02 dezembro 2019

GIINGADO DA MORENA (letra de samba)

GINGADO DA MORENA (letra de samba)

Quem acha feliz a morena gingando na passarela
Não é fácil a vida dela
Não é fácil a vida dela (refrão)

Cedinho dependurada no transporte
(Coisa que ninguém merece)
Faz prece pra ver muda a sorte
Se não for possível ganhar na loteria
Ser por um dia rainha da bateria

Quase meio-dia, preparar a mistura
Geladeira vazia, preços pela hora da morte
Grana curta, o jeito é a xepa na feira
Decidir entre a fruta ou a verdura
Qual vai durar a semana inteira

Tarde de sol, inveja quem fica na praia
Deitado na areia, ler, sem pressa, a revista
Imagina-se a principal passista
Canga a cobrir a tanga, só um tomara que caia
No calçadão seu passo ensaia

Volta à realidade ao repentino trovão
Nuvens cobrem a cidade, vem chuvas de verão
Escuridão anuncia o habitual temporal
Dispara a correr como fechassem o portão
Na apoteose e vai recolher as roupas do varal

Passada a tempestade
Busca forças na solidariedade
Resgatar as sobras do vendaval
Acalma quem está à beira da loucura
A dor da perda não tem cura
Amanhã breve nota no jornal

Sem juras de amor, paz é breve momento
Tatuagem na pele disfarça a cicatriz
Lembrança da agressão brutal
Na discussão banal
Desentendimento de casal

Um passo de improviso, abre no rosto o sorriso
Gingando na passarela
Parece estar a morena feliz
Ela tem mesmo um gingado
Diferente, especial
Que ninguém vê quando acaba o carnaval
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https://www.recantodasletras.com.br/poesias/6809262

20 novembro 2019

GRITO NEGRO



                                                           Liberdade...Liberdade.../ Abre as asas sobre nós
                                                                  Liberdade... Liberdade.../ Ouçam um dia nossa voz
(Incidentais – Ala de Compositores - Imp. Leopoldinense 1989).

Valei-me Ogum guerreiro,
Iluminai esta escuridão
No porão de Navio Negreiro
Partiram pai, mãe, irmão

Pele arde, a alma pena presas no pelourinho do porto negreiro
Sol de verão à pino, espera comprador que pague seu valor
Examina a boca, manda virar o corpo confere se está inteiro 
Queria levar, mas é magrinho preciso de um bom reprodutor

Macho dessa raça é viril e se levar dois cobro-lhe apenas mil
Moedas na mão, pregoeiro abre sorriso, anuncia os próximos lotes:
Preciosas prendas, perfeitas pra emprenhar, vejam que quadril
Predadores à espreita prontos pra provar seus dotes

Valei-me Iansã dos ventos
Levai ao céu nossas vozes
Soprai pra longe os sofrimentos
Afastai de nós os algozes

Triste a procura inútil pelo carinho de mãos amigas
Vida trancada em senzala, grossa corrente no pé
Madrugadas sofridas entoando estranhas cantigas
Lembrança dos antepassados para não perderem a fé

As noites são longas, escravos amontoados no chão
Cantoria se repete, persistente, cansativo estribilho
Serve para aplacar o banzo reforçar o ódio no coração
Esperança que resta, deixa como herança ao filho

Valei-me Oxóssi Caçador
Moleque seja seu protegido
Aquecei-o com seu calor
Nas lutas não saia ferido  

Apanhar desde pequeno pra aprender a prender o choro
Trabalhar sem preguiça, o chibata vai lanhar o couro 
Pode rasgar a pele, pele negra não serve para coser
Que vida é essa, apenas promessa o amor e prazer

Dias quentes e longos, resistem aos trancos e barrancos
Malungos abatidos de banzo, mandingas pra não perder a coragem
Na alma o ódio crescente, carne ansiando vingança aos brancos
Uma forma de luta, dengos e cafunés em inexorável mestiçagem

Valei-me grande Senhora
Olhai por seus filhos, Iemanjá,
Levai o sofrimento embora
Afastai dos males, Saravá!

Meninas pequenas impúberes sem defesa eram abusadas
Pelo dono da terra, amigos do dono, capitães do mato, o feitor
Rude rotina diária, a vida não para, ouve-se pelas madrugadas   
Gritos das dores do parto, nas mãos da mucama a mistura de cor

Ao mundo os primeiros negrinhos sararás e branquinhas pixaim
Corria nas veias sangue de Luanda e Congo junto ao português
Sem romantismo na história, era vitória dos povos de Benin,
Dos Bantus de Angola, Nagôs, de Benguela, Daomés e Malês

Valei-me a justiça de Xangô
Digam os Ofós... despertem Ossaim
Muita Saúde ao povo Nagô
Todos juntos na lavagem do Bomfim

Tempo tira a lisura do rosto, cerca o olhar de rugas
Tambores rompem horizontes espalhando aos ares
Trilhas secretas dos cafundó, onde há refúgio nas fugas
Os caminhos de Kalunga, Marolim, Urubu e Palmares

A liberdade é conquista de poucos nas Cartas de Alforria
Princesa assina um documento contendo falsa abolição
Permanecem invisíveis correntes, nas lutas de cada dia
Negros, Pardos, Mulatos... parece não ter fim a escravidão

Valei-me entre outros tantos
Ganga Zumba... Zumbi...
Meia Légua....
Dragão do Mar de Aracati...
À benção aos que deram a vida nas lutas da raça

Valei-me almas quase santas
Menininha do Gantois...
Carolina e Clementina de Jesus...
Dandara... Lia de Itamaracá...
À benção... mulheres negras e seus gritos de alerta

Valei-me, mentores e entidades
Tia Ciata, Maria Firmina, Solano Trindade...
Um salve a Castro Alves
À benção...Poetas cheios de luz
Seus versos revelam cruéis verdades...
Denunciam o laço que aperta a mordaça
Abafando até hoje os gritos dos porões

Joga capoeira, dança jongo, com abadá da escola
Libertos e forros, silentes de medo nas vielas do morro
Passado de luta insiste ecoar no sangue quilombola
Engana a realidade da falsa liberdade, pedem socorro

Há muvuca, cabeça de negro a prêmio, pretexto não falta
De preconceito em preconceito, vaga distante a paz
Curam antigas feridas, surge uma nova e lhe assalta
Ameniza as mais doloridas em preces aos orixás

Valei-me Oxalá! Poderoso criador
Dai-me seus conselhos Nanã
Escutai nosso grito de clamor
Afastai mau olhado um balangandã

Valei-me todos sincréticos santos
Enviem mensagem... um sinal
A liberdade dos Nagôs e Bantos
Chegue antes do Juízo Final
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https://www.recantodasletras.com.br/poesias/6798998

05 novembro 2019

PININHA, A INEXORÁVEL



Bom dia, Pina...
(silêncio)
Pina, bom dia...
(silêncio)
Pina! Estou falando com você...
(silêncio)
Pina, você não está me ouvindo?
(silêncio)
Ai... Ai... Ai... Ai... Ai... O que deu nela?
(aos gritos) – Piiiiiiiinaaa...
Vixe! Carece de gritar, Dona Gertrudes.
Acordou?
Faz tempo... Às quatro... Já peguei “busão” lotado... Trânsito parado... Não bronqueia que eu estou atrasada.
Ai! Pina... Que susto!... Pensei que tivesse acontecido algo diferente. Que você “tivesse” magoada comigo.
Gegê, não é tivesse... É estivesse...
Que deu em você? Engoliu um dicionário?
Não! A Zefinha, vizinha de casa “tá” no EJA.
Não é “ta”. É está.
Está correta, Gegê.  A senhora aprendeu no EJA.
Não! Eu não frequentei o EJA.
Ta bom!
Por que?
Ia perguntar o que é EJA?
AI! Pina... Educação de Jovens e Adultos.
Vivendo e aprendendo.
Mas o que tem o EJA com você não dizer bom dia.
Boca fechada não entra mosca, nem sai bobagem.
Quanta filosofia! O que deu em você hoje?
A Zefinha deu de ficar corrigindo tudo o que eu falo errado.
Sempre é bom aprender.
Gegê! Parei de escutar rádio de madrugada.
Por que?
Falam muita palavra errada. Depois, a Pina, que é “meia” analfabeta pensa que eles falam tudo certo, repete e a Zefinha parece um papagaio corrigindo o que eu falo.
O que aconteceu?
Noite dessa, o moço do rádio falou que o “primeiro ouvinte que trazer sei lá o que na emissora, ganharia um par de ingresso pro show sei lá de quem”.
E daí, Pina?
A Zefinha falou que o certo era o moço dizer “trousser” ao invés de trazer.
A Zefinha ta certa.
Está, Gegê... Está...
Ai... Ai... Ai... Ai... Ai...
Fica difícil pra mim entender.
Para eu entender.
A senhora também faz confusão?
Não, Pina! Não é “mim” entender que se diz. É para eu entender. Mim é pronome oblíquo e pronomes oblíquos não podem ser sujeito.
Que?
Esquece a explicação. Lembre-se apenas que mim nunca faz nada. Quem faz é ”eu”.
A senhora? Eu é que levanto cedo, dou duro o dia inteiro faxinando a casa...
Ai... Ai... Ai... Ai... Ai...
Que foi?
Não é isso...
Não entendi...
Melhor deixar pra lá...
Já estou imaginando o que a senhora está pensando...
O que?
A burrice da Pina é “inezorável”...
Nossa Pina! É isso mesmo...
Vou procurar o Sindicato, falar com o advogado...
O que foi agora?
A senhora disse que sou burra.
Não! Pina... Você falou inexorável certinho.
Foi a Zefinha quem me ensinou. Eu falei que tinha escutado o moço do rádio falar que era inequizorável o que não sei quem fazia e ela disse que era “inezorável”.
É Pina! Muitas pessoas cultas falam errado “inexorável”. Muito bom o EJA que a Zefinha frequenta.
Gegê, posso fazer uma pergunta?
Adianta falar não?
Não! Se não souber não tem importância.
Pergunte, Pina.
O que é inexorável?


29 agosto 2019

QUEIMAÇÃO

QUEIMAÇÃO

Amazônia era legal,está se tornando virtual,
Pouco a pouco chegando ao fim

Fogo corre pelo chão, Pajé se desespera
Queima em brasa o terreiro do Avá Canoeiro
Cerra os olhos para não ver o fogareiro
Incêndio no rio ameaçava Anhanguera 
Sem casa, sem Floresta, sofre o guerreiro
Corrida sem destino de intocadas raças
Busca, em vão, pelas trilhas, não há caças

Amazônia era legal, está se tornando virtual,
Pouco a pouco chegando ao fim

Revoada sem destino, passa o passaredo
Asas e bicos queimados, mortos de medo
Jauaperis, Yanomanis, Arawetés
No Javaés não tem mais Tucunarés
Xô Caburé, amarelinho, andorinhão,
Xô Cardeal, araponga, arara, azulão
SOS Tupã e deuses de todas as fés

Amazônia era legal, está se tornando virtual,
Pouco a pouco chegando ao fim

Tum, tum, tum... acelerados os corações
Será que o Negro desviará do Solimões?
Foi o Boto... Foi o Boto... Sedutor de cunhantãs
A mata perdendo o verde... Vingança dos céus
Anhangá sopra línguas de fogo pelas manhãs
Queima igual Sodoma, de qual pecado serão réus
Xô Patativa, xô sanhaçu, choroso canto do Uirapuru

Amazônia era legal, está se tornando virtual,
Pouco a pouco chegando ao fim
Araguaia, Tapajós,Tocantins, Xingu
Rios morrendo, onde viverá Pirarucu,
Sem pássaro no céu, lago sem tracajá
Tristeza no Jawary, silencia o Boi-Bumbá
Não tem mais Caprichoso, adeus Garantido
Veio a queimação, cantar perdeu o sentido
Xô Figuinha, xô flautim, xô pequeno curumim
Amazônia era legal, está se tornando virtual,
Pouco a pouco chegando ao fim
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https://www.recantodasletras.com.br/poesias/6732133

26 janeiro 2019

MARDINHO OU BRUMARANA

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Estalo repentino desceu a ladeira
Corredeira do rio cheio de lama
Pesadelos iguais em cada cama
Ruas abaixo escorre tristeza rotineira
Mortos quantos sonhos de felicidade
Resta o nada atrás segue a saudade
Sumiu o parceiro do café da manhã
As paredes da sala feito um tobogã
A mesa, o fogão, o carnê da geladeira
Rolaram correnteza em parafuso
Sem fim a dor do sobrevivente confuso
Fora do combinado a derradeira viagem
Sem despedida, nem tempo pra saideira
Vale despenca destaca a televisão
Chama a manchete da reportagem
Primeira página minutinho de fama
Amanhã breve lembrança sem novidade
Esquecida num canto da memória
Depois da missa, discussão na justiça
E a tragédia enterrada
De tempos em tempos repete-se a história

Resultado de imagem para BRUMADINHO
Sem sirene disparada
Estalo repentino
Rola o morro outra Barragem...
Muda o nome da cidade
A última foi Mardinho...
Ou Brumarana?
Se a memória não me engana...
Foi... Espirito Santo de Minas...
Barro descendo morro
Pais, mães, meninos, meninas
Silentes os gritos de socorro
Lágrimas secarão ao chão
Sem qualquer solução

16 dezembro 2018

O EXATOR (A Formiga e A Cigarra)



                                                           
Na Vila ouvia-se ao longe a cantoria da casa do Sr. Chico Doido da Ideia.
“Canto e gosto de cantar. Quero levar a vida sempre a cantar”.
Bateu à porta um estranho.
Quem é? Gritou Chico, prosseguindo a cantoria: “Canto e gosto de cantar. Quero levar a vida sempre a cantar”.
Novo vizinho.
Ora, ora... Vizinho novo e já reclamando. Canto porque gosto de cantar.
Tenho muito trabalho e careço de silêncio. Não se cansa de tanta cantoria? Além de incomodar a vizinhança com sua felicidade, não pensa em nada além de cantar?
“Canto e gosto de cantar. Quero levar a vida sempre a cantar”.
Não teme o futuro?
Pouco, mas de mais a mais, não espalhe o fato, chegaram-me notícias que receberei parte da herança de um velho parente, que desconhecia até a existência. “Canto e gosto de cantar. Quero levar a vida sempre a cantar”.
Isto não o envergonha? O velho parente deve ter labutado às extremas para enriquecer e irá desperdiçar as economias em coisas banais. Não conhece o ditado “A água traz, a água leva”?
Vizinho, não me preocupa a origem do dinheiro que me cai às mãos. Simplesmente, gasto. O próprio El Rey disse que o povo precisa gastar para movimentar a economia. E de que adianta trabalhar, entesourar-me e não desfrutar dos prazeres que a riqueza pode dar?
Necessário prevenir-se para o dia de amanhã. Formar-se uma previdência para os anos de idade avançada. São lições que aprendi com meus avós, que vieram de outras Vilas. Veja a situação de quase miséria de parte de nosso povo. Mal dá para alimentação e remédios a verba ínfima que recebem de El Rey.
Nesta região da Vila sempre há uma alma boa que socorre na hora da necessidade.  Se ficar a pensar em problemas futuros, não gozarei dos prazeres presentes. É do DNA de minha família vida breve. El Rey não devolve à família a verba deixada a seus cuidados, se o súdito parte antes do combinado. Talvez divida-a com os nobres do palácio.
Tem dose de razão seus argumentos, mas sei de súditos que não deixam todas as economias aos cuidados de El Rey.
Como assim? El Rey sabe de tudo. As paredes desta Vila têm ouvidos sensíveis. Dizem que El Rey coloca Vassalos com leões a fiscalizar nossas riquezas para exigir seus tributos.
Há notícias trazidas pelos nômades sobre Vilas nas montanhas que escondem riquezas, sem noticiar El Rey.
Isso é interessante. Se existissem tais lugares, seria um Paraíso. Conhece alguma?
Locais secretos. Ninguém sabe ao certo.
E o senhor.... Como é seu nome?
Aparecido Formis. Pode chamar-me de Cidão.
Cidão, você guarda seus tesouros nessas Vilas?
Não posso revelar. É segredo.
Ah! Se eu pudesse fazer isso com parte da herança, seria maravilhoso.
Faria mesmo isso?
Claro! Mas, ocorre-me uma dúvida. De que vivem os Senhores dessas Vilas? 
Ora! De parte da riqueza que escondem.
Então é a mesma coisa. Cobram impostos... Como El Rey.
Dizem haver diferenças. Eles cobram apenas uma taxa sobre o tesouro que deixa aos cuidados deles. Você diz o valor.
Não conferem?
Os nômades dizem que não,
Quem me garante que quando eu pedir de volta meu tesouro, devolverão o valor correto?
É uma questão de confiança.
Pensarei sobre o assunto. Só uma curiosidade. Mora em qual casa?
De verdade, não moro aqui. Moro no Castelo.
Que vem fazer nesta região tão pobre da Vila?
Sou Exator de El Rey. Estou de passagem a verificar se não há tesouros secretos escondidos nesta região.
Os nômades comentaram sobre esta região? Devem estar doidos. Aqui só há pobreza.
Estava apenas de passagem, mas o senhor cantava tão feliz que me chamou a atenção.
Não conhece o ditado: “Quem canta seus males espanta?” Nesta humilde casa não achará tesouro algum.
Por enquanto... Voltarei breve. Noticie-me sobre a herança.
Nem tenho certeza se receberei.
Noticie-me, por favor... E o valor correto.
E se não o fizer.
Mandarei os Vassalos dos Leões virem cobrar. Tenha um bom dia.
O senhor o estragou.
Cante, Sr. Chico... Como era mesmo o cantiga?
 Cidão, o Exator, partiu sem mais.
Com ar de arrependimento, Chico cantarolou baixinho: “Fica o dito por não dito... Em boca fechada não entra mosquito...”
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(*) Alegoria/Fantasia “Homos sapiens” da fábula “A Formiga (Formicidae) e a Cigarra (Cicadoidea)

12 outubro 2018

“Nada é pior que o PT” (Na dúvida anule)


Por princípio contrário ao voto nulo e diante de uma bifurcação de 180º na trilha a dúvida que fazer?
Marinar?
Quase isso. Sem votos de obediência exceto aos meus liberei os votos do Apostolado.
Afinal o problema não é meu. É nosso.
Num sentido da trilha surge quem senão um Messias.
Ironia!
Tanto se espera a vinda do Messias e quando surge um assusta.
O medo é assustador.
Ele é militar.
Militares desfilam de verde-amarelo nas datas cívicas e nos quartéis.
Tantas milícias civis desfilando nas passarelas das periferias de Cidades Maravilhosas.
Cidades Maravilhosas e seus Jardins.
Botânicos Paulistas Américas Europas Herculanos Ângelas das Imbuias.
Ai meu São Luís!
Era para serem iguais.
Em gênero e grau.
Sem vírgulas nem Virgulinos,
Com as cores do arco-íris num céu azul.
Perfume de flores vivas não de cravos brancos.
Vieram promessas e esperanças atrás da estrela.
Crédulos e inocentes seguiram o sentido contrário à ditadura da caserna.
Nascidos em todos os Jardins acreditaram.
Alguns questionaram o novo sentido.
Só havia flores perfumadas para poucos.
Derrubado o Muro mostrou-se o outro lado.
O Sentido era as ditaduras das ilhotas bolivarianas.
Os que forem contrários porta da rua serventia da casa.
Tempos Bicudos para tantos.
Cartão Vermelho.
Por enquanto.
Os Sem flores nem benesses que marchem pelas ruas vestidos de vermelho.
Dominados os quarteis quem sabe paredões.
Somos nós ou eles.
Era para serem iguais.
Ricos e pobres.
Era para serem iguais.
Conformem-se olhar da janela.
Foi sempre assim.
Apenas mudam as mãos de comando.
Assim não!
Afugentados do aconchegante berço dos Jardins Nobres das Cidades Maravilhosas acantonaram-se na esquina do País.
Nordestinos e sulistas.
Era para serem iguais.
Parodiando Shaw:
“A proposta era maravilhosa por que desperdiçá-la com petistas”?
Eles novamente?
Flash-back na história.
Isso não!
#Elesnão!
Não quer o Messias?
Anule!
Os “Apóstolos de Pedro” não são reféns do Patriarca.
Tem a liberdade de escolha para votar em quem quiserem.
No menos pior!”
Caso permaneça avesso ao voto nulo resta a opção de ser internado vítima de uma facada ou bala perdida ou aproveitar o domingo ensolarado num bate-volta ao litoral.
Aproveite e pratique yoga na areia repetindo o mantra:
“Nada é pior que o PT... Nada é pior que o PT... Nada é pior que o PT...”



16 setembro 2018

BRAZIL EM MAUS LENÇÓIS


“Braziu varemnóis” está em maus lençóis. Ideologias à parte, como é a letra daquele samba Reunião de Bacana? Em rápida análise temos quatro candidatos com espírito fascista. Bolsa e o coronel de Sobral escancarados. A musa do Acre enrustida em sua rede com a fala mansa de discutir... discutir... discutir... O Organização Criminosa defensora das democracias latino-americanas é fascista no DNA. Lembro ainda que o governo do "cavalo do homem mais puro" foi um desastre em Sampa. Sua grande obra foram ciclofaixas pintadas a esmo e redução de velocidade nas marginais. As opções seriam o "Novo" ou "Podemos". Muito estranho o baixo índice do Picolé nas pesquisas. O estado de SP (22% do eleitorado brasileiro) é dominado pelo tucanato e no boca a boca, especialmente no interior, ele tem muito voto.

15 setembro 2018

PININHA E O HORÁRIO POLÍTICO


PINA E O HORÁRIO POLÍTICO


Pina! O que está fazendo com a TV ligada a essa hora.
Vendo o horário político. É minha hora de descanso.
Sua hora de descanso? Você me falou às 11.30h que iria almoçar mais cedo. São uma e quinze. Aliás combinamos reduzir seu horário de almoço para meia-hora, para você sair mais cedo.
Gegê, que mau-humor!
Veja lá como fala!
Desculpa, dona Gertrudes, mas o moço do rádio de manhã disse que é programa obrigatório. Tem que cumprir a lei, não tem?
Ai... Ai... Ai... Ai... Ai... Pina. É obrigatória a transmissão do programa, não é obrigatório assistir...
Ah! Nunca entendo direito.
E de mais a mais, se você escutou no rádio, não precisa assistir à televisão. É a mesma coisa. Falam as mesmas coisas.
Isso a senhora tem razão. Eu até pensei que fosse reclame de novela. Essas tipo assim “Vale a pena ver de novo”.
Então, desligue a TV e vai arrumar a cozinha.
Agora não! Quero ver a moça que prometeu trabalhar para melhorar as condições de trabalho das empregadas domésticas.
Quem é?
Não sei. Ela falou no rádio de manhã. Quero votar nela.
Eu vejo na Internet. Lembra o nome dela?
Não.
Lembra o número dela?
Não.
Lembra o partido dela?
Partido?
Ai... Ai... Ai... Ai... Ai... Pina, como você vai votar numa pessoa que você não tem a menor ideia de quem seja.
Ai... Ai... Ai... Ai... Ai... Dona Gertrudes. Por isso, eu quero ver a cara dela. Pra ver se ela é igual eu... Se tem cara de quem levanta às quatro e meia, toma três conduções para trabalhar...
E você vai saber tudo isso vendo a pessoa cinco segundos?
Pelo jeitão dela dá pra saber...
Pina! Por que você não muda de profissão?
Gegê, o que eu fiz de errado?
Não é isso, Pina! É que se você consegue saber o que uma pessoa é em cinco segundos, deveria montar uma tenda e prever o futuro numa bola de cristal.
A senhora acha que eu tenho jeito pra isso?
Talvez, mas não tem férias, 13º.terceiro, Fundo de Garantia...
Quero não.
Agora, pode desligar a TV, que acabou o programa...
Ai! Gegê... Viu só...Você me atrapalhou... Não vi a minha candidata...
Amanhã passa de novo.
E eu posso assistir?
Pina! Quer ver como você prevê o futuro? Adivinhe o que direi...
Já sei... Pina! Já pra cozinha...

01 setembro 2018

O CANTO DAS NINFAS


O CANTO DAS NINFAS


Do outro lado do rio haveria um segredo
Causava medo de provocar arrepio  
No meio da mata perto do horizonte
Existiria uma fonte, nascente do rio
Onde atraentes ninfas entoam canções
Cada uma mais bela de falsas ilusões

Reza a lenda que certo dia um pescador
Em plena juventude, valentia e ardor
Ouviu a cantoria, imaginou maravilhas
Ignorou alertas, desafiando o destino
Num ato de desatino, adentrou pelas trilhas
Nunca mais voltou, ninguém mais o viu

Desse tempo em diante, a coragem sumiu
Se o vento assovia, o arvoredo balança
Fecham janelas, alertam a vizinhança
Passam tramelas, protegem as crianças
Ninguém se atreve chegar perto do rio
Preferem ficar onde a ninfa não alcança

Medo e desconfiança não faz bom juízo
Se moça bonita surgisse no vilarejo
Andasse sozinha, ousasse um sorriso
Provocasse nos homens suspiro de desejo
Era motivo de ira de mulher ciumenta
Algumas até jogavam nela água-benta

A lenda reza que um homem surgiu no vento
Nenhuma mãe da vila reconhecia o rebento
Cabelos grisalhos, espalhando brilho no olhar
A Felicidade do pródigo retornando ao lar
Sentou-se no banco da praça e pôs-se a cantar
Uma história de vida e a volta ao seu lugar:

“Do outro lado do rio, não há mistério ou segredo
São as mesmas águas moldando o rochedo
O canto das ninfas é o despertar da ilusão
Enfrentar os medos que nos prendem no chão
Alçar voo livre e escrever nosso enredo
Olhar à frente, seguir perene rumo ao horizonte
As ninfas estão por aí cantando e estendendo a mão
Resta-nos o desafio de encontrar o caminho da fonte”

De repente...
No rastro de uma estrela cadente
Surgiu lentamente
Uma ninfa atraente
Cantando docemente
Estendeu seu véu
Deu a mão ao jovem valente
E desapareceram no céu

26 agosto 2018

TEM JEITO NÃO



As pedras se movem
Eles saem do covil
Ávidos consomem
A Pátria mãe gentil

Senhores feudais
E servis capatazes
Querem sempre mais
De tudo são capazes

Nunca satisfeitos
Ágeis e sutis
Fazem mil trejeitos
Passeiam em Paris

Malas cheias de grana
Jantar à luz de vela
Que vida bacana
Não largo mais ela

Algo fora de plano
Camburão e algemado
Deve ser engano
Cadê meu advogado

Uma tênue ilusão
No horizonte do povo
Mas essa história
Tem final sinistro

Amigo de Ministro
Passa só um dia na prisão
Faz sinal de vitória
Começa tudo de novo         

De certo, só um fato
Esse é sem perdão
Você pagará o pato
Não tem jeito, não!


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11 agosto 2018

MANIFESTO AO APOSTOLADO DE PEDRO



MANIFESTO AO APOSTOLADO DE PEDRO – O Patriarca vem a público comunicar e PROTESTAR que há um cheiro de golpe no ar. O PUM (Partido de União das Massas) está sendo boicotado. Apesar do Patriarca não ter culpa em cartório (apenas algumas promissórias e boletos em cobrança extrajudicial), não estar envolvido com nenhum lava-rápido (o  Patriarca não possui automóvel de passeio, apenas de trabalho), não ter sido pego com a mão na massa (o Patriarca pede pizzas delivery), não ter malas com dinheiro em apartamento frente ao do Omar (o Patriarca usa apenas plásticos para o cartão do SUS, bilhete único de idoso e mora numa quitinete na Zona Portuária), ter cumprido as normas legais para a candidatura à presidência, “exclusive” apresentando seu golpe (digo plano) de governo, onde constam seus dez principais projetos, como:
1)    a proibição de chuvas nas férias escolares,
2)    a proibição da presença de moscas em churrascos
3)    o fim da última semana do mês,
4)    o fim do agendamento de duas confraternizações na mesma data
5)    a  instituição do novo calendário para o mês de Dezembro com 15 sábados, 14 domingos, o Natal e o Reveilon,
6)    et coetera
7)    et coetera
8)    et coetera
9)    et coetera
10)  nihil obstat

Apesar disso, o Patriarca não foi convidado para o debate, nem recebeu verbas
eleitorais.
Divulguem e alardeiem por todos os cantos e no dia da eleição, façam como a Pininha:
“Votem nos candidatos do PUM...
Para presidente votem Pedrão! Pode ser a solução!“...