16 dezembro 2018

O EXATOR (A Formiga e A Cigarra)



                                                           
Na Vila ouvia-se ao longe a cantoria da casa do Sr. Chico Doido da Ideia.
“Canto e gosto de cantar. Quero levar a vida sempre a cantar”.
Bateu à porta um estranho.
Quem é? Gritou Chico, prosseguindo a cantoria: “Canto e gosto de cantar. Quero levar a vida sempre a cantar”.
Novo vizinho.
Ora, ora... Vizinho novo e já reclamando. Canto porque gosto de cantar.
Tenho muito trabalho e careço de silêncio. Não se cansa de tanta cantoria? Além de incomodar a vizinhança com sua felicidade, não pensa em nada além de cantar?
“Canto e gosto de cantar. Quero levar a vida sempre a cantar”.
Não teme o futuro?
Pouco, mas de mais a mais, não espalhe o fato, chegaram-me notícias que receberei parte da herança de um velho parente, que desconhecia até a existência. “Canto e gosto de cantar. Quero levar a vida sempre a cantar”.
Isto não o envergonha? O velho parente deve ter labutado às extremas para enriquecer e irá desperdiçar as economias em coisas banais. Não conhece o ditado “A água traz, a água leva”?
Vizinho, não me preocupa a origem do dinheiro que me cai às mãos. Simplesmente, gasto. O próprio El Rey disse que o povo precisa gastar para movimentar a economia. E de que adianta trabalhar, entesourar-me e não desfrutar dos prazeres que a riqueza pode dar?
Necessário prevenir-se para o dia de amanhã. Formar-se uma previdência para os anos de idade avançada. São lições que aprendi com meus avós, que vieram de outras Vilas. Veja a situação de quase miséria de parte de nosso povo. Mal dá para alimentação e remédios a verba ínfima que recebem de El Rey.
Nesta região da Vila sempre há uma alma boa que socorre na hora da necessidade.  Se ficar a pensar em problemas futuros, não gozarei dos prazeres presentes. É do DNA de minha família vida breve. El Rey não devolve à família a verba deixada a seus cuidados, se o súdito parte antes do combinado. Talvez divida-a com os nobres do palácio.
Tem dose de razão seus argumentos, mas sei de súditos que não deixam todas as economias aos cuidados de El Rey.
Como assim? El Rey sabe de tudo. As paredes desta Vila têm ouvidos sensíveis. Dizem que El Rey coloca Vassalos com leões a fiscalizar nossas riquezas para exigir seus tributos.
Há notícias trazidas pelos nômades sobre Vilas nas montanhas que escondem riquezas, sem noticiar El Rey.
Isso é interessante. Se existissem tais lugares, seria um Paraíso. Conhece alguma?
Locais secretos. Ninguém sabe ao certo.
E o senhor.... Como é seu nome?
Aparecido Formis. Pode chamar-me de Cidão.
Cidão, você guarda seus tesouros nessas Vilas?
Não posso revelar. É segredo.
Ah! Se eu pudesse fazer isso com parte da herança, seria maravilhoso.
Faria mesmo isso?
Claro! Mas, ocorre-me uma dúvida. De que vivem os Senhores dessas Vilas? 
Ora! De parte da riqueza que escondem.
Então é a mesma coisa. Cobram impostos... Como El Rey.
Dizem haver diferenças. Eles cobram apenas uma taxa sobre o tesouro que deixa aos cuidados deles. Você diz o valor.
Não conferem?
Os nômades dizem que não,
Quem me garante que quando eu pedir de volta meu tesouro, devolverão o valor correto?
É uma questão de confiança.
Pensarei sobre o assunto. Só uma curiosidade. Mora em qual casa?
De verdade, não moro aqui. Moro no Castelo.
Que vem fazer nesta região tão pobre da Vila?
Sou Exator de El Rey. Estou de passagem a verificar se não há tesouros secretos escondidos nesta região.
Os nômades comentaram sobre esta região? Devem estar doidos. Aqui só há pobreza.
Estava apenas de passagem, mas o senhor cantava tão feliz que me chamou a atenção.
Não conhece o ditado: “Quem canta seus males espanta?” Nesta humilde casa não achará tesouro algum.
Por enquanto... Voltarei breve. Noticie-me sobre a herança.
Nem tenho certeza se receberei.
Noticie-me, por favor... E o valor correto.
E se não o fizer.
Mandarei os Vassalos dos Leões virem cobrar. Tenha um bom dia.
O senhor o estragou.
Cante, Sr. Chico... Como era mesmo o cantiga?
 Cidão, o Exator, partiu sem mais.
Com ar de arrependimento, Chico cantarolou baixinho: “Fica o dito por não dito... Em boca fechada não entra mosquito...”
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(*) Alegoria/Fantasia “Homos sapiens” da fábula “A Formiga (Formicidae) e a Cigarra (Cicadoidea)

12 outubro 2018

“Nada é pior que o PT” (Na dúvida anule)


Por princípio contrário ao voto nulo e diante de uma bifurcação de 180º na trilha a dúvida que fazer?
Marinar?
Quase isso. Sem votos de obediência exceto aos meus liberei os votos do Apostolado.
Afinal o problema não é meu. É nosso.
Num sentido da trilha surge quem senão um Messias.
Ironia!
Tanto se espera a vinda do Messias e quando surge um assusta.
O medo é assustador.
Ele é militar.
Militares desfilam de verde-amarelo nas datas cívicas e nos quartéis.
Tantas milícias civis desfilando nas passarelas das periferias de Cidades Maravilhosas.
Cidades Maravilhosas e seus Jardins.
Botânicos Paulistas Américas Europas Herculanos Ângelas das Imbuias.
Ai meu São Luís!
Era para serem iguais.
Em gênero e grau.
Sem vírgulas nem Virgulinos,
Com as cores do arco-íris num céu azul.
Perfume de flores vivas não de cravos brancos.
Vieram promessas e esperanças atrás da estrela.
Crédulos e inocentes seguiram o sentido contrário à ditadura da caserna.
Nascidos em todos os Jardins acreditaram.
Alguns questionaram o novo sentido.
Só havia flores perfumadas para poucos.
Derrubado o Muro mostrou-se o outro lado.
O Sentido era as ditaduras das ilhotas bolivarianas.
Os que forem contrários porta da rua serventia da casa.
Tempos Bicudos para tantos.
Cartão Vermelho.
Por enquanto.
Os Sem flores nem benesses que marchem pelas ruas vestidos de vermelho.
Dominados os quarteis quem sabe paredões.
Somos nós ou eles.
Era para serem iguais.
Ricos e pobres.
Era para serem iguais.
Conformem-se olhar da janela.
Foi sempre assim.
Apenas mudam as mãos de comando.
Assim não!
Afugentados do aconchegante berço dos Jardins Nobres das Cidades Maravilhosas acantonaram-se na esquina do País.
Nordestinos e sulistas.
Era para serem iguais.
Parodiando Shaw:
“A proposta era maravilhosa por que desperdiçá-la com petistas”?
Eles novamente?
Flash-back na história.
Isso não!
#Elesnão!
Não quer o Messias?
Anule!
Os “Apóstolos de Pedro” não são reféns do Patriarca.
Tem a liberdade de escolha para votar em quem quiserem.
No menos pior!”
Caso permaneça avesso ao voto nulo resta a opção de ser internado vítima de uma facada ou bala perdida ou aproveitar o domingo ensolarado num bate-volta ao litoral.
Aproveite e pratique yoga na areia repetindo o mantra:
“Nada é pior que o PT... Nada é pior que o PT... Nada é pior que o PT...”



16 setembro 2018

BRAZIL EM MAUS LENÇÓIS


“Braziu varemnóis” está em maus lençóis. Ideologias à parte, como é a letra daquele samba Reunião de Bacana? Em rápida análise temos quatro candidatos com espírito fascista. Bolsa e o coronel de Sobral escancarados. A musa do Acre enrustida em sua rede com a fala mansa de discutir... discutir... discutir... O Organização Criminosa defensora das democracias latino-americanas é fascista no DNA. Lembro ainda que o governo do "cavalo do homem mais puro" foi um desastre em Sampa. Sua grande obra foram ciclofaixas pintadas a esmo e redução de velocidade nas marginais. As opções seriam o "Novo" ou "Podemos". Muito estranho o baixo índice do Picolé nas pesquisas. O estado de SP (22% do eleitorado brasileiro) é dominado pelo tucanato e no boca a boca, especialmente no interior, ele tem muito voto.

15 setembro 2018

PININHA E O HORÁRIO POLÍTICO


PINA E O HORÁRIO POLÍTICO


Pina! O que está fazendo com a TV ligada a essa hora.
Vendo o horário político. É minha hora de descanso.
Sua hora de descanso? Você me falou às 11.30h que iria almoçar mais cedo. São uma e quinze. Aliás combinamos reduzir seu horário de almoço para meia-hora, para você sair mais cedo.
Gegê, que mau-humor!
Veja lá como fala!
Desculpa, dona Gertrudes, mas o moço do rádio de manhã disse que é programa obrigatório. Tem que cumprir a lei, não tem?
Ai... Ai... Ai... Ai... Ai... Pina. É obrigatória a transmissão do programa, não é obrigatório assistir...
Ah! Nunca entendo direito.
E de mais a mais, se você escutou no rádio, não precisa assistir à televisão. É a mesma coisa. Falam as mesmas coisas.
Isso a senhora tem razão. Eu até pensei que fosse reclame de novela. Essas tipo assim “Vale a pena ver de novo”.
Então, desligue a TV e vai arrumar a cozinha.
Agora não! Quero ver a moça que prometeu trabalhar para melhorar as condições de trabalho das empregadas domésticas.
Quem é?
Não sei. Ela falou no rádio de manhã. Quero votar nela.
Eu vejo na Internet. Lembra o nome dela?
Não.
Lembra o número dela?
Não.
Lembra o partido dela?
Partido?
Ai... Ai... Ai... Ai... Ai... Pina, como você vai votar numa pessoa que você não tem a menor ideia de quem seja.
Ai... Ai... Ai... Ai... Ai... Dona Gertrudes. Por isso, eu quero ver a cara dela. Pra ver se ela é igual eu... Se tem cara de quem levanta às quatro e meia, toma três conduções para trabalhar...
E você vai saber tudo isso vendo a pessoa cinco segundos?
Pelo jeitão dela dá pra saber...
Pina! Por que você não muda de profissão?
Gegê, o que eu fiz de errado?
Não é isso, Pina! É que se você consegue saber o que uma pessoa é em cinco segundos, deveria montar uma tenda e prever o futuro numa bola de cristal.
A senhora acha que eu tenho jeito pra isso?
Talvez, mas não tem férias, 13º.terceiro, Fundo de Garantia...
Quero não.
Agora, pode desligar a TV, que acabou o programa...
Ai! Gegê... Viu só...Você me atrapalhou... Não vi a minha candidata...
Amanhã passa de novo.
E eu posso assistir?
Pina! Quer ver como você prevê o futuro? Adivinhe o que direi...
Já sei... Pina! Já pra cozinha...

01 setembro 2018

O CANTO DAS NINFAS


O CANTO DAS NINFAS


Do outro lado do rio haveria um segredo
Causava medo de provocar arrepio  
No meio da mata perto do horizonte
Existiria uma fonte, nascente do rio
Onde atraentes ninfas entoam canções
Cada uma mais bela de falsas ilusões

Reza a lenda que certo dia um pescador
Em plena juventude, valentia e ardor
Ouviu a cantoria, imaginou maravilhas
Ignorou alertas, desafiando o destino
Num ato de desatino, adentrou pelas trilhas
Nunca mais voltou, ninguém mais o viu

Desse tempo em diante, a coragem sumiu
Se o vento assovia, o arvoredo balança
Fecham janelas, alertam a vizinhança
Passam tramelas, protegem as crianças
Ninguém se atreve chegar perto do rio
Preferem ficar onde a ninfa não alcança

Medo e desconfiança não faz bom juízo
Se moça bonita surgisse no vilarejo
Andasse sozinha, ousasse um sorriso
Provocasse nos homens suspiro de desejo
Era motivo de ira de mulher ciumenta
Algumas até jogavam nela água-benta

A lenda reza que um homem surgiu no vento
Nenhuma mãe da vila reconhecia o rebento
Cabelos grisalhos, espalhando brilho no olhar
A Felicidade do pródigo retornando ao lar
Sentou-se no banco da praça e pôs-se a cantar
Uma história de vida e a volta ao seu lugar:

“Do outro lado do rio, não há mistério ou segredo
São as mesmas águas moldando o rochedo
O canto das ninfas é o despertar da ilusão
Enfrentar os medos que nos prendem no chão
Alçar voo livre e escrever nosso enredo
Olhar à frente, seguir perene rumo ao horizonte
As ninfas estão por aí cantando e estendendo a mão
Resta-nos o desafio de encontrar o caminho da fonte”

De repente...
No rastro de uma estrela cadente
Surgiu lentamente
Uma ninfa atraente
Cantando docemente
Estendeu seu véu
Deu a mão ao jovem valente
E desapareceram no céu

26 agosto 2018

TEM JEITO NÃO



As pedras se movem
Eles saem do covil
Ávidos consomem
A Pátria mãe gentil

Senhores feudais
E servis capatazes
Querem sempre mais
De tudo são capazes

Nunca satisfeitos
Ágeis e sutis
Fazem mil trejeitos
Passeiam em Paris

Malas cheias de grana
Jantar à luz de vela
Que vida bacana
Não largo mais ela

Algo fora de plano
Camburão e algemado
Deve ser engano
Cadê meu advogado

Uma tênue ilusão
No horizonte do povo
Mas essa história
Tem final sinistro

Amigo de Ministro
Passa só um dia na prisão
Faz sinal de vitória
Começa tudo de novo         

De certo, só um fato
Esse é sem perdão
Você pagará o pato
Não tem jeito, não!


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https://www.recantodasletras.com.br/poesias-do-cotidiano/6430376


11 agosto 2018

MANIFESTO AO APOSTOLADO DE PEDRO



MANIFESTO AO APOSTOLADO DE PEDRO – O Patriarca vem a público comunicar e PROTESTAR que há um cheiro de golpe no ar. O PUM (Partido de União das Massas) está sendo boicotado. Apesar do Patriarca não ter culpa em cartório (apenas algumas promissórias e boletos em cobrança extrajudicial), não estar envolvido com nenhum lava-rápido (o  Patriarca não possui automóvel de passeio, apenas de trabalho), não ter sido pego com a mão na massa (o Patriarca pede pizzas delivery), não ter malas com dinheiro em apartamento frente ao do Omar (o Patriarca usa apenas plásticos para o cartão do SUS, bilhete único de idoso e mora numa quitinete na Zona Portuária), ter cumprido as normas legais para a candidatura à presidência, “exclusive” apresentando seu golpe (digo plano) de governo, onde constam seus dez principais projetos, como:
1)    a proibição de chuvas nas férias escolares,
2)    a proibição da presença de moscas em churrascos
3)    o fim da última semana do mês,
4)    o fim do agendamento de duas confraternizações na mesma data
5)    a  instituição do novo calendário para o mês de Dezembro com 15 sábados, 14 domingos, o Natal e o Reveilon,
6)    et coetera
7)    et coetera
8)    et coetera
9)    et coetera
10)  nihil obstat

Apesar disso, o Patriarca não foi convidado para o debate, nem recebeu verbas
eleitorais.
Divulguem e alardeiem por todos os cantos e no dia da eleição, façam como a Pininha:
“Votem nos candidatos do PUM...
Para presidente votem Pedrão! Pode ser a solução!“...

10 julho 2018

O SUMIÇO DO REDENTOR

Rio amanheceu diferente
Havia algo errado
No alto do Corcovado
Olhares atentos...
Passados uns momentos...
Gritaria de repente:
Cadê o Redentor?

Começam os disparates
Um sugere procurar
No PS do Souza Aguiar
Perda de tempo cara
Lá nem adianta perguntar
Sistema sempre fora do ar
Mais fácil procurar no Saara

Se foi algum sequestrador
Logo virá o telefonema
Da Milícia a pedir resgate
Discam Um nove zero...
Imagina trote a Polícia
Sem bilhete nem notícia
A tristeza se abate

Pelas bocas a surpresa
Zum-zum-zum dispara
As ruas cheias de boato
Cada qual mais insensato
Uns incorporam santos
Quem sabe vem mensagem
Vasculham todos cantos
Nada de encontrar a imagem

Chovem hilários palpites
Cansara-se da paisagem
O vento causava friagem
Ele piorou das artrites
Ficara com medo de assalto
Não descera pelo trenzinho
Mas, fora visto no bondinho
Do Morro Santa Teresa

Chamadas do Jornal das Oito
“Redentor aparece no Catete!”
“Cristo visto na zona do Caju!”
Viram-no comendo biscoito
E chupando sorvete
Na geral do Maracanã
Assistindo ao Fla-Flu

Toda fé era necessária
Faziam promessa e oração
Ir de joelhos até a Candelária
Um gaiato solta um rojão
Com tantas balas perdidas
Voando pelas avenidas
Desistem da procissão

A TV faz a chamada
Furo de reportagem
“Nóia viu passar o Redentor!”
História meio maluca!
Sorri o apresentador
Vamos a narrativa exclusiva
Link na floresta na Tijuca

Cidade para a ouvir o rapaz
“Fumei umas pedras de crack
Mas, juro não tenho visões
Era fim de madrugada
Quase cinco de manhã...
À noite ao ver os arrastões
Em Copacabana e Ipanema

O Redentor teve um ataque
Parecia fora do normal
Gritou: quero um dia de paz
Desceu do pedestal
Soltou alguns palavrões
Fez aos céus um sinal
E seguiu rumo a Niterói”

Deixou ao povo carioca
Este pequeno recado:
“Aqui é a casa de Noca
Vou pra Saquarema
Búzios ou Cabo Frio
Para proteger o Rio
Só um super-herói...”
Fui!...
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https://www.recantodasletras.com.br/cordel/6387840





29 junho 2018

ESMOLA ON LINE - AJUDE UM IDOSO

AJUDE UM IDOSO - ESMOLA ON LINE

Eu poderia pedir esmola na rua sentado na calçada com um chapéu nas mãos. Poderia incomodar o senhor, distribuindo papelzinho recortado de xerox vagabunda no vagão do metrô ou num terminal de trem ou ônibus. Entretanto, seguindo as orientações de minha assessoria de captação monetária, solicito uma pequena colaboração para ajudar um idoso em situação de necessidade pelas páginas da internet. Comova-se com minha situação. Sou idoso desde que fiz sessenta anos. Não tivessem mudado a Lei, eu ainda não seria. Cheguei a ter passe do idoso, mas o fiscal apreendeu, só porque eu o emprestava pela metade do valor da passagem. Estou aposentado desde quando minha memória ainda funcionava. Recebo muito menos que necessito. Já tive mulher, filhos e netos. Era feliz e sabia, mas primeiro foi aquele maldito carioca metido a alagoano que levou toda minha suada poupança. Com forças que tirei não sei de onde (onde foi mesmo?). Estão vendo a gravidade de minhas falhas de memória? Enfim, recomecei. Diziam-me: É preciso ter esperança. Grande mentira. Minha sogra, dona Esperança, sempre a última que morre, veio morar em casa. Não riam, nem tenham pena. Peço apenas sua colaboração. Pode ser uma moeda de bitcoin, fazer-me um crédito usando o aplicativo “Ajude um idoso”. Baixe o aplicativo - é grátis. A presença da Esperança tornou minha vida um inferno, ao ponto da trágica pergunta: Sou mãe ou eu... Moro na rua, desde então. Houve um tempo que minha mulher me procurou. Ou melhor, colocou Oficiais de justiça atrás de mim para que eu pagasse pensão alimentícia. Um absurdo! Minha mulher que sempre quis emagrecer, pedindo pensão alimentícia. Fui preso por causa disso, mas o STF concedeu-me um Habeas Corpus com liberdade provisória, prisão domiciliar e uso de tornozeleira eletrônica. Ao saber da decisão - que eu teria de voltar para casa -, minha mulher desistiu da ação. Depois, pensei que minha sorte mudaria. Ganhei um dinheirinho numa fezinha do bicho, mas aconteceu a predição bíblica: “Do pó vieste, ao pó voltarás”. Apliquei em ações. Petrobrás, empresas do Eike Batista. As ações viraram pó. É tanta desgraça que até uma cachorrinha da família, chamada Luma fugiu de casa. A desgraça tem seu lado cômico. Apesar da doença generativa, que me acomete, morro de rir no último dia útil de Abril, quando lembro-me que não preciso mais entregar declaração de Imposto de Renda. Ah! Um lembrete: Você pode contribuir para a ONG - “Ajude um idoso carente”. Sua doação é dedutível do Imposto. Visite nosso site: www.ajudeumidosocarente.com.brrrrrrr. Esta ONG não liga para você dia sim, outro também, pedindo colaborações. Manda email. Autorize o recebimento de notificações atualizando minhas mensagens. Desative o spam. Mas, colabore! Lembre-se, pode ser um bitcoin ou um crédito pelo aplicativo. Não fazemos carnê ou boletos. Se preferir, cadastre sua colaboração no débito automático. Não quero mais tomar seu precioso tempo. Visite minhas páginas no facebook, instagram ou twetter. Basta acessar “#ajude um idoso carente” ou “@um idoso carente precisa de você”. Estou momentaneamente sem whatsapps, pois meu smart foi furtado num aperto na estação do Metrô. Obrigado pela atenção e repita comigo o mantra final: “Contribua... Contribua... Contribua...!!!

13 maio 2018

PALINDROMIA CRÔNICA



Paixão à primeira vista!
Ana e Oto mal se conheceram e ele teve certeza que encontrara “A dama amada”.
Tinham algo profundo em comum.
Ela também sofria de Palindromia crônica.
“Oto” Pedro era filho de dona Yaray Acaiaca Yaray(*) e do seu Rener.
Preguiçoso para levantar, era comumente despertado pela Dona Yaray batendo tambor e gritando: “Acorde, Pedroca!”
Ana era filha do seu Natan e dona Ebe.
“Amar dá drama!
Quem não gostava de Ana aconselhava: “Ame a Ema”.
“A Leda, sacana, ia na casa dela” fazer fofocas e garante: “A Marta trama”.
Num “ato idiota”, “após a sopa”, “Oto come mocotó” e pede Ana em casamento, dizendo: “Oto ama Ana e Ana ama Oto”
Dona Ebe com “A cara rajada da jararaca” indignada esbraveja com “ódio doido”: É “Mega bobagem”. “Ele padece da pele”. “A cera causa sua careca”.
Ana respondeu: “É amor! Eu quero, mãe!”.
“E assim a missa é”!
Para padrinhos convidaram os tios “Ramarim e Miramar”.
No dia do casório, seu Rener avisou: “Nos ligou o Gílson”. Desejou felicidades.
Lua de mel rumo à Europa no “Navio do Ivan”
Noites sob “O céu sueco”.
“Luz azul!”
“Roma é amor” o verso escrito na Piazza...
No Vaticano: “Ame o poema”, “E até o papa poeta é”
”O namoro do romano” deu frutos...
Cinco filhos...
Elenice, Robert, os gêmeos Leonam e Manoel e Oto Pedro Júnior.
Carinhosamente chamados de Elê, Bob, Lél, Nenén e... Mirim.
Mirim não gosta de ser chamado assim. Insiste em ser chamado de Juninho e faz terapia por esse motivo.
A psicóloga é a doutora “Irene Neri”.
Isso mesmo...
Aquela da música “Irene ri... Irene ri... Irene ri... “

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* “Yaray Acaiaca Yaray” é nome indígena não catalogado da tribo dos “Sararas” e significaria: “Arara... arara... o treco certo... Arara... arara...”


08 maio 2018

PININHA E O CACHORRO NO CHAFARIZ

 

Pina! Entrando escondida, hein! Por que chegou tão atrasada?
Depois eu conto, Gegê.
Pina! Você está encharcada. Vai molhar todo o chão da sala. Entre pela porta da cozinha.
Era o que eu ia fazer quando a senhora me chamou.
Ai! Pina. Tire só o sapato e me conta. Você caiu numa poça dágua?
Quase isso, Gegê. Eu salvei um cachorro. E quase fui presa.
Como assim? Você faz uma bondade e é quase presa?
Eu também não entendo essas coisas. Mas, eu sou a Pina. Só faço confusão.
Desembucha, Pina!
Eu desci do ônibus lá na praça que tem o chafariz. Sabe aonde é?
Claro!
Eu vi um monte de gente ao redor da cerquinha do chafariz. A senhora sabe como eu sou. Fui ver o que acontecia. Tinha um cachorrinho dentro do chafariz.
Pina, como um cachorro foi parar dentro do chafariz?
Isso eu não sei. Ele estava lá dentro. Gania pedindo socorro. Acho que estava  se afogando.
Pina! Afogar-se no chafariz? Tem trinta centímetros de profundidade.
Era um desses cachorrinhos de madame. Que dava para esconder na bolsa quando era proibido entrar com cachorro em tudo que é lugar. Uma vizinha lá na vila carregava uma sacola e entrava com o cachorro no ônibus.
Entrava?
Entrava... Agora não deixam mais ela entrar com a bolsa.
Por que?
Deu uma confusão. Um dia, no meio do caminho entrou uma dona com uma sacola grande.
Já sei. Outro cachorro.
Antes fosse. A dona estava com um gato angorá escondido. Voou pelo pra tudo que era lado.
Ai... ai... ai... ai... ai... Pina... Conta do cachorrinho no chafariz.
Eu fiquei olhando o desespero do cãozinho. Ninguém socorria.
Como assim?
A senhora lembra que na praça tem uma placa proibindo pisar na grama.
Mas, era uma emergência.
Explica isso pros Guardas Metropolitanos que estavam lá.
Por que eles não salvaram o cachorrinho?
E eu sei lá. Ninguém passava a cerquinha. Então tomei a decisão. Vou salvar o cachorrinho.
Parabéns, Pina! Você é uma pessoa do bem.
Quase. Nem acabei de passar a cerquinha, os Guardas correram em minha direção, gritando mais que maritaca assustada. Pulei no chafariz. Foi por isso que molhei os pés.
O importante é que você salvou o cachorrinho?
Não salvei. Os dois Guardas me agarraram e levaram para fora do chafariz.
E o cachorrinho?
Não sei. Alguém salvou o bichinho, enquanto eles me tiravam da grama.
Pina! Que confusão pra nada... Acho que você foi boi de piranha.
Epa! Epa! Epa! Olha o respeito, Gegê. Sou mulher de respeito. Piranha? Olhe  que eu digo quem é piranha...
Pina! Boi de piranha é quando a boiada vai atravessar um rio e...
Gegê... Depois eu que não entendo. Era um cachorro no chafariz, não uma boiada no rio.
Ai... ai... ai... ai... ai... Deixe pra lá, Pina! Vá secar esses pés.
Gegê! Não vai pedir desculpa?
De que?
Quem é piranha?
Ai... ai... ai... ai... ai... A dona do cachorrinho... Ficamos bem assim?
Ta desculpada... Gegê! Posso pegar sua sandália de dedo? A minha quebrou a tira.
Pode, Pina! Pode...

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Inspirado em fatos (su)rreais de Brasília.

04 maio 2018

PININHA NÃO QUER PRESENTE




Gegê... Este ano não quero presente.
De que você está falando?
No mês que vem eu faço aniversário, mas não precisa comprar nenhum presentinho para mim.
Pina! Nem tinha pensado nisso.
Não!?
Ainda... Agora que você me lembrou, vou pensar no assunto.
A senhora tinha esquecido do meu aniversário?
Não, Pina! Apenas não tinha me lembrado ainda. E você sempre faz uma confusão com a data do seu nascimento. Diz que nasceu num dia, mas foi registrada em outro.
Verdade, Gegê! Você não acredita nunca.
Acho que é só para ganhar dois presentes. Ainda bem que este ano não quer ganhar nenhum.
Gegê! Não é que eu não queria, mas pode ser perigoso. Temos que nos cuidar...
Perigoso? O que tem de perigoso num presente de aniversário para uma empregada doméstica?
Empregada doméstica? Eu não era sua secretária do lar.
É, Pina! Mas na Carteira de Trabalho é empregada doméstica. É parecido com sua data de nascimento.
Que confusão!
Pina! Desembucha logo... Qual é o perigo no presente de aniversário?
Gegê! Você sabe que eu fico escutando o rádio o dia inteiro?
Sei! Você para de trabalhar para escutar.
Não consigo fazer duas coisas ao mesmo tempo. Nenhuma sai direito.
Ai! Pina...                                                     
O moço do rádio falou que um homem mandava presente todo mês para um outro.
E o que tem isso de mais?
Os dois foram presos. O moço do rádio disse que os presentes vinham de dinheiro roubado...
Meu dinheiro não é roubado, Pina! É suado...
Já pensou, Gegê... Polícia Federal na porta às seis da manhã. A gente aparecendo na TV? O que vão pensar de nós.
Você está ouvindo muita notícia de política. Comece a escutar uma emissora que toque música.
Eu coloco, a senhora manda trocar.
Aquelas músicas não dá, né, Pina. A vizinhança pode reclamar...
A senhora tem razão. Algum vizinho pode me denunciar, a Polícia vem aqui, revista a casa, encontra meu presente e eu sou presa.
Por que você seria presa?
Porque eu não tenho advogado e a senhora tem.
Ai... ai... ai... ai... ai... Pina, pare de me enrolar.
Se eu for presa, vou mofar na cadeia, sem nenhuma visita... A senhora vai me visitar na cadeia?
Claro que não...
Está vendo só...
Pinaaaaa.... Para... Você não será presa.
Tem certeza?
Claro que tenho.
Gegê... Estou pensando melhor...
Pina pensando, perigo chegando... Diga logo, que a bacia de roupas está esperando na lavanderia.
Acho que a senhora pode me dar um presentinho de aniversário. Uma lembrancinha... Qualquer coisinha... Eu sei que a situação está difícil para todos nós.
Pina! Pode parar o discurso... Seu presente já está comprado...
Já?
Já...
A senhora lembrou de mim? Que maravilha! O que é? O que é?
No dia de seu aniversário você verá...
Perfume da TV?... Roupa daquele brechó chique?... Rasteirinha outra vez?...
Pinaaaaaaa! Vai lavar a roupa... Vai... Vai...
Calma, Gegê... To indo... E prometo que não escuto mais essas notícias.
Ai... ai... ai... ai... ai...  Pina... Pina...
Piiiiinaaaaaa!.... Abaixa esse volume... Para de cantar!... Troca de estação...

01 maio 2018

PININHA E O INCÊNDIO


 

Pina! TV ligada a esta hora? Já terminou a cozinha?
Peraí, Gegê... Caiu um prédio... Olha lá!
Nossa! Aonde é isso? Bombardeio na Síria?
Que nada! Incêndio no centro da cidade.
Sai da frente, Pina! Que fogaréu...
Gegê, tem coisas que eu não entendo.
O que?
A moça da TV perguntou prum homem se não faltou fiscalização da prefeitura.
Pode ser... Mas são muitos locais para fiscalizar.
Como será que eles escolhem os lugares pra fiscalizar? Deve ser sorte e azar.
Como assim, Pina?
Veja só, dona Gertrudes!... A senhora sabe que eu moro pertinho do fim do mundo... Desce no fim do mundo e pega mais uma condução... O Zito, meu vizinho, estava fazendo um puxadinho no terreno dele... De repente, assim do nada, apareceu um fiscal e falou um monte... que não podia... era proibido... precisava pedir na prefeitura...
É assim mesmo... Ele fez tudo direitinho, não fez, Pina?
Sei lá... Eu sei que eles conversaram, conversaram, conversaram e devem ter se entendido. O moço até apareceu no churrasco pra comemorar o enchimento da laje.
Ai! Pina... Será que ele subornou o fiscal?
Subornar é dar uma caixinha?
É...
Acho que sim...
Não se deve fazer essas coisas.
Gegê! Lembrei... Tem um recado para a senhora... É para a senhora ligar pro Silva. Ele falou alguma coisa sobre a calçada... Deixou um cartão...
Ai! O Silva...
Ele é da Prefeitura, não é?
Vamos mudar de assunto... Que desgraceira, Pina! Tenho pena desse pessoal... Perdem tudo num incidente destes!
Dona Gertrudes... O que é incidente? É incêndio?
Deixa pra lá...
A moça da TV disse que o prédio era invadido e não devia ter extintor de incêndio.
Pois é, Pina! Quem se preocupa com segurança, se faltam outras coisas mais importantes?
Gegê! Explica pra mim. Os bombeiros não podiam ter visto antes que o prédio não tinha extintor? Era mais fácil que apagar... gastar essa montanha de água e não adiantar nada.
Pina! Não dá para vistoriarem todos os prédios. O síndico é responsável.
Prédio invadido tem cínico?
Síndico, Pina! Síndico... Acho que não!
Que pena, não é Gegê... Tivesse cínico, não tinha incêndio...
Não é bem assim...
Melhor começar a arrumar a cozinha... Eu nunca entendo direito essas coisas... Pobre nasce sem sorte...
Ai, Pina! Sem fazer drama... Pode deixar a TV ligada...

29 abril 2018

PININHA E A DELAÇÃO PREMIADA


Que coisa feia, Gegê!... Escutando na extensão?
Ora, Pina! O telefone tocou e eu estava ao lado......
Quem atende o telefone fixo sou eu... E digo logo que a senhora não está...
Que você está dizendo Pina? Você atende o telefone e diz que não estou?
A senhora quer atender, eu começo a chamar a senhora. Mas, vou avisando... As ligações são quase todas de casa de caridade pedindo donativo, escritório cobrança procurando um tal de Jaílton, uma tal de Milena, empresa vendendo TV por assinatura, essas coisas...
Tem razão, Pina! Melhor não chamar... Mas, esse telefonema não era nada disso, era?
Não! Era a Maroca, que mora na vila... Ela está visitando a mãe lá no Nordeste...
Deve ser coisa importante, ficaram mais de meia hora conversando. A ligação vai ficar cara...
Ela ligou a cobrar...
Pina! Você ficou esse tempo todo numa ligação a cobrar?
Nem percebi o tempo passar... A Maroca começou a contar de um moço que queria namorar com ela. Ela até gostou do rapaz, mas ela já tem um companheiro lá na Vila e...
...E ele não ir gostar de saber a história... essa parte eu ouvi, Pina...
O que mais a senhora escutou?
A parte da noite na praia.
Nossa! Segredo, hein Dona Gertrudes!
Foi divertido...
Não sei!... A senhora já fez aquelas coisas na praia?
Pina... Não é da sua conta...
Ah!... Fez?...
Que tal pararmos a conversa por aqui e você começar a faxina do banheiro?
A senhora não tem senso de humor... Deve ter algo a esconder...
Piiiinaaa! Estou começando a perder o humor....
Ta com medo que eu faça delação premiada?
Delação premiada? Onde você ouviu isso?
Só se fala nisso... No rádio... na televisão... no celular... Não sei direito o que é.
A senhora pode me explicar?
É mais ou menos assim... Uma grupo de pessoas comete um crime... Se alguém confessar e disser quem é o chefe da quadrilha é perdoado em parte.
Deixa eu ver se entendi... O namorado da Maroca – o Zito - “vende uns bagulhos(*)”. O Zico também vende pra “rachar” com o Zito. O Zico é pego num “enquadro”(**). Os “gambés”(***) começam um “esculacho” e o Zico fala que a mercadoria era do Zito “pra livrar a cara”. É isso, Gegê?
Se eu entendi o que você quis dizer com esse dialeto, acho que é...
Isso lá na vila a gente chama de deduragem... Coisa feia! Dá uma confusão!
Pina! A delação é feita por gente rica, político. Combinado entre os advogados e a Polícia Federal, Ministério Público, Magistrados...
Para, dona Gertrudes!... Eu não entendo essas pessoas... Falam umas palavras esquisitas.
Eu também não entendo muitas palavras que eles falam...
Gegê! Vamos falar do que a gente entende?
De que, Pina?
Das fofocas que a Maroca me contou. Fazer fofoca é bem mais fácil, não é?
Desta vez, você tem razão, Pina...
Posso ir buscar um café?
Pode, mas não enrola muito que tem muita faxina e roupa pra lavar.
Tá certo! Café com açúcar ou adoçante?
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(*) bagulho - maconha ou produto de pequenos furtos.
(**) enquadro - batida policial, revista
(***) gambé – Policial Militar
(****) esculacho – agressão policial

25 abril 2018

Orgulho de ser Brasileiro!


Que mentira, que lorota boa! Que mentira, que lorota boa!
Sonho meu! Sonho meu!
Assim não dá, pátria amada!
O orgulho some ao primeiro espreguiçar
Hoje não quero ouvir notícia ruim!
Que coincidência!
No rádio toca Cazuza.
Mostra tua cara antes do galo cantar três vezes.
Melhor nem prestar atenção!
Mudo de emissora!
“Ai! Esta terra ainda vai cumprir seu ideal. Ainda vai tornar-se um imenso Portugal”.
Peralá!...
Meu avô era honesto e um ex-primeiro-ministro lusitano foi preso “aquém-mar”.
Estamos chegando lá... “Braziu varemnóis” também tem um ex-presidente devidamente preso “além-mar”.
É para sentir orgulho disso?
Temos tantas coisa boas.
“Bolsa-família”.
Quem dá mais? Quem dá mais?
“Mega-sena”.
Quem dá mais? Quem dá mais?
Uma vez Flamengo, sempre Flamengo!
Quem dá mais? Quem dá mais?
Tinha que lembrar do Sete a um!
Falando nisso... Como tem “Um...Sete... Um...”!
Dou “Habeas corpus”...
Feito!
Tomaladacá!
Motorista! Rápido!’
Põe a mala no porta mala, leva-a-jato para o apartamento.
Trânsito fechado!
Tá lá o corpo estendido no chão!
Mais um!
Mais um!
Mais um! Mais uma...
Chacina na periferia!
É preciso rebelar-se...
É preciso estar atento e forte...
Alguma coisa acontece no meu coração...
Dor no peito?
Pode estar à beira da morte...
Tínhamos tantos sonhos...
Detalhes tão pequenos de nós dois...
Detalhes?
Há pedras imensas pelo caminho que não dá para desviar.
Nem sentir orgulho!

18 abril 2018

EFEITO COLATERAL DE REMÉDIO?


Só pode ser efeito colateral da medicação.
A bula alerta sobre ocorrências raríssimas de alucinação (0,001% dos casos).
Justo comigo que nunca tive a sorte de ganhar na loteria.
Por mero detalhe de não jogar.
O remédio tive que tomar.
Pensando bem talvez seja alguma armação visando a beatificação “in vitae”.
Esse pessoal é capaz de tudo para voltarem a ser incluídos na Fopag de algum órgão estatal.
Vou digitar de pouquinho, pois não consigo parar de rir.
Ouvi com todos os fonemas o causídico afirmar no meu radinho de pilha:
“Luigi Ignatius, o Puro” está (ops!) lendo (ops! ops!) livros (ops! ops! ops!)...
Pensar que, reza a lenda, o Santo Homem perguntou ao chegar na PF se era arroz, feijão e mistura.
Fez uma expressão feliz quando responderam que era cana.
Fala sério, companheiro!
O “Amigo” nunca foi dado a leitura de livros.
Quando muito perguntava do livro-caixa.
Entretanto, teria afirmado que gostara muito de ser lembrado logo nas primeiras páginas. Nos dois livros havia um capítulo chamado “Inácio”.
Óleo de peroba, como diria vovó...
Me poupem!
A ênclise errada é proposital.


Não é efeito medicamentoso...

20 janeiro 2018

Mané Garrincha

Corre manco Mané
Bola colada no pé
Dança sem bola, Mané
A bola parada
Na grama aparada
Medo trêmulo
No olhar do João
O olhar de Mané
Inventa no espaço
Um ponto futuro
No infinito
Mané valsa suave
Céu azul de arco-íris
Cinco, seis, infinitas pontas
Estrelas espiam
Flecha certeira a cruzar
Ponta de lança voar
João desvia o olhar
Bola dorme na rede 
                                                    Bandeiras balançam ao vento
                                                    Descansa... Mané... Descansa...
                                                    “Solitária Estrela”
                                                    Brilho eterno no Maracanã

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Dia 20.jan.1983 falecia o Anjos de Pernas Tortas

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