21 junho 2016

NOITE DE SEGUNDA PERDIDA NA TV



Bem que tentei!
Pacientemente, ouvi as primeiras respostas da Sra. Vaselina Di Simulada da Silva no programa Roda Viva, transformado pela entrevistada em Roda Morta.
Vencido pelo tédio, descobri, entre uma falta de resposta e outra, que a programação da TV aberta, às segundas-feiras, tem piores opções. Verbi gratia, aprendi que há o Hyper Pop na Rede TV, a ficção de que há Polícia 24h. na Band, Little Mouse e Raio da Fama no SBT. Numa zapeada, tive de esconder-me atrás do sofá, temeroso de ser atingido por uma bala perdida vinda de uma rajada de metralhadoras Globais. Esperei o plim-plim e conseguindo resgatar o controle remoto da explosão de bombas, minha ansiedade fez-me voltar à TV Cultura, na esperança de ouvir alguma resposta direta e prática da “eterna candidata terceira via”, que por duas eleições ludibriou boa parcela da população.
Em vão.
Nada de útil foi proferido por ela.
Cansado de tanta dissimulação, num gesto de “desustentabilização proativa progressiva”, fui para minha Rede e dormi frustrado pelo duplo desperdício de energia. A elétrica e a minha.

11 junho 2016

PRENDE O JAPA!




Impressiona-me a batalha de dedos apontando quem é mais culpado nesta rede de corrupção da “Pátria amada,  braziu”. Parece aquelas brigas de infância “ele me xingou primeiro”. Porque o Cunha é aquilo, o Dirceu fez primeiro, O Vaccari pedia tanto, a Odebrecht deu de monte, et coetera, et coetera et coetera...
Lembro-me de conhecida “piadinha” jurídica, quando o Magistrado noviço ao julgar seu primeiro caso ouve o reclamante e terminada a audiência dirige-se ao escrevente: “Ouviu a história? Condenarei o acusado”.
Ao que retruca o escrevente: ”Excelência, desculpe-me, mas escute o acusado antes”.
O reclamado é ouvido e o Magistrado novamente conversa com o escrevente: “Que mentiroso o acusador, condená-lo-ei!”
“Excelência, desculpe-me, mas o senhor já avaliou as provas?”, retrucou o escrevente.
Provas para lá, provas para cá, o Juiz indeciso, após tantas certezas refreadas por alertas do escrevente para não se precipitar, finalmente toma a decisão: “Absolvo as partes e condeno o escrevente”.
Prenderam o Japa!
Diferentemente do escrevente que nada fizera, mas culpado de um crime ocasional, justificadamente condenável, a prisão do Japa servirá uns dias com escudo de defesa e arma de ataque das “vítimas do golpe”.
Inocentes defensores ou cúmplices do “Lullo-petismo” ficarão desviando a atenção dos mais incautos.
Até que entendam que tanto o escrevente quanto o Japa eram meros cumpridores de ordens legais. Nada tendo a ver com os crimes
Enquanto os criminosos, a conhecer-se da história do “braziu varemnóis”, estarão entre acordos e delações, livrando suas caras e, devorando lautas pizzas, rindo do escrevente e do Japa.

07 junho 2016

NO PONTO DO ÔNIBUS



Todas as manhãs, nos longos minutos à espera do ônibus, no ponto lotado, tenho por costume – ou seria vício, mania? – ficar lendo as notícias de primeira página dos jornais e as capas de revistas.
“Político gasta dois mil dólares para jantar em Nova York”.
“Marido de atriz ganhava mais de noventa mil reais por mês”.
“Cantora recebe trezentos mil para financiar livro de memórias”.
“Diretores da Petrobrás desviam três milhões para partidos políticos”.
Repetitivas notícias. Sem novidades.
Só muda os valores de minha indignação.
Enquanto decido qual jornal comprar, matuto olhando para os rostos sonolentos que também esperam seus ônibus.
Quantos ali têm noção de quantos Pratos Feitos seria possível comprar com os dólares de um único jantar?
Saberiam a diferença entre esses milhares de dólares e milhões de reais?
Rápidas contas à cabeça.
Eu mesmo não faço a menor ideia de quantos cofrinhos de porquinhos seria necessário encher para completar o menor valor acima - dois mil dólares – em moedinhas.
O que eu faria com três milhões de reais, sem que seja correr maior risco de um sequestro? 
Volto a tentar adivinhar o que outros fariam?
Tenho quase certeza que o rapaz de camisa de clube de futebol, tivesse dois mil dólares, não iria jantar em Nova York. Talvez trocasse o fogão, a geladeira de sua mãe e com uma “boa” compra de mercado, faria para um “super- churrasco” no domingo.  
Se ganhasse três milhões de reais, apostaria na “mega-sena” novamente?
Aquele de paletó e gravata? O casal abraçadinho?
Comprariam um apartamento e aplicariam o restante.
A garota com livros? Realizaria o sonho de poder apenas estudar.
Quantos apenas não invejam e fariam o mesmo das manchetes?
O dinheiro, enfim, é mera ficção.
Sonhos e pesadelos.
Quando falta, sonha-se em tê-lo como solução de problemas. Alguns simples e imperceptíveis quando se tem em excesso.
Um pesadelo ante ao risco de perdê-lo. Em aplicações na Bolsa ou na falta do emprego.
Distraído nas divagações, quase não percebo a chegada de meu ônibus.
Na fila para o embarque, ouço um tilintar aproximando-se.
“Uma moeda para comprar leite!” A dona da voz de tom súplice apresenta-se, tocando-me o braço. Traz numa das mãos uma panelinha velha com algumas moedas e noutra puxa a criança de uns três anos.
Instantâneo dilema à mente.
É correto dar-se esmola? Estímulo à mendicância? A criança pode ser de “aluguel”.
Ora, também não são corretas muitas das coisas que fazem com o dinheiro “público”.
Reviro o bolso e jogo na panelinha algumas das moedas que usaria para comprar um dos jornais.
Ela agradece e seguimos nossas vidas.

15 maio 2016

EU VOTEI NELA!

Às vésperas do segundo turno da eleição presidencial de 2014, ouvi igual frase, por mais paradoxal pareça, vindo de correligionários de ambos os candidatos: “Não sei é bom ganharmos”.
Hoje ambos devem estar refletindo: “Bem que eu sabia!”
Fato concreto, a bomba do desarranjo da política lullo-consumista mantida pelo governo estava prestes a explodir. Afinal, dinheiro não brota em árvores.
Assim se deu!
Em casa foi regra só gastar o que teria como pagar, e não podendo emitir moeda, nem lançar títulos para 40 anos, nossas dívidas eram programadas apenas para curtíssimo prazo, com cortes no orçamento de ordem não absolutamente necessário.
E sem propina.
No máximo, algumas “caixinhas” de Natal, Páscoa.
Indo ao ponto do que ocorreu.
O dinheiro proveniente da “zelite coxinha” acabando e a bomba nas mãos.
Que bom perder, tucanada!
Não ter os dedos do país apontando-os como exterminadores de benefícios sociais, cortes na Lei Rouanet, paralisação de PACs, déficit orçamentário, disparada da inflação, queda do PIB, fracasso do pressal, dilapidação dos fundos de previdência – Postalis, Previ, Funcef - e o mais terrível dos males – o desemprego crescente – onze milhões de famílias.
Para entender a linha argumentativa dos acontecimentos.
Divido a companheirada em três grupos. O topo da pirâmide ou “culpados/suspeitos”, o grupo intermediário ou “apaniguados/beneficiários”, também chamados “amigos do rei”, e a grande base da pirâmide: a ralé. Digo, os ”inocentes”, doutrinados ou não.
Como seria bom ter perdido!
Os “culpados/suspeitos” decidem: “Temos que distribuir a culpa”!
Mãos às armas! Digo, à luta, “amigos”!
Mídia sensacionalista... “Eles”... O Congresso... A oposição – qual oposição?
Ilações vagas à parte, duro é, aqui embaixo, explicar aos “inocentes”.
Como ao Sr. Zico, zelador do prédio, que teremos de demitir, pois os condôminos “coxinhas” perderam seus empregos, estão inadimplentes e cortes são necessários para pagarmos os ”essenciais” impostos que sustentam o topo da pirâmide. Aqueles que aparecem nas manchetes dos jornais, nas reportagens da TV. Os mesmos que orientam e financiam os gritos das palavras de ordem dos “amigos do rei”.
Ao saber da notícia, o Sr. Zico, lacrimejante, ainda disse: “Tenho culpa nisso ! Eu votei nela”.
Fiquei com vontade de chorar também.
Ah! Os correligionários citados lá no primeiro parágrafo?
Um perdeu o cargo em comissão, outro também está desempregado.

24 abril 2016

MANTO SAGRADO – A SUPERSTIÇÃO EXPLICA DERROTAS?




“Caiu em Itaquera, já era... Nóis opera!”.
Opera quem cara-pálida?
Dois anos seguidos, semifinais do Campeonato Paulista, é a mesma ladainha. Empate por dois gols e derrota nos penais.
Saudade do Monumental da Fazendinha!
Bons tempos aqueles.
“Aqui na Fazendinha, a bola é minha!”.
Quem passou pela várzea, sabe o que é isso. O campo é nosso, nós mandamos. O Juiz é nosso, a lateral é nossa, a partida não termina empatada, bola corre até virarmos “gloriosamente” o placar.
Nestes tempos de modernidades, derrotas desse tipo somente explicando através da superstição.
Não há outra.
Senão, como uma equipe com folha de pagamento igual ao salário de um ou dois jogadores do Manto, pode vencer na “casa” do grandão?
No dia de Jorginho, o Santo Protetor.
Ora! Às favas...
Quanto custará um pênalti na trave?
A renda das finais.
Falta de sorte?
Os jogadores de Osasco, em quatro cobranças convertidas, acertaram três no mesmo local. Alto do lado direito de um goleiro canhoto.
Falta de treinamento...
Provavelmente.
Treinassem repetidamente, à exaustão, como fazem jogadores de basquetebol, melhorariam a pontaria, a técnica, transformando o goleiro adversário em mero coadjuvante, limitado a pegar a bola nas redes e devolvê-la ao árbitro.
Enfim, duas eliminações consecutivas, da mesma forma, no mesmo estádio, mesmo lado do campo.
Cá entre nós, para a próxima vez, minimamente mude-se o lado da cobrança dos pênaltis. Afinal, deve ter sapo enterrado naquele gol.
Reza a lenda, que no Monumental da Fazendinha tinha.
Mas, pelo sim, pelo não, umas horinhas a mais de treinamento ajudam.
Ajuda ou não, Jorginho?

12 março 2016

NEM UM PASSO À FRENTE, BRAZIU!




O “braziu varemnóis” está parado.
Em determinado período do final do século XX aconteceu cenário semelhante.
Recomendava-se que seria melhor ficar parado mesmo, pois um passo à frente poderia significar despencar num precipício sem fundo.
Veio a esperança no fim do governo militar e levar-se os trabalhadores ao poder.
Tivemos que nos pintar de verde-amarelo, vender estrelinhas vermelhas, iguais as que carregávamos na camisa.
Lutas para tirar “os pelegos” dos sindicatos.
Nunca elegi um presidente no século passado.
Acreditava quase piamente na estrelinha.
Na virada do século, as luzes do novo tempo se apagaram e pude perceber a grande mentira.
E continuei sem eleger um presidente.
Rude luta contra a maioria tingida de vermelho aparelhada por todas as ramificações do Estado.
Enfim, se o tempo cura quase tudo, passaram-se uns trinta anos daquela época de paralisia.
Andamos realmente um pouco à frente.
Depois a realidade...
Fomos parando, parando,.......pa...ran...
Rala esperança...
Pintar-se de verde-amarelo?
Enfrentar milícias paramilitares de roupas vermelhas e foices na mão.
Desaparelhar o Estado...
Pelegos devoram sobras do jantar dos Bichos e ameaçam com facas e garfos aos que olham à janela com fome.
Orwell descreveu porcos andando sobre duas patas.
No “braziu varemnóis” é um pouco diferente.
São jararacas rastejantes que infestam o país.
“Braziu varemnóis” está parado.
E terá que andar para trás para recuperar o rumo do sonho, que o Lulo-petismo levou à beira do precipício.