14 novembro 2017

PRESIDENTES ou Viva a Monarquia! (Cordel)





Cordel de Pedro Galuchi                                                  ------------------------------------------------------------------

Tudo a seu tempo e lugar
Carece de explicar
Nada de governo popular
Preciso modelo novo
Melhorar a vida do povo
Na pobreza por um fim
Havia grande risco, enfim

Republicanos a tramar
O reino era português
Príncipe consorte francês
Assim, pelo sim, pelo não
Coronéis tomam decisão
Somente há uma solução:
A monarquia derrubar

Era a hora de decretar
O fim do período Imperial
Artimanhas sem cessar
O motivo verdadeiro
Dizia-se no Rio de Janeiro
Queriam convite pra entrar
No baile da Ilha Fiscal

República proclamada
Pedro se foi sem passaporte
O Brazil não teve sorte
Não ficou melhor é nada
Não se faça de inocente
Com esse tal de presidente
Perdemos o nosso Norte

Começamos muito mal
Nem pensar em votar
Não se perde por esperar
De saída lá vem Marechal
Primeiro golpe militar
Um par de alagoano
O Deodoro e o Floriano

Depois dos marechais
Eleito o paulista Morais
Orgulho piracicabano
De nascença era ituano
Revoltas e tempos bicudos
Tristeza no sertão baiano
Muitas mortes em Canudos

Campos Sales foi eleito
Afastou os militares
País seguiu mal das pernas
Aumentou dívida externa
Papel moeda foi aos ares
Arrepiou nossos cabelos
Ao criar taxa de selos

De Guará, Rodrigues traz
Um arremedo de paz
Para varíola uma vacina
O que era bom, mal termina
Eleito de novo, doença fugaz
Gripe Espanhola pegou forte
Antes da posse veio a morte

Vamos de café com leite
Até que a situação se ajeite?
Primeiro Mineiro em cena
Monarquista Afonso Pena
Sem governar por inteiro
Carioca Peçanha mulato
A completar o mandato

Hermes, gaúcho militar
De Deodoro era parente
Entre Chibata e revoluções
Nos Estados intervenções
Como tudo pode piorar
Uma de suas decisões
Estado de sitio novamente

Mundo distante da paz
Assume Wenceslau Braz
Promulgou Código Civil
Colocou o “esse” em Brazil
E nada do país mudar
Ainda governa um pouco
Delfim, taxado de louco

Ao Palácio sobe Epitácio
Alguns planos em vista
O paraibano bom jurista
Descobre muito breve
Que a vida não seria fácil
Anarquista vira socialista
Mas continuam em greve

Semana da Arte Moderna
Volta da família imperial
Nasce Partido Comunista
Porém, como era natural
Teve revolta tenentista
18 do Forte põe na lista
Das intrigas de caserna

Artur, o que você fez?
Estado de sítio outra vez?
Bombas em São Paulo explodiu
Coluna Prestes perseguiu
Estradas de Washington Luis
Tiveram final infeliz
Julinho não pode empossar

Conspiração de Getúlio
Amarrou cavalo no Obelisco
Linha dura, muito barulho
Após revolução paulista
Ditador ficou arisco
Pra evitar qualquer risco
Prendia político e artista

De “Novo” batizou o Estado
Fascismo idolatrado
Daqui ninguém me tira
Só direito é retirado
Aos poucos a coisa vira
Outro golpe militar
Dutra ocupa seu lugar

Democracia de volta
Ordena a Constituição
Tempos de nova eleição
Mas que reviravolta!
Quem é que reaparece?
Getulio e por que não?
Cada país tem o que merece

Suicídio cometido
Foi por muitos sucedido
Nereu, Café, Carlos Luz.
Mineiramente, bom menino
A cigana lera em seu destino
O Bossa Nova Juscelino
Ao Catete se conduz

Rapaz de boa família
Por tantos admirado
Homem muito amoroso
De Sarah teve filha
Ai! Esses pecados
Viveu anos dourados
Com Madame Pedroso

Brasil lá fora brilha
Pelé, campeão do mundo
Ele é demais... Que inocência!
Se olharmos bem a fundo
Tenha a santa paciência
Para construir Brasília
JK quebrou a Previdência

Jânio dever-se-ia pular
De médico e louco
Todo mundo tem um pouco
Mas não precisava exagerar
Que confusão foi arrumar
Se pra governar não tinha pique
Ficasse só no alambique

Traz ou não o Jango da China?
A custo a querela termina
Apesar do trabalho social
Zé Povinho é sempre igual
No discurso da Central
Plateia aplaudia e vibrava
Era quando Tereza acenava

Militar de novo, não!
Redentora? A Revolução?
Sem pescoço, Castelo Branco
Na constituição deu um tranco
Época de Atos Institucionais
Cassações, prisões e tudo mais
Seu fim? Caiu do avião

Costa e Silva, Garrastazu,
Geisel e seus pacotes
Dedos-duros, subalternos
A tortura se pôs a nu
Demo vibra no Inferno
Gastará cem mil chicotes
Terá trabalho eterno

“Diretas Já” saindo às praças
Gente de todas as raças
Na cabeça vestem fita
No coração levam o medo
Depois de tanta desdita
Abertura com Figueiredo
Ampla geral e irrestrita

Clima de festa, bolo à mesa
Brasil desperta assustado
No dia da posse, bem cedo
Aconteceu algo de errado
De repente, uma surpresa
Noticia meio em segredo
Adoeceu, à noite, Tancredo

Seguindo as ordens da lei
Aguenta povo! Veio Sarney
Junto, a tropa do velho clã
Carestia, dispara a inflação
Dinheiro ganho de manhã,
De noite não valia não
Esperança? A ansiada eleição

Tinha que dar tudo errado
Desgraça parece infinda
Surge Collor descamisado
Alagoano de mentirinha
Corrupto de carteirinha
Orgias na casa da Dinda
PC leva grana em malinha

No poder de novo um vice
Uns tempinhos de Itamar
Quem é que foi que disse
Que ele queria governar?
Na maior cara de pau
Queria era pular o carnaval
De bom... o Plano Real

Falou Fernando Henrique:
O Brasil tem solução
A ordem é privatizar
Preciso da reeleição
Denúncias de trambique
Para o Congresso deixar
Mais quatro anos governar

Lula em seu afã de poder
Fez tudo de mais sinistro
Encheu o país de ministro
Ex-inimigos tratou de lamber
Desvio de verbas, corrupção
Cuecas cheias, mensalão
O Brasil nunca terá solução?

Organizada a grande quadrilha
“Puro homem” gerou uma filha
Meu português não aguenta
Queria ser “a presidenta”
Entre propinas pra camarilha
Confissões de descontentes
Quebram ovos de serpentes

Apesar do governo ruim
Sempre tem quem goste
Pela vontade do povo
Elegeram Dilma de novo
Que cercada de preboste
Nunca viu nada ruim
Lá de cima do poste

Viva a Mandioca dizia
Pedalou quanto podia
É golpe! Que fiz de mal?
Deram-na por impedida
Panelaços e gritaria
Era hora da despedida:
Tchau, querida, tchau!

Após mais de centenário
No Alvorada um paulista
Esperança nova à vista
Promete emprego e salário
Observando melhor o lodaçal
Mudam as moscas, o resto igual
A eles riqueza, ao povo calvário

Golpe ou não fique o dilema
Uma e outra curiosidade
No meio de tanta lama
Bela Marcela, primeira dama
Dilma e seu problema 
Morar em que localidade:
Porto Alegre ou Ipanema?
  
Reuniões noturnas no Jaburu
Rasgam a carne em delações
Parece coisa do Belzebu!
Cada dia aumenta a lista
Em malas surgem bilhões
Poderosos em quadrilhões
Negociatas a perder de vista

Nas ideias da hora de deitar
Esquecidas na manhã do dia
Às vezes, fazem-me pensar
Em imagens cheias de ironia
Como é que o Brasil seria
Se a história pudesse voltar
Um Pedro no Rio a reinar

Republicanos tinham planos
Democráticos para o povo?
Pouco ocorreu de novo
O poder é mal sem cura
Quase cinquenta anos
De estado de sítio ou ditadura
Risco que sempre perdura

Se antes o povo sabia
O que esperar do Imperador
Hoje em dia certo temor
Aguardo sempre o pior
Pareça insana mania:
Não seria bem melhor
A volta da monarquia?
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(Direitos autorais registrados na BN.)

07 novembro 2017

SALVEM A PRINCESA!

Nestes tempos de hoje é preciso...

SALVEM A PRINCESA!

Um herói salve a princesa
Tal filme de capa e espada
Dona de rara beleza
Apela lá da sacada

Presa por bruxa malvada
De algum feitiço indefesa
Um herói salve a princesa
Tal filme de capa e espada

Derrubada a fortaleza
Injustiça eliminada
Afinal qual a surpresa
Ela fique apaixonada
Um herói salve a princesa!
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http://www.recantodasletras.com.br/rondel/6165003

02 novembro 2017

DOMITILA EM TODOS OS CANTOS -150 ANOS DA MORTE DA MARQUESA DE SANTOS

03.Nov.1867 morria Domitila de Castro Canto e Mello, Marquesa de Santos.
Este conto baseia-se em fatos reais.
Uma grande mentira que pode ter ocorrido.
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                                                                                               Foto Roseli Galuchi
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DOMITILA EM TODOS OS CANTOS  

O Encontro Secreto de Leopoldina e Chalaça




“Abre o olho, oh! Leopoldina
Com Titila, mulher vulgar
Cuidado que a concubina
Ainda toma o seu lugar...
Cuidado que a concubina
Cuidado que a concubina
Ainda toma o seu lugar”

Rio de Janeiro, Primavera de 1826.
“Mandou-me chamar, Majestade? O que pode fazer pelo Império um fiel súdito, a esta hora da noite? apresentou-se Chalaça.
“Boa noite, Francisco... Que fique entre nós o assunto deste encontro. O que tenho a conversar é bem diverso dos seus auxílios noturnos ao Imperador”.
“Farei o impossível se for para satisfazer a Imperatriz”.
“Precisamos livrar-nos desta rapariga”.
“Sobre quem se refere?”
“Ora, Francisco, não se faça de rogado. Estou às fartas! Este povo que tanto me amava, agora a ridicularizar-me diante das falsetas que Pedro prepara. Não és surdo e tem boa parte de culpa quanto a presença dela na Corte. Sabes muitíssimo bem o que estão a cantar pelas ruelas e bares de becos do Rio de Janeiro usando o hino Imperial do Brazil, para fazerem chacota à Família Real... Até os pequenos Miguel e Pedro andam a cantarolar os versos pelos corredores do Palácio”.
“Ah! Majestade. Não deverias transtornar-se com esse incômodo. Os pobres cariocas são de um cinismo e irreverência muito grandes. A senhora quer que eu sugira ao Imperador uma lei proibindo que cantem?”
“Não cheguemos a tanto, Francisco! Mas, é preciso afastar essa rapariga da Corte. Colocá-la no devido lugar. No esquecimento da História. Já é absurdo tê-la nomeado Viscondessa e correm notícias que será elevada a Marquesa dentro de dias.”
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Para o bom andamento do reino, era mister a Imperatriz fazer-se, publicamente, de cega, surda e muda frente ao romance de Foguinho - apelido com o qual o primeiro monarca do Brazil assinava seus bilhetes ardentes de paixão - e Titila (Domitila de Castro).
Entretanto, Leopoldina, protagonista e articuladora da Independência do Brazil, era inteligente e muito bem informada de todas ligações, políticas ou amorosas, de Pedro. A figura de Domitila incomodava. Parecia onipresente.  
O enlace amoroso de Foguinho e Titila iniciou-se dias antes da Proclamação da Independência de Sete de Setembro de 1822. Historiadores dão por certo, retornasse o Príncipe-Regente do primeiro encontro com Domitila, quando ocorreu o Grito do Y-piranga.
Chalaça (Francisco Gomes da Silva) foi quem aproximou o Príncipe Regente de Domitila… Chegam a afirmar formassem, à princípio, um triângulo amoroso.
O ciúme tornara-se recíproco entre as duas mulheres mais importantes da vida de D.Pedro I, no início de seu reinado.
Se Leopoldina sentia um ciúme de desprezo por Domitila, Titila ambicionava mais. No leito dividido, cochichava ao Imperador questões ambiciosas. Por que não o título de princesas às filhas comuns? Ou mais. Houvesse ocasião, por que não ela mesma ser coroada rainha? Bem que tentou, mas como é de conhecimento histórico, restou-lhe somente prêmios de consolação: Marquesa de Santos a ela e Viscondessas às filhas.
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“Infelizmente, Majestade, acho que não posso agir nesta situação”, ponderou o Chalaça. “O imperador não me abre espaço as suas relações com Domitila. Poderia ofender-se se tocar em assunto de suas intimidades”.
Um misto de indignação e dureza carregaram as palavras de Leopoldina: “Não me venhas com evasivas. Estás sempre ao largo de atitudes de respeito e escrupulosas”.
“Majestade, ofende-me!”...
“Sabes que as paredes desta cidade ouvem e as cortesãs falam por todos os cantos... Não é nenhum segredo tenhas também ciúme e raiva dessa rapariga”...
“Não é o que dizem, Majestade! Conhecia Titila de saraus e festas na casa do Visconde de Castro”..
“Tinhas suficiente intimidade, para chamá-la assim? Titila...”
“Apelido de infância. De conhecimento de todos”.
“Não é o que dizem, Francisco”.
Ante o silêncio do Chalaça, prosseguiu a Imperatriz:
“Dizem que o senhor era uma das causas do ciúme açodado do primeiro marido da rapariga. Por isso tão prestimoso era quando surgiam ocasiões de viajar a Vila de São Paulo”.
Dizem mais: “Não foi o acaso quem fez encontrarem-se ela e meu marido”.
Chalaça encorajou-se, matreiro: “O Príncipe buscava qualquer uma que lhe aquecesse o leito”.
A Imperatriz interrompeu: “O senhor unindo o agradável ao útil apresentou-lhe sua amante paulista... Assim poderia obter mais facilidades em seus sonhos de ascensão à títulos de nobreza. Dividindo na alcova os segredos do reino com a rapariga e o Príncipe. Não vales um vintém”.
Chalaça fez-se de ofendido. “Majestade magoa-me com tais palavras...”
Sorriso mordaz nos lábios, a Imperatriz prosseguiu firme: “Quantas outras amantes arrumaste para o Imperador depois da rapariga? Queriam o Imperador só para os dois, mas de repente a rapariga fugiu-lhe ao controle”.
Chalaça gesticulou negaceando, mas firmou-se silente.
 “Decerto não tinha noção da confusão que irias criar ao encaminhá-la aos braços do Príncipe. A rapariga era mais esperta que imaginava. Caminho aberto, ela o afastou dos planos.”
“Majestade, por quem me tomas?”
“Uma pessoa que não merece confiança. Um oportunista”.
“E por que me chamaste?”, arriscou Francisco.
“Para comprar teus serviços. Saber o valor de teus préstimos”.
Chalaça atônito...
A Imperatriz foi direta: “Não dividirás comigo o leito, mas quero saber de todos os segredos ocultados a mim pelo Imperador. Agora que Andrada foi afastado, conheço menos do que passa pela cabeça de Pedro”.
“Trair o Imperador?... Não posso fazer isso”.... Francisco argumentou, encurralado.
“Se concordar, receberá boa paga. Dez contos de réis, o título de Conde e um cargo para representar o Império na Corte em Lisboa”.
“E se eu não concordar?”, negociou...
“Farei chegar aos ouvidos do Imperador que o Chalaça e a rapariga encontram-se sorrateiramente em São Cristóvão. Creio que o Imperador não ficará satisfeito e o senhor, decerto, conhece de suas reações violentas até mais do que eu”.
No ar pairou o desespero do Chalaça.
“Acalme-se, Francisco! Se o ódio de Pedro colocar em risco sua vida, pedirei ao Imperador que se apiede e tenha clemência, em nome dos serviços prestados ao Reino e o envie ao desterro. Quem sabe, o título de Barão e um cargo vitalício em Angola. O senhor vai gostar. Dizem que Luanda é tão quente quanto o Rio de Janeiro”.
Chalaça, sem negros a abaná-lo, suava frio, quando foi dispensado, ouvindo a advertência questionadora: “Pense bem no assunto!”.
Rosto ardendo, prometeu à Imperatriz pensar no assunto e responder através de ações.
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O que Chalaça decidiu fica para deduções.
A história do Primeiro Reinado desencadeou uma sucessão de fatos que servem de argumentos para três hipóteses. Chalaça atendeu a Imperatriz? Pedro soube do encontro? Ou apenas meras coincidências? 
Historiadores afirmaram que a Imperatriz, dias depois do encontro com Chalaça, foi vítima de agressão da parte do Imperador ao ser questionado por ela, quanto a presença de Domitila no Palácio Imperial. Houve, inclusive, notícias que as agressões teriam ocasionado sua morte.
Morta a Imperatriz, Domitila tentou ser rainha, sua máxima ambição, mas terminou sendo mandada de volta para São Paulo, por exigência das negociações do casamento do Imperador com a Princesa Amélia.
O povo na rua cantou:
“Titila, interesseira
Vá pra bem longe do Rio
Amélia é a verdadeira  
Rainha deste Brazil” 
                                                                                              Amélia é a verdadeira  
Amélia é a verdadeira  
Rainha deste Brazil” 

Pouco tempo depois, o Chalaça foi enviado, sem cargo honorífico, para o Reino das Duas Sicílias como embaixador plenipotenciário do Império.
Pedro abdicou do Trono e foi para Lisboa com Amélia, deixando a um dos meninos que cantarolava a paródia a missão de governar o Brazil.
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Ressoavam sombras tristes
Da cruel Guerra Civil,
Mas fugirão apressadas
Vendo o Anjo do Brasil
Dia 3 de novembro de 1867, Rua do Carmo, São Paulo.
O padre ministra os últimos sacramentos àquela senhora, que guardava traços de beleza.
“Faça sua confissão e terás perdão divino para entrar no reino do Céu”.
Voz trêmula e sem força, a senhora vagarosamente balbuciou:
“Conheci o Príncipe e passamos juntos toda a semana anterior ao dia da Independência. Estávamos apaixonados. Certa feita, Pedro confidenciou-me que pensava em mim enquanto compunha o Hino do Império. Que as lembranças de nosso primeiro encontro atiçaram sua inspiração. Registrara na música a sensação de liberdade no horizonte da paixão nova, sem grilhões das responsabilidades. Que mesmo que a história ignorasse isso, sua amada Titila ficaria gravada para sempre na História do Brazil.”
A senhora fechou os olhos.
A história oficial não registra única linha a respeito do encontro da Imperatriz com Chalaça, mas como as paredes tinham ouvidos é bem possível que tal encontro tenha ocorrido.
Garantiam o fato como verdadeiro cortesãs boquirrotas. Com bastante fundamentação histórica, pois ambos tinham motivos para odiar a rapariga.
Inclua-se no rol das boquirrotas a companheira do padre, que ouvia atrás da parede do quarto as últimas palavras de Domitila.
Até hoje canta-se o hino e fala-se dela, sem unirem os fatos:
“Brava gente brasileira!
Longe vá temor servil
Ou ficar a Pátria livre
Ou morrer pelo Brasil
Ou ficar a Pátria livre
Ou morrer pelo Brasil”
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26 outubro 2017

VOTO DE DEPUTADO

Meu voto é.... Pelo direito de jogar-se truco na Praça da Sé, contra os árbitros que não marcam pênaltis duvidosos a favor do Manto Sagrado, pela beatificação de "Pedro e seus Apóstolos", contra o marco regulatório das garrafas de cervejas, pelo direito de liberdade das borboletas, para que o nu artístico seja vestido, para que os marcianos não sofram bullying e não sejam chamados de ETs, pela transposição do riacho do Ipiranga, para que os semáforos de Sampa funcionem quando chover, pelo direito dos recém nascidos usarem banheirinhas amarelas, pelo direito dos carecas usarem filtro solar sem brilho, pelo...
Como vota o deputado?
Meu voto é..... (O que estava em votação mesmo?)

25 setembro 2017

MANEQUIM



De sua natureza não ligar ao mundo a seu redor. Talvez iludido pelas luzes que nele refletiam, dando-lhe destaque, ignorava o risco. De repente, entre estilhaços e caquinhos, desaba, sem a cabeça, atingida em cheio pela bola perdida de um chute sem direção. De instante, gritarias. Fuga coletiva de um lado. De outro, em desespero raivoso, aos berros, lamenta-se a perda de mais uma vitrina. Dia seguinte, trocados ele e o vidro, o futebol voltou. Poucos se lembrarão do fato corriqueiro... Apenas mais um manequim.