23 agosto 2020

Marquesa de Santos: a força da mulher paulista

Marquesa de Santos: a força da mulher paulista 

Aventuras na História · Dom Pedro I e Marquesa de Santos: a relação que  abalou o império

1. Bem mais que amante...

Engana-se quem pensa que a Marquesa de Santos foi “apenas” uma mulher promíscua e amante de Dom Pedro I. Domitila de Castro Canto e Melo foi uma pessoas poderosa e influente no início do Brazil Império. Sua atuação política estendeu-se muito além dos sete anos do romance dela com Dom Pedro I.

Domitila foi das raras aristocratas brasileiras que ousou contrariar o estereótipo da mulher do lar no Primeiro Reinado, com suas atitudes fortes e decisões marcantes que chocaram o Brazil.

A jovem aristocrata paulistana entrou para a história ao tornar-se a mais famosa e influente amante de Dom Pedro I e seria símbolo de um fenômeno regional desses tempos. “A força da mulher paulista”.

Uma breve explicação para essa “força”. A maioria dos homens de São Paulo eram bandeirantes. Saiam para o sertão caçar índio e pedras preciosas, deixando mulheres e filhos na cidade. As mulheres paulistas eram dominantes e chefes de família, diferentemente de outros lugares do Brazil. Nesse contexto, tornou-se possível reparar na força que as mulheres da família tinham dentro do círculo social em que viviam. Por isso, as mulheres de São Paulo ganharam fama de bravas.

“Titilia” nasceu em São Paulo, no dia 27 de dezembro de 1797, filha de João de Castro Canto e Melo, militar açoriano, coronel reformado e inspetor das repartições de estradas da cidade de São Paulo, e de Escolástica Bonifácia de Oliveira Toledo Ribas. Descendia da nobreza lusitana da parte do pai e das primeiras famílias paulistas “quatrocentonas” por parte da mãe.

Domitila e seus irmãos - João, José, Francisco, Maria Benedita, Ana Cândida, que chegaram a idade adulta e Fortunata, falecida na infância - tiveram uma educação tradicional, mas não se sabe muitos detalhes dessa fase de sua vida.

  

2. O príncipe garanhão e sem pudores

Talvez o mais emblemático personagem da história do Brazil seja Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon, conhecido como Dom Pedro I. A vida do imperador sempre foi alvo de estudos, indo além do grito da independência, em especial suas atividades amorosas.

Dom Pedro protagonizou um dos episódios mais polêmicos do início do Brazil Império: O relacionamento extraconjugal com Domitila de Castro Canto e Melo, a Marquesa de Santos,

Quando casou-se com Leopoldina, tinha 19 anos e um vasto histórico de vagabundagens amorosas, todas amplamente comentadas pela população. O assédio que fazia às mulheres era assunto corrente. Andava pelas ruas à cata de presas. Não poucas vezes, apeara do cavalo para levantar a cortina de uma cadeirinha que passava carregada no ombro de escravos. Ele não conhecia limites nem diante da família ou do marido da mulher desejada.

Os casos extraconjugais de Pedro aconteciam um após o outro, assim como os filhos bastardos. E, apesar disso, ele não dava folga a Leopoldina – que, sempre grávida (teve 9 gestações em 9 anos de casamento), vivia recolhida e em repouso.

Sobre seus modos, um funcionário que acompanhou a austríaca ao Brazil, o barão de Eschwege, anotou: “Por falar no príncipe herdeiro, posto que não seja destituído de inteligência natural, é falho de educação formal. Foi criado entre cavalos, e a princesa cedo ou tarde perceberá que ele não é capaz de coexistir em harmonia”.

No dia do nascimento de seu filho, que seria o futuro Imperador D. Pedro II, saiu, às pressas da casa da amante, Domitila, onde acompanhava a moça que sentia suas primeiras dores da contração. Cinco dias após, apresentou o nenê à Corte e voltou à casa da favorita para conhecer o outro rebento, que acabara de nascer e recebeu o nome de Pedro de Alcântara Brasileiro.

Numa viagem à Bahia para sufocar um princípio de rebelião, por exemplo, o imperador embarcou com as duas. Seu caso era tão notório, que o embarque virou piada: Levava a mulher para disfarçar a amante.

3 . Leopoldina – Casamento de interesses  

A imperatriz e a marquesa: como era a relação entre Dona Leopoldina e  Domitila de Castro? | Rainhas Trágicas

Leopoldina era uma moça gorducha de 20 anos, mãos rechonchudas, nem feia nem bonita. Todavia, na qualidade de princesa de uma das maiores casas reais da Europa, era importante peça no tabuleiro de alianças entre as potências. A herdeira do império Austríaco fora criada com a educação mais formal que uma família real europeia era capaz de fornecer.

Ao final da tarde do dia 5 de novembro de 1817, a corte do Rio de Janeiro assistiu a uma festa. Foram cerca de duas horas de foguetório, com a multidões se acotovelando para receber e saudar a arquiduquesa Leopoldina Carolina Josefa de Habsburgo-Lorena ou, simplificando, “Maria Leopoldina da Áustria”, filha do soberano do Sacro-Império Romano-Germânico e imperador da Áustria Francisco I. “Ela vinha consolidar seu casamento com o príncipe herdeiro Pedro, feito por procuração em sua terra natal”. (Priori, in Carne e Sangue.

Aquele casamento fazia parte do jogo de poder da dinastia Habsburgo da Áustria. A família esperava que ela se tornasse rainha de Portugal. Por meio de casamentos, queriam ter tentáculos em todas as famílias reais europeias, e influenciar a política mundial realizava-se o sonho de dom João VI, rei de Portugal e do Brazil: unir seu filho à Casa de Habsburgo, na luta contra a França revolucionária e napoleônica.

À época da chegada da Leopoldina, sua futura esposa, andava enrabichado com uma dançarina francesa e a engravidara. A corte inquietou-se, pois o contrato de casamento já estava assinado. O casamento, portanto, não começou bem – e, com o tempo, só piorou.

Leopoldina casou-se com D. Pedro imbuída de seu papel real. A felicidade estava no cumprimento estrito de suas obrigações, fazendo tudo o que seu esposo desejasse. No fundo, era embalada pelo que chamavam de modernismo: o sentimento romântico que leva seus adeptos a acreditar que o coração sempre vence. Esse foi seu erro.

Em um relacionamento marcado por traições e humilhações, Pedro I e a Imperatriz Leopoldina tiveram um casamento, conhecido publicamente pelo descaso do marido com a fiel companheira. O imperador chegou a ostentar cinco amantes simultâneas, enquanto a esposa sofria com as dores de complicadas gestações.

A história costuma considerar Leopoldina fundamental para a Independência do Brazil. Não foi bem assim. Ela era aferrada ao Antigo Regime e apavorada diante de uma revolução sangrenta que lhe cortasse a cabeça. Não escondia esse temor nas cartas ao pai. Numa delas, Leopoldina chama a população brasileira de “maldita canalha”. Somente começou a mudar seu comportamento no fim de 1821, quando parecia inevitável a separação da colônia. Ela não quis arriscar a herança, nem a coroa dos filhos voltando para a Europa.

A situação política forçaram-na a se posicionar em favor da Independência. Embora, manifestasse ser totalmente favorável à Independência, não deixava de ter certo desprezo arrogante pelo país, dizendo que governava a “Santa Ignorância”.

Leopoldina temia uma guerra civil e reage em função disso. Em uma de suas cartas ao marido, escreve: “O Brazil será em vossas mãos um grande país, o Brazil vos quer para seu monarca” (P.Rezzutti in Pedro I).

No entanto, enquanto dom Pedro declarava o Brazil independente, Leopoldina escreveu para o pai assinando “sua filha e vassala mais fiel” e acusou o marido de aderir às novidades e lamentando o futuro duvidoso. Em outra correspondências, compara o marido a uma marionete, que ela movia na direção desejada. No caso, rumo ao rompimento com Portugal e a independência do Brazil. Mais não se sabe de cartas em que ela se mostrasse uma estrategista ou executiva do movimento independentista.

4. O fracassado casamento de Domitila

Antes de tornar-se amante de Dom Pedro I, Domitila viveu um conturbado casamento.

Titília aos 15 anos, casou-se com o alferes Felício Pinto Coelho de Mendonça, do Segundo Esquadrão do Corpo dos Dragões da Cidade de Vila Rica na época com 22 anos de idade. Ele vinha de proeminente família mineira, dona de lavras de ouro. Foram morar em Vila Rica, hoje Ouro Preto O casamento durou de 1813 a 1819 e gerou três filhos: Francisca, Felício e João, este falecido criança.

Ao contrário da vida calma, prometida durante o noivado, seu casamento foi um desastre completo. Felício revelou-se perverso com ela, violentando-a e espancando-a constantemente. Alcoólatra e viciado em jogos, quando perdia nos jogos de azar, descontava sua frustração batendo e maltratando-a.

A moral da época exigia que as mulheres sofressem resignadas as agruras do convívio. O homem era dono e senhor de suas mulheres. Sair da casa, mesmo quando a mulher sofria abusos do homem era considerado crime de “abandono de lar”, prática condenada moralmente pela sociedade. Levar os filhos da casa do marido com os filhos era impensável. Uma mulher abandonar o marido — mesmo que ficasse com os filhos e fosse vítima violência comprovada — podia arruinar a imagem dos familiares.

Entretanto, em 1816, após Domitila sofrer outra onda de maus tratos do marido. Ao ver a filha cansada de apanhar, a família Castro, influente na política paulista, bateu de frente com o costume da época, ficou ao lado da filha e recebeu-a com as duas crianças.

A atitude não representou o fim do inferno para Domitila. Em 1818, Felício conseguiu transferir-se para São Paulo e o casal tentou reconciliar-se, voltando a viver juntos. Continuaram as bebedeiras, jogatinas e maus tratos. Para completar, ao tentar vender as terras que o casal havia herdado com a morte de dona Escolástica, Felício falsificou a assinatura de Domitila no contrato.

Chegou a tentar assassiná-la, no dia 6 de março de 1819. Felício armou uma emboscada próximo à bica de Santa Luzia, em São Paulo e esfaqueou Domitila, atingindo-a na coxa e na barriga. Domitila ficou entre a vida e a morte durante dois meses. Felício justificou seu crime como “legítima defesa da honra”, alegando, sem apresentar provas, que a esposa lhe era infiel. Segundo os autos do processo de divórcio, o pivô da traição era o coronel Francisco de Assis Loreno. Por mais que a suspeita de adultério tenha sido levantada por aqueles que estavam contra a esposa, nada se provou e Felício foi preso e levado para o Rio de Janeiro.

Retornando novamente à casa paterna, Domitila teve que lutar pela guarda dos filhos, pois o pai de Felício queria que fossem enviados para Minas para serem educados pelos avós. A separação não foi causa fácil de ser vencida por Domitila, que teve de aguardar o desfecho do processo de seu sogro pela guarda das crianças.

A tentativa de assassinato era motivo bastante para o divórcio, que só se legitimou cinco anos depois, graças à intervenção do Imperador, que acelerou os trâmites para concluir o divórcio.

5. A amante sedutora

57 Melhores Ideias de marquesa de santos | Marquesa de santos, Brasil  império, Império brasileiro

Domitila de Castro Canto e Melo começou a entrar na história do Brazil em agosto de 1822, por ocasião de uma viagem do Príncipe Regente D. Pedro a São Paulo. Sairia de um relacionamento abusivo para uma aventura marcada na História.

O Príncipe-Regente viera a São Paulo, para tentar apaziguar a discórdia na junta que governava a província, desde que rompera com Portugal ao anunciar que ficaria no Brazil -  09.Janeiro de 1822, dia do Fico - e tropas portuguesas revoltaram-se em algumas províncias.

Durante as negociações, encontrou tempo para envolver-se com uma mulher encantadora. Descrita como uma mulher alta para os padrões do século XIX, pele clara e expressivos olhos escuros Domitila, aos 25 anos, era sedutora, inteligente, independente como as mulheres não costumavam ser à época, recebeu as atenções do Príncipe.

Chegam a dizer que Domitila esteve presente na cena do grito da independência. Mesmo que não seja verdade, Domitila foi a mulher mais famosa do reino nos primeiros anos do Império.

Francisco de Castro Canto e Melo, irmão de Domitila, ajudante de ordens de D. Pedro, além de ter feito parte da comitiva que esteve na Independência, foi quem colaborou para o primeiro encontro acontecer. A intenção inicial era de que D. Pedro ajudasse a família nos processos do divórcio e guarda dos filhos de Domitila. O Imperador ao saber da história de Domitila, interveio no processo e a causa rapidamente teve um fim favorável a Domitila, que obteve o divórcio e a guarda dos filhos.

Mais que isso. Nascia o romance entre os dois.

D. Pedro, aventureiro e mulherengo, iniciava um romance “proibido”, cercado de polêmicas do início ao fim. Registros dos primeiros encontros foram feitos pelo marido de uma prima de Domitila, onde narra flertes de D. Pedro e suas tentativas de impressioná-la.

Pedro e Domitila viveriam uma louca paixão. O “affaire” ultrapassaria as paredes das alcovas e causaria tumultos e discórdias na vida familiar do príncipe e na política do Brazil, arruinando a imagem do Imperador D. Pedro I, dentro e fora do país.

Os frequentes encontros não apenas renderam o título de Marquesa de Santos, mas também diversas ocasiões de intimidade exposta em cartas e registros mal encobertos.

Acredita-se que a paixão desenfreada de Dom Pedro I por Domitila, a paulista que o encantou desde o primeiro encontro, tenha se originado pela personalidade da amante, dona de um espírito livre, muito diferente do temperamento conservador da Imperatriz Maria Leopoldina.

6. Domitila (e família) chega à Corte

Domitila e família mudaram-se para a corte em 1823, onde viveriam sob a proteção de D. Pedro, coroado imperador em dezembro de 1822. Seu romance com D. Pedro I rendeu-lhe títulos e riquezas.

Domitila apesar de vir de família influente e bem posicionada, para os padrões nacionais, passou longe de uma educação formal. Domitila era semianalfabeta, como quase a totalidade dos brasileiros daquele tempo.

No começo do romance, Dom Pedro tomou alguns cuidados para deixar o romance o mais sigiloso possível. Mas, depois da morte de seu pai, Dom João VI, ele reconheceu uma filha bastarda que teve com Domitila e história se espalhou. Além de ter que lidar com os comentários da Corte, Leopoldina foi obrigada pelo marido a ter que conviver com Domitila. O Imperador Francisco I da Áustria, sogro de D. Pedro, ao saber de Domitila, acusou-o: “Que homem miserável é o meu genro”.

Dom Pedro I foi elevando o padrão social de sua amante. Nomeou Domitila como Dama do Paço. O cargo era dado a damas da sociedade, que tinham acesso ao palácio e serviam a família real, mas não como uma empregada. Assim, Domitila tinha acesso ao quarto da Imperatriz e de Dom Pedro também. Nomeou-a “Dama do Paço”. Em 4 de abril de 1825, após ser afrontada pelas damas de companhia da imperatriz, ela foi nomeada Dama Camarista da imperatriz, posto acima das demais damas do paço. Para que Domitila pudesse estar mais perto, nomeou-a primeira-dama de companhia da imperatriz, algo encarado como uma grande humilhação por d. Leopoldina, Domitila recebia para dar opiniões no governo e era bastante influente.

Domitila recebia todas as atenções, presentes e honrarias do imperador e Leopoldina ia sendo ofuscada e humilhada em público. Quando Domitila foi barrada em eventos sociais -como uma missa e uma peça de teatro - Dom Pedro puniu os responsáveis e fechou o teatro.

Em muitas ocasiões oficiais, ocupou o lugar que deveria estar reservado a Maria Leopoldina. No dia 12 de outubro de 1825, aniversário do imperador, Domitila tornou-se oficialmente “Viscondessa de Santos”, pelos serviços prestados à imperatriz, e em 12 de outubro de 1826 foi elevada à “Marquesa de Santos”, ambos com honras de grandeza. Domitila nunca teve qualquer relação ou vínculo com a cidade litorânea de Santos. O motivo para ela ter recebido esse título pela cidade demonstra um lado vingativo e afrontoso de Dom Pedro. Quem nascera de Santos eram os irmãos Andrada e Dom Pedro estava brigado. E sabedor que os Andrada odiavam Domitila, fez isso para provocá-los.

O imperador cobria sua amante de presentes e mimos. Em abril de 1826 comprou para ela um sobrado localizado próximo à Quinta da Boa Vista.

Não foi só a marquesa quem recebeu títulos da nobreza. Sua família também se beneficiou de sua influência com o imperador, que distribuiu titulações para toda a família da amante. Parentes e amigos de Domitila ganharam altos cargos na corte do Rio de Janeiro e muita gente a procurava para pedir favores ou ajuda na hora de influenciar o imperador. Seu pai foi presenteado com um título nobiliárquico - Visconde de Castro. Presenteou a família com uma mansão no Rio de Janeiro, conhecida como Casa Amarela — onde hoje está instalado o Museu do Primeiro Reinado, na cidade. Dava grandes somas de dinheiro para suas filhas com a amante, além de títulos e cargos importantes para familiares da marquesa de Santos. Quando o pai de Domitila faleceu, em 1826, o imperador arcou com todas as despesas do funeral.

7. Triângulos Amorosos

Leopoldina amava Pedro, que amava Domitila, que amava ser sua favorita. Assim era o triângulo amoroso formado pelo imperador Pedro I, a imperatriz Leopoldina e a Marquesa.

Quando o caso amoroso de d. Pedro e Domitila começou, Pedro era casado há quatro anos com d. Leopoldina e tinha quatro filhos com ela. O enlace extraconjugal foi motivo de desgosto para Leopoldina pelo resto de sua vida. A imperatriz, de acordo com registros deixados, era apaixonada pelo imperador e foi colocada em segundo plano durante o envolvimento dele com Domitila.

A imperatriz acostumara-se com os casos extraconjugais de Dom Pedro e não deu a devida importância para Domitila. Considerou fosse apenas mais uma. Ao não se impor, permitiu que Domitila ganhasse espaço.

Colecionador de amantes, o romance com marquesa de Santos foi o que mais tocou o imperador. Em determinado momento ele deixou de ser clandestino e foi exposto diante de todos, inclusive de Maria Leopoldina, sua esposa.

Leopoldina sentia ciúmes. Reações destemperadas seriam normais para qualquer mulher moderna em sua situação, mas não é o que se esperava de uma rainha. A infidelidade era hábito entre nobres casados por conveniência. Entretanto, seus escritos passam a impressão que tivesse mais ciúme da influência política da Marquesa que das ofensas sentimentais.

O imperador, incontrolável garanhão, vivenciava outro segundo triângulo amoroso, num episódio que gerou grande confusão. Honrando a fama de mulherengo, o imperador casado com Leopoldina e mantendo a Marquesa de Santos como amante oficial, manteve relacionamento amoroso com Maria Benedita de Canto e Melo, a baronesa de Sorocaba e irmã de Titília.

Conheciam-se desde os tempos das primeiras visitas do imperador à casa dos “Cantos e Melos”, quando ainda era príncipe regente.

Se o relacionamento com a marquesa era rumoroso, a relação com a baronesa era secreta e tratada com descrição, pois ela era casada. Os encontros nada casuais aconteciam sempre que dom Pedro saía em retiro com destino ao Outeiro da Glória. Os momentos de descanso eram usados como desculpa para uma fugidinha rumo ao braços da baronesa de Sorocaba, que residia num casarão próximo à igreja.

A situação complicou-se quando a baronesa e a Marquesa engravidaram na mesma época.

O triângulo amoroso deixou a marquesa enfurecida. Ela chegou a tentar atacar sua irmã algumas vezes. O ápice do conturbado triângulo aconteceu em 1827, quando a baronesa foi atacada a tiros, ao passar de carruagem pela Ladeira da Glória, no Rio de Janeiro. Maria Benedita saiu ilesa, mas a notícia logo se espalhou por toda a corte e foi divulgado que a mandante do atentado seria Domitila.

8. As Cartas

Demonão! Era assim que o imperador Dom Pedro I assinava as cartas endereçadas a sua amante, Domitila de Castro, a marquesa de Santos, a quem chamava Titília.

Desde os primeiros encontros, quando ficavam distantes ou separados, D. Pedro I e sua amante trocavam cartas. Entre 1823 e 1828. Demonão assinava também “Fogo Foguinho”.   Foram confirmadas a existência de 143 cartas, muitas guardadas nos arquivos do Museu Imperial, em Petrópolis.

Cartas e bilhetes repletos de palavras e desenhos picantes, apaixonados e escandalosos. Além das demonstrações de libido e ciúmes, há trechos de descontração hilariantes e reclamações mundanas que trazem uma perspectiva interessante de um dos casos amorosos mais famosos da História brasileira. As correspondências também estão recheadas de arroubos imperiais de paixão e até detalhes sobre a saúde do pênis do imperador.

Não é de hoje que as indiscrições do imperador, a força da marquesa e a triste condição da paciente imperatriz, pudica e diminuída publicamente por conta da infidelidade espalhafatosa do marido, são assuntos de nobres e plebeus. Este foi, sem dúvida, o triângulo amoroso mais conhecido da história dos afetos brasileiros. Leopoldina amava Pedro, que amava Domitila, que amava ser sua favorita.

Algumas cartas, contudo, revelam o desejo de poder da graciosa e despudorada Titília, a mulher mais influente do império enquanto durou o romance. A marquesa não media palavras em suas respostas. Possuía uma postura vigorosa e autônoma e repelia, constantemente, a volúpia do garboso Demonão.

O homem mais forte do reino, proclamador da Independência, era viciado em sexo e chorava de saudades quando não correspondido. Criava versinhos infantis e enviava bilhetes duas vezes ao dia.

A mais famosa amante de Dom Pedro I foi protagonista em episódios 'calientes' da história do Brazil Império. Há dezenas de cartas chamando-a carinhosamente de Titília e exagerando nos detalhes íntimos. Desenhos do próprio pênis ou pelos pubianos eram enviados. Isto era considerado, à época, prova de grande fidelidade e compromisso.

Pedro escrevia: “Quero ir aos cofres!”, quando intimava a marquesa aos finalmentes.

Em uma das cartas escritas, D. Pedro revela, com orgulho, que acabara de mandar fechar o teatro que havia proibido a entrada da amante. Outro escândalo foi na Semana Santa. Domitila queria assistir à cerimônia religiosa na tribuna reservada às Damas do Paço, mas foi barrada. O imperador ordenou que ela fosse levada ao recinto e as damas se retiraram.

O envolvimento íntimo de D. Pedro e a marquesa foi marcado pelos apelos sexuais presentes nos textos, sempre descritivos. Em algumas correspondências, Domitila não apenas tinha interesse em saber o estado de saúde de pênis do amado, como pedia para descrever como o mesmo estava em relação às lembranças do casal. O príncipe-regente não deixava de responder e abusava da criatividade na resposta.

Sempre usado como o principal meio do casal para agendar os encontros casuais, não apenas as datas eram registradas, mas também as técnicas utilizadas. Um dos preferidos de D. Pedro era o pompoarismo, método oriental que a marquesa desenvolvia para contrair a vagina durante o ato sexual.

Como um casal da época, não faltavam apelidos, que serviam também de pseudônimos para dificultar a identificação dos membros da corte. Dom Pedro I tinha um apelido ‘caliente’, assinando cartas como “Fogo Foguinho” e “Demonão”. A marquesa, por sua vez, tinha o fofinho apelido de “Titília”, referindo-se ao seu nome no diminutivo.

"Nada mais digo senão que sou teu, e do mesmo modo quer esteja no céu, no inferno ou não sei onde. Tu existes e existirás sempre em minha lembrança, e não passa um momento que meu coração me não doa de saudades tuas...", dizia uma das cartas escritas por Fogo Foguinho.

O falecimento da Imperatriz Leopoldina gerou suspeitas e criou revolta em torno da imagem da nada oculta marquesa. Houve boatos de envenenamento por parte de Domitila e o Imperador através de carta anunciou que casaria com Amélia. Na correspondência, a informou que a amava, mas daria prioridade a sua reputação.

Leopoldina deixou missiva no final da vida, revelando-se uma mulher depressiva, decorrente do adultério do marido. Dizia ter horror a sexo e quando se casou, nutria a esperança de que Pedro fosse gostar dela por suas qualidades morais, não pela cama e nem pela beleza física. O imperador respondia que fazia amor de matrimônio com Leopoldina e amor de devoção com Domitila.

Conteúdo erótico não era comum. Quando Pedro reconheceu sua filha Isabel com Domitila e colocou a bastarda para viver ao lado de seus rebentos na Corte, Leopoldina, humilhada, deixou a mágoa transparecer nas correspondências. Em uma delas desabafou: “Mulheres indignas fazendo de Pompadour (Mme. de Pompadour- 1721/1764-Amante e secretária de Luís XV, foi uma figura influente nos negócios de estado da França. Amiga de iluministas como Voltaire, também foi uma grande patrocinadora das artes) e Maintenon (Mme. de Maintenon -1635-1719 -Entrou na corte de Luís XIV como governanta de uma amante anterior do rei francês. Chegou a se casar com o monarca, mas não foi proclamada rainha. Piedosa, impôs um perfil carola à corte).!!

E pior ainda, não têm nenhuma educação... e os outros têm que silenciar”. “A comédia era encenada em público. A única coisa não visível, silenciada, sufocada, era o sofrimento da imperatriz.”

Leopoldina também demonstrou seus sentimentos quando da morte do pai da rival. Pedro não saiu do lado de Domitila e pagou as despesas do funeral. Leopoldina escreveu-lhe que fizesse as malas e fosse viver com a favorita.

A correspondência de Leopoldina, Pedro e Domitila com informações e manuscritos das pessoas que cercavam a família real e assistiam ao drama todo, entrelaçou as histórias e penetrou nos mais profundos sentimentos dos envolvidos. Saem daí informações preciosas sobre a personalidade dos 3 principais personagens – e, claro, sobre a história do país durante o Primeiro Reinado.

Apesar da vasta correspondência, Domitila nunca fez menção à imperatriz, de quem era oficialmente, dama de honra.

O relacionamento durou até 1829. Sete anos sob o manto de escândalos e paixão, que podem ser acompanhados nas cartas trocadas entre eles e dispersas em arquivos públicos e particulares, nacionais e estrangeiros.

9. Nem tudo são flores: Leopoldina morre

O relacionamento de Domitila com d. Pedro I gerou cinco filhos ilegítimos, e desses um nasceu morto e dois morreram na infância. As duas filhas que chegaram à idade adulta foram Isabel Maria de Alcântara Brasileira (1824-1898), conhecida como duquesa de Goiás, e Maria Isabel II de Alcântara Bourbon (1830-1896), conhecida como condessa de Iguaçu, por casamento. Os títulos nobiliárquicos das duas foram concedidos por d. Pedro I.

Mas nem tudo foram flores no caso de Domitila com o imperador.

No período em que esteve próxima da nobreza brasileira, Titilia querendo conhecer a Corte Imperial mais de perto e expandir seus horizontes, passou a frequentar alguns lugares luxuosos e “nobres”. A Marquesa nunca foi aceita e certa vez, quando tentou entrar no Teatro da Constituição, foi barrada por ter sido confundida com uma prostituta.

Até hoje o motivo da confusão é incerto. Não se sabe se eram as roupas de Domitila, diferentes dos vestidos pelas mulheres da realeza ou a forma de se portar. O fato deixou o imperador furioso.  Imediatamente mandou que as cortinas do teatro fossem descidas e se encerrasse a apresentação. Desta forma, a honra e orgulho da Marquesa foram preservados.

O sofrimento e morte prematura da imperatriz d. Leopoldina em 11 de dezembro de 1826, prejudicaram a imagem da marquesa de Santos.

Sentada em uma cadeira desconfortável, uma gorda e descuidada senhora de olhos muito azuis sofreu cerca de cinco horas com as dores do parto. Era a sétima vez que passava por situação semelhante, das quais haviam vingado somente 4 mulheres. Nascia Dom Pedro II, Imperador do Brazil, por quase meio século. Veio ao mundo saudável, com 47 cm, às duas e meia da manhã do dia dois de dezembro de 1825.

Amargurada e grávida mais uma vez, viu o marido viajar para o sul em novembro de 1826. O exército brazileiro lutava contra Buenos Aires pela posse da Província Cisplatina, atual Uruguai. Leopoldina estava com a saúde fragilizada e em poucos dias morreu. As razões de sua tristeza e de seu mal eram conhecidas. Rebelou-se momentos antes de morrer. Despejou sobre Domitila toda sua raiva e rancor. Delirando, amaldiçoava a amante do marido, atribuindo-lhe poderes de feitiçaria. Reagia com gritos imaginando vê-la. Os sentimentos da submissa imperatriz, contidos por tanto tempo, explodiam.

Imagem de mártir e quase feita santa, Leopoldina, mãe exemplar, sofria com os destemperos e infidelidades do imperador, morreu jovem. Segundo boatos da época, vítima de violência doméstica pelo exaltado marido.

A imperatriz foi transformada em heroína pela população, que formou filas em seu enterro, com um beija-mão no corpo já quase em estado de decomposição.

Após manchar sua imagem com inúmeras traições, o imperador ficou emocionalmente abalado e teve recaídas com a Marquesa de Santos

O povo se opôs aos romances extraconjugais de Dom Pedro I e a marquesa de Santos, que passou a ser tratada como inimiga número um da nação. Tal era esse sentimento que, quando Leopoldina morreu, uma turba foi à casa de Domitila com o intuito de apedrejá-la.

Domitila percebeu que o sonho de se tornar imperatriz estava cada vez mais distante. Transformada na vilã número 1 do país. Sua casa apedrejada, ela passou a ser má-vista na Corte e publicamente difamada. O próprio imperador entrou em descrédito por conta da forma como a imperatriz morreu.

Politicamente ocorria o pior: Pedro não conseguia um casamento, que reforçasse a monarquia. Colocava-se o fato na permanência de Domitila na Corte. O imperador amava Titília, mas amava ainda mais sua posição

10. Amélia – Ou ela ou eu...

Aventuras na História · A impressionante múmia da imperatriz consorte Amélia,  o último amor de Dom Pedro I

Com a morte de Leopoldina, Dom Pedro I precisava se casar novamente. Seus atos violentos com a falecida imperatriz tinham acabado com sua reputação. Ele pretendia arrumar um casamento com alguém que tivesse o sangue da nobreza para melhorar seu status.

Quase dois anos da morte de Leopoldina, o monarca, de péssima reputação nas cortes não conseguira ainda arranjar uma esposa entre as mulheres nobres da corte europeia. Sua fama não era muito boa por conta da presença de Domitila.

Entretanto, apesar da imagem política desgastada e das pressões do ex-sogro, que o chamava publicamente de canalha, consegue se casar com uma jovem de 16 anos chamada Maria Amélia de Leuchtenberg (1812-1873). Filha de Eugênio de Beauharnais, Duque de Leuchtenberg, e da princesa Augusta da Baviera, concordou em casar-se com o imperador.

Apesar de nunca ter visto Amélia, D.Pedro I aceitou a condição do noivado arranjado. “A amante do imperador fosse morar bem longe da Corte” e no dia 28 de agosto de 1828, casaram-se por procuração.

A nova Imperatriz era uma linda moça. Sem sangue real e sem prestígio na Europa, não trouxe benefício político, mas quando D. Pedro I viu a beleza da jovem, foi o ponto final do relacionamento com a marquesa.

Com a chegada ao Rio de Janeiro da nova imperatriz brasileira, rompe com a amante Domitila, grávida da última filha do imperador e expulsa-a da corte, dando fim a uma história de amor que abalou o império.

Em 17 de outubro do mesmo ano, Pedro e Amélia ratificaram os votos realizados por procuração em uma missa nupcial, oficializando o segundo casamento do imperador.

Historicamente, não houve novos registros de traições por parte do imperador, mostrando o que a promessa feita ao pai da esposa era sincera. Amélia, por outro lado, foi bem recebida pela nova família, além de ser bastante amistosa com os filhos provenientes do primeiro casamento do marido. A relação durou oito anos e só foi interrompida pelo falecimento de Dom Pedro, em 1834.

11. A Volta para São Paulo

Domitila de Castro Canto e Melo – Wikipédia, a enciclopédia livre

Dom Pedro terminou o romance e Titilia foi “dispensada” da Corte.

Domitila que chegara a sonhar que seria imperatriz, sentiu-se tão traída pelo imperador quanto a falecida Leopoldina, exigiu uma indenização ou não sairia do Rio.  Foi um ato simbólico. A vida dera limões para Domitila e ela abriu uma fábrica de limonada. Não era apenas mulher enfrentando um homem. Era uma mulher enfrentando o imperador do Brazil. Dom Pedro pagou.

Finalmente, mudou-se novamente para sua cidade natal, a provinciana São Paulo na companhia das duas filhas que teve com Dom Pedro.

No início de 1833, Domitila envolve-se e se amanceba com o então presidente da Província de São Paulo, Rafael Tobias de Aguiar, o “reizinho de São Paulo”. Brigadeiro, político e rico fazendeiro de Sorocaba. Um dos liberais da província. Eleito duas vezes governador da província de São Paulo foi o primeiro paulista a ser presidente da Província de São Paulo. Era amigo íntimo, de infância, do regente do Império, o padre Diogo Antônio Feijó. Domitila tornou-se primeira dama do estado em duas ocasiões. O casamento foi oficializado somente em 1842 em Sorocaba, durante a Revolução Liberal.

Domitila sempre foi uma sobrevivente. Muito influente na cidade e sua postura passou a ser de uma dama da sociedade. Não davam mais importância a seu romance que chocara a moralidade da época e ela passou a ser bem vista pelas pessoas.

Certa feita, foi a Sorocaba, com os filhos, encontrar-se com o marido em Sorocaba, cruzando, à noite, a movimentação de dois exércitos. Com o término da revolta, Tobias fugiu para o Rio Grande do Sul e Domitila refugiou-se com as crianças e a sogra em um convento de Sorocaba. Cavou uma vala no jardim e escondeu os bens da família e do próprio convento. A presença de Domitila impediu que as tropas governamentais que invadiram a cidade profanassem o local. Na época, com 44 anos e 14 gestações, recebeu especial deferência do futuro Duque de Caxias, que ordenou aos oficiais escoltarem-na para São Paulo, alertando: “Estimo que a marquesa se vá conservando-se fresca”.

Tobias de Aguiar foi capturado e levado preso para o Rio de Janeiro. Domitila partiu para a corte e rogou, por meio de um procurador, ao Imperador D. Pedro II que permitisse cuidar do companheiro doente. O requerimento foi deferido, e ela pôde ficar com o marido na prisão. Meses depois, o imperador anistiou os envolvidos na revolução e o casal voltou para São Paulo.

Domitila e Tobias ficaram juntos até a morte dele, em 1857. A união durou 24 anos e juntos tiveram seis filhos: Rafael, João, Antônio, Brasílico, Gertrudes e Heitor, os dois últimos falecidos na infância.

Domitila, sempre lembrada por seu caso de amor com Pedro I, é esquecida quanto ao seu envolvimento nas questões nacionais. Doou, quando cortesã, como “brasileira e paulista”, grande quantia à Guerra da Cisplatina (1825-1828). Quarenta anos depois, durante a Guerra do Paraguai (1864-1870), abrigou em sua fazenda tropas que marchavam para Mato Grosso. Pouco se fala de seu amor pelo segundo marido, seu envolvimento na revolução liberal de 1842 ou sua atividade política no Partido Liberal de São Paulo, de “sua força de mulher paulista”.

12. Os Últimos dias no Solar

Solar da Marquesa de Santos | São Paulo Bairros

O relacionamento ardente entre Demonão e Titília chegara ao fim, mas a vida da Marquesa não. A amante mais famosa de Dom Pedro, recomeçou a vida em sua cidade natal.  

A Domitila que retornou à provinciana São Paulo em 1829, na companhia das duas filhas que teve com Dom Pedro era bem diferente da Titilia que, aos quinze anos de idade, partira para Minas com o primeiro marido em 1813.

Após a morte de Tobias de Aguiar, Domitila permanece viúva até o fim da vida. Rompendo os padrões de comportamento que se esperava de uma mulher de seu tempo, Domitila impressionou a sociedade ao mostrar sua força e fez-se respeitada.

Durante seus últimos 10 anos de vida dedicou-se a obras de caridade, filantropia e atividades culturais.

Caridosa e muito devota, ajudou a Santa Casa de Misericórdia a ter a sua primeira sede própria. Doou dinheiro para a construção da capela do Cemitério da Consolação e de uma casa para dispensário médico.

Socorreu desamparados, alimentou famintos e ajudou estudantes da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Cuidava destes quando adoeciam e recebia-os para refeições e festas em seu palacete.

Às vistas da respeitável matrona, centenas de casamentos entre moças paulistas e futuros bacharéis foram arranjados.

A Marquesa fazia-se presente na comemoração do 7 de setembro e do 11 de agosto, dia da implantação dos cursos jurídicos no Brazil. 

Diferente dos costumes da época, a Marquesa exigira que o casamento fosse feito com separação de bens. Com bens que incluíam mais de quarenta escravos, Domitila era uma das pessoas mais abastadas da cidade, e isso significava independência. Ela geriu sua fortuna, mantendo-se independente financeiramente.

Comprou um casarão na Rua do Carmo, hoje Rua Roberto Simonsen. A casa, grande e aconchegante, ficou conhecida como Solar da Marquesa. Lá, realizava eventos como saraus de literatura, música e alguns bailes de máscaras. Em seus salões, declamou o estudante e poeta Álvares de Azevedo e tocou, entre outros, o pianista Emilio Correa do Lago.

O Solar é o último exemplar da arquitetura residencial do século 18 na cidade de São Paulo. Ele é o mais antigo e o principal modelo de como eram as casas paulistanas na época. Mesmo tendo sofrido inúmeras alterações e algumas restaurações, o casarão ainda mantém características que possuía quando a Marquesa ainda morava no edifício.

Domitila faleceu em seu solar às 16h30 do dia 3 de novembro de 1867, às vésperas de completar 70 anos. O óbito aconteceu devido a uma grave infecção generalizada que desencadeou uma enterocolite, inflamação mortal do trato digestivo. Seu enterro foi seguido pela elite cultural, econômica e política paulista, com a presença do presidente da província, Saldanha Marinho.

O total dos bens inventariados da Marquesa chegou a 1.308:848$600 (um mil, trezentos e oito contos, oitocentos e quarenta e oito mil e seiscentos réis), que daria, atualmente, cerca de cento e vinte milhões de reais. Deixou em testamento dinheiro para a compra das alfaias litúrgicas da capela do cemitério municipal e esmolas para a “pobreza envergonhada”. 

Sepultada no Cemitério da Consolação e transformou-se numa espécie de em santa popular, procurada pelas moças que queriam um bom parceiro. Em seu túmulo, sempre bem cuidado e florido, são colocadas placas de graças e flores. Muitas pessoas a consideram santa protetora das prostitutas.

Sem dúvida, Domitila foi bem além de amante de um Imperador,

Foi “uma brava mulher paulista.”

Fotos nos fatos: TÚMULO DA MARQUESA DE SANTOS-Cemitério da  Consolação-S.Paulo

13. Bibliografia

Texto compilado a partir dos artigos publicados na Internet:

Caio Tortamano - “...o casamento desastroso da Marquesa de Santos”

Claudia de Castro - “A história do triângulo amoroso de Dom Pedro I”

Dayane Borges – “Marquesa de Santos, quem foi?”

Dilva Frazão – “Marquesa de Santos - A Aristocrata brasileira”

Fábio Previdelli – “Marquesa de Santos, a Baronesa de Sorocaba e D. Pedro”

Guilherme de Athayde – “Quem foi Domitila de Castro, a Marquesa de Santos”

Isabela Barreiros - Marquesa de Santos, a Santa das Prostitutas -

Laurentino Gomes - “1822”

Mary del Priore – “Carne e o Sangue”

M.R.Terci – “Dom Pedro I: Cinquenta Tons de Demonão”

Paulo Rezzutti – “Marquesa de Santos, bem mais que amante”

Penélope Coelho -” Traição e abandono: ... Dom Pedro I e Domitila de Castro

Wallacy Ferrari - “A saga de Dom Pedro I após a trágica morte de Leopoldina”

Wallacy Ferrari – “Cartas eróticas: a agitada vida sexual da Marquesa...”

 

N.A. – Brazil está com “z”, porque era escrito assim até 1916. 

 


11 abril 2020

A FARSA DA PANDEMIA


A FARSA DA PANDEMIA(*)

Alerta Inicial: Embora este breve relato possa parecer “Teoria da Conspiração”, os fatos aqui revelados foram obtidos através de fontes seguras e próximas ao Palácio do Planalto. A farsa contou com a cumplicidade de parte da imprensa, com a chancela, é óbvio, da principal delas, para divulgação maciça, no intuito de causar impacto e amedrontar, levando até ao pânico a população. Feita a necessária observação introdutória, vamos aos fatos.
           
I – A ARTICULAÇÃO

Set-Out/2019 – New York/USA – Preparativos da Assembleia Geral da ONU

Encontram-se, fora da agenda, Li Keqiang (Premier da República Popular da China), Donald Trump (Presidente dos EUA) e Jair Bolsonaro (Presidente do Brasil).
Assunto (Secreto) – Perpetuação no poder.

Preocupados em evitar o retorno dos Democratas (USA) e do Lulismo (BR) Trump e Bolsonaro pedem auxílio a China para que se evite qualquer ameaça à democracia de seus países.
“É preciso algo impactante, que amedronte a população e os senhores apareçam como os “salvadores da pátria”, manifestou-se o Premier oriental.
Ante a aparente dúvida dos líderes das maiores democracias ocidentais, Li prosseguiu: “Uma grande ameaça que possa unir a população em torno dos senhores. Uma catástrofe, um “Onze de Setembro”, por exemplo.
Trump assentiu, mas Bolsonaro argumentou: “Ataque terrorista não funciona no Brasil. Terminaria em pizza. Viraria marchinha ou tema de Escola de Samba em desfile de Carnaval. Tem que ser algo que intimide, de fato”.
“Pode ser uma doença mortal, tipo Ebola ou SIDA?’’, indagou Li.
“Talvez”, respondeu Bolsonaro, com o sorriso cúmplice de Trump.
“Submeterei o assunto ao Comitê, mas adianto que, dificilmente, sejam aceitas negociações com Mr. Trump, pois nosso povo tem se sentido muito humilhado com suas palavras de desprezo e dificuldades na imigração. Farei contato apenas com o senhor, Mr. Bolsonaro”.
Cheio de si, Bolsonaro sorriu e agradeceu.

II – O INÍCIO DA FARSA

Novembro/2019
Li Keqiang liga para Brasília: “Mr. Bolsonalo. Vamos disparar o plano’’. E desligou, sem mais dizer.

Bolsonaro reúne-se com seus principais ministros e “núcleo duro”. Há dúvidas quanto a presença de 01, 02 e 03.
Direto e reto, sem maiores detalhes, ao seu estilo comunica: “O Chinês topou. Vai disparar o plano”.
Indagado pelos olhares de todas as faces disse: “Não sei exatamente qual é o plano, mas o chinês garantiu-me que vai assustar o povão e poderemos fazer o que quisermos.”
O Ministro da Economia manifestou-se; “O quanto isso significará de economia nas contas públicas?”
            “Sei lá! Você é o Posto Ipiranga. Mas, poderá justificar eventuais paralisações e atrasos na concessão das aposentadorias e pagamentos da Previdência”, arrancando um espasmódico sorriso do Ministro.
            “Se for preciso, coloco a Força Nacional de Segurança à disposição”, concordou o Ministro da Justiça.
            “Precisando, conte comigo”, observou o Ministro da Saúde.

Dezembro 2019
A imprensa não dá muito destaque ao noticiar sobre uma gripe de características fulminantes em Wuhan, cidade industrial da China.

Janeiro/2020
A China anuncia o “Estado de Emergência” em Wuhan, proibindo que a população saia às ruas, com cem por cento de obediência.

Fevereiro/2020
Trump comunica aos americanos sobre a “Gripe Chinesa” e pede que evitem viajar à China e, provocador, se possível, não consumam seus produtos.
A imprensa mundial informa que surgem vítimas da “Gripe Chinesa” na Europa.
Bolsonaro prefere avisar os brasileiros depois do Carnaval.

Março/2020
O Brasil tem suas atenções voltadas para a chamada dos telejornais noturnos: “Um mistério para a Medicina. Gripe Chinesa é letal”.
Bolsonaro faz pronunciamento em horário nobre de TV, para tranquilizar a população. Pede que não se deixe levar por opiniões leigas e, demonstrando preocupação com o povo mais carente, garante que o Brasil, através do SUS e da rede privada hospitalar, está preparado para enfrentar a Gripe Chinesa.

Reunião no Palácio da Alvorada com os mesmos participantes de Novembro/2019.
Bolsonaro determina que o Ministro da Saúde seja o canal de comunicação com a população, diante dos olhares enciumados dos outros ministros.

III – A FARSA FOGE AO CONTROLE

O Ministro da Saúde comunica ao povo que o país atravessará um período de sacrifícios e virá, pessoalmente, todos os dias por volta das dezoito (18) horas trazer informações seguras e oficiais sobre a Gripe Chinesa.
A imprensa mundial destaca a quantidade crescente de infectados e mortos na Europa. O Primeiro-Ministro do Reino Unido dirige-se à população e pede que mantenham suas vidas em ritmo normal. Países da Zona do Euro pedem ou ordenam que a população não saia de casa. O Papa fica gripado.
Bolsonaro chama o Ministro da Saúde e o repreende: “Que história é essa de aparecer diariamente na TV? Está querendo fama?”
O Ministro argumenta que não, mas não poderia voltar atrás, pois cairia em descrença e tudo poderia ir por água abaixo. Pede apoio ao Presidente.
A contragosto, o Presidente faz pronunciamento em horário nobre e conclama a população para seguir fielmente as determinações do Ministro da Saúde.
O Ministro da Saúde faz seu primeiro teste de força e pede a população o “isolamento geral” ou seja que todos fiquem em suas casas para evitar a disseminação do vírus chamado de Corona e Covid-19.
Menos da metade da população obedece.
Pesquisa revela que o Ministro da Saúde é mais popular que o Presidente.
Bolsonaro chama novamente o Ministro da Saúde, repreendendo-o mais firmemente: “Você está brincando com a sorte. Uma canetada minha e você perde a boquinha”.

IV - A DISCÓRDIA

Entretanto, já estava lançada a semente da discórdia. O resultado da pesquisa fez brilhar os olhos do Ministro da Saúde que decide travar o embate com o Palácio. Pede que fiquem três semanas em casa. Assustada, pouco mais da metade da população segue as orientações.
O Ministro da Economia demonstrando sua contrariedade, argumenta quanto aos efeitos que tal atitude causará ao Brasil, com a paralisação do atendimento de órgãos públicos e do comércio em geral. Pressionado pelos jornalistas sobre ser mais importante o trabalho ou a vida, entrega temporariamente os pontos.
Governadores e Prefeitos, desconhecendo a farsa, pedem ou determinam que a população de seus estados e municípios, não saiam de casa.
O Presidente, em pânico, reúne o ministério, chamando todos “às falas”.
Vê-se quase sozinho.
“Zero três” chuta o balde e indiretamente denuncia o que está ocorrendo. O embaixador chinês rebate as acusações e exige desculpas.
Bolsonaro faz pronunciamento em rede nacional e diz que vigora a paz com a China e é hora de retornar-se ao trabalho.
Nos corredores do Palácio é voz corrente a exoneração do Ministro da Saúde.
A população faz “panelaço”, contra a exoneração, que é desmentida. A população passa a fabricar máscaras para não serem infectados pelo vírus letal.
Os idosos são tachados como principal grupo de risco e todo atestado de óbito brasileiro passa a determinar como “causa mortis” a Covid19 - nome dado a Gripe (Corona Vírus D 2019) - em comorbidade com a doença que de fato o levou à óbito.
Nunca na história desse país, os médicos tiveram tanto espaço para explicar, com opiniões divergentes, o que ocorria.
O Presidente afirma, em rede nacional de TV, que ainda não precisou usar a caneta, mas passa a maior parte do tempo demonstrando sua contrariedade e oposição às determinações do Ministro da Saúde.
Os presidentes do Legislativo e Judiciário manifestam publicamente apoio ao Ministro da Saúde
O Presidente do Senado, inclusive, diz que foi infectado pelo vírus chinês.
O Primeiro-Ministro do Reino Unido é internado para tratar-se da Covid-19.
Bolsonaro busca o apoio de Trump. Mas, Trump “dá pra trás”, alegando que é melhor fica do lado dos chineses neste caso.
O Presidente tentando convencer Trump, num ato falho, diz: “O Que é isso, companheiro!”, Mas fica, como se costuma dizer, sem escada segurando-se com a brocha na parede.

V – VERDADEIRO OU FARSA

Abril/2020
A China divulga que controlou a gripe e a cidade de Wuhan voltou à vida normal. Com a saída da China.
Muito irritado por ter sido abandonado por Trump, o Presidente nem imaginava que o pior estaria por vir. Bolsonaro viu-se num dilema que não sabe nme como resolver e nem em quem confiasse para ajudar.

O telefone “verde-cáqui” do Palácio do Planalto toca no meio da madrugada.
O Ajudante-de-Ordem acorda o Presidente,
“Quem quer falar?”, pergunta, irritado. Sabe que horas são?
“É Li,”
“Quem?”
“O Premier da China”.
Atende e, numa fração de segundo, a expressão de ódio transforma-se em estupefação.
“O que o senhor está dizendo?”
“Ainda não disparou o plano?”
“E a história do vírus?”
“É Verdade?”
Ouviu o Premier desligar e soltou uma série de palavrões.
Passou a noite acordado remoendo como se comportar na manhã seguinte. Continuaria com o comportamento de menino mimado que, par não ficar de castigo, promete não fazer mais arte e repete as atitudes inconvenientes no dia seguinte?
Daria o “braço a torcer” e passaria a comportar-se conforme as instruções do Ministro da Saúde.
Uma única certeza. Ninguém poderia saber da trama. Será que mais alguém sabe do telefonema? Se a imprensa souber que o chinês ligou, vai encher a paciência.
Qual foi o comportamento na manhã seguinte, basta aguardar os primeiros noticiários e todos ficarão sabendo.
No entanto, saber hoje o que acontecerá daqui para frente, como terminará a “Farsa da Pandemia” é mera especulação. Assunto para pitonisas.
Se existiu de fato o vírus Corona, como foi dominado, se descobriram medicação ou vacina para neutralizá-lo, é assunto que desconheço.
Em sendo verdade, o Presidente correu grande risco de cair em descrédito e mesmo sofre um processo de “impeachment”. Se foi mentira, fique a cargo da criatividade das agências publicitárias a serviço do Planalto, a incumbência dos esclarecimentos.
O certo é que Bolsonaro não imaginava que daria tudo errado em seu plano de perpetuar-se no poder.
Quem sobreviver à Covid-19, talvez veja o final dessa farsa.
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(*) Nota do Autor – Este relato é uma farsa, baseado em fatos surreais.

02 abril 2020

COVID19 VAI PASSAR (*)


COVID19 VAI PASSAR

Vai passar
Essa agonia um dia vai passar
Terá fim a cantilena
Isolamento, quarentena
Quero sair pra passear
Andar livre na cidade
Sem ninguém a me mandar
Pra dentro de casa entrar
As mãos estou cansado de lavar

Chegou
Em nossas vidas de repente
Atingiu os cinco continentes
Levou poderosos e seus milhões
Trazia
Temores constantes e perenes
Abria-se espaço pra sirenes
Proibiu-se as multidões

Perigo
Em todo cantos o cuidado
Fila na rua pra ser vacinado
Tossir no trem um atentado
Até que um dia afinal
Chegou ao fim a histeria geral
Com a cura da Pandemia
Na rua imenso carnaval
(carnaval.... carnaval)
(vai passar)

Aplausos pro pessoal da Medicina
Saudade de quem por triste sina
Não viveu pra comemorar
Não viu novo tempo surgir
Iluminou-se a cidade
Nosso povo a sorrir
Cheio de felicidade
Cantando sem parar

Vamos voltar à vida, olerê
Vamos voltar à vida, olará
Essa paranoia geral
Vai passar

Vamos voltar à vida, olerê
Vamos voltar à vida, olará
Essa paranoia geral
Vai passar

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(*) Paródia da música Vai Passar de Chico Buarque/1980)

01 abril 2020

PROCURA-SE ANIMAL DE ESTIMAÇÃO

PROCURA-SE ANIMAL DE ESTIMAÇÃO

Depois de longo e quase infrutífero tratamento psiquiátrico, rendi-me aos insistentes conselhos do médico e sua ladainha: “Por que não adota um animalzinho? Ser-lhe-ia de imensurável valia em sua recuperação”.
Garantiu-me que bichinhos de estimação são excelentes companheiros.
Vencendo considerável resistência interior, comecei a procura de um bichinho de estimação, que aliviasse meus momentos de solidão.
Diferentemente da praxe de um cidadão comum, recusava-me cometer o erro de comprar qualquer cãozinho, só porque é bonitinho ou pareceu dirigir-me um sorriso simpático.
Os leitores sabem que o único cachorro que “latiu sorrindo” é o da música do Roberto? Cães não sorriem.
Pesquiso na Internet e dirijo-me a uma loja que oferecia filhotes com       “pedigree” e certificado. Vencidos quarenta e cinco minutos de explicações sobre o comportamento das diversas raças expostas, o tipo de alimentação indicado para a boa saúde e satisfatório desenvolvimento de cada uma delas, etecetera... etecetera... etecetera..., o consultor concluiu qual seria a mais compatível para a minha necessidade e, por feliz coincidência, apenas naquele dia, havia um com considerável desconto promocional e passou-me o valor.
Numa demonstração de boa vontade e interesse, pedi-lhe a caneta e a calculadora. Fiz rápida continha e meu, já deficitário, planejamento orçamentário mensal, convenceu-me a desistir da aquisição de um pet de pedigree.
Pesquisa na Internet e lá estou eu, na ensolarada manhã de domingo, cercado de crianças gritando, jovens casais enamorados escolhendo o presente mútuo. As faixas no parque anunciavam a feira de adoções de “cães abandonados”, vacinados e castrados.
Cansado de ouvir as maldades que este e aquele cãozinho sofrera, finalmente, escolhi um.
Cartão de crédito na mão, aguardava na fila para pagar a taxa de vacinação.
A voluntária de ONG, querendo ser agradável, foi infeliz e confidenciou-me que o cãozinho escolhido por mim, sofrera muitas malvadezas e fora abandonado numa estrada.
Uma voz dentro de mim alertou: “De abandonado, basta-se você”.
Pensamento viajando...
Veio-me à ideia a difícil convivência com um cachorrinho que, por genética ou relacionamento osmótico com seu companheiro sofresse de solidão e nas crises latisse, intermitentemente, como o cãozinho de latido estridente, do terceiro andar do prédio ao lado de casa, condenado a ficar só todos os dias, o dia inteiro.
Não, senhor! Está decidido. Vou levar este e fim de conversa. Já o vejo aos meus pés, enroscando-se em minhas pernas.
A companhia valerá qualquer sacrifício.
Pense bem! Interromper seu trabalho ou pausar o filme, só porque está na hora de sua “majestade” passear. Recolher suas fezes e jogar, disfarçadamente, o saquinho à porta de outra casa, porque alguém destruiu o cestinho de lixo que a Prefeitura colocara no poste.
Veio-me o sentimento de pena (e muito nojo) ao pensar que o saquinho rasque e a luva do gari fique suja, enquanto as pessoas ao meu redor estranhavam, que eu estivesse falando sozinho.
Se passou pela cabeça do leitor, sugerir-me contratar um “doggie-walker”, pensei isso também.
Eu não vou pagar pelo tratamento de solidão do cidadão.
“Vade-retro”!
Ok! Você venceu.
Desculpei-me com a voluntária, alegando que estava atrasado e fui embora.
Definitivamente, cachorros, não!
Segunda opção era, óbvio, um gato.
Nem pesquisei na Internet.
Surgiu-me uma esquecida imagem guardada no fundo do cérebro.
Vi o sofá da sala da casa de um colega de ginásio, filho de uma contumaz “adotante” de gatos de rua “abandonados”, rasgado pelas delicadas unhas dos felinos. Entremeou-se a lembrança do primo Zequinha espirrando de alergia aos pelos dos gatos da Tia Lalá. Lembrei-me, não sei bem porquê da mania que os “Felis catus” têm de, em seus passeios noturnos, após atiçarem o latido de cachorros, depositarem suas necessidades nos tanquinhos de areia de escolas de educação infantil e playgrounds.
Rápida a decisão
Definitivamente, gatos, não!
Pesquisei na Internet sobre os hamsters.
Pequenos, fáceis de carregar, manutenção barata, sem necessidade de passeios diários.
Ótimo! Está decidido. Comparei um hamster. Um casal.
Peralá!
Alguma coisa me disse: “Pense bem!”.
Hamster procriam tresloucadamente. Em um ano não terá mais para quem dar filhotinhos.
Já pensou que pode piorar sua depressão. Como se abaterá à tristeza e sentimento de culpa, caso algum gato invada a lavanderia e devore os hamsters?
Oh” My God”.
Definitivamente, hamster, não!
Já que estava no computador, pesquisei na Internet e li que os coelhos são carinhosos, meigos, não têm crises de agressividade.
Por que não pensei neles antes. Amanhã mesmo irei adquirir um branquinho.
Quase desligando o computador e, obra do acaso, acessei outro site que tratava de coelhos.
Bocejante, arregalei os olhos ao ler que os dentes dos coelhos não param de crescer e à falta de cenouras, roem o que virem pela frente.
Nem pensar roerem os pés da mesa colonial da sala de jantar.
Olhei para as figuras da publicidade do site e lá estava o coelhinho da Páscoa com uma cenourinha na mão.
Ai! Esses dilemas: “Cenoura ou chocolate?”
Minha glicemia anda alta.
Definitivamente, coelhos, não!
Alguém perguntará: “Que tal canários, numa gaiola, cantando só para você?”.
Passarinhos?  Presos?
Já são meus, e de toda vizinhança, diversos Sabiás e Bem-te-vis. Cantam livres no quintal. Fazem ninhos no limoeiro e na mexeriqueira.
Definitivamente, pássaros, não!
Conformado com meu fracasso em conseguir um animal de estimação, olhar perdido, eis que vejo Calango passeando pelo teto da cozinha.
Ah! Calango é o nome genérico que chamo a(s) Lagartixa(s) que vira e mexe aparecem em casa. Às vezes, faz(em)-me companhia no lanchinho das madrugadas de insônia. Não é(são) de muito falar, mas parece(m) prestar atenção em minhas sandices quando falo sozinho, discutindo alguma ideia mirabolante com meu ego (ou será alter-ego?).
Confesso, e negarei sempre, muito de vez em quando, conversar com algum caracol perdido no vaso de flor.
Caracóis são pacientes. Param para escutar e demoram para irem embora.
Também, vez ou outra, muito do raramente, pego-me falando com um unicórnio que sobe pela parede do quarto. É tímido. Desaparece, como por encanto, quando passa o efeito do remédio para dormir.
Calma aí!
Não! Não é com você, leitor.
É meu grilo-falante. Está todo enciumado. Reclamando que nem falei dele. Esqueço que ele existe.
Ele é assim mesmo.
Enxerido.
Vive dando-me conselhos, mesmo quando não peço opinião.
Puxa-me a orelha, por coisas que nem a mão esquerda sabe que a direita fez.
É o contraponto de todas as minhas ideias.
É assim, tipo meu animalzinho de estimação.
Só que ele fala, fala, fala...
Eu finjo dar-lhe a maior atenção.
Mas, doutor, juro...
Nunca obedeço...

30 março 2020

RECORDAR, MAIS QUE NUNCA,. É SOBREVIVER

Em 1994, havia 14/100mil casos de AIDS no Brasil. As mortes eram 12/100mil. Itamar Franco iniciou a distribuição gratuita de remédios.
Em 2001, quase final do governo FHC, com José Serra Ministro da Saúde, e o trabalho de ONGs os casos caíram para 11/100mill, as mortes 6/100mil e as internações de 1,7/100mil para 0,3/100mil.
Não fosse a seriedade com que os dois presidentes enfrentaram o problema, o Brasil teria hoje cerca de 1,8 milhões de infectados pelo VÍRUS da AIDS. Calcula-se sejam 600 mil.
Em 2008, Luiz Ignácio disse que era “marolinha” a crise econômica mundial e o Brasil não seria atingido. Vivenciamos realidade bem diferente.
O atual presidente chama a Pandemia CORONAVÍRUS, que em três meses, matou mais de 30mil pessoas no mundo, de “gripezinha” tumultuando a seriedade com que o Ministério da Saúde tem tratado o assunto.
Qual atitude prefere que um presidente tome?

26 março 2020

SANGUE TIPO ZERO

Sangue tipo Zero
Zero à esquerda
Zero a zero na bola
Não estudou Direito
Mestre pegou a cola
Tolerância Zero
Não teve jeito
Zero na escola

Carro ponto zero
Pedia prato quente
Zero o refrigerante
Na conta saldo Zero
Pernas pra que te quero
Bye, bye ao restaurante

Gente tipo Zero
Dorme no Marco Zero
No relógio Zero hora
Frio abaixo de zero
Chega sem aviso
Recomeçar do Zero
Preciso ser Clark Kent
Não o Recruta Zero

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21 março 2020

NÃO DEIXE ENTRAR EM SUA VIDA

NÃO DEIXE ENTRAR EM SUA VIDA

De repente entrou em minha vida
Vinha de longe, não sei de que lugar
De meu corpo fez sua guarida
Peito em brasa, deixei-me aprisionar
Não imaginava o tamanho da ferida
De quase nunca mais iria cicatrizar

De repente feito fogo de palha
Espalhou-se, invadiu minha alma
Perdia a calma só de ouvir falar
Tanto insistiu que joguei a toalha
Passamos muitos dias na cama
Foi-se embora sem sequer me olhar

De repente, senti a total solidão
Ninguém vinha de mim se aproximar
Quantos dias eu fiquei olhando a porta
Peito aflito, angústia é dor que corta
Aperta forte, machucado coração
A razão temendo pudesse voltar

De repente, a gente quer um abrigo
Alguém que nos estenda a mão
Abraço afetuoso de um amigo
Melhor se cantarolar uma canção
Escreva simples verso num papel
Faça a Lua Cheia iluminar o Céu

De repente, a vida não é mais aquela
Fim de paixão sempre deixa sequela
Despedidas ardem feito febre terçã
Por favor, não me venha com conselho
A tristeza está gravada em meu espelho
Dá-me bom dia todo dia de manhã

De repente, nem vou mais até esquina
Temo esteja por ali a me esperar
Com uma flor novamente a me enganar
Sabe de cor todos os meus segredos
Madrugadas vêm-me tantos medos
Pareço ver sua sombra na cortina

De repente, penso o que fiz de errado
Sou do bem, só desejo algum mal
Nas horas que não consigo mais fingir
Será resquício do pecado original
Na pressa, não fui direito batizado
Penitência restou-me pra cumprir

De repente... Sei... ficará tudo bem
Tão difícil a gente se controlar
Partiu mansamente como veio
Deixou-me quantas noites com anseio
Voz rouca dizendo-me seu bem
Sensação igual não irei encontrar
Anda por aí livre e solta no ar
Cuidado! Não vá também se machucar 

20 março 2020

PONHAM A CULPA NO VÍRUS


De repente, um temor profundo
Do outro lado do mundo
Lá pras beiradas da China
Onde a Terra Plana termina
Surgiu doença que a Medicina
Não sabe ainda exterminar

De repente, a gripe se espalha
Morrem milhares na Itália
O Papa espirrou na Janela
A Capela Sistina decidiram fechar
Morreu gente na Espanha,
Na Alemanha, em todo canto e lugar

De repente, fecharam-se os caminhos
Cada um por si e todos sozinhos
O mundo do avesso, nada mais importa
Para piorar, mas que falta de sorte
O mal escorrega do hemisfério Norte
Está bem ali batendo na porta

De repente, voando no ar o perigo
Proibiram o aperto de mão
Nada de abraço no amigo
Crentes desprezando a Salvação
Ignorando o caminho do Céu
Estapeiam-se por um pouco de Gel

De repente, morre pobre e bem parido
Qualquer plano perde o sentido
Não se sabe se o dia nasceria amanhã
Proibiram o futebol, o banho de sol
Nada de compras ou ir ao cinema
O lema era combater aquela febre terçã

De repente, não se pode ir a esquina
Imortais morrendo de medo
Será assim quando a vida termina?
Pecadores contando segredo
Nunca revelado em confissão
Faltou padre pra tanta unção

De repente, até o amor vira pecado
Ordenam o lugar onde devo ficar
Será que posso, ao menos, sorrir
Vem a memória recente passado
A vontade de sair à rua e gritar:
“É proibido proibir... É proibido proibir””

De repente... tudo bem... tudo bem...
É o Apocalipse prestes a chegar
Vêm-me à cabeça aquele receio
Que todo poeta decerto o tem
Falte-me a palavra para rimar
A derradeira poesia não terminar
Reste um verso quebrado ao meio
Por causa de um vírus solto no ar...



18 março 2020

PANDEMIA – DECRETO DE SEGREGAÇÃO DO IDOSO



“APÓSTOLOS DE PEDRO” preocupado com a incrível e surpreendente quantidade maior de óbitos entre os mais idosos, vitimados pelo “Coronavírus” ou quaisquer outras causas, mesmo naturais, no intuito de proteger a saúde desta classe de seres humanos, decreta e determina o(a):
1) Fim da gratuidade do transporte público (esta medida já foi “sabiamente” tomada pelo burgomestre de plantão em Petrópolis/RJ);
2) Fim do banco preferencial nos meios de transporte;
3) Suspensão dos “varejões” em supermercados e assemelhados;
4) Suspensão dos “bailinhos da Terceira Idade”, “da Melhor” ou outro nome que seja dada à velhice;
5) Fim do atendimento preferencial nas filas de bancos, INSS e assemelhados;
6) Proibição de bingos, tômbola e outros jogos de azar, exceto os patrocinados pela Caixa Econômica Federal;
7) Proibição da permanência em filas de Casas Lotéricas;
8) Proibição de jogar milho aos pombos nas praças ou pontos de táxi;
Pena - O(A) Velhinho(a), digo o(a) Idoso(a) que for flagrado infringindo qualquer item deste decreto será apreendido e devolvido à família;
Na reincidência, será multado em até 20 (vinte) por cento do Salário Mínimo, com o valor imediatamente consignado em sua aposentadoria;
Este decreto entrará em vigor no momento de sua leitura.

15 março 2020

CUIDADOS SIMPLES QUE RETARDAM O CONTÁGIO(*)

Cuidados simples para correr menos risco de ser contaminado pelo Covid19:

- Limpe o teclado de seu computador com álcool especial 65º.GL. É vendido em alguns boxes “outlet” da Santa Ifigênia. Exija Nota Fiscal do fornecedor.
- Limpe o telefone móvel toda vez que utilizá-lo. Sugerimos Álcool 72º.GL. Informe-se junto à Assistência Técnica (SAC 0800) do fabricante sobre onde encontrá-lo, baixe o App e encomende. A previsão de entrega é, geralmente, sessenta dias úteis. Alerto que, por norma de segurança das empresas, esta informação não é fornecida nem no Manual do Aparelho, nem no site.
- Não use máquinas de Cartão sem luvas. Para maior segurança, passe álcool líquido na máquina. Recomenda-se tipo Zulu 90º.GL ou similar. Pergunte ao comerciante se o freguês anterior fez o mesmo procedimento e oriente-o, mantendo, sempre, uma distância de dois metros do balcão de atendimento. Passe Álcool Gel no cartão antes e depois de usá-lo. Se o cartão não funcionar, evite limpá-lo na camisa, para não manchar a camisa.
- Jamais experimente roupas em trocador de lojas, ainda que seja Loja-Âncora de refinado shopping.
- Evite comprar qualquer produto pela Internet, por motivos análogos às orientações de normas de higiene comentadas anteriormente. Comprar de sites de usados, nem pensar.
- Veja se o entregador do delivery está com roupas que impeçam a circulação do Vírus. Oriente-o e não esqueça dos cuidados com a máquina de cartão.
- Se, apesar de todos os alertas, você saiu à rua para caminhada e viu um brechó, mude de calçada, para evitar tentação.
- Não pegue seu pet no colo, pois ainda não há segurança nas pesquisas sobre animais domésticos serem ou não vetores de transmissão.
- Não atenda a campainha de sua casa para devotos de Religiões distribuindo a Salvação. Geralmente, surgem aos domingos pela manhã, quando estamos de pé, mas ainda não acordados. E se todos os idosos, como o autor destas orientações, formos morrer, não há Salvação.

Informações finais:
(*1) Neste momento da invasão do Planeta por esse vírus, vindo sabe-se lá de que galáxia, todo cuidado é nada.
(*2) A imprensa não divulga, e negará, estes cuidados, por questões comerciais;
(*3) Dissemos “retarda o contágio” pois, a se confirmar o crescimento do contágio em progressão geométrica, por todas partes da Terra, pode ser que entre o início da leitura e este momento você já esteja contagiado.
(*4) Divulgar, especialmente, para aqueles chatos que andam aterrorizando nossas vidas, distribuindo “Fake-news”.
Abraços... Não... Não... Eu não escrevi isso... Abraços, não!

14 março 2020

AVISO DE CANCELAMENTO DE EVENTOS:


É com imenso pesar que "Apóstolos de Pedro" vem à público para informar que estão cancelados, salvo nova ordem, os seguintes eventos previstos para 2020:

1) Churrasco da Sexta-Feira Santa,
2) Resort no Corpus Christie
3) Festa de Aniversário do Patriarca na Arena Itaquera
4) Jantares no Terraço Itália
5) Reveilon no Copacabana Palace

Motivo(*) – Evitar que nossos vetustos apóstolos corram risco de contágio pelo pandêmico “KronaVírus”

(*) Desconsiderem notícias que, eventualmente, informem os cancelamentos deverem-se a efetiva insuficiência de provisão monetária, ocasionada pelo descasamento da previsão orçamentária das verbas de nossa seita às variações do dólar. São “Fake News”

Espero a compreensão dos apóstolos anteriormente convidados.

Pedro, o Patriarca...

12 março 2020

PANDEMIA - NOTA DE INTERESSE PÚBLICO (*)


"Apóstolos de Pedro" ciente do risco que ameaça o país e no intuito de colaborar para o breve retorno ao estado de normalidade da população, informa:
1) Um dos meios mais arriscados para a disseminação da Pandemia do “Karona Vírus” é a manipulação de notas de dinheiro.
2) É necessário uma eficiente profilaxia deste vetor de disseminação do Covid19.
3) Pedimos a todos que, munidos de luvas e máscaras farmacêuticas, peguem cuidadosamente todas as notas de Real, Dólar, Euro, Yene, Franco Suiço que detenham em seu poder, envelopem-nas em saquinhos plásticos;
4) Entrem em contato com “Apóstolos de Pedro” o mais rápido possível, para agendar nossos serviços.
5) Uma de nossas equipes de saneamento e recolhimento retirará as notas, sem qualquer custo para o contribuinte, mantendo o sigilo junto a Receita Federal.
 Agradecemos a colaboração e divulgação.



(*) Agradeço Romeu Barbosa Júnior pela ideia.

11 março 2020

EXECUÇÃO


Sirenes de radiopatrulhas
No tiroteio balas perdidas
Rasgam o céu as fagulhas
E o receio do fim de vidas

Do corre-corre o barulho
De Coturnos e chinelos de dedo
No chão jaz inerte o bagulho
Ar exalando o cheiro do medo






Repete-se em eterno estribilho
Legítima defesa, diz a Televisão
Mãe chorando a partida do filho
Bandeira do time enfeita o caixão

Parar o trânsito na linha vermelha
Mera rotina, ninguém mais dá atenção
Roteiro diário que se assemelha
À dor da bala explodindo no coração 

08 março 2020

PEDAÇOS DE MULHER

CANÇÕES DEDICADAS AS MULHERES
(Trechos de músicas de Baden/Vinicius/Tom/Lins/Rita/Tatit/Chico/Doug Wayne/Milton/Brandt/Braguinha/Ataulfo/Pinheiro)
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Mulher, se Deus não criasse vocês, Ele próprio custava a crer 
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Olha que coisa mais linda mais cheia de graça
É ela menina que vem e que passa
Num doce balanço a caminho do mar

Quem é essa mulher que canta sempre esse lamento?
Só queria lembrar o tormento que fez o (seu) filho suspirar

Todos os homens desse nosso planeta
Pensam que mulher é tal e qual um capeta
Moça bonita, só de boca fechada,
Santa, santa, só a minha mãe (e olhe lá)
O resto põe na sopa pra temperar!

Pra descrever uma mulher não é do jeito que quiser 
Primeiro tem que ser sensível, Senão, é impossível

Quem é essa mulher que canta sempre o mesmo arranjo?       
Só queria agasalhar seu anjo e deixar seu corpo descansar

Adivinhar o (s)eu segredo não é fácil, não senhor           
(S)eu viver é comparado com a vida de um beija-flor
Todo mundo a conhece, mas não sabem o (s)eu valor

Mulher é muito mais que ter um sexo                       
É mais que ser do homem complemento
É mais que ser o avesso e o diverso
Mulher é muito mais que sofrimento
Mulher é muito mais que companhia

É esse seu modo de ser ambíguo sábio, sábio
E todo encanto Canto, canto
Raposa e sereia da terra e do mar
Na tela e no ar

Quem é essa mulher que canta como dobra um sino?
Queria cantar por (s)eu menino que ele já não pode mais cantar

As mina de Sampa são branquelas que só elas
As mina de Sampa querem grana, um cara bacana
As mina de Sampa são modernas, eternas dondocas!
Mas pra sambar no pé tem que nascer carioca

Chiquita Bacana, lá da Martinica, se veste com
Uma casca de banana nanica

Um corpo de veludo, as pernas de cetim         
A boca de cereja e os dentes de marfim
Um beijo envenenado, onde já se viu?

Ai, meu Deus, que saudade da Amélia                     
Aquilo sim é que era mulher

Quem é essa mulher que canta sempre esse estribilho?
Só queria embalar (s)eu filho que mora na escuridão do mar

Toda mulher quer ser amada                                       
Toda mulher quer ser feliz
Toda mulher se faz de coitada
Toda mulher é meio Leila Diniz

Todas com essa vontade de passar dos seus limites 
E ir além, e ir além

06 março 2020

ORAÇÃO AO MALDITO MAL DE PARKINSON















Diariamente faço esta prece:
“Parkinson maldito
Mal que ninguém merece
Não permite dormir
Comigo amanhece
Diária e perene
A nos fazer sofrer
Dores em permanente assédio
Inútil e perdida luta
Sem esperança, nem remédio
Dá vontade de morrer
Quase sem forças, grito
Pra todo mundo ouvir:
Doença fedapê
Vinda do inferno
Desejo a você
O fogo eterno
Na Pequepê.
E tenho dito!
Ouviu?”


03 março 2020

TROCA DE TURNO (Esperando OVNIs)


          Observava, meticulosamente¸ o céu nas madrugadas, como esperasse a chegada de alguma Nave Espacial. Invariavelmente acompanhado de sua fiel e inseparável Luneta, cadelinha SRD (Sem Raça Definida), de focinho e orelhas estranhas, que gostava de uivar para a Lua.
          Prestava a máxima atenção à presença de qualquer rastro de luz no espaço. Via Caudas de Cometas, Estrelas Cadentes entre diversos OVNIs (Objeto Voador Não Identificado). Assim são chamadas, de modo genérico, as milhares de Naves Espaciais que transitam diuturnamente pelas galáxias.
          Em passado não muito distante, era corriqueiro o aparecimento dos OVNIS na atmosfera terrestre. Visitavam o Planeta Terra com finalidade de estudos e pesquisas de cientistas de seus planetas ou – acreditem – por mero passeio.
         Reduziram, significativamente, suas visitas ao Sistema Solar e quando o fazem, é voz corrente pelo espaço infinito evitam pousar na Terra. Mesmo em caso de (raríssimas) emergências, preferem descer em Marte ou Vênus.
         Querem manter certo distanciamento com os “perigosos” e primitivos terráqueos e suas doenças bacterianas, sua mania de não dividirem o que tem e acharem-se os melhores (ou únicos) seres vivos inteligentes das Galáxias.
          Diz-se, também, não gostarem das alterações climáticas e da violência insana entre seres iguais.
          Os alienígenas temem por suas Naves. Que sejam alvo dessa violência. Inclusive, fontes seguras informam o caso recente de uma nave vinda da Galáxia do Olho Negro quase atingida por um míssil de “longo alcance” de um país que confundiu a passagem da Nave Espacial com uma Bomba.
            Diversos pilotos de Naves Espaciais referem a necessidade de muita atenção, frente a obrigatoriedade de constantes e abruptos desvios de rumo, para não se chocarem-se com fragmentos e restos de rudimentares experimentos nucleares deixados no espaço. Para eles é de difícil compreensão o desperdício pela ausência de qualquer projeto de reciclagem de lixo espacial da parte do Humanos.
           Parece que os alienígenas, ainda, não digeriram o porquê da utilização de seus pares como cobaias para experiências humanas no Caso Roswell. “Humanos abduzidos sempre foram muito bem tratados”, manifestou-se um representante alienígena no Simpósio Interplanetário realizado na Constelação de Andrômeda.
          Madrugada já ultrapassara seu clímax. Quase não mais se via o brilho da Lua Cheia, ofuscada pelos primeiros clarões do amanhecer.
         Repentino risco diferente rasga a atmosfera.
         Olhos titubeantes de sono arregalam-se.
         Seria a esperada Nave Espacial?
         Corre ao Rádio buscando noticiar aos outros observadores de plantão. Atenção! Atenção! Aqui PL47. Provável OVNI próximo a -21S/-45W.
         O rastro do OVNI desapareceu, repentino como surgira.
            Telescópios buscam o horizonte.
             Sumira... A impressão (ou os efeitos da esperança de PL47) era que a Nave pousara. Não muito longe.
             Ouvidos à espreita, no aguardo de algum sinal.
            Chamando PL47... Chamando PL47... Atenção, PL47! Positivo. Nave identificada fez sobrevoo em -21ºS/-45ºW com pouso previsto para 21º33'05"S/-45º25'49"W.    
             Luneta, entre latidos desconfiados e uivos, fareja o céu e salta na caçamba da pick-up.
           21º33'05"S/-45º25'49"W. ou Vargem Mirim ficava a hora/hora e meia terrestre de distância pelas estradas esburacadas.
            PL47 estava saudoso e acelerou fundo. Luneta agachou-se na caçamba. Lamentou que na Terra o tempo fosse tão desperdiçado. Um Nave Espacial faria semelhante percurso em milionésimos de segundo.
Lembrou-se de uma de suas recentes abduções, quando ficou por diversos sóis viajando pela Via Láctea e parcos três ou cinco minutos na velocidade do tempo terrestre. Sequer sentiram sua ausência.
             Hoje era diferente.
             Estava prestes a voltar definitivamente para Centaurus. A missão dele na Via Láctea chegara ao fim. O alienígena que o substituiria o aguardava e, numa fração de tempo, incorporou-se em sua vestimenta de terráqueo. Embarcou no OVNI, assumindo seu comando.
             Silenciosamente, a Nave decolou e rumando ao horizonte, deixou um rastro de luz. Terráqueos, observadores do céu, julgaram fosse a passagem de um cometa ou uma estrela cadente.
               Luneta rosnou um pouco, desconfiada. Bastou o olhar de seu novo “dono” para acalmá-la. Saltou para o banco da pick-up, que partiu vagarosamente, no labirinto de pedras e buracos.
                Atenção... Atenção... Aqui PL47. Troca de turno efetuada com sucesso. Confirmar rota.
              Positivo, PL47! Seja bem-vindo.
               O amanhecer seguiu rotineiro. Os moradores de Vargem Mirim não estanhavam mais as chegadas e partidas de OVNIS na zona rural do pequeno vilarejo. Holofotes da imprensa eram coisas do passado. Hoje, nem um parágrafo no jornal ou chamada na TV.
                 Em Vargem Mirim, já nem se sabe mais quem era terráqueo, quem era alienígena. O convívio pacato mostra que é possível a coexistência pacífica entre “seres” tão diferentes.

12 fevereiro 2020

“K-RONA-VIRUS” PODE TER VINDO DO ESPAÇO


“K-RONA-VIRUS” PODE TER VINDO DO ESPAÇO

Pesquisas ultrassecretas efetuadas pelo Doctor’s Corporis da University Mautsé da Província de Wuang-Taper-Do (Ch) suspeitam que uma das prováveis causas (índice de credibilidade de 98,3% e margem de erro de 3,02 pontos para mais ou para menos) do surgimento e proliferação do “K-rona-Vírus” venha do espaço. Não pela ação de seres alienígenas, mas consequência de falha na vedação da mangueira-mãe do potinho de evacuação e filtragem da cápsula excreto-ejetora de dejetos da Estação Espacial Sino-Americana Tian-Gong3. Como deveria ser de conhecimento universal, os astronautas fazem seus “Um e Dois” num recipiente, semelhante a uma Coke Bottle, ligado a uma mangueira de sucção e levada para pequenos potes, que armazenam e reciclam ambos, transformando “Um em H2O” e “Dois em H2NH3". Os produtos finais podem ser consumidos em caso de emergência pelos tripulantes. Quando da recente troca de pessoal, um dos tripulantes da Estação Espacial, teria deixado cair no espaço sideral um potinho, que ao penetrar na atmosfera, desintegrou-se, ao contrário da garantia do fabricante espalhando “UM” pelo Planeta Azul. Suspeita-se da qualidade do plástico utilizado, de origem chinesa e sem aprovação da ABNT. Os dois principais dirigentes dos países não confirmam, nem desmentem os indícios que realmente tenham feito um “Dois” sideral. O presidente de um dos países teme sofrer novo pedido de impeachment e fontes, impronunciáveis em mandarim, negam que o Premiê esteja sofrendo pressões para praticar um “Hara-kiri”. Tão logo tenhamos informações mais seguras do fato, revelaremos, pois embora faça-se segredo sobre o assunto, o tempo é senhor da verdade. Ou não!