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25 novembro 2009

CUMPADE E O PEIXE VIADO (puro besteirol)

Cumpade, ocê já viu peixe viado?
E tem? Já vi peixe boi e peixe-galo... Tem tamém o cavalo marinho, agora peixe viado nunca vi não... Cume esse peixe...
Peixe viado, ora!... Peixe que invés de atacá as peixas fica fazeno chamego proutro peixe...
Oh! Cumpade, que história é essa?
Nada não! È que eu tô cismado que ainda vai aparecer...
Que deferença faiz?
Bom! Que eu se lembre quase nenhuma, fora que vai ter metade dos peixes no dia da Parada Gay...
Ocê doideceu di veiz... Pruque ocê ta vino com essa história?...
Nadica... É que eu tava veno a TV e dissero que um artista de novela foi numa dessas casinha que no nosso tempo tinha a luzinha vermeia...
No putero...
Num fala ansim, não!... As moça lá é de respeito... Diz que tem até niversitária...
E daí? O que os peixe tem que vê cum isso...
Quem tem que vê é o cê... Levaro sua isca...
Me dá outra... Mas conta essa história...
Disse que o mocinho – modo de dizê – ao invés de se engraçar com uma sereia, preferiu ficar no aquário gigante com outro mocinho – modo de dizê...
Que raios de aquário gigante é esse?
Uns tanque cheio de vidrinho que dá para vê as pessoa por baixo... As perna, as coisa...
Como ocê sabe?
Ói otro peixe beliscano sua vara...
Num discunversa!
Ocê já foi nesses lugá?
Vê se eu tenho tempo pressas bobage... Prefiro pescá... É mió...
Verdade!
Aqui nesse rio então... É tranqüilo...
Verdade... Não tem piranha, jacaré...
Nem peixe viado...
Cismou, hein, cumpade!
Nóis é feliz e num sabe...
Cumpade, que isca ocê ta usano?...
Pruque?
Só prá sabê...
Minhoca...
Minhoca macho ou fêmea...
Minhoca não tem sexo... Ou tem os dois, num lembro bem...
Pois é... E eles estão ino só na sua vara?...
Será?
Sei não...

20 novembro 2009

CUMPADE E OS CASÓRIO

Cumpade...
Oh! Cumpade...
Acorda, cumpade...
Que foi, homi?
Escapo otro da sua vara...
Cumpade, amanhã num venho pescá...
Pruque?
Vô marcá casório...
Doideceu-se? Ocê já é casado...
Mas eu vô dizê que vô casá ca cumade mesmo...
Ai!... Ai!... Ai!...
Qui é isso, cumpade?
To me beliscano...
Pruque?
Ou ocê doideceu-se ou eu to sonhano... Ocê vai casá ca cumade de novo... Isso é doideira memo... Ocê num qué dizê bodas de prata?
Não, cumpade... Vô marcá casório nas igreja...
Exprica isso...
Ocê promete que consegue prestá atenção na cunversa?
Craro... Pruque ocê ta dizeno isso?
È que levaro sua isca de novo...
Pronto! Tirei a vara da água...
Mió...
Mas conta logo...
Cumpade, eu vi na TV que os noivo num tão conseguindo marcá casório nas igreja mais chique... Tem fila pra mais de ano...
Mais de ano?...
Mais de ano...
Mais de ano dá prá casá, emprenhá e fazê o batizado, sô...
Verdade!
Mas num entendi pruque ocê qué marcá casório...
Oh! Cumpade... Quem perdeu a isca agora fui eu...
Continua a história...
Segura a vara...
Ou seguro a vara ou presto a atenção...
Ta bão... Eu e a cumade vamo marcá casório nessas igreja... Numas vinte...
Prá que homi?
Vô sê cambista de casório... A gente marca o casório e deixa o tempo passá... Despois quando tivé pertinho da data, fico na porta das igreja esperano noivo mais carecido, com nenê apressado... Essas coisa... A gente negocia e vende o dia do casório...
E os padre vai querditá que ocê e a cumade são sortero...
Querdita sim... Digo que sô viúvo...
E vai deixá ocê vendê o dia?
Dô um agrado pro padre...
Cê acha que dá certo?
Vamo tentá...
Posso ir junto e levá a cumade?...
Mió não...
Pruque?
Alguém tem ficá guardano nosso lugá aqui no rio...
Verdade!... Dá a isca...
Tá aqui... Não vamo deixá escapá essa...

11 novembro 2009

APAGÃO – UMA INCRIVEL VERSÃO

CUNVERSA DE CUMPADE

Será que vai dá peixe hoje?
Pruque?.. O tempo ta bão!
Mas os peixe deve está assustado...
Cum que?
Cu pagão, ora! Cê num viu, não?... Apagou tudo...
Vi não!
Num viu?
Craro o que não!... Tava escuro... Como eu ia vê?
Cê num vê nada, memo... O peixe beliscou...
Levo a isca...
Será que num foi um boto que entrou na turbina?
Acho que não... A mãe d´água salvava ele
E como ela ia enxergar lá dentro da turbina?...
Acendia uma vela, ora...
Oh! cumpade... Vela na água?
Verdade... Ia apagar... E um lampião?
Podia ter chamado o boitatá pra lumiá...
Aí sim...
Os político dissero que foi um vendavár...
Pode ser... Vai ver passou um lobisóme... Diz que quando ele passa venta muito...
Ou então foi o Lobo Mau... Eu vi... Ele soprava e derrubou as casas dos porquinho...
Acho que ele é que faz os tornado e cicrone...
Pirigo, né!... Vendavar na época do Natar...
Lembrou bem, cumpade! Pode derrubá o trenó do Papai Noel...
Desequilibrá Saci...
Desentorta curupira...
Falá em desentortá, vê se tem isca no anzol...
Levaro!
O pagão foi bão lá em casa...
Pruque?
A cumade ficou cum um medo e garrô eu... Dizia que era bruxaria...
To pensando...
Desembuxa!
Acho que pode ser mentira a história de vendavár...
Pruque o governo ia menti?
Pra num sustá o povo!... Já pensô se eles conta a verdade...
Que foi o boto?
Não... Eles num quer confusão com os paraguaio...
Os paraguaio?... Que eles têm a ver com isso?
Ouvi dizê que eles qué mais dinheiro lá em Taipu...
I daí?
O presidente deles vivia traçando as beata quando era padre...
Oh! Cumpade, cê ta pensando o que eu to pensando?
Acho que sim...
Que foi a mula sem cabeça que derreteu os fio?
Vixe! Mangalô, pé de pato treis veiz...
Escapô outro!

28 outubro 2009

ENTRE A VIDA E A MORTE

O cheiro ainda era imperceptível.
Menos para os urubus que volteavam cada vez mais baixos...
Pousam nas pedras, aumentando em quantidade atemorizante, como um filme de Hitchcock.
Devagar, seu prato vem rolando, imenso, nas ondas até parar na areia...
O casal se aproxima e não deixa seu cão cheirar, puxando-o enquanto late...
Um policial para sua moto no calçadão e, cuidando para não molhar o coturno, confere não fosse um ser humano... Burocraticamente, se vai dando lugar ao vendedor de cangas e bugigangas...
Um garotinho tenta acordar o pai que arde na areia...
Ciclistas olham de soslaio...
Senhoras que caminhavam, em crise de ecologismo, protestam...
Pescadores lamentam o golfinho que deve ter morrido enganchado numa rede... Nem pensar em cortá-lo e vender...
A praia segue sua pacificidade de um dia útil...
Sem frango, nem farofa...
Os urubus, com seu andar manco, pé ante pé, aproximam-se.
O faro atinado misturando-se ao olhar brilhante pela refeição que estava logo ali.
Apodrecendo.
Ao longe, em rude contraste, via-se um e outro atobá mergulhando em busca de alimento fresco.
Uma espécie, ágil e admirada, rouba vida para se alimentar e sobreviver...
Outra, desprezada, aguarda, placidamente, o fim...

17 outubro 2009

HORARIO DE VERÃO ATRAPALHA PESCARIA

Cumpade, qui cunteceu?... Trasô?
Não... Pruque?
Já são oito hora...
São não...
São sim... Óia o relójo...
Oiei...
Deixa eu vê...
Num tenho relójo, cumpade... Oiei o relójo da Igreja...
Óia o meu... Oito horas...
Num pode sê...
É sim... Ocê tá atrasado!
Num vô discuti, mas num tô atrasado...
Ih! Já sei o que cunteceu...
Exprica...
Ocê mora do outro lado do rio...
I daí?
Lá oces tá atrasado...
Num tô entendeno nada...
Ocê num ouviu falá no horário de verão?
Qué isso?
Os hóme do governo mandaro diantá os relójo do lado de cá em uma hora...
Num vi nada disso, não... Cumé é isso?...
Já expriquei... As pessoa desse lado do rio adianta o relójo prá economizá luiz...
Vai compricá...
Pruque?
Nóis num vai se entendê... Ocê vai ficá dizeno que eu to atrasado... E se eu
saí uma hora mais cedo a cumade vai me preguntá onde vô tão cedo?
Verdade! Ocê vai sai de noite...
Cumpade! Seis hora num tá mais escuro...
Aqui desse lado tá...
Tá não... Eu levantei quinze para a seis e vi... Tava craro...
Do lado de cá num tava...
Tava que eu vi...
Num vamo discuti qui espanta os pexe...
Já pegô algum?
Acho que eles num acordaro ainda...
Ta veno, ta veno! Nem os pexe acordaro...
Verdade!
Escuta só!
O que?
Os galos do Zefinho tá cantando sete veiz... É sete hora...
Nisso ocê tem razão... Percisa avisá ele para regulá os galos...
Esse horário de verão cumprica a vida da gente...
A gente custuma...
Custuma não! Pensa só... Vê a confusão que vai sê nossas pescaria... Ocê vai chegá antes dos pexe, ficá com fome antes de eu, vai querê embora mais cedo que sua isca vai acabá antes...
Verdade!
Se eu saí cedo já disse que a cumade vai impricá e num sei nem se a barsa já tá funcionano... Ocê sabe que o Nezinho num levanta cedo...
E se eu vortá uma hora mais tarde a minha “cumdade” é que vai ficá desconfiada que parei prá bebê...
Confusão, né?
Tive uma idéia...
Qual?
Eu chego uma hora mais tarde...
E na vórta eu vô embora uma hora mais cedo...
Aí dá certo!
Chato, né?... A gente vai ficá duas hora a menos pescano...
Verdade!
Óia aí, acho que os pexe acordaro...
Nem joguei a minha isca ainda...
E já levaro a minha...
Amanhã a gente continua...
As sete ou às oito?