20 janeiro 2018

Mané Garrincha

Corre manco Mané
Bola colada no pé
Dança sem bola, Mané
A bola parada
Na grama aparada
Medo trêmulo
No olhar do João
O olhar de Mané
Inventa no espaço
Um ponto futuro
No infinito
Mané valsa suave
Céu azul de arco-íris
Cinco, seis, infinitas pontas
Estrelas espiam
Flecha certeira a cruzar
Ponta de lança voar
João desvia o olhar
Bola dorme na rede 
                                                    Bandeiras balançam ao vento
                                                    Descansa... Mané... Descansa...
                                                    “Solitária Estrela”
                                                    Brilho eterno no Maracanã

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Dia 20.jan.1983 falecia o Anjos de Pernas Tortas

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18 janeiro 2018

ANJOS E AS PREVISÕES DE NASCIMENTO

Quando nasci, acho que não vieram anjos. Nem tortos, nem disfarçados de querubim.
Vieram vizinhas, parentes e curiosos.
Eu, ali no quentinho do cobertor no improvisado berço de caixa de bacalhau, não entendia nada. Elogios e falas estéreis... - “que lindinho!”, “parece com o pai”... “É a carinha da mãe”... - que norteiam as conversas da primeira visita.
Soube, tempos depois, que visitou-me uma parente distante. Prima em terceiro ou quarto grau de uma titia de me avô. Tão distante que morava na zona Leste, além de onde seria construída a Arena Itaquera.
Ela prometera que levaria os dados da hora exata de meu nascimento para uma parente do marido dela, que fazia mapas astrais.
Mapa astral!
Imaginem isso no começo da segunda metade do século XX.
Essa feitiçarias!
Um pecado tão grande que confessar sua prática e denunciar praticantes era como fazer delação premiada. Mereceria destaque no Repórter Esso.
Hoje posso falar livremente, que meu mapa astral dizia que o Sol estava na casa de Mercúrio, na hora de meu nascimento.
Esse dado fez-me entender algumas coisas.
Minha mãe dizia-me que nasci numa tarde fria e chuvosa
O Sol provavelmente estivesse escondido na casa de Mercúrio, para não se resfriar e, assim os cuidados maternos dos insistentes “Leva uma blusa!” toda vez que eu saía de casa.
De forma genérica, afirmava o mapa astral, que os nascidos naquele dia, raramente admitem sua ignorância.
Cheia de razão minha sábia e profícua afirmação autobiográfica: “A modéstia é minha segunda virtude e a primeira a união de todas as outras”.
Entretanto, na contramão, um absurdo científico.
Teria a facilidade com línguas e aptidão para destreza manual.
Ora! Neste caso, como dar ouvido às estrelas?
Não sei falar direito nem o português. Quando muito, uso a língua para falar mal dos outros. A única habilidade que tenho com as mãos é aplaudir quem consegue desenhar, pintar, tocar um instrumento, fazer tricô.
O leitor não vê, mas a tecla que mais uso é “delete” e fui um grande produtor de papel para rascunho nos tempos das máquinas de datilografia.
Horóscopos!
Como acreditar?
É impossível, eu, nascido em São Paulo, no bairro dos Jardins, sem nenhum pezinho no Nordeste, exceto uma ou outra excursão, ser qualificado como Cabra de Madeira, como afirma o Horóscopo Chinês.
Deduções levam-me a concluir que deva ser um “Cara-de-Pau”.
Se bem que tem lógica...
Um “Cabra de “Madeira”, reza o HC...
Só um instantinho, senão o STF se intromete...
HC neste caso é Horóscopo Chinês.
Um “Cabra de “Madeira”, reza o HC, é capaz de sonhar acordado durante toda a tarde. Explica-se em parte a minha insônia. Uma confusão neurológica determinada pelo mapa astral.
Eu não acredito muito nessas coisas de astrologia.
Ainda mais, depois que um companheiro de bar de meu pai, disse que a cunhada de uma prima em terceiro ou quarto grau de seu vizinho de quintal estudava numerologia. Assim, que a encontrasse, pois ela que morava na zona Sul, perto de onde São Paulo faz divisa com Itanhaém, passaria o meu nome certinho para que ela previsse meu futuro.
Teve boa vontade.
Encontrei-o algumas vezes e ele sempre perguntando se meu nome era com “Z” ou “S” e o sobrenome com um ou dois “L”, dois “C” ou “CH”.
Isso alteraria o meu destino. Meu número poderia ser DOIS, QUATRO ou SEIS.
Esses pequenos detalhes na formação de minha numerologia devem ser a causa de acertos e erros nas provas de matemática e a falta de suficiência de saldo na conta bancária.
Ou seja, talvez eu não seja eu, porque o sobrenome de meu pai foi grafado errado pelo cartório.
Queria tanto ser NOVE um dia, QUATRO no outro, SEIS de vez em quando.
No fim das contas, são tantos detalhes a predizer o que seremos, que eu chego a pensar que os anjos não tenham nada a ver com isso.

Talvez, sequer existam. 

05 janeiro 2018

Feliz 2018 - Reveilón entre fogos, cães e cachorras


Preparem as atiradeiras os defensores “del Mondo Cannis” e investidores dos Pets não recicláveis.
Por favor, não me mordam, pois o estoque de antirrábica está em falta. As ampolas de vacinação foram usadas para a febre amarela. Deixem que os macacos - se sobreviverem - me mordam.
Estão proibidos no Reveilon os fogos de artifício com barulho, decretaram várias cidades.
Justificativa: o barulho dos rojões incomoda aos “Canis lupus familiaris”. Ninguém falou das criancinhas. As pequenas crias do animal bípede da ordem dos primatas pertencente à espécie “Homo sapiens”.  
Acho que só o Pelé lembrou-se das criancinhas num momento de festa. Corrijo... Esqueci-me de Papai Noel.
Esses pequenos seres que além da possibilidade de morrerem de febre amarela, podem ficar surdas pelo espoucar de foguetório. Ainda que seja por um motivo justo. Não foi lindo ver as comemorações na noite sagrada de 04 de julho de 2012? Metade do “braziu varemnóis” soltando rojões e gritando nas ruas “Somos loucos por ti Corínthians” e a outra metade soltando palavrões nas janelas.
Felicidade em meu coração. A Libertadores conquistada e os cachorros da vizinhança escondidos quietinhos nos cantos das salas das casas e apartamentos.
Pobres criancinhas! Indefesas! Um de meus vizinhos apareceu na sacada com um inocente “Meninus sapiens” vestindo uma camisetinha do “argh-rival white-green”. Colocou o garoto de uns nove meses em risco de vida. Chorava tanto o pequeno. Devia estar com alergia à roupa.
Pena que a festa acabou e os cães voltaram a latir .
Se o argumento para a redução de foguetório fosse os males à audição infantil, seria plausível, mas o medo canino?
“Use protetores auditivos”! Foi a frase que ouvi, certa feita, ao reclamar, à meia-noite, do som de um “pancadão” infanto-juvenil regado a “Se eu te pego” e “Metralhadora” entre outras no salão de festas do prédio vizinho.
Nenhuma palavra em defesa dos quadrúpedes com rabo da parte das candidatas a cachorras sem rabo que rebolavam na festa.
Da minha parte, quero dizer que usei protetores auditivos na festa de reveilon e foi bom ver e ouvir o foguetório.
Quanto aos cães, que seus donos coloquem protetores auditivos neles.
Ah! Quase esqueço das criancinhas indefesas aos rojões e “pancadões”...
Quando crescerem, encontrarão uma boa quantidade de aparelhos auditivos para surdez.
Sem mágoas desejo um 2018 com muito mais felicidade. Campeão Paulista, Brasileiro, Libertadores... Com foguetório e sem “pancadões”...  

Maloqueiro é a .... Desculpem-me! É o meu vizinho do menininho vestido de palmeirense.

27 dezembro 2017

Papai Noel - Votos de Natal e Ano Novo até 2022

Espero que Papai Noel tenha colocado no saco de presentes de todos os brasileiros uns comprimidinhos de remédio para memória. Para não se esquecerem do "Espírito de Natal" durante o ano inteiro. Nem dos que roubam o pais e se fazem de bonzinhos no Natal com indultos e perdões. Tenho apenas um voto para 2018: Votem certo em outubro. Elejam deputados honestos para termos um bom 2019, 2020, 2021, 2022...

27 novembro 2017

SARAUS – Observações e questões de comportamento.


Você tem na agenda diversos saraus para o mesmo dia. Em qual ir?
Tem um muito bom, mas nunca começa na hora marcada. Seu início sempre atrasa e reflete na hora de encerrar... Desanima!... Entendo...
Mas, você pensou, pensou e afinal decidiu-se por ele mesmo.
Esse trânsito! Mesmo com o início atrasado você atrasou? Calma! Todos vão perceber seu atraso... Não desvie a atenção do público. Não é necessário entrar acenando para todos os lados, nem ir abraçar o apresentador. De preferência, aguarde um intervalo nas apresentações.
Repita um mantra: “Silêncio!... Silêncio!... Silêncio!... ”
Especialmente durante as apresentações. Se a conversa é urgente, saia do ambiente. Se for amenidade, aguarde o final do sarau e faça um happy-hour.
Atender celular, assemelha-se a crime hediondo.
Alguém encerrou a apresentação... Aplauda! Mesmo se não entendeu bulhufas da poesia ou não conseguiu escutar a música, porque estavam conversando ao seu lado ou no corredor.
Chegou sua vez? Sim... É você que o apresentador chamou...
Atenção! Sarau não é ”pocket-show”, nem palestra. Para mostrar a qualidade de sua arte não é preciso repetir “duzentas e dezenove vezes” o refrão da música, nem apresentar poesias do tamanho dos “Lusíadas”. Há dezenas de pessoas esperando “seus três minutinhos de fama”.
Não desvalorize sua apresentação, desculpando-se que está afônico ou assemelhado. Quem conhece sua qualidade não precisa de explicações.
Chegar um pouco mais cedo e se entender com os músicos é melhor que não encontrar o tom na sua vez de apresentar-se.
Diga quem é o compositor da música ou autor da poesia que irá apresentar. Se não souber não informe errado. Por exemplo, Elis Regina nunca compôs nenhuma música e “Rosa de Hiroshima” não é dos Secos e Molhados.
Cuidado! “Domínio público” e “autor desconhecido” não são a mesma coisa.
Não explique poesias. Quintana já dizia: “Não tem porque interpretar um poema. O poema já é uma interpretação."
Pronto! Apresentou-se... Foi aplaudido, apesar do barulho da plateia...
Agradeça, volte ao seu lugar e ao mantra: ““Silêncio!... Silêncio!... Silêncio!... ”
Poxa! O sarau está bom, mas começou atrasado quarenta minutos e você precisa sair antes do final... Tem outro sarau... Que começa na hora!...
Tenha a mesma atitude da chegada atrasada. Ou seja, não desvie a atenção do público. Não é necessário sair acenando para todos os lados, nem ir abraçar o apresentador. De preferência, aguarde um intervalo nas apresentações e saia à francesa... de fininho.
Não me leve a mal! Sarau é legal! E que saber mais? “SARAUS “ são legais!!!
Volte sempre! Mês que vem tem mais!

20 novembro 2017

Nova central telefônica dos "Apóstolos de Pedro"

Como falar com Pedro, o Patriarca de "Apóstolos de Pedro"



NOVA CENTRAL TELEFÔNICA DOS APÓSTOLOS DE PEDRO
Devido à grande procura pelo atendimento telefônico ao Patriarca Pedro, da parte de associações beneficentes, escritórios de advocacia interessados em revisões de aposentadorias, empresas de telefonia, TVs por assinatura, empresas de cobrança, pelintras e estelionatários sequestradores de parentes e, especialmente, dos efetivamente interessados na adesão ao Apostolado, temos a grata satisfação de informar a instalação de sistema de atendimento telefônico automático, desde o dia 15.Nov.2017.

Seu funcionamento é simples.
Ao ligar para a central telefônica do Apostolado de Pedro: 09117969696969, você será atendido imediatamente por uma voz feminina que dirá: “Seja bem-vindo ao Apostolado”.
Ela o acompanhará até a finalização da chamada.

Serão oferecidas as opções:
Disque 01 – Se deseja falar com o Patriarca,
Disque 99 – se ligou por engano.
A seguir siga as outras opções
Disque 02 – informe seu nome
Disque 98 – Se conheceu o Apostolado pelo blog
Disque 03 – informe seu CPF
Disque 97 – Se já tem algum livro do Patriarca
Disque 04 – informe o nome de sua mãe
Disque 96 – se não conhece a mãe.
Disque 05 – informe o nome do parente do Patriarca sequestrado
Disque 95 – Se deseja adquirir algum livro do Patriarca
Disque 06 – se for associação beneficente angariando fundos para crianças doentes
Disque 94 – Se conheceu o Apostolado através de outro Apóstolo
Disque 07 – se for associação beneficente angariando fundos para idosos abandonados
Disque 93 – Se o idoso foi Apóstolo,
Disque 08 – se for associação beneficente angariando fundos para animais abandonados,
Disque 92 – se o animal pertencia a algum Apóstolo de Pedro.
Disque 09 – se for escritório de advocacia interessado em revisões de aposentadorias,
Disque 91 – para saber que 91 no jogo do bicho é Urso
Disque 10 – Se for empresa de telefonia,
Disque 90 – Se discou 190, é engano. Não é a Polícia Militar.
Disque 11 – se for empresa de TV por assinatura,
Disque 89 – se for escritório ou empresa de cobrança procurando a Milena, que não pagou a Net
Disque 12 - se for escritório ou empresa de cobrança procurando o Jaílson, que não pagou o Cartão de Crédito.

Alerta de perigo – Nunca digite 13.

Aguarde, por favor!
Enquanto estamos trabalhando arduamente para o completamento de sua ligação, ouça e reflita sobre as mensagens do Patriarca Pedro, sempre lembrando que sua ligação é muito importante para o Apostolado, principalmente se deseja adquirir algum livro do Patriarca.
Mensagem 1 - “Tudo é possível, exceto o impossível”.
Mensagem 2 - “A paciência é infinita, mas o infinito também tem fim”
Mensagem 3 - “Em questões duvidosas, seja dialético”.
Mensagem 4 – “Se cair e ferir os joelhos, não xingue, exceto se rasgar as calças”
Mensagem 5 – “Hoje já foi o amanhã de ontem.”
Mensagem 6 – “Entre um bom almoço e um excelente jantar, sempre cabe um cafezinho”
Mensagem 7 – “Idiotas são como relógios quebrados. Só atrasam sua vida.”   
Mensagem 8 – “Se o tempo passou muito rápido é porque seu time está perdendo”
Mensagem 9 – “O Perdão não é neste telefone. Este é do Pedrão”
Mensagem 10 – “Se cair a ligação, não ligue”.

Isso acontece!

14 novembro 2017

PRESIDENTES ou Viva a Monarquia! (Cordel)





Cordel de Pedro Galuchi                                                  ------------------------------------------------------------------

Tudo a seu tempo e lugar
Carece de explicar
Nada de governo popular
Preciso modelo novo
Melhorar a vida do povo
Na pobreza por um fim
Havia grande risco, enfim

Republicanos a tramar
O reino era português
Príncipe consorte francês
Assim, pelo sim, pelo não
Coronéis tomam decisão
Somente há uma solução:
A monarquia derrubar

Era a hora de decretar
O fim do período Imperial
Artimanhas sem cessar
O motivo verdadeiro
Dizia-se no Rio de Janeiro
Queriam convite pra entrar
No baile da Ilha Fiscal

República proclamada
Pedro se foi sem passaporte
O Brazil não teve sorte
Não ficou melhor é nada
Não se faça de inocente
Com esse tal de presidente
Perdemos o nosso Norte

Começamos muito mal
Nem pensar em votar
Não se perde por esperar
De saída lá vem Marechal
Primeiro golpe militar
Um par de alagoano
O Deodoro e o Floriano

Depois dos marechais
Eleito o paulista Morais
Orgulho piracicabano
De nascença era ituano
Revoltas e tempos bicudos
Tristeza no sertão baiano
Muitas mortes em Canudos

Campos Sales foi eleito
Afastou os militares
País seguiu mal das pernas
Aumentou dívida externa
Papel moeda foi aos ares
Arrepiou nossos cabelos
Ao criar taxa de selos

De Guará, Rodrigues traz
Um arremedo de paz
Para varíola uma vacina
O que era bom, mal termina
Eleito de novo, doença fugaz
Gripe Espanhola pegou forte
Antes da posse veio a morte

Vamos de café com leite
Até que a situação se ajeite?
Primeiro Mineiro em cena
Monarquista Afonso Pena
Sem governar por inteiro
Carioca Peçanha mulato
A completar o mandato

Hermes, gaúcho militar
De Deodoro era parente
Entre Chibata e revoluções
Nos Estados intervenções
Como tudo pode piorar
Uma de suas decisões
Estado de sitio novamente

Mundo distante da paz
Assume Wenceslau Braz
Promulgou Código Civil
Colocou o “esse” em Brazil
E nada do país mudar
Ainda governa um pouco
Delfim, taxado de louco

Ao Palácio sobe Epitácio
Alguns planos em vista
O paraibano bom jurista
Descobre muito breve
Que a vida não seria fácil
Anarquista vira socialista
Mas continuam em greve

Semana da Arte Moderna
Volta da família imperial
Nasce Partido Comunista
Porém, como era natural
Teve revolta tenentista
18 do Forte põe na lista
Das intrigas de caserna

Artur, o que você fez?
Estado de sítio outra vez?
Bombas em São Paulo explodiu
Coluna Prestes perseguiu
Estradas de Washington Luis
Tiveram final infeliz
Julinho não pode empossar

Conspiração de Getúlio
Amarrou cavalo no Obelisco
Linha dura, muito barulho
Após revolução paulista
Ditador ficou arisco
Pra evitar qualquer risco
Prendia político e artista

De “Novo” batizou o Estado
Fascismo idolatrado
Daqui ninguém me tira
Só direito é retirado
Aos poucos a coisa vira
Outro golpe militar
Dutra ocupa seu lugar

Democracia de volta
Ordena a Constituição
Tempos de nova eleição
Mas que reviravolta!
Quem é que reaparece?
Getulio e por que não?
Cada país tem o que merece

Suicídio cometido
Foi por muitos sucedido
Nereu, Café, Carlos Luz.
Mineiramente, bom menino
A cigana lera em seu destino
O Bossa Nova Juscelino
Ao Catete se conduz

Rapaz de boa família
Por tantos admirado
Homem muito amoroso
De Sarah teve filha
Ai! Esses pecados
Viveu anos dourados
Com Madame Pedroso

Brasil lá fora brilha
Pelé, campeão do mundo
Ele é demais... Que inocência!
Se olharmos bem a fundo
Tenha a santa paciência
Para construir Brasília
JK quebrou a Previdência

Jânio dever-se-ia pular
De médico e louco
Todo mundo tem um pouco
Mas não precisava exagerar
Que confusão foi arrumar
Se pra governar não tinha pique
Ficasse só no alambique

Traz ou não o Jango da China?
A custo a querela termina
Apesar do trabalho social
Zé Povinho é sempre igual
No discurso da Central
Plateia aplaudia e vibrava
Era quando Tereza acenava

Militar de novo, não!
Redentora? A Revolução?
Sem pescoço, Castelo Branco
Na constituição deu um tranco
Época de Atos Institucionais
Cassações, prisões e tudo mais
Seu fim? Caiu do avião

Costa e Silva, Garrastazu,
Geisel e seus pacotes
Dedos-duros, subalternos
A tortura se pôs a nu
Demo vibra no Inferno
Gastará cem mil chicotes
Terá trabalho eterno

“Diretas Já” saindo às praças
Gente de todas as raças
Na cabeça vestem fita
No coração levam o medo
Depois de tanta desdita
Abertura com Figueiredo
Ampla geral e irrestrita

Clima de festa, bolo à mesa
Brasil desperta assustado
No dia da posse, bem cedo
Aconteceu algo de errado
De repente, uma surpresa
Noticia meio em segredo
Adoeceu, à noite, Tancredo

Seguindo as ordens da lei
Aguenta povo! Veio Sarney
Junto, a tropa do velho clã
Carestia, dispara a inflação
Dinheiro ganho de manhã,
De noite não valia não
Esperança? A ansiada eleição

Tinha que dar tudo errado
Desgraça parece infinda
Surge Collor descamisado
Alagoano de mentirinha
Corrupto de carteirinha
Orgias na casa da Dinda
PC leva grana em malinha

No poder de novo um vice
Uns tempinhos de Itamar
Quem é que foi que disse
Que ele queria governar?
Na maior cara de pau
Queria era pular o carnaval
De bom... o Plano Real

Falou Fernando Henrique:
O Brasil tem solução
A ordem é privatizar
Preciso da reeleição
Denúncias de trambique
Para o Congresso deixar
Mais quatro anos governar

Lula em seu afã de poder
Fez tudo de mais sinistro
Encheu o país de ministro
Ex-inimigos tratou de lamber
Desvio de verbas, corrupção
Cuecas cheias, mensalão
O Brasil nunca terá solução?

Organizada a grande quadrilha
“Puro homem” gerou uma filha
Meu português não aguenta
Queria ser “a presidenta”
Entre propinas pra camarilha
Confissões de descontentes
Quebram ovos de serpentes

Apesar do governo ruim
Sempre tem quem goste
Pela vontade do povo
Elegeram Dilma de novo
Que cercada de preboste
Nunca viu nada ruim
Lá de cima do poste

Viva a Mandioca dizia
Pedalou quanto podia
É golpe! Que fiz de mal?
Deram-na por impedida
Panelaços e gritaria
Era hora da despedida:
Tchau, querida, tchau!

Após mais de centenário
No Alvorada um paulista
Esperança nova à vista
Promete emprego e salário
Observando melhor o lodaçal
Mudam as moscas, o resto igual
A eles riqueza, ao povo calvário

Golpe ou não fique o dilema
Uma e outra curiosidade
No meio de tanta lama
Bela Marcela, primeira dama
Dilma e seu problema 
Morar em que localidade:
Porto Alegre ou Ipanema?
  
Reuniões noturnas no Jaburu
Rasgam a carne em delações
Parece coisa do Belzebu!
Cada dia aumenta a lista
Em malas surgem bilhões
Poderosos em quadrilhões
Negociatas a perder de vista

Nas ideias da hora de deitar
Esquecidas na manhã do dia
Às vezes, fazem-me pensar
Em imagens cheias de ironia
Como é que o Brasil seria
Se a história pudesse voltar
Um Pedro no Rio a reinar

Republicanos tinham planos
Democráticos para o povo?
Pouco ocorreu de novo
O poder é mal sem cura
Quase cinquenta anos
De estado de sítio ou ditadura
Risco que sempre perdura

Se antes o povo sabia
O que esperar do Imperador
Hoje em dia certo temor
Aguardo sempre o pior
Pareça insana mania:
Não seria bem melhor
A volta da monarquia?
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(Direitos autorais registrados na BN.)