15 março 2017

O TIRO NO PÉ DE CASTRO ALVES FOI ACIDENTE? O amor de Cecéu e a Dama Negra




O acidental tiro no pé é versão oficial.
Quem acompanhava Castro Alves na fatídica tarde de 11. Novembro.1868, no bairro da Mooca – ou Várzea do Brás?
Pesquisas indicam que para Cecéu não havia limites quando o assunto era a conquista.
Sobre a grande paixão Eugênia Câmara, encontra-se:
... "Eugênia era dez anos mais velha que Castro Alves e temia viver a história de amor”...
...”Em 1866, após um longo período de indecisões e recuos, que nunca soube se eram meus ou dela, finalmente conseguiu arrancá-la do empresário Furtado Coelho, com quem vivia e levou-a junto com a filha, para morar com o poeta num subúrbio do Recife”...
...”A vaidade do poeta incomodava a atriz. O relacionamento era conturbado”... ...”Tudo seria perfeito, não fossem as cada vez mais constantes desavenças com Eugênia. Cenas violentas, ciúmes, brigas, precárias reconciliações. Sopravam histórias de adultério”...
...”Eugênia retorna ao palco e as brigas por ciúmes se sucedem”...
...”Eugênia o abandona definitivamente”...
...”Angustiado e deprimido, Castro Alves para de ler e escrever, somente passeia e vai à caça, ainda que não disparasse nem um tiro"...

Será que foi acidente ou um tiro de algum enciumado rival?
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Castro Alves

Castro Alves nasceu em 14 de março de 1847 e era alto, forte, esbelto, sensual, elegante e vaidoso. Usava roupas pretas, colocava óleo nos cabelos, pó de arroz no rosto e dizia, na frente de um espelho: "Tremei, pais de família! Don Juan vai sair."
Em 1862 ingressou na Faculdade de Direito de Recife. Mau estudante. Antes de ser “calouro”, já era notado como poeta.
Em Recife, Castro Alves, o Cecéu, com 15 anos e longe do pai, é dono do seu nariz. Inteira liberdade, no bairro da boémia - Soledade. Abandona a república de estudantes para ir viver com Idalina - a Bárbara da sua poesia Os Anjos da Meia-Noite, que o aconchega em sua cama, em uma casa alugada na rua do Lima, no bairro de Sto. Amaro.

Surge Eugênia

O idílio com Idalina teve a duração de um ano, apenas.
Eugênia Infante Câmara chegara ao Rio de Janeiro em 1859, levada pelo artista e empresário Furtado Coelho.
Em 1863: Apaixona-se pela atriz.
Quem poderia resistir ao maior poeta do Brasil?
O poeta frequentava o Teatro Santa Isabel e conhece Eugênia e cai perdidamente de amores.
Eugênia Câmara, a Dama Negra, atriz portuguesa que, de forma gaiata, domina o palco. Fora casada com o ator Furtado Coelho, do qual tinha uma filha pequena.
Nada impede os avanços do Cecéu, adolescente sedutor.
Aos 16 anos, imberbe e apaixonado, o poeta jamais levaria em consideração alguns fatores que poderiam pesar contra tal escolha:
Sua musa era dez anos mais velha que ele, tinha se casado antes (com o ator Luís Cândido Furtado Coelho) e possuía uma filha. Além disso, tendo se separado do marido, era a amante de um rico português chamado Veríssimo Chaves. 
Os 10 anos mais do que o poeta, também não importaram à Dama Negra.
Ela não se esquiva do romance que desponta, adiando apenas a florada.
Para Castro Alves, Eugênia era, além de bonita, uma mulher experiente e possuidora de uma mentalidade muito aberta. Para a atriz, representar a fonte de paixão de um jovem poeta, charmoso e genial, era algo que ela gostava.
Eugênia da Câmara, a primeira atriz da Companhia de Duarte Coimbra, seria, de fato, fonte do seu amor. O poeta, com um sorriso nos lábios, um verso ou um convite para fugirem, sempre estava na plateia a cortejá-la. 
A grande e fecundante paixão por Eugênia Câmara percorria-o como corrente elétrica, inspirando alguns dos seus mais belos poemas de esperança, euforia, desespero, saudade. Outros amores e encantamentos constituiriam o ponto de partida igualmente concreto de outros poemas.
Em 1866, morre o pai e, pouco depois, iniciou a apaixonada ligação amorosa, tornando-se amante de Eugênia Câmara. A atriz concorda em sacrificar a carreira. Tornam-se amantes e convence-a a fugir com ele para a Bahia. Mudam-se para a chácara Boa Vista, perto da localidade de Tejipió. Entusiasma-se pela vida teatral.
Em 1867, o poeta abandona o curso de Direito, embarcando com Eugênia para Salvador. Nesta cidade, mesmo tendo sido muito bem recebido por parentes e amigos, o jovem não quis se hospedar com Eugênia na casa da família, já que vivia com ela uma situação pouco ortodoxa para a época. Foram morar no Hotel Figueiredo, no antigo largo do Teatro, hoje a Praça Castro Alves.
Os rumores da vida privada do casal se espalhariam pelas vias públicas. Aonde já se viu um rapaz de boa família, aos 20 anos de idade, ter como amante uma atriz cômica de 30 anos, já separada do marido e mãe de uma filha?
 Enquanto isso, no Teatro São João, Eugênia desempenha o principal papel feminino do “Gonzaga”. Sucesso, consagração do autor em cena aberta, embora as senhoras da capital baiana torcessem o nariz à ligação do poeta com uma “cômica de má vida”.
Salvador era acanhada a vida lenta e ele tem pressa, muita pressa.
Em Fevereiro de 1868 Castro Alves e Eugênia partem para o Rio de Janeiro.
Em Março de 68, viajam para São Paulo, onde ele requer matrícula no 3º. Ano de Direito.
Talvez pela tuberculose a minar os seus pulmões, talvez pelo arrefecimento do amor de Eugênia, surgem as contrariedades. Eugênia, a Dama Negra está a envelhecer e o poeta corre em busca da juventude, erotismo, aventuras várias.
Devido ao grande ciúme sentido por ambas as partes, o casal viveria uma relação intensa e atribulada.
Em setembro de 1868, Eugênia abandonaria o poeta, deixando-o prostrado e sem entusiasmo.
Em Outubro de 68, encontram-se, pela última vez, quando Eugênia sobe ao palco do Teatro São José para, mais uma vez, interpretar o principal papel feminino do “Gonzaga”. “Não quero mais o teu amor”, diz Castro Alves para Eugênia Câmara.
Isolamento, melancolia, tabaco, nuvens de fumo, tuberculose agravada.
Como se isso não fosse o bastante.
Para distrair-se, o poeta passa a caçar perdizes na região do Brás.
Não se sabe que tivesse disparado um tiro sequer, exceto o fatídico.
Dia 11 de novembro de 1868, Castro Alves carregava uma espingarda, quando ocorreu o acidente, Ao saltar uma vala ou um córrego, o poeta tropeçou e ao tentar se firmar na ribanceira, a arma dispara e o tiro acerta-lhe no calcanhar esquerdo. O pé terá de ser amputado.
Durante os meses de convalescença, já separado de Eugênia, o poeta ficou recolhido na casa de um amigo. E a atriz, por sua vez, tentando reabilitar a sua carreira artística, casou-se com o maestro Antônio de Assis Osternold. 
17 de Novembro de 69: Castro Alves, apoiado numa muleta, vai assistir a um espetáculo de Eugênia no Teatro Fénix Dramática. Os dois antigos amantes têm ainda uma troca de palavras.
Daí por diante...

O fim do Don Juan

Castro Alves sempre encontraria o mesmo remédio para os seus males e a sua solidão: o amor! Ainda que manco e doente, continuava a ser o Don Juan de outrora
Superada a dolorosa separação de Eugênia, ele passa a adquirir novas musas inspiradoras, entusiasmando-se por várias mulheres, dentre as quais Leonídia Fraga, a companheira das quietas tardes no sertão.
Apesar do declínio físico, produziu alguns dos seus mais belos versos, animado por um derradeiro amor, platônico, pela soprano italiana Agnese Trinci Murri. A última grande musa do poeta.
Primeiro, o poeta enamorou-se de sua voz e, em seguida, se apaixonaria pela própria cantora. Agnese jamais se renderia aos sentimentos de Castro Alves, ou às poesias e cartas de amor que ele lhe escreveu. Resistiu ao relacionamento amoroso entre ambos.
No dia 29 de junho de 1869, quando ele já se encontrava acamado, Agnese pediria para vê-lo uma última vez. Castro Alves não permitiu a visita.
Diz o jornalista e historiador Paulo Matos:...”Intensa e atribulada a vida amorosa do Poeta dos Escravos, que amou mulheres de todas as classes sociais. Idalina foi a musa de sua adolescência, dos primeiros tempos do Recife; Maria Cândida Garcez era a "estrela transformada em virgem"; Cândida de Campos o "nenúfar sobre o azul do lago"; Eulália Filgueiras, a "visão do céu"; Inês, a "rosa da Espanha"; Leonídia Fraga, pela qual "rosas mudam-se os martírios". E ainda Sinhá Lopes dos Anjos, envolta na garoa paulistana; e as três irmãs judias, fronteiriças à sua casa na Rua do Sodré, em 1866: Simy, Esther e Mary. Para elas escreveu Hebréia, dedicando o poema "à mais bela". Nos últimos meses de vida, apaixonou-se por uma bela cantora lírica italiana, Agnese”... (Paulo Matos, jornalista e historiador).
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Sexta-feira, três e meia da tarde, 6 de julho de 1871. Na casa de número 20 da Rua do Sodré, morria Cecéu, com 24 anos.
Três anos depois, morreria a sua Eugênia, aos 37 anos.  .................................................................................................................
Cecéu e a Dama Negra viveram uma grande história de amor.
Mas, volto à pergunta: Terá sido um tiro acidental ou ciúme de alguém ferido?
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FONTES: 
ALMEIDA, Norlandio Meirelles de. Cronologia de Castro Alves. São Paulo: Editora Pedro II, 1960. 
AMADO, Jorge. A.B.C. de Castro Alves. 26. ed. Rio de Janeiro: Record, 1980.
CALMON, Pedro. Castro Alves: o homem e a obra. Rio de Janeiro: José Olympio; Brasília: INL, 1973.
CASTRO Alves, poesias: edição comemorativa dos 150 anos de nascimento de Antônio de Castro Alves. Rio de Janeiro: Odebrecht; São Paulo: Nova Terra Comunicações; Brasília, DF: Fundação Banco do Brasil, 1997.
MATOS, Edilene. Castro Alves no folheto de cordel. [S.n.t.].
VAINSENCHER, Semira Adler - Pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco
MATOS, Paulo - jornalista e historiador – in Castro Alves, o poeta libertário.

13 março 2017

FANTASMAS EXISTEM



O menino começou a acreditar em fantasmas numa noite em que ninguém soube explicar por que a cortina balançava, sem que houvesse vento na janela. Por misterioso paradoxo, quando uma brisa passou pela janela, a cortina parou de balançar.
Em seu raciocínio crédulo e simplista, concluiu que a brisa era um fantasma saindo da casa. Naquela noite quente, tremeu muito antes de, cansado de tanto relutar com o sono, adormecer.
Não sem antes fechar a janela.
Daí em diante, todas as noites conferia, desconfiado, o balanço da cortina. Abria e fechava a janela, olhava debaixo da cama e em sua oração noturna pedia que o fantasma não viesse assustá-lo.
Medo de fantasmas é realmente paradoxal.
Há pessoas que não pregam os olhos, madrugada a dentro, temerosos ao surgimento de um. Ignoram que fantasmas só costumam aparecer quando menos se espera.
Outras fecham os olhos a noite inteira para não ver os fantasmas. Apesar de algumas dessas pessoas jurarem de pés juntos, não acreditarem nessas “bobagens”, sabem que eles estão ali quietinhos em seu canto e, quando querem, aparecem na forma de pesadelos.
Há fantasmas em toda parte.
Todos têm seu fantasma de estimação.
Nem que surja na forma de uma prova de química orgânica ou de óptica.
Recentemente, até o futebol aceitou sua existência e instituiu o “Fantasma do Rebaixamento”.
Os vivos, talvez ignorando serem apenas futuros fantasmas, criaram um local apropriado para a coexistência pacífica;
No fundo queriam que os fantasmas ficassem reclusos.
Deram-lhe o imponente nome de Necrópole – “Cidade dos Mortos”. Regulamentaram que os fantasmas poderiam circular livremente na Necrópole.
À noite.
De dia, dormiriam.
No começo tudo parecia resolvido.
Mas, os fantasmas logo rebelaram-se.
Se vivos podiam fazer visitas na Cidade dos Mortos de dia, incomodando seu descanso, os fantasmas também podiam sair pela Cidade dos Vivos à noite.
Nada mais justo!
Assim o fazem.
Fantasmas são espertos. Cientes de sua invisibilidade, entram em tudo que é lugar. Veem o que ninguém imagina. Sabem de tudo o que acontece.
Parece 1984.
Todo cuidado é pouco!
Quando resolvem abrir o bico...
Psicografam...
Reza a lenda, exista um setor de censura no mundo dos fantasmas.
Um código de ética: “Você não conta meus podres, eu não conto os seus”.
Assemelha-se, no mundo dos Vivos ao “Fantasma da Delação Premiada”.
E os segredos de família?
Fantasmas sabem mais que fofoca de vizinha.
Língua de sogra é café pequeno.
Veem coisas de arrepiar padre em confessionário.
De deixar o Cão à espera de alguns santos vivos para tirar férias.
Como eu sei disso tudo?
Sabe aquele menino assustado com o balanço da cortina?
Era eu...
Em vida...
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Nota do Autor:
Espero que este texto tenha sido psicografado.
Senão, morri e nem notei.

  






01 março 2017

Braziu das ditaduras


Quem é a favor das ditaduras, levante o braço.
Ou permaneça como está.
Tudo depende da hora e lugar.
Ou da oportunidade e conveniência.
Democracia já!
Você tem o direito de manifestar sua opinião.
Entretanto, evite festejar gol do Corínthians se estiver nas imediações da sede da Mancha Verde.
Isso não seria saudavelmente correto.
O atendimento do SAMU pode estar em greve.
Vá comemorar lá na Zona Leste.
Ditadura militar, eu sei, todos são contra, exceto os admiradores de Cuba e de Chavez.
Noves fora, subtrai a população do Acre, os artistas ativistas (incluo os passivistas?), os nomeados em comissão pelo governo de St. Luigi Ignatius, o Puro e seu poste (ou sua posta?), os que odeiam Bolsonaro, os que repudiam a Globo, mas não perdem suas novelas, os defensores do Gênero, Número e Grau.
Bom, soma aqui, divide acolá...
Esqueci dos manifestantes em protesto ao Patinho da Fiesp.
80% da população é contra a ditadura militar.
Você escapou?
Então, à frente, firme e forte.
Ditadura pet.
Como alguém pode ser contra os pobres cãezinhos... ou gatinhos? Por que não porquinhos da Índia ou ratinhos recém-paridos por ratazanas do centro da cidade?
Ninguém é contra, eu sei, exceto os que são vizinhos de cães que latem o dia inteiro, os que precisam dormir, os que pisam em cocô, os que têm de limpar o cocô de sua calçada e os que teriam o direito natural de não gostar, não fosse isso absolutamente politicamente incorreto.
Some-se a maioria silenciosa, os temerosos de bulliyng, os defensores da fabricação de tamborim de pele de gato, os fabricantes de sabão e os vizinhos das clínicas veterinárias, que desejam entrar em casa, mas tem um carro parado à frente de seu portão, chegamos em 50% da população contra a ditadura pet.
50%, sim, senhor!... Ou você tem seu ratinho de estimação?
Restam 50% contrários a alguma ditadura.
Você prossegue firme e forte?
O teu cabelo não nega, Maria Sapatão!
O que foi, mano? Não gosta de Carnaval?
Então somos dois.
Mais alguém?
Claro que não, eu sei, exceto os que não podem sair de casa, porque tem desfile de blocos nas imediações, os que precisam trabalhar durante o carnaval e têm que aguentar o barulho dos mesmos blocos, os que ficam incomodados pelo mal que o barulho faz ao seu cãozinho.
Que fantasia é essa, moça? Pena de faisão? Isso não pode.
Ora, vá atrás dos seus direitos...
Calma, gente!
Eu sou o culpado?
Quer saber? Os defensores das ditaduras que se entendam.
Ditadura? No Braziu?
Você é favorável a alguma delas ou não?
Claro que não, eu sei, exceto...
Seu politicamente incorreto!
Junte-se a nós...
À frente, firmes e fortes!

19 fevereiro 2017

ADETRACAMAZOLASACOPROFA vai ao STF em defesa das PUTAS



Recebi um “email” que me deixou os pelos do braço (únicos que me restam a mostra) em pé.
Vinha da ADETRACAMAZOLASACOPROFA (Associação de Defesa das Trabalhadoras em Casas de Massagens da Zona do Lago Sul, Acompanhantes e Profissionais Afins) protestando contra o uso indevido de sua marca.
O remetente ADETRACAMAZOLASACOPROFA fez-me prestar mais atenção na reclamação.
Tem fundamento a queixa.
Cabe-me alertar a todos que a Língua Portuguesa, no Braziu, apesar da reforma ortográfica, porém sem reforma política, está mesmo uma “putaria”.
Difícil encontrar um texto escorreito (esta desenterrei)...
Já fico “puto” com esses modismos que conspurcam (e esta ressuscitei) nossa língua.
Tivemos a época do “a nível de“, do “na realidade” ou “na verdade”. Coisas “tipo assim”.
Tivemos “o muito pouco”, o “gerundismo”, et coetera...
Interatividade... Podem encher a página.
I, aki entre nois, hj tem tb o “informatikês”. Admitamos, escrevinhar certo naum é coisa mto fáciu.
E ”la nave va”...
Nessa maracutaia aloprada. Em tempos de “Mulieres sapiens pixada”, é verdade!
Dá um “puta” trabalho escrever corretamente.
Ainda bem que há as ”putas”. E servem para quase tudo. Inclusive para pronto- atendimento. Coisa “tipo assim” Disk 0800 acompanhante.
O leitor já deve estar de saco cheio de teoria “putanesca” e ansiando um exercício prático.
Vamos a ele:
O leitor deverá substituir as palavras indicada entre parêntese pela “puta” correspondente
Prontos?
1 - A (cadela) da minha vizinha fez xixi no elevador do prédio.
2 – A filha da Maricota é uma (vagabunda)... Não estuda... Não trabalha... Vai levar ”pau” na escola.
3 – No sítio, eu tomei leite da (vaca) da comadre.
4 - A (pistoleira) tirou a arma para fora e matou três jagunços.
5 – A companheira do Indiana Jones também é (aventureira)
6 – As (meninas de rua) da Praça da Sé são alimentadas pela Pastoral.
7 – Adoro minhas (primas). Somos uma grande família.
8 – As (galinhas) cacarejam no poleiro.
9 – Aquela (tiazinha) deve ter uns oitenta anos.
10 – Mães de políticos são (senhoras respeitáveis).
Aí, entra a reclamação da ADETRACAMAZOLASACOPROFA.
Cadela, vagabunda, vaca, pistoleira, aventureira, meninas de rua, primas, galinhas, tiazinhas...
Neste braziu, quase tudo vira “puta”!
Alô, Rita Lee! Não era “tudo vira bosta”?
Só mãe de político é que não anda aceitando bem a substituição. Elas têm um ciúme danado de não ganharem joias de empreiteiros.
Puta, cara! Sente só como a coisa está dura!
Ai! Se eu te pego.
Não adiantará pedir socorro ao seu amigo Takeo (primo distante do PQP e compadre do Japa da Federal). Ela nega, mas parece que ele está numa “dilatação” premiada.
Do jeito que vai, logo, logo, o substantivo bitransitivo adjetivado adverbial de quantidade ou modo “puta” terá um capítulo só para ele nas gramáticas de língua portuguesa.
“Tipo assim”, quase “a nível de” tornar-se um “se”, um “que” de Boletim de Ocorrência, um “por que”...
Preocupo-me!
Porque? (ou será Por que?)
Porque (ou será que será por que) já estou velho para reaprender a escrever. Não me lembro nem onde coloco os óculos e neste tempos digitáveis, às vezes pego-me perguntando-me o que é e para que serve um lápis.
Se eu fosse jovem, bonito e ignaro poderia faturar como (modelo). Afinal, tenho que “comer”...
Mas, não! Além de velho, estou careca, gordo, aposentado.
Creio que acabarei fazendo somente uns (biscates) para ganhar uns “putos”.

Ou seja: “mal pago”.
Amanhã cedinho procurarei a seccional da ADETRACAMAZOLASACOPROFA. Quem sabe eu tenha algum direito adquirido, ganhe uma ação no STF e receba uma “puta” grana.
Ao autor do email de alerta: Não me esquecerei de você.
Desde já um “puta” abraço.

11 janeiro 2017

O PEDINTE

O PEDINTE


O Homem caminhava poucos passos a minha frente. 
Chamou-me a atenção a falta do antebraço direito.
O Homem parou defronte a escadaria da Igreja, estendendo o olhar para seu topo.
Instintivamente, também parei.
Quem sabe colheria um flash do cotidiano.
Sentar-se-ia a esmolar ou entraria para orar?
No topo da escadaria de uns quinze ou vinte degraus surgiu a Moça. Jovem, calças brancas, justas, saindo da Igreja.
Ah! Que pecados teria confessado, arguiram meus diabinhos.
A Moça desce, desfilando.
Concluo que nada demais sairia da cena e retomo meu caminhar... Lento...
Passo pelo Homem de olhar fixo na escadaria.
A Moça termina a descida, tomando o mesmo sentido que eu.
“Que gostosa!”, ouve-se murmurante.
Paramos...
A Moça, eu e o mundo...
Quase em estado de choque.
A Moça procura a origem...
Olha para o Homem...
Olha para mim, com um sorriso desaprovador.
Mundo saindo do choque...
A Moça acelera o passo... 
Demoro uns segundos...
Suficientes e necessários para ver o Homem sentar-se na escadaria e começar seu ofício, tilintando uma latinha de moeda, com o braço completo...
No topo da escada, surgem duas Senhoras.
O Homem estende o braço, olhar súplice...
“Uma moedinha”, murmura doloroso à passagem delas.
Diabinhos matutam: “O que o Homem teria falado fossem as Senhoras vinte anos mais jovens?”
Seguem a mesma direção da Moça...
Ah! A Moça...
Sumira na multidão...
Vida que segue...
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