20 outubro 2008

CASO ELOÁ - TRAGÉDIAS E MAIS TRAGÉDIAS

Também publicada no forum de leitores (internet) do Jornal Estado de São Paulo de 21 out.2008.
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Irritam-me casos midiáticos como Isabella Nardoni e Eloá/Lindemberg.
Porta arrombada não precisa de tranca.
A tragédia nas famílias está instalada.
Vidas ceifadas direta e indiretamente.
Marcas indeléveis e inexoráveis ficarão para os pais de todos os envolvidos.
Culpar mais ainda estas pessoas é cruel.
Que os pais da púbere Eloá não deveriam permitir o namoro quase pedófilo.
Namorariam às escondidas, todos sabem.
Provavelmente, no conjunto habitacional da tragédia deve haver casos semelhantes.
A Policia deveria atirar.
A imagem de Adriana Caringi estava, certamente, na rota da bala do policial encarregado do disparo.
Que deve a policia fazer num dilema?
Qualquer um dos dois caminhos é certo.
Ou errado?
A Policia agiu.
E deu tudo errado, como recentemente na Praia Grande, onde uma balconista foi assassinada ou na Zona Leste, onde o pacato marceneiro Gilberto matou a amante e se matou e a Polícia esperava para agir.
Lembram-se deles.
No caso de Santo André, as críticas do “guinesco recorde do mais longo seqüestro nunca visto neste país” pesavam sobre a cabeça da Polícia.
O ser humano baba por um desastre.
Multidões param para ver alguém se jogar de um prédio.
Audiências espocam e manchetes vão para o canto da página em segundos.
Deram muita espetaculosidade ao evento.
Até os traficantes do conjunto habitacional manifestaram-se irritados pela perda de dinheiro nos dias do cárcere privado.
Puseram os repórteres para correr imediatamente ao desfecho da retirada das vítimas.
Inadmissível, isso sim, permitir-se a volta da segunda moça ao local do crime.
Agora ficar-se no “se fizessem isso, se fizessem aquilo”...
Se...
Sirva de aprendizado que tragédias acontecem.
O rapaz era um animal irracional.
Não!
Estava desesperado, mas, antes de tudo, surtado.
Escutava diabinhos e, absolutamente transtornado, não tinha certeza de que rumo tomar com a perda da amada.
Não é o amor que desequilibra, que transtorna.
As pessoas é que são desequilibradas e não percebem.
Lindemberg era um trabalhador.
Que não seja enterrado num manicômio.
Há mais de 15 milhões de doentes mentais identificados no braziu.
Ele é apenas um, não identificado, que cometeu uma tragédia.
Cumpra a pena, seja tratado e volte à sociedade.
Parabéns a família de Eloá que perdeu uma filha, mas deu vida a algumas outras.

4 comentários:

PreDatado disse...

è verdade que desta vez se criticou a polícia de não ter agido, mas se lembra com certeza do caso do sequestro do ônibus, creio que no Rio de Janeiro, onde a policia interveio pronta e desproporcional e veja-se o que aconteceu.

Enio Luiz Vedovello disse...

Disse bem. Não existiria alternativa correta, qualquer que fosse a atitude da polícia, seria alvo de críticas. Inclusive se não deixasse a amiga voltar e, por conta disto, acontecesse algo.
Parabéns mesmo à família da moça, que fez de sua dor esperança para tantos outros.

José Ricardo disse...

O caso Eloá só vem reforçar a idéia do quão hipócrita, dissimulada e perdida em seus valores, está a população neste Brasil. Querem culpados a todo custo: o namorado?, a namorada?, os pais(deles), a polícia? e tem até um anônimo politizando o assunto, culpando o PSDB. Bando de ignorantes! Querem culpados? Olhem para dentro de si mesmos e vejam se voces também não tem culpa. Aceitam a inversão de valores que a muito tempo vem sendo imposta sob pretexto de "globalização". Só se preocuparm com seus "direitios" e nem querem se saber se tem deveres ou não. TRITE, MUITO TRISTE!

Toninho Moura disse...

Olha, precisamos acabar com essa mania de ficar remediando as coisas. Ninguém quer assumir responsabilidades. Se tivéssemos um governador de verdade, ele diria: "Prega fogo no garoto e salvem as meninas". E assumiria isso depois. Mas, todo mundo quer ficar bem na fita, e, azar das vítimas. Saudades do Paulo Francis...

Se vai aprovar, para que as letrinhas?