03 fevereiro 2009

PROCESSO DE CRIAÇÃO

Estive estudando meu processo de criação.
Nada de literatura.
O meu processo.
Como fui criado e dar nisto.
Aconselharam-me mapas astrais, estudos esotéricos, numerologia.
Sendo cético fugi dessa lógica da geração.
Não fui clonado, pois não sou do sexo feminino...
Historicamente, as mulheres é que são clones do homem.
Costela mais bem acabada.
Costela tem tutano?
Se não tiver, descobri a origem das loiras...
Já perdi todos amigos gaúchos mesmo, então mais uma piadinha não faz mal...
Diz a lenda que há duas versões para gaucho gostar tanto de costela.
Uma seria o sabor da costela.
Outra é que gostariam de se transformar no que deu a costela...
Deixe para lá, bah!
Não sendo clone, passei a pensar na proveta.
Meu DNA (Data de Nascimento Antiga) e RG com poucos dígitos indicam que sou anterior a esses estudos.
Vale o mesmo para a inseminação artificial.
Quando fui gerado nem os satélites eram artificiais.
A televisão já existia, em preto e branco, mas em casa não havia o tal produto, pois minha avó acredita na lenda que os artistas olhavam da TV para os tornozelos das moças pelo tubo.
Na falta da TV, sobrava mais tempo para as tentativas da geração deste nobre candidato a Academia.
Que Academia de Letras...
Preciso de uma academia para entrar em forma que não seja de pera, maçã, ovo de páscoa...
Estava falando das tentativas do processo de minha criação...
Devo ter sido gerado dentro dos preceitos da teoria da tentativa e erro.
Podia ser tentativa e acerto.
Eu não sairia errado.
A vovó, que era quase uma lenda viva, dizia que nasci fora de tempo.
E depois do tempo...
Quase dez meses...
Eu era lá besta, camarada contemporâneo!
Se reclamavam tanto que eu era extemporâneo, ia sair sem saber o que me esperava?
Outra coisa que sempre me causou problemas.
Sendo filho único, diziam que eu era Gêmeos...
Nunca soube se quem morreu fui eu ou meu irmão.
Enfim, descobri a lógica de minha existência...
Apressado para tirar o atraso no nascimento.
Fazendo sempre o trabalho de dois...
Volte, irmão gêmeo!
Talvez por causa da teoria da tentativa e erro, minha mãe insistia que devia fazer algo direito...
Fiz o bendito curso de direito...
De um modo meio torto, mas fiz...
Já contei, recontei e conferi as costelas para saber se não tenho uma irmã...
A gêmea...
Não tenho!
Só não entendi como tendo nascido à tarde, vivo no mundo da Lua...
E não descobri ainda quem manda essas ideias malucas para o meu cérebro?

2 comentários:

Anônimo disse...

Deve ser o "GEMEO" que vc. não pode ver!!!!!(ainda).
Bonito texto.
Abraço.

Anne Lieri disse...

Pedro,sempre bem humorados seus textos!Adorei!Afetuoso abraço,