15 fevereiro 2016

CARNAVAL NO BRAZIU É O ANO INTEIRO



 
Não tenho propriamente aversão ao Carnaval. Feriados serão sempre bem vindos. O problema são os carnavalescos.
Na infância assisti, em TV preto e branco, concursos de fantasia invariavelmente vencidos por Clóvis Bornay, que completaria 100 anos em 2016. Três vezes fui “in loco” a desfile de escolas de samba – uma vez na Av. São João, outra na Av. Tiradentes e a terceira vez no Sambódromo do Anhembi. Em algumas noites insones, trechos de desfiles muito coloridos, carros alegóricos e seus destaques escondendo as “vergonhas” dentro de um band-aid, também chamado de tapa-sexo.
Em Sampa, este ano, ocorreu um fato inusitado: “A modelo Ju Isen, considerada musa das recentes manifestações contra o governo federal e destaque da Unidos do Peruche, foi expulsa da avenida por despir parte de sua fantasia, em protesto após ser impedida pela escola de usar tapa-sexo com a imagem da presidente Dilma Rousseff”. (fonte Uol)
Atrevo-me a dizer que o uso de tal “modelito” de tapa-sexo faria mais efeito que cinto de castidade ou métodos anticoncepcionais.
Carnaval, ora o Carná!...
Quem na juventude não tem seus ímpetos e surtos de idiotia?
Gostar de carnaval assemelha-se a acreditar que o comunismo é bom, que o PT iria mudar o “braziu”, que Luigi Ignatius será canonizado, et coetera similares.
Esses desvios de comportamento são admissíveis na adolescência, na primeira fase da idade adulta, mas ultrapassada a barreira dos trinta, “hominis e feminis sapiens” portadores de tais vícios são merecedores de avaliação psiquiátrica.
Tenho, ainda, motivo forte para desgostar do Carnaval.
O carnaval tem sua parcela de culpa em minha surdez.
Domingo de Carnaval de 1997.
Sobreveio-me a surdez súbita e a Dra. Paula, médica “otorrino” que me atendeu, depois de perguntar-me se eu não tinha ido a algum baile de carnaval, afirmou que eu precisava de uma lavagem auditiva, mas ela “não podia fazer” no Pronto Socorro.
Na quarta-feira gorda, quando consegui uma consulta ambulatorial, era muito tarde. Deveria ter sido internado e medicado de imediato.
Lá se foi minha audição.
O mais chato do fato, logo após o zumbido cerebral permanente até hoje e a perda unilateral da audição, era ter que “escutar” outras pessoas perguntando, detrás daquele sorrisinho irônico se eu não tinha mesmo passado a noite num ensurdecedor baile de Carnaval.
Não! Não tinha...
De lado o problema pessoal, as atividades momescas (Nestes tempos de obesidade coletiva ainda existem Reis Momos?) causam mais males que benefícios.
Exposição a som de 90db danifica as células auditivas em quatro horas.
Talvez por isso o som dos trios elétrico atinja 120 ou mais decibéis.
Quem está perto já deve estar surdo ou calibrado em estado letárgico. Quem esteja a quilômetros de distância, tentando descansar ou fazendo qualquer outra coisa, que o suporte.
“Eu quero é botar meu bloco na rua” cantou o falecido compositor Sérgio Sampaio
“A Praça Castro Alves é do povo”, cantava o tropicalista Caetano.
Analisando os inconvenientes do xixi no muro de d. Eva, os preservativos no jardim do Sr. Adão – quem mora na Vila Madalena sabe o que é isso -, o som infernal incomodando quem está parado no trânsito a caminho de algum compromisso mais ameno, uno as frases e desejo:
“Que os foliões dos blocos de rua de São Paulo sigam os trios elétricos. Rumem à Via Dutra, cruzem a ponte Rio-Niterói, arrastem suas sandálias pela BR116, cheguem felizes a Salvador e fiquem definitivamente na Praça Castro Alves”.
Pronto!
Com esta solução prática para o tríduo de cinco semanas “pré” e pós Carnaval, passo a preocupar-me com os outros “carnavais”, esquecidos durante a folia.
“Carnavais” a desfilar repetidamente nas manchetes da imprensa, tendo como destaques políticos, que tentam, sem-vergonhas, esconder seu locupletar-se, o desvio dinheiro público. Aos arquibaldos e geraldinos, fantasiados com seus narizes vermelhos, resta cantar e popularizar o Sr. Newton.
Vamos lá, comunidade!
Comigo! Em ritmo de Marchinha dos anos dourados...  soltem a voz:
“Ai! Meu Deus! Me dei mal... Bateu na minha porta o japonês da Federal”.

12 fevereiro 2016

CRISE HÍDRICA – ECONOMIZOU? PAGUE MAIS...



CRISE HÍDRICA – ECONOMIZOU? PAGUE MAIS...

A cota mínima de consumo da Sabesp é 10m3, ou seja, consuma 1, 2 ou 9 m3, paga por 10 m3.
Com a “crise hídrica” a Sabesp iniciou “o programa de bônus” para quem economizasse e atingisse a “média”.
Os bônus são 10%, 20%, 30% dependendo da faixa de economia.
Há a “multa” em 40% ou 100% devido à “tarifa de contingência”, para quem ultrapassar a média.
Vejam o absurdo que ocorrerá comigo e, provavelmente, com muita gente.
Consumíamos a média de 8 m3 em 2014, pagando por 10m3.
Passamos a economizar mais.
Em alguns meses, atingimos 4, 5, 6m3 e tivemos o bônus.
Na conta de fevereiro/2016, recebemos a conta indicando a “alteração da média de bônus” para 5m3.
Entretanto, a “tarifa de contingência” passaria a 6m3.
Deixe-me ver se entendi.
Se consumirmos os mesmos 8 m3 de nossa tradicional média, pagaremos a taxa mínima de 10m3, acrescidos de 100% de multa sobre o valor mínimo de 10 m3?

22 janeiro 2016

A HONESTIDADE DO CARA



Pululam nas teias sociais um rol de anedotas sobre a frase de Louisito Fifty One: “No hay arma viva mais honesta que yo” (sic ou será hic, hic, hic).
Peralá, gente!
O caso é sério.
Por muito menos tem hospício lotado.
“O cara” já se achou Getúlio “o democrata”.
Infelizmente não se suicidou para dar um pouco de sossego.
“Brahma”, sem uma ação da Ambev, enriqueceu ministrando palestras.
Deve ser o título “Honraris cauças” adquirido em Coimbra.
Deixe estar, uma ova!
Não fala mais coisa com coisa.
Olhe o que faz o álcool, meu filho!
Cuidado aí!
Até os loucos merecem toda a atenção. Afinal, reza um antigo provérbio, “serem tais relógios parados. Certos duas vezes ao dia.”
O pessoal da era dos ponteiros sabe o que estou falando.
Agora falando sério – viu, Chico – gente como “Love and Peace” são pessoas perigosíssimas. Levam seus fanáticos seguidores para o mesmo caminho de sua loucura.
O mundo está farto de exemplos.
No Ocidente também.
Adolph, Benito, Castro, Hugo... Apenas para ser mais recente.
Verborrou ainda: “Nem nas igrejas”
Nisso talvez tenha dito a verdade, pela evangelização levada a  troco de dízimos.
Mas é possível esquecermos Jim Jones?
Parem de brincar com o Lullo-petismo.
O “braziu varemnóis” pode estar próximo de livrar-se dessa praga.
Sai Zika...
São tinhosos, camaleônicos e sabidamente violentos.
Não brinquemos com eles.  

28 dezembro 2015

Como será o amanhã, Chico?



Repudio toda forma de ataque a pessoas, por sua opinião, classe social, cor.
Agora, cá entre nós, Chico, quem está na chuva é para se queimar ensinava Vicente Matheus.
E você está na chuva, no meio de Calabares.
Não atirarei pedras em sua invejável capacidade criativa, nem jogarei fora qualquer um de seus Compactos (tive o raríssimo Tamandaré), LPS e CDS, que talvez se tornem raridades, perseguidos pelos que você apoia na época da aculturação necessária para a quebra de paradigmas e instituição das ambicionada Revolução bolivariana.
Chico, atente a história das tomadas de poder da revolução francesa, revolução russa e de atitudes simplórias do PT.
Quantos revolucionários de primeira hora como Robesepierre guilhotinados, Trostky assassinado, ambos por divergirem dos caminhos tomados pelos “líderes”. O PT é cópia. Expulsou aos discordantes. Betty Mendes e Ayrton Soares, por votarem a CF/88. O PT é de alguns e você não tem o perfil. Fez canções para “coxinhas” Isso será imperdoável quando não precisarem, mais de você. O PT é assim. Você não tem perfil, nem passado que “honre” com sacrifícios necessários. Chico, você fez caixa-dois? Nem um rateio no Estádio do Polytheama? Preste atenção que o MST pode estar de olho no terreno para servir de acampamento.
Chico, você está sendo usado por um partido, que tem sob suas asas o assassinato de prefeitos, o estelionato da Bancoop, o Mensalão, o Petrolão.
O PT é bandido, sim, Chico!  
Se o PSDB é bandido, é outro assunto.
E se um dia, instalar-se a insurreição bolivariana no “Braziu Varemnóis”, você e tantos outros vão se mudar para Paris, pois a Banda desse pessoal não toca coisas de amor e sim de ódio, mensagem não faz parte de seu repertório.
Chico, lembre-se de Bárbara. Você sofrerá a traição e mesmo chamando o ladrão e escondido pela Adelaide, estará fatalmente na alça de mira dos Falcões, que tementes de seu carisma voltar-se contra eles, não hesitarão em colocá-lo a escanteio.
E talvez suas canções voltem a ser censuradas.

08 abril 2015

VILA MARIANA - TEMPOS TRANQUILOS DA PROFESSOR TRANQUILLI

04126-010.
No dia 10 de Outubro de 1928, quando Antonio Augusto Davin, meu bisavô, adquiriu o lote na Travessa Terceira, Freguesia de Villa Marianna, localizado a cinqüenta e cinco metros da Rua Loefreguin, não existia o Código de Endereçamento Postal. A Travessa Terceira só tinha mato. Depois ainda foi denominada Rua da Floresta. Hoje é a totalmente urbanizada Rua Professor Tranquilli, em homenagem ao professor Tranquillo Tranquilli, falecido em 1947, titular de diversas matérias no Colégio São Bento.
Na sala da casa que ocupa o último dos lotes herdados por seus familiares, ainda balança uma cadeira adquirida no dia do meu nascimento, em 1955, para que a dona Maria de Lourdes embalasse seu neto nos últimos dias de vida.
Nessa época, a rua de terra batida já estava com quase toda sua extensão habitada e quase igual ao que é hoje, não fossem dois prédios que roubam a insolação das casas.
Todos vizinhos se conheciam.
No lado par ao lado do muro do Hospital Santa Cruz era casa do Amadeu da venda. Atravessando a Jorge Tibiriçá estava a casa do seu Geraldo, ao lado do último terreno sem construção onde fazíamos guerra de canudos entre os pés de mamona. Depois vinha a venda do Seu Valdomiro e dona Sophia, a lojinha do Seu Domingos e dona Aurora, as três casas de meus primos Elisa, Aurora e Julinho, a casa da Dona Dolores e seu Nicola – estas quatro demolidas em 2005 para construção de um prédio -, vizinha do seu Manoel pintor, meu avô e pai da Dona Olga, a casa construída no terreno do tio Alberto, a casa do seu Hilário, depois a do Seu Luiz, vizinho do Luiz tintureiro, que toda sexta-feira saía de madrugada para pescar na Billings e às vezes levava os meninos da rua. Ao lado a casa do seu Francisco, fotógrafo. Os últimos cinco sobradinhos, que hoje são quatro, foram construídos no começo da década de 60. Do lado ímpar a oficina do Pedrão, a casa que eu achava a mais bonita da rua e está praticamente igual até hoje, na esquina da Rua Manoel de Moraes. A seguir, a dona Maria do 85, a casa do Tiguês, outra oficina mecânica - do Franco -, o açougue do Romeu, a casa da dona Julieta, costureira, a casa da dona Aurora, mãe da Dra. Irene, dentista; a casa da Dona Arlete, mãe do Ariel que correu a São Silvestre num ano da década de 60. Atravessando a Trabiju havia a casa da dona Emília, também costureira, esposa do Alcebíades, ao lado da dona Aparecida, outra costureira, mulher do seu Gino, motorista de praça, como meu pai Pedro, depois a casa e fábrica de cortiça do Seu Antonio e dona Rosinha, a casa da Dona Clélia e seu Davi – estas três também demolidas e finalmente a casa da mãe do Nenê que jogava no Corinthians e a vendinha do seu João, pai do Maurinho, recém demolida..
A gente sabia até quem eram os cães. O Biju do 239, o Banzé do 238, a Flay do 258.
Era necessário prendê-los às pressas para evitar que fossem pegos pela carrocinha que passava “de surpresa” às sextas feiras.
Na década de 60 brincamos “perigosamente” por uns dias, nos buracos onde era instalada a tubulação do esgoto. Era o fim da limpeza das fossas que se escondiam nas calçadas.
Uma grande felicidade. Asfaltaram a rua e pudemos descê-la de carrinho de rolimã. Se o seu Rômulo estivesse em casa, só da casa dele para baixo, por causa do barulho. Mas se ele não estivesse, era desde o topo da Jorge Tibiriçá até a Loefgreen na frente da vendinha do seu João. Algumas vezes nos esborrachávamos no terreno da dona Irma, esposa do seu Irmo, na Loefgreen. Algumas vezes assustamos o cavalo do verdureiro que passava duas vezes por semana.
Foi um grande evento a troca das carroças de lixo pelos caminhões.
Na época junina, Dona Aparecida organizava uma fogueira, ao lado do muro, onde hoje há um pé de romã.
A rua tinha seus defeitos. A feira de domingo atrapalhava as brincadeiras. A mesma declividade, tão útil para as velozes corridas de carrinhos, nos obrigava a jogar bolinha de gude e algumas peladas na Trabiju ou Loefgreen, que eram retas.
Falando em futebol até um poste tinha apelido e completava o time se faltava um. O Carlos Alberto, cortado da Copa de 1966 e que fizemos uma pequena homenagem a ele quando foi o capitão em 1970.
Campeonatos de jogos de botões não faltavam quase todas as tardes.
O começo do final desses bons tempos dourados foi em 1972, quando construíram o viaduto sobre o “buracão ou barroquinha” da Loefgreen e os carros começaram a “cortar caminho” por lá.
Nessa época, quatro moleques criados na rua - Cláudio, Luiz Carlos, Hiroshi e eu - todos vestibulandos nos despedimos da tranqüilidade da Tranquilli, com a última pelada na rua. Nunca mais vi ninguém brincando na rua. Nem meus filhos que cresceram na mesma casa, mas já se mudaram para outros caminhos em suas vidas.
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Crônica publicada no Jornal Vidaqui de 25.fev.2011

27 outubro 2014

ODEIO NORDESTINOS? CUIDADO CANTOR...

Na disputa maniqueísta PT versus anti-PT, depois do telecatch dos programas e debates eleitorais, não há nada mais negativo que o divisionismo que se tenta implantar no país, ao molde mais tenebroso de uma política bolivariana-soviética de guerra de classes sociais.Lembrei-me da frase: ”O capitalismo é a exploração do homem pelo homem. E o comunismo é exatamente o contrário.”, da Revolução dos Bichos, do pouco que conheço dos pensamentos anti-democráticos de Voltaire, da suíte de sete mil reais de Lula no Copacabana.Não adentrarei em meandros filosóficos, mas entendo que instigar a diferenciação de classes sociais, de ódio aos nordestinos é muito pior que Mensalões, Petrolões, Alstons.

É um crime de lesa-pátria.
A Venezuela democrática chavista sobrevivia de vender petróleo para movimentar os carros americanos. Hoje, expulso o “grande mal dos ricos”, os venezuelanos sofrem as consequências.
A Bolívia vive, sem falarmos na cocaína, de exportar gás para os ricos e do confisco de riquezas capitalistas. Sobreviverá até o final da democracia de Evo?.
A ditadura soviética principiou na promessa de igualdade e matou ou congelou na Sibéria, quem dela discordasse.
Nosso grande “pai dos pobres” era um ditador.
Como defender essa tese de guerrilha social?

O PT tem um projeto de poder até o fim dos tempos. Nem que na ânsia traiçoeira do jogo do poder, os mentores da guerrilha social precisem abraçar “coronéis” nordestinos.  

O povo não belicoso do “braziu varemnós” precisa ficar atento para não se deixar iludir e entrar neste jogo sujo proposto, especialmente por aqueles que mais quatro anos estarão de posse da caneta distribuindo muito mais que projetos sociais. Estarão, sem qualquer marco regulatório, instigando um ódio nunca visto neste país.

15 outubro 2014

Debate Eleitoral

Oh! debate chato! Passaram o tempo todo se debatendo para não responder as perguntas. Mas, segundo Diuma o importante é ser fundamental(ista), para não tergiversar fulanizando. De novidade mesmo foi ela ter ficado em cima do muro e não revelar em qual zona de Minas a irmã do "Ai"écio trabalhava. Será que com delação premiada ela entrega?.

Um haikai apropriado  :

Campanhas eleitorais
O pobre povo enganado
Cada um prometendo mais
Mentiras pra todo lado

14 outubro 2014

ÓDIO AOS PETISTAS

Refrescado em meu ar condicionado, assistindo a um desses canais (de)formadores de opinião, tomando uma água mineral francesa, vejo no Facebook reclamações quanto ao comportamento que estaria sendo tomado pela turminha de lá de cima do muro diante dos estrelados ainda aturdidos pela reação de Aécio. Alegam estarem sendo discriminados, hostilizados, bulinizados, com perseguições de patrões a empregados sob a ameaça da perda de seus empregos se os tucanos não ocuparem o poste mais alto do Planalto.
Pobres coitados! Faz-me rir! Fazendo-se de vítimas, ao melhor estilo dos inocentes de punhos erguidos ao serem colocados de castigo pela Polícia Federal.
Quem, salvo maior engano, instiga o ódio às “zelites” e anda de braços com coronéis do Nordeste, não é da turminha de cima do muro e chama-se Luiz. Amicíssimo de governantes defensores da democracia, que não cassam concessões de TV, nem expropriam empresas brasileiras. Aliás, persegue com fervor a corrupção. Tanto que o tesoureiro de campanha de Dilma é nada menos que João Vaccari, indiciado criminalmente quando fazia estágio de desvio de dinheiro na BANCOOP –Cooperativa Habitacional que lesou cerca de três mil famílias em São Paulo.
Mas línguas dizem perseguir corruptos para cobrar seu dízimo do butim.
Ô, Geraldo! Que calor! Nada de chover em São Paulo. As represas vão secar. Assim não dá para transpor o Rio São Francisco. Tem que transpor logo, pois em breve não haverá “Integração Nacional”. Uma das fontes, lá em Minas Gerais – terra do Aécio, vejam vocês – também está seca.
Socorro Padim Ciço!
Minha dose de uísque. Mas, não paraguaio. Não dá para confiar neles, tanto que os expulsamos do Mercosul. Vejam se pode. O Paraguai não compactuava com camarada Chavez.
E por aí poderia seguir desfiando “lições de democracia”. Entretanto está na hora de relaxar em minha banheira de ofurô, antes que o apartamento de cobertura onde moro, seja invadido.
Ódio aos adversários, sabe-se muito bem quem tem.

06 julho 2014

QUERO MORRER NO VERÃO

Quero morrer no Verão!
Não sei se é melhor ou pior que em outras Estações.
Não tenho essa referência, pois ainda não conversei com ninguém que tenha morrido em qualquer Estação.
Mas algo me diz que morrer no Verão é mais leve.
Verão é alegria...
Natal... Carnaval... Fantasias... Roupagens minúsculas de bronzeadas na praia...
Quero morrer no Verão depois do Natal...
Depois do Réveillon também...
Detestaria estragar o período... Ser uma lembrança triste à época das festas...
Quero morrer após as festas, mas de repente... Sem ninguém contando os dias que me restem, sem qualquer parente trocando presentes, pensando em presentes melhores para o natal seguinte, supondo estar incluído num testamento que menti ter feito.
Quero morrer no Verão, mas não no Carnaval... Deixo essa apoteose aos sambistas.
E, caso seja velado de madrugada, não quero atrapalhar o programa de algum convidado da última hora, que houvesse planejado assistir aos desfiles no Sambódromo.
Quero morrer no Verão, antes de meu aniversário para evitar completar mais um ano na contagem regressiva da Vida.
Se morrer aos sessenta e nove (ou setenta e nove ou oitenta e nova) quase certamente ouvirei as habituais frases consternadas: “Morreu tão jovem... Não tinha nem setenta (ou oitenta ou noventa)”...  Morrendo aos setenta (ou oitenta ou noventa), quase ouvirei palavras habituais de consolo: “É a Vida... Viveu bastante... Estava com mais de setenta (ou oitenta ou noventa)!”.
Farei ouvidos moucos aos comentários: “Já foi tarde”.
Quero mesmo morrer no Verão...
Livrar-me-ei da obrigação da única certeza da Vida, depois da morte... Fazer a declaração do Imposto de Renda, no outonal final de Abril... Ao tornar-me Pó, viro Espólio...
Quero morrer no Verão para que se possa servir cerveja gelada, ao invés daqueles cafezinhos insossos das antessalas de velórios.
Com muito salgadinho, salame e azeitonas.
Quero morrer no Verão!
O Verão parece-me ser mais apropriado para rir daquelas passagens hilárias ou pitorescas, sempre lembradas nas últimas horas na presença do “de cujus”.
Quero morrer no Verão, apesar de alguns inconvenientes.
Que traje vestir-me-ão?
Estarei indefeso...
Por favor, não me obriguem um terno... Ficarei com calor.
Nada de melhor roupa
Basta-me uma camiseta polo básica e aquela habitual e surrada calça jeans. Poderia até ser uma bermuda, mas posso estar com as pernas muito brancas.
Quero morrer no Verão, mas se, por motivo de força maior, não for possível, prometo não reclamar no PROCON, nem no SAC da Vida, pois para esta não há garantias ou prazos de validade previsíveis.
Afinal, a Vida é apenas um breve intervalo que passamos acordados na eternidade sonolenta do Tempo.
Importa ser bem vivida em todas as Estações.

03 maio 2014

BANANAS NA MACACADA


Até que um dia, o mais frágil deles...  arranca-nos a voz da garganta... E já não podemos dizer nada. (Maiakovski)

Lá pelo ano 33 d.C., alguns primatas viram outros primatas arremessando algo em direção a uma fêmea. Primeiro acharam que jogavam bananas para alimentá-la.
Mas, não!
Eram pedras.
A fêmea cometera um crime imperdoável.
Um dos primatas falou algumas palavras e pararam os arremessos.
Dias depois, primatas - Erectus, gorilas e macacos-prego – viram àquele primata passar e arremessaram pedras.
Ficaram assistindo ao desfile.
Soube-se que iria ser pregado por ser culpado de crimes imperdoáveis.
Deixaram pregar.
Não era com eles.
Bananas aos macacos!
A todos os macacos.
Aos orangotangos, chimpanzés, micos leão-dourado.
Viva a macacada!
Esses primatas...
À falta de pão... banana e circo, desfile pelas ruas da Galileia. Pela Paulista. Pelo Sambódromo.
Cabeças cheias de bananas ao melhor estilo Carmen Miranda.
Yes! Nós temos bananas.
Por toda parte.
Nem precisa plantar.
Primatas se multiplicam.
Tem banana aí, Painho?
Pra todo mundo. Pra dar e vender.
Quase nada mais ao antigo preço de banana.
O preço a ser pago anda meio alto.
Quanta custa a ética? A dignidade? A capacidade de entendimento ao respeito que merecem todos os macacos desde o respeitável e admirado Dr. Australopitecus até o humilde Sr. Inominado que por falta de galho, dorme no chão?
Cada macaco deveria ter seu galho.
Mas não tem galho para todos.
Isso se resolve.
Lei da Selva.
Acerte-se uma pedrada no macaco e tire-o do galho.
Atirem-se pedras, sem entender-se o espelho, que tantas vezes atingido, nem sente mais as trincas, quase transformado em areia.
À falta de pedras, joguem bananas.
Um primata, em 2014 d.C., pegou a banana e comeu-a, mesmo correndo o risco de levar cartão amarelo.
Que falta de educação jogar a casca no gramado!
Reza a lenda que aquele primata de 33 d.C. ficou feliz por haverem parado de jogarem pedras sobre a primata fêmea.
Depois, cansado, sentou-se e...
Comeu as pedras?
Deve as estar digerindo até hoje face a decepção quanto a ilusória e efêmera vitória.
Pois em verdade, em verdade mesmo, os primatas nunca pararam de jogar pedras em primatas.  Apenas mudam o alvo. E o formato da pedra.
Pedras. Bananas. Madalenas. Genis. Judeus. Negros. Desaforos. Injustiças.
Engolimos tudo. Todos os dias.
Para que importar-me com uma banana jogada num primata?

Não é comigo.


15 abril 2014

NOTA DE FALECIMENTO

Comunicamos, com pesar, o falecimento do Sr. Braz Silva Rennós, decorrente de falência múltipla dos órgãos. O falecido vinha adoentado há muito tempo. Sofrera, por mais de vinte anos, de paralisia de quase todos os membros, decorrente do regime que forçadamente passou para tratamento de suposta doença, que lhe atingia o lado esquerdo do corpo. Quando se pensava curado, foi vítima de desnutrição decorrente de contínuos e intermitentes desvios da circulação de elementos vitais, com entupimento de diversas partes do corpo por excesso de sanguessugas. Tal adoecimento causou-lhe sérias complicações e efeitos colaterais, que se estenderam até a data de seu óbito. Padecia ainda de micoses na virilha pelo hábito de esconder cédulas junto às partes íntimas. No começo do século começou a enfrentar séria degeneração que o levou à perda da visão. Os sintomas iniciais da doença era ver estrelas vermelhas quando piscava. Logo a seguir veio a obnubilação total. Após atingir os olhos o mal atingiu também diversas partes do corpo. Equipes médicas fizeram tratamento perfunctório contra essa alergia, mas ela se disseminou por todas as partes internas do organismo, causando rigidez na execução das atividades mais essenciais e na capacidade de julgamento, entre outras. De outra parte, talvez como efeito colateral, Sr. Braz passou a ter problemas mentais, com atitudes alopradas. Passou a se automedicar com imensos gastos mensais pagos a especialistas no mal das estrelas. Elas se multiplicaram. Preferiu não fazer as cirurgias recomendadas para extirpar os cancros causadores dos males. Em 2008, quando atacado por uma infecção externa, igualmente não levou a sério, causando consequências complicadíssimas no estado geral do paciente. Novamente alertado por especialistas, preferiu tratamento com pão e manteiga. Descuidou-se também quanto ao consumo de álcool, tendo ainda sido contaminada sua carne. Talvez por falta de Educação ou já surdo, fazia ouvidos moucos e nunca escutou os alertas quanto ao seu descuido com a Saúde. Quando deu por si, a metástase estava instalada de modo irreversível. Quase todo apodrecido, exalando fortes odores pelos poros. Prostrou-se incurável. Nem todas as orações a tantos santos por ele admirados puderam salvá-lo. Não havia milagre para tantas doenças. Atendendo seu último pedido, o corpo será velado na Necrópole Central do Bairro do Planalto e posteriormente cremado, para que seu mal não mais se propague.

19 dezembro 2013

NOQUINHO E A SORTE DO LADRÃO


Vovô, você nem sabe a história que me contaram...
O que é desta vez, Noquinho?
Nada! Se eu contar o senhor vai dizer que estou faltando com a verdade outra vez.
Outra mentira, você que dizer... Cuidado aonde você mete o nariz...  Mas conte! Conte!
O senhor acredita em sorte?
Não muito! Acredito em trabalho e honestidade.
Como o senhor explica esta, então?
Se não contar, como poderei explicar... Desembuche, menino!
Então, vovô... Disseram que essa história se passou num lugar chamado de estacionamento. O que é estacionamento?
Deve ser um lugar aonde se guardam charretes.
Sabe, vovô? Diziam que era preciso trocar o cadeado do portão do lugar aonde se guardavam as charretes.
Sim... sim... Conte rápido, porque preciso terminar meu trabalho.
Então, vovô... Um ladrão muito esperto soube que iriam trocar o cadeado... Colocar um mais seguro.
Sempre é bom segurança nestes tempos. Nunca se sabe quem está do nosso lado. Pode ser alguém mentiroso.
Não fale assim, vovô! O senhor me ofende.
Continue, Noquinho.
Ele roubou as charretes... Quebrou o cadeado com uma imensa marreta e entrou no estacionamento.
E ninguém ouviu o barulho? Deve ter feito barulho ou não?
Não sei, vovô... Essa parte eu não perguntei... Nem pensei nisso... O senhor sabe que eu acredito em tudo que me dizem.
Não devia... Você é um exemplo de como alguém pode – como é que você disse mesmo?
Faltar com a verdade.
Isso... Mas, eu acho que alguém ouviria o barulho. Não tinha nenhum cavalariço, um vassalo cuidando das charretes?
Isso disseram... Ele estava de folga nesse dia.
Estou começando a acreditar que esse ladrão era muito bem informado.
O senhor não acredita mesmo em sorte, hein, vovô. Ele roubou um monte de coisas das bolsas onde as pessoas guardam as coisas que carregam na viagem.
E ele não fez nenhum barulho para quebrar os cadeados das bolsas onde as pessoas guardam as coisas que levam nas viagens? Ah! Noquinho...
Verdade, vovô! E ele não roubou só uma charrete, não. Roubou mais.
Quantas?
Todos os dedos da minha mão.
Cinco?
Seis...
Está bem... Mas deve ter demorado muito para ele fazer isso? Uma noite inteira e ninguém viu o portão aberto a noite inteira?
Não, vovô! Ele tinha uma chave falsa que abria os cadeados.
Epa, Noquinho! Se ele tinha uma chave falsa que abria os cadeados, por que ele usou uma marreta para abrir o portão da rua?
Ah, vovô! O senhor pergunta cada coisa. Isso eu não sei.
Noquinho, Noquinho!
Ah! Vovô... O senhor não está acreditando em mim? Não conto mais histórias para você.
Noquinho, pega aquele formão para mim, que eu não tenho essa sorte. Tenho é muito trabalho... Ganhar dinheiro honestamente...
Posso assistir à TV? Está na hora do CSI...

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(Qualquer semelhança com fatos já conhecidos pelo leitor é pura coincidência)