mundo se acabassem...
Só causam inconvenientes...
Os pássaros não mais incomodarão o buzinar das cidades.
Esqueci-me! Árvore ainda atrai raios...
Com o final das árvores estaremos livres dos materiais publicitários que são jogados sobre as cidades.
Publicidade de imóveis, supermercados, planos de saúde, quiromantes, vendedores de computadores.
Neste caso acho que gastam mais papel que o economizado com o mundo virtual.
Propaganda política. A quantidade que se gasta para iludir o povo, quantos cadernos e livros poderiam ser fabricados?
Processos judiciais, então!
Não existissem árvores para os papéis, pararia o Judiciário.
Uma imensa folha A4 de 29 cm por 21 cm com um carimbinho CONCLUSO e pronto...
Em vinte anos teremos material reciclável...
O que não falta é capacidade reciclável para a árvore.
De folha de papel inútil ela se transforma rapidamente em material para entupir canos e inundar os bairros varzeanos. Neste caso com a colaboração de outros elementos, como essa maldita invenção chamada PET.
Eu mesmo nos momentos de ódio em que vejo a garagem de minha casa atulhada desses papéis pico-os e faço um verdadeiro carnaval na rua.
Com o fim das árvores haverá outras vantagens:
Não haverá mais pizzas em forno a lenha e com o fim dos motoboys entregando delivery será reduzido o índice de acidentes.
Adeus fondues aquecendo o inverno ao lado de uma lareira fumacenta.
Sem lareiras, Papais Noéis não mais ficarão entalados em chaminés.
Assim, para terminar, lanço minhas pragas a esse absurdo da botânica, que, aliás, fez-me ficar de exame várias vezes por que eu não sabia o que era uma Briófita ou uma Pteridófita.
Que ao final das árvores todas as mesas de jacarandá sejam de ferro...
Os tacos sejam substituídos por carpete de madeira ou piso frio...
E as árvores sejam culpadas e condenadas ao arder no fogo do inferno até quando se extinguirem, pois pela falta de sua sombra, o câncer de pele se espalhará.
Menos mal que o fabrico de cimento independente da árvore e não faltará para juntar com a areia do imenso deserto e construir milhões de oásis para proteger os seres humanos mais abastados que eventualmente sobreviverem.