15 novembro 2016

A NOITE DA SUPER-LUA


 
Lua!
Oh! Super-Lua!
Cadê você?
Esperei-a a noite inteira e você não veio.
Será que ela sofreu um sequestro-relâmpago?
Em São Paulo é possível!
Não! Não foi isso. Ela apareceu na Globo.
Toda cheia.
Parecia uma estrela de primeira grandeza.
Vai ver que se “achou” e resolveu cobrar uma propina – digo um cachê – maior para desfilar pelos céus de “terras brasilis”.
Antes que limitem o “teto de gastos” nestes tempos nebulosos.
Não! Não! E Não... Ela não faria isso com o povo brasileiro.
Talvez tenha passado antes em Belzonte e os mineiros devoraram aquele imenso pão-de-queijo.
Pode ter se atrapalhado com o horário de verão e atrasou-se.
Quem sabe passe amanhã.
Mais provável ter caído a energia elétrica na Super-Lua. Choveu em Sampa, é tiro – digo trovão - e “queda”.
Eu tinha feito até um versinho para ela.
Estava com uma ideia incrível...
Queria tirar uma selfie e postar no “feice”.
Que triste! Não vê-la-ei mais vivo.
Ai! Meu São Jorge... Estou mesmo com a cabeça no mundo da Lua.
Viram só o que eu fiz?
Uma mesóclise...
Está na moda!
Nem sendo moda. O “não” exige próclise.
E a depender da Vivo, não a verei nem morto...
Deu um raio e a internet pifou...
Lua...
Oh! Super-Lua...
Seu dia passou e você não veio.
Lembrei-me quando o cometa Halley passou pela Terra da última vez.  Disseram que o imenso cometa que iluminaria o céu com seu rastro de luz era aquele pontinho lá no alto.
Aquele pontinho quase invisível entre as nuvens, oito graus acima de Vênus, não era a luz voltando no bairro vizinho.
Era ela.
A Super-Lua
Juram que ela deu até um “tchauzinho” para mim.
Mas, eu cansado de esperá-la, já havia dormido.

06 novembro 2016

PORTEIRO DE ENEM



Assistindo ao desespero da parte de um aluno que chegava atrasado ao exame do ENEM e foi impedido de entrar, quando o portão ainda baixava, chego a algumas conclusões quanto ao perfil necessário para ser segurança de portaria do ENEM:

Ser portador de alguma doença psicopática, que exija sentir prazer na tristeza e desespero alheio. Enfim, praticante de sadismo.
Não ter qualquer comiseração com os outros.
Nunca ter chegado a uma repartição pública, com o guichê sendo fechado na sua vez.
Ou coisas do tipo: Precisar agendar perícia e encontrar o INSS em greve.
Jamais ter perdido a hora, nem depender de transporte público.
Talvez, a mais cruel, jamais ter feito ENEM ou ser pai de quem perdeu a oportunidade, por um minuto.

24 outubro 2016

QUERO UMA SANDÁLIA (Crônica premiada na Uniso)

“Quero uma sandália!” Disse o Homem com voz titubeante à Moça da loja.
A Moça tentou desviar o olhar ao ver os trajes velhos que escondiam o dono da voz. Homem com aparência de morador de rua.
“Quanto custa aquela?” Insistiu a voz saída da boca coberta pela barba e bigode há muito sem corte, mas limpa.
“Catorze e noventa”, respondeu a Moça dirigindo a atenção à Cliente ao lado.
“Posso experimentar?” Apoiando as mãos suadas no balcão de vidro.
“Qual o número?” A Moça vendo-se acuada.
“Acima de quarenta e dois.” 
“O senhor calça qual número afinal?” Sentindo possibilidade de escapar.
“Acima de quarenta e dois”, afirmou o Homem, categórico.
“Como assim, acima de quarenta e dois?” Encaminhando a paciência aos estertores.
“A senhorita nunca ouviu falar que pé de pobre não tem tamanho? Até quarenta e um eu raspo o calcanhar no chão, acima disso serve qualquer uma.” Sentiu-se ironia.
Impossível à Moça esconder leve sorriso ante a lógica simplória e feroz. Mudou de atitude. Pegou par na prateleira e ofereceu ao Homem. Antes de soltar as sandálias, arriscou: “O senhor está com os pés limpos, não?”
Sem sentimento de ofensa, reagiu também sorridente, demonstrando saber: “Claro! Tanto quanto os lavados por Jesus antes da Páscoa”, apontando os pés calçados por rotas sandálias de cores diferentes. Uma delas com a tira substituída por uma amarração de barbantes.
Libertas as sandálias e rapidamente calçadas, o Homem sorridente afirmou, à Moça: “Perfeita! Nem machuca o dedão.”
“O senhor vai levar?” Sentimento de alforria ante a situação incômoda, denunciada pelo olhar da Gerente, postada no caixa, censurando a presença do Homem.
“Tem um modelo mais bonito?” Indagou o Homem, vasculhando as prateleiras com olhar de criança namorando presentes de Natal.
A Moça na corda bamba, entre o desespero da perda de tempo e a curiosidade de aonde chegaria a conversa.
“Aquela”. Apontou o dedo de unha comprida em direção a um par mais colorido.
“Aquela é mais cara.” Voz da Moça desanimando.
“Quanto?” Desafiou o Homem.
“Vinte e quatro e noventa.”
“Por que é mais cara? O material é o mesmo”, argumentou demonstrando certa irritação.
“É que esta...” desistindo de explicar, corrigiu... “É o preço dela. Mais cara, mesmo.”
“Faz vinte?” Regateou.
A Gerente decidiu salvar a Moça e interveio bruscamente, mas gentil, dentro do mister de quem sobrevive do comércio: “Meu senhor, posso ajudar?”
“Posso pagar até vinte pela sandália. É o que tenho”, mostrando um pacotinho de moedas, retirado vagarosamente do bolso da bermuda.
Brotou angústia coletiva na loja.
Gerente e Moça entreolharam-se, quase cúmplices em abrirem mão da pequena comissão de uma eventual venda. 
“Tudo bem! Tudo bem! Não podem, não podem. Eu esmolo mais um pouco e depois venho comprar”, disse firme o homem como é pertinente a quem decide.
Dirigiu-se à saída, interrompido pela Cliente, que aguardava pacientemente sua vez: “Vamos fazer o seguinte: pago a diferença!” E ofereceu moedas retiradas do porta-níqueis de couro.

Gerente e Moça sorriram, aliviadas do peso que lhes era retirado.
“Não quero favores”, contra atacou o Homem, em tom alto.
Desespero de toneladas caiu.
“Aceite como esmola, então.” Rebateu, placidamente, a Cliente.
Desarmado de argumentos, o Homem submeteu-se. Estendeu as mãos em concha cuidando que nenhuma caísse ao chão.  Manifestou um agradecimento com a cabeça, balbuciando algo.
Comungou-se respiração profunda.
Recuperada a dignidade, virou-se para a Moça, colocou um punhado de moedas sobre o balcão e surpreendeu: “Veja-me a de catorze.”...“Quarenta e quatro”... “Não precisa embrulhar”.
Prontamente atendido pela Moça, tirou as rotas dos pés, calçou as novas e finalmente saiu calmamente da loja admirando os pés. Deixou para trás, além das sandálias velhas, três pares de olhos cruzando-se, à busca de entender.
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Crônica premiada com o terceiro lugar no 35.Concurso Literário da Universidade de Sorocaba - out.2016, com mais de 200 trabalhos inscritos.

23 outubro 2016

ESCOLAS COM PARTIDOS E O ENEM




O ENEM avizinha-se. Era para ser uma forma democrática de ingresso nas Universidades. Entretanto, adeptos da Escola Com Partido, desde que seja sinistro, decidiram pelos estudantes invadir escolas e paralisar as aulas.
Do ponto de vista pragmático, menos conteúdo nessa competição ao curso superior.
Por tabela impedirão, caso não as desocupem até dia 01.novembro, milhares de alunos de sequer fazer o exame.
O Estado de São Paulo requereu ao Judiciário a reintegração de posse das Escolas. Teve o pedido negado.
Peçam ao bispo!
O Ministério da Educação ameaça cobrar o prejuízo de sabe-se lá quem, referentes às despesas de exames que tenham que ser refeitos.
Quem paga essa conta?
Quem está perdendo nesse conflito de (in)competências é certo.
Os alunos.
As vítimas de professores politicamente “engajados” num rumo que perdeu a direção. Inclusive, seus mais “graduados” dirigentes políticos estão sendo, um a um, devidamente esquadrados pelo Judiciário.
Nas redes sociais divulgam, garbosos, a quantidade imensa de vitórias de invasões.
Péssimos cegos, não admitem ver a derrota nas urnas.
É golpe! É golpe! É golpe!
Golpe é o que estão fazendo, valendo-se de adestráveis, ainda, estudantes cheios de esperança que melhores dias virão.
Esperança que toda uma geração teve e entregou a esses que destruíram a economia e locupletaram-se.
E não querem largar o butim.
Ainda que para isso impeçam alunos de estudar, ler e avaliar o que é melhor para eles.

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https://www.facebook.com/apostolosdepedro/?ref=ts&fref=ts

18 outubro 2016

CUCO DESREGULADO



Ei! Cuidado aí...
Uai? Você fala?
Claro! Pensando o quê? Que só sirvo para “cucar” as horas?
Vejam se pode... Um cuco falante.
Não disfarce... Pare de mexer nas minhas engrenagens.
Mas, tenho que acertá-lo.
Estou certo.
O governo mandou... Horário de verão... Não ouviu no rádio? Não assiste a TV?
E dá tempo? Tenho tempo pra isso, não. Fico o tempo todo recolhido e saio de casa frações de segundo. Que história é essa mexer em mim?
Horário de Verão é adiantar a hora uma hora.
Pra que?
Sei lá... Dizem que economiza energia elétrica...
Mas eu sou “à corda”.
Deixe de conversa fiada... Estou atrasado...
Não mexa em mim... Vai alterar todo meu funcionamento... Se eu não funcionar direito, nada funciona.
Como assim?
Você fica dormindo e não presta atenção em nada... Não vê que os sabiás cantam às três horas e um minuto? O Chantecler às quatro horas e um minuto? Dependem de mim...
Como assim?
Eu canto precisamente nas três, quatro horas, eles acordam e um minuto depois acordam todo o mundo. E levam a fama.
Ora! Enxerido.
Não mexa nos meus ponteiros. Depois, perco a regulagem e terá que levar-me de novo ao especialista. Lembra como saiu caro da última vez? E eu fiquei tão assustado no meio daquele monte de cucos “desregulados”. Saíam cantando “a olho”. Não contei? Quase pirei. O relojoeiro tinha acabado de regular-me. Para mim eram seis da tarde. Aí, um cantou quatro vezes, outro oito, um quarto de hora, outro três quartos. Fiquei todo atrapalhado e saí cantando meia-noite. O relojoeiro teve que me reabrir... Você não sabe o que sofri. Cheguei a pensar que viraria sucata.
Tem sugestão melhor?
Férias? Pode ser?
Férias, ora. Passear no Nordeste. Lá não tem horário de verão.
Como você sabe disso, se não assiste a TV, nem ouve rádio?
Você não sabe de nada mesmo... Não deve conhecer “Cuco-Net Wi-fi”. Pensa que é o único que tem relógio-cuco. A gente se comunica...
Você já deve estar desregulado. Como vou tirar férias de quatro meses?
Desregulado? Eu? Desregulado é quem faz verão de quatro meses começando com menos de um mês de primavera e terminando antes do Carnaval. Se você é pobre e não pode tirar quatro meses de férias, dê férias para mim que sou um cuco refinado.
Como assim?
Desligue-me...
E quem vai me acordar?
Ah! Sei lá... Prefiro você confuso que eu fora de fuso... Não mexa em mim... Senão...
Ora... Tenho mais o que fazer... Fui...Tchau...
Cuco... cuco... cuco... cuco... cuco... cuco...
Seis horas? E essa escuridão? Que horas são afinal?
Socorro! Acho que tive outro pesadelo... Esse horário de Verão me desregula...

10 outubro 2016

DIÁSPORA PETISTA


Está na rede: “Em 2017, cinquenta mil cargos públicos ocupados por “assessores” e “em comissão” sairão das mãos do PT, após o golpe da derrocada eleitoral”.
Particularmente, acho que é muito mais.
Chamem o IBAMA! Crime ambiental! Bichos-preguiça caindo do céu, feito ventania na janela derrubando os penduricalhos-enfeite de uma árvore de Natal.
Os discursos costumeiros: “São pais (ou mães) de família”. São trabalhadores (eu não disse isso?). “Não têm culpa!”
Argumentos e choramingo não faltarão.
A propaganda “deles” é hábil na vitimização para gerar sentimento de pena aos inocentes.
Será pena pra todo lado.
Voando para onde puderem se agarrar.
Sindicatos, movimentos de “sem algo”, estatais, et coetera, et coetera, et coetera...
Os que tiverem penas mais fortes ou dupla cidadania, talvez voem para o exterior. Alguma praia paradisíaca (calma! Não falei “paraíso fiscal”).
Outros podem mandar currículo para um emprego na Globo, em nome da democracia da informação (e é preciso infiltrar-se).
A maioria periférica ficará a espera de um milagre. Um golpe de sorte.
Inúteis serão orações ao “santo” protetor St.Luigi Ignatius, o Puro.
Deste só ouvirão: “O importante é o “bico fechado””.
Sempre é bom evitar alguma inesperada delação premiada de crime a se descobrir.
A partir de Janeiro a verba dizimista que sustenta o PT parará de jorrar dos proventos de cinquenta mil pessoas.
Demorará muito para desaparelhar-se o Estado, mas é um começo.

20 agosto 2016

Pininha Olímpica




Gege, voltei!
Ah! Que bom... Por onde andou? Seu celular não atendia. Pensei que tivesse adoecido, sido sequestrada.
Sequestrada? Só se fosse por um disco voador, para fazer faxina num outro planeta.
Quinze dias sem dar notícia. Isso é quase abandono de emprego. Que história vai inventar desta vez.
Fui pras Olimpíadas. Rio de Janeiro. Cidade Maravilhosa.
Ai! Pina. Inventa outra.
Verdade, Gege!
Com que dinheiro?
Ganhei quase de presente.
Como assim?
Sabe a Zica, companheira do Zico, que mora lá na Vila...
Já sei quem é...
Pois é... Ela tinha sido contratada por um casal de bacana... Gente assim quase igual à senhora...
Pina! Vai logo com essa história.
Ih! Tomou sua “valeria” hoje?
Pinaaaaaa! 
Tá bom... tá bom... O casal ia para as Olimpíadas e precisavam de uma babá. Aí, o Zico não deixou a Zica ir e eu fui no lugar dela. Pronto! Contei!
E não me avisou?
Se avisasse, quem não ia me deixar ir era a senhora.
Vou fingir que acredito. Vai fazer os serviços atrasados e depois você me conta a verdade.
Verdade? Mas é verdade. Eu assisti a um monte de jogo, competição de corrida, pular, vi uns homens gigantes, umas mulheres que pareciam de borracha. Tinha até uns, que acho que eram tudo parente do Seu Takeo. Uns jogos eu não entendia nada, mas foi legal. Torci tanto, tanto, que quase esqueci o filhinho deles na geral.
Estou começando a acreditar nessa história.
Gege! Você me explica umas coisas desses jogos.
Se eu souber...
A senhora viu algum jogo pela TV?
O que deu. Era muita coisa.
Viu o Tênis? Eu fui lá uma tarde. E não entendi.
Vi... O que você não entendeu? É tão simples. É só jogar a bolinha para a quadra adversária.
Isso que eu não entendi... Se precisa jogar a bolinha para o outro jogar de volta, por que jogam a bolinha longe e tão forte e comemoram quando o outro não consegue devolver?
Pina! É que tem que fazer o outro errar.
Isso que eu não consigo entender. Pra que jogar então, se o mais legal é quando um rebate para o lado do outro?
Ai! Pina! Que mais você achou estranho?
Eu achei divertido um parecido. Também era com raqueta. Jogavam uma peteca por cima da rede de vôlei. Os parentes do Takeo ganhavam tudo. Parece que chama “BodeMilto”.
Badmington, Pina... Badmington...
Isso aí, Gegê.
Agora ao trabalho, Pina.
Peraí, tem mais uns esportes estranhos.
Quais?

Fazer cavalo pular é esporte?
Claro! Hipismo.
Os cavalos tudo de crista arrumada. Eles fazem “chapinha”?  
Ai... Ai... Ai... Ai... Ai...
Tem um esporte que é bem brasileiro.
Futebol?
Não! Gege... Descer rio a remo... Lembrei-me dos bombeiros quando vem socorrer na enchente. Lá na Vila tem muito, quando chove forte.
.....
Gegê... explica uma coisa pra mim...
O que mais?
Por que não tem Olimpíadas todo ano?
Ai! Pina... É muito caro fazer uma Olimpíada. Por isso, só a cada quatro anos.
Hum!...
Por que?
Porque eu gostei de sentir-me importante. A senhora nem imagina como... Agora acabou... Volto a fazer comida, limpar a sala, lavar banheiro... Pegar ônibus lotado.
É a vida, Pina!... É a vida... As medalhas são para alguns.
Medalha! Ah! Ganhei uma.
O que?
Vê, Gege... O casal me deu uma medalhinha. Disseram que é de ouro... Será que é?
Se for, você deve ter merecido, Pina.
Mereço um aumento e umas folgas?
Ah! Pina... Já pro trabalho...