19 janeiro 2008

ELIS – QUE FALTA ME FAZ


Não quero ser piegas ou repetitivo, pois quase tudo já se falou sobre Elis Regina...
No dia 19 de Janeiro de 1982, eu estava exatamente sobre a ponte pênsil de São Vicente, quando ouvi: “Elis Regina morreu”...
Travei...
Ela não podia fazer isso...
Morrer aos trinta e seis anos...
Como Marilyn...
Não tinha esse direito...
Havia muitas músicas ainda para gravar...
Muitos compositores para lançar...
Muito a apimentar o mundo...
Lembro-me de frases de Elis, que muito marcaram:
Uma delas, se me recordo, no programa Ensaio, ela disse que parara a terapia para dar uma folga para a terapeuta...
Tinha razão...
Às vezes é preciso dar folga para os outros...
Mas não era o caso...
Elis dava prazer como seu canto...
Outra frase de Elis: “As pessoas se esquecem de disser eu te amo...”
E não custa nada...
Não adianta dizer agora, ela não vai ouvir...
Elis não tinha o direito de abandonar seus fãs amantes sem prévio aviso...
A gente tinha que se preparar...
Fazer uma terapia...
Por mais que escute as músicas de Elis, elas parecem sempre novas...
Aquela voz, que brincava com as notas musicais, não morre...
Felizmente...
È só fechar os olhos e ela parece ali fascinando, querendo a volta do irmão do Henfil, homenageando as Marias, levando-me de arrastão a tamborilar os dedos e acompanhando-a, esperando que ela fosse sair de dentro do CD e cantar só para mim, levando-me num trem azul, tirando-me o medo de amar e ser livre...
Elis você tinha que avisar a gente...
Você que cantava toda mistura de ritmos, bagunçou tudo na nossa cabeça com a sua ausência...
Embora houvesse e tenham surgido excelentes cantoras como Jane Duboc, Na Ozzetti, Mônica Salmaso, Ithamara Koorax, Leila Pinheiro com vozes maravilhosas o espaço de Elis é impreenchível...
Olho para meus CDs e fazer o quê?...
O jeito é ouvir Elis e imaginar que entre uma musica e outra ela vai soltar uma frase surpreendente...
Ela não vai aparecer...
Ainda que, como costumeiramente faço, tenha passado a madrugada escutando, numa overdose, muitas de suas músicas...

Um comentário:

Fernando Cury "o Pandão" disse...

Cara... mesmo assim, a cada dia que passa sinto que ela canta melhor...

saudades! (apesar de que, respirando, eu não pude saber o que foi Elis... mas essa sim, é eterna!)