18 outubro 2016

CUCO DESREGULADO



Ei! Cuidado aí...
Uai? Você fala?
Claro! Pensando o quê? Que só sirvo para “cucar” as horas?
Vejam se pode... Um cuco falante.
Não disfarce... Pare de mexer nas minhas engrenagens.
Mas, tenho que acertá-lo.
Estou certo.
O governo mandou... Horário de verão... Não ouviu no rádio? Não assiste a TV?
E dá tempo? Tenho tempo pra isso, não. Fico o tempo todo recolhido e saio de casa frações de segundo. Que história é essa mexer em mim?
Horário de Verão é adiantar a hora uma hora.
Pra que?
Sei lá... Dizem que economiza energia elétrica...
Mas eu sou “à corda”.
Deixe de conversa fiada... Estou atrasado...
Não mexa em mim... Vai alterar todo meu funcionamento... Se eu não funcionar direito, nada funciona.
Como assim?
Você fica dormindo e não presta atenção em nada... Não vê que os sabiás cantam às três horas e um minuto? O Chantecler às quatro horas e um minuto? Dependem de mim...
Como assim?
Eu canto precisamente nas três, quatro horas, eles acordam e um minuto depois acordam todo o mundo. E levam a fama.
Ora! Enxerido.
Não mexa nos meus ponteiros. Depois, perco a regulagem e terá que levar-me de novo ao especialista. Lembra como saiu caro da última vez? E eu fiquei tão assustado no meio daquele monte de cucos “desregulados”. Saíam cantando “a olho”. Não contei? Quase pirei. O relojoeiro tinha acabado de regular-me. Para mim eram seis da tarde. Aí, um cantou quatro vezes, outro oito, um quarto de hora, outro três quartos. Fiquei todo atrapalhado e saí cantando meia-noite. O relojoeiro teve que me reabrir... Você não sabe o que sofri. Cheguei a pensar que viraria sucata.
Tem sugestão melhor?
Férias? Pode ser?
Férias, ora. Passear no Nordeste. Lá não tem horário de verão.
Como você sabe disso, se não assiste a TV, nem ouve rádio?
Você não sabe de nada mesmo... Não deve conhecer “Cuco-Net Wi-fi”. Pensa que é o único que tem relógio-cuco. A gente se comunica...
Você já deve estar desregulado. Como vou tirar férias de quatro meses?
Desregulado? Eu? Desregulado é quem faz verão de quatro meses começando com menos de um mês de primavera e terminando antes do Carnaval. Se você é pobre e não pode tirar quatro meses de férias, dê férias para mim que sou um cuco refinado.
Como assim?
Desligue-me...
E quem vai me acordar?
Ah! Sei lá... Prefiro você confuso que eu fora de fuso... Não mexa em mim... Senão...
Ora... Tenho mais o que fazer... Fui...Tchau...
Cuco... cuco... cuco... cuco... cuco... cuco...
Seis horas? E essa escuridão? Que horas são afinal?
Socorro! Acho que tive outro pesadelo... Esse horário de Verão me desregula...

10 outubro 2016

DIÁSPORA PETISTA


Está na rede: “Em 2017, cinquenta mil cargos públicos ocupados por “assessores” e “em comissão” sairão das mãos do PT, após o golpe da derrocada eleitoral”.
Particularmente, acho que é muito mais.
Chamem o IBAMA! Crime ambiental! Bichos-preguiça caindo do céu, feito ventania na janela derrubando os penduricalhos-enfeite de uma árvore de Natal.
Os discursos costumeiros: “São pais (ou mães) de família”. São trabalhadores (eu não disse isso?). “Não têm culpa!”
Argumentos e choramingo não faltarão.
A propaganda “deles” é hábil na vitimização para gerar sentimento de pena aos inocentes.
Será pena pra todo lado.
Voando para onde puderem se agarrar.
Sindicatos, movimentos de “sem algo”, estatais, et coetera, et coetera, et coetera...
Os que tiverem penas mais fortes ou dupla cidadania, talvez voem para o exterior. Alguma praia paradisíaca (calma! Não falei “paraíso fiscal”).
Outros podem mandar currículo para um emprego na Globo, em nome da democracia da informação (e é preciso infiltrar-se).
A maioria periférica ficará a espera de um milagre. Um golpe de sorte.
Inúteis serão orações ao “santo” protetor St.Luigi Ignatius, o Puro.
Deste só ouvirão: “O importante é o “bico fechado””.
Sempre é bom evitar alguma inesperada delação premiada de crime a se descobrir.
A partir de Janeiro a verba dizimista que sustenta o PT parará de jorrar dos proventos de cinquenta mil pessoas.
Demorará muito para desaparelhar-se o Estado, mas é um começo.

20 agosto 2016

Pininha Olímpica




Gege, voltei!
Ah! Que bom... Por onde andou? Seu celular não atendia. Pensei que tivesse adoecido, sido sequestrada.
Sequestrada? Só se fosse por um disco voador, para fazer faxina num outro planeta.
Quinze dias sem dar notícia. Isso é quase abandono de emprego. Que história vai inventar desta vez.
Fui pras Olimpíadas. Rio de Janeiro. Cidade Maravilhosa.
Ai! Pina. Inventa outra.
Verdade, Gege!
Com que dinheiro?
Ganhei quase de presente.
Como assim?
Sabe a Zica, companheira do Zico, que mora lá na Vila...
Já sei quem é...
Pois é... Ela tinha sido contratada por um casal de bacana... Gente assim quase igual à senhora...
Pina! Vai logo com essa história.
Ih! Tomou sua “valeria” hoje?
Pinaaaaaa! 
Tá bom... tá bom... O casal ia para as Olimpíadas e precisavam de uma babá. Aí, o Zico não deixou a Zica ir e eu fui no lugar dela. Pronto! Contei!
E não me avisou?
Se avisasse, quem não ia me deixar ir era a senhora.
Vou fingir que acredito. Vai fazer os serviços atrasados e depois você me conta a verdade.
Verdade? Mas é verdade. Eu assisti a um monte de jogo, competição de corrida, pular, vi uns homens gigantes, umas mulheres que pareciam de borracha. Tinha até uns, que acho que eram tudo parente do Seu Takeo. Uns jogos eu não entendia nada, mas foi legal. Torci tanto, tanto, que quase esqueci o filhinho deles na geral.
Estou começando a acreditar nessa história.
Gege! Você me explica umas coisas desses jogos.
Se eu souber...
A senhora viu algum jogo pela TV?
O que deu. Era muita coisa.
Viu o Tênis? Eu fui lá uma tarde. E não entendi.
Vi... O que você não entendeu? É tão simples. É só jogar a bolinha para a quadra adversária.
Isso que eu não entendi... Se precisa jogar a bolinha para o outro jogar de volta, por que jogam a bolinha longe e tão forte e comemoram quando o outro não consegue devolver?
Pina! É que tem que fazer o outro errar.
Isso que eu não consigo entender. Pra que jogar então, se o mais legal é quando um rebate para o lado do outro?
Ai! Pina! Que mais você achou estranho?
Eu achei divertido um parecido. Também era com raqueta. Jogavam uma peteca por cima da rede de vôlei. Os parentes do Takeo ganhavam tudo. Parece que chama “BodeMilto”.
Badmington, Pina... Badmington...
Isso aí, Gegê.
Agora ao trabalho, Pina.
Peraí, tem mais uns esportes estranhos.
Quais?

Fazer cavalo pular é esporte?
Claro! Hipismo.
Os cavalos tudo de crista arrumada. Eles fazem “chapinha”?  
Ai... Ai... Ai... Ai... Ai...
Tem um esporte que é bem brasileiro.
Futebol?
Não! Gege... Descer rio a remo... Lembrei-me dos bombeiros quando vem socorrer na enchente. Lá na Vila tem muito, quando chove forte.
.....
Gegê... explica uma coisa pra mim...
O que mais?
Por que não tem Olimpíadas todo ano?
Ai! Pina... É muito caro fazer uma Olimpíada. Por isso, só a cada quatro anos.
Hum!...
Por que?
Porque eu gostei de sentir-me importante. A senhora nem imagina como... Agora acabou... Volto a fazer comida, limpar a sala, lavar banheiro... Pegar ônibus lotado.
É a vida, Pina!... É a vida... As medalhas são para alguns.
Medalha! Ah! Ganhei uma.
O que?
Vê, Gege... O casal me deu uma medalhinha. Disseram que é de ouro... Será que é?
Se for, você deve ter merecido, Pina.
Mereço um aumento e umas folgas?
Ah! Pina... Já pro trabalho...

28 junho 2016

O GOLPE DOS VELHINHOS



Didi, Juninho, Lindinho e Nariz eram companheiros de longa data. Aposentados, viviam distraindo o tempo nas mesas de jogos da praça.  Truco, dominó, dama eram s lida diária. Nenhuma aposta. O que valia mesmo era economizar os trocados das minguadas pensões. Quanto mais permanecessem jogando, menos tempo para usufruir de vícios. Despesas inúteis já bastavam as da caderneta da farmácia com os remédios de uso contínuo.
Entre uma jogada e outra seguiam a ladainha de comentários rotineiros sobre as monótonas notícias dos telejornais de ontem e as manchetes da  banca.
Meu time ganhou, o político roubou.
Frases típicas do dia a dia: “Viu só...”, “Que absurdo essa roubalheira...”
Sua vez, Didi... resmungou Nariz.
To pensando!
E precisa pensar para jogar truco?
Calma pessoal! ... ponderou Lindinho. O Didi anda lento. É da idade. Vamos ficar assim.
A gente poderia tirar o pé da lama, abriu um sorriso o Didi.
Vixe! A coisa é séria... Concordaram os parceiros de mesa.
Não tiro mais empréstimo consignado, afirmou Lindinho.
Joga logo... protestou Juninho.
Olha aqui, pessoal Poderíamos estar em Las Vegas tomando Cherry, ao invés desta praça, protegendo-nos das pombas.
Tomou seu remédio hoje, indagou Lindinho.
Tomei, tomei... Tive uma ideia para ganharmos uma grana.
Sua vez, Juninho...
Os olhares arregalaram-se ante a firmeza da fala.
Nariz arriscou: ”Como?”
Vocês não prestam atenção nos noticiários? Viram como é fácil desviar milhares de dólares sem que ninguém perceba? É só nos organizarmos.
Ma Che! Baixou o espírito de antepassados no Juninho. Vamos é acabar presos. Não viu o “Mensalão”?
Ta quase todo mundo solto, retrucou Didi. E de mais a mais, somos idosos, podemos pedir redução de pena ou então prisão domiciliar por motivo de saúde.
Sua vez, Nariz...
Mas, e nossas partidas de truco? Entristeceu-se Lindinho.
Jogamos na cadeia. E é só um tempinho. Pense nas vantagens que teremos. Comida boa, roupa nova. Podemos ter até enterro de luxo, com direito a mausoléu. Prometeremos devolver parte dos ganhos, como prova de boa vontade.
Sei, não...
Nariz arriscou: “Dá para incluir minha sogra na delação premiada? Jurar que a idéia foi dela?” Juninho concordou, gargalhando: “Ela merece. Era pior que tornozeleira eletrônica para pegar no seu pé e descobrir onde você estava”.
O Didi pode estar certo, afirmaram sorrisos cúmplices.
Sua vez, Juninho...
Por que não pensamos nisso antes?
Sua vez, Nariz...
Não custa arriscar...
Sua vez, Didi...
Pior que estamos, não ficamos...
Sua vez, Lindinho...
Peraí... To no Whats apps  vendo se meu cunhado quer ser laranja...
Desliga esse celular, assustou-se Juninho...
Pode estar grampeado, alertou Didi...
Ele disse que topa...  Só que ele quer cinco por cento...
Alguém sugere qual tipo de golpe podemos dar?
Vender fraldas descartáveis para fundos de pensão?
Genial, Didi. Verdadeiramente acima de qualquer suspeita.
Sua vez...

21 junho 2016

NOITE DE SEGUNDA PERDIDA NA TV



Bem que tentei!
Pacientemente, ouvi as primeiras respostas da Sra. Vaselina Di Simulada da Silva no programa Roda Viva, transformado pela entrevistada em Roda Morta.
Vencido pelo tédio, descobri, entre uma falta de resposta e outra, que a programação da TV aberta, às segundas-feiras, tem piores opções. Verbi gratia, aprendi que há o Hyper Pop na Rede TV, a ficção de que há Polícia 24h. na Band, Little Mouse e Raio da Fama no SBT. Numa zapeada, tive de esconder-me atrás do sofá, temeroso de ser atingido por uma bala perdida vinda de uma rajada de metralhadoras Globais. Esperei o plim-plim e conseguindo resgatar o controle remoto da explosão de bombas, minha ansiedade fez-me voltar à TV Cultura, na esperança de ouvir alguma resposta direta e prática da “eterna candidata terceira via”, que por duas eleições ludibriou boa parcela da população.
Em vão.
Nada de útil foi proferido por ela.
Cansado de tanta dissimulação, num gesto de “desustentabilização proativa progressiva”, fui para minha Rede e dormi frustrado pelo duplo desperdício de energia. A elétrica e a minha.

11 junho 2016

PRENDE O JAPA!




Impressiona-me a batalha de dedos apontando quem é mais culpado nesta rede de corrupção da “Pátria amada,  braziu”. Parece aquelas brigas de infância “ele me xingou primeiro”. Porque o Cunha é aquilo, o Dirceu fez primeiro, O Vaccari pedia tanto, a Odebrecht deu de monte, et coetera, et coetera et coetera...
Lembro-me de conhecida “piadinha” jurídica, quando o Magistrado noviço ao julgar seu primeiro caso ouve o reclamante e terminada a audiência dirige-se ao escrevente: “Ouviu a história? Condenarei o acusado”.
Ao que retruca o escrevente: ”Excelência, desculpe-me, mas escute o acusado antes”.
O reclamado é ouvido e o Magistrado novamente conversa com o escrevente: “Que mentiroso o acusador, condená-lo-ei!”
“Excelência, desculpe-me, mas o senhor já avaliou as provas?”, retrucou o escrevente.
Provas para lá, provas para cá, o Juiz indeciso, após tantas certezas refreadas por alertas do escrevente para não se precipitar, finalmente toma a decisão: “Absolvo as partes e condeno o escrevente”.
Prenderam o Japa!
Diferentemente do escrevente que nada fizera, mas culpado de um crime ocasional, justificadamente condenável, a prisão do Japa servirá uns dias com escudo de defesa e arma de ataque das “vítimas do golpe”.
Inocentes defensores ou cúmplices do “Lullo-petismo” ficarão desviando a atenção dos mais incautos.
Até que entendam que tanto o escrevente quanto o Japa eram meros cumpridores de ordens legais. Nada tendo a ver com os crimes
Enquanto os criminosos, a conhecer-se da história do “braziu varemnóis”, estarão entre acordos e delações, livrando suas caras e, devorando lautas pizzas, rindo do escrevente e do Japa.