22 janeiro 2016

A HONESTIDADE DO CARA



Pululam nas teias sociais um rol de anedotas sobre a frase de Louisito Fifty One: “No hay arma viva mais honesta que yo” (sic ou será hic, hic, hic).
Peralá, gente!
O caso é sério.
Por muito menos tem hospício lotado.
“O cara” já se achou Getúlio “o democrata”.
Infelizmente não se suicidou para dar um pouco de sossego.
“Brahma”, sem uma ação da Ambev, enriqueceu ministrando palestras.
Deve ser o título “Honraris cauças” adquirido em Coimbra.
Deixe estar, uma ova!
Não fala mais coisa com coisa.
Olhe o que faz o álcool, meu filho!
Cuidado aí!
Até os loucos merecem toda a atenção. Afinal, reza um antigo provérbio, “serem tais relógios parados. Certos duas vezes ao dia.”
O pessoal da era dos ponteiros sabe o que estou falando.
Agora falando sério – viu, Chico – gente como “Love and Peace” são pessoas perigosíssimas. Levam seus fanáticos seguidores para o mesmo caminho de sua loucura.
O mundo está farto de exemplos.
No Ocidente também.
Adolph, Benito, Castro, Hugo... Apenas para ser mais recente.
Verborrou ainda: “Nem nas igrejas”
Nisso talvez tenha dito a verdade, pela evangelização levada a  troco de dízimos.
Mas é possível esquecermos Jim Jones?
Parem de brincar com o Lullo-petismo.
O “braziu varemnóis” pode estar próximo de livrar-se dessa praga.
Sai Zika...
São tinhosos, camaleônicos e sabidamente violentos.
Não brinquemos com eles.  

28 dezembro 2015

Como será o amanhã, Chico?



Repudio toda forma de ataque a pessoas, por sua opinião, classe social, cor.
Agora, cá entre nós, Chico, quem está na chuva é para se queimar ensinava Vicente Matheus.
E você está na chuva, no meio de Calabares.
Não atirarei pedras em sua invejável capacidade criativa, nem jogarei fora qualquer um de seus Compactos (tive o raríssimo Tamandaré), LPS e CDS, que talvez se tornem raridades, perseguidos pelos que você apoia na época da aculturação necessária para a quebra de paradigmas e instituição das ambicionada Revolução bolivariana.
Chico, atente a história das tomadas de poder da revolução francesa, revolução russa e de atitudes simplórias do PT.
Quantos revolucionários de primeira hora como Robesepierre guilhotinados, Trostky assassinado, ambos por divergirem dos caminhos tomados pelos “líderes”. O PT é cópia. Expulsou aos discordantes. Betty Mendes e Ayrton Soares, por votarem a CF/88. O PT é de alguns e você não tem o perfil. Fez canções para “coxinhas” Isso será imperdoável quando não precisarem, mais de você. O PT é assim. Você não tem perfil, nem passado que “honre” com sacrifícios necessários. Chico, você fez caixa-dois? Nem um rateio no Estádio do Polytheama? Preste atenção que o MST pode estar de olho no terreno para servir de acampamento.
Chico, você está sendo usado por um partido, que tem sob suas asas o assassinato de prefeitos, o estelionato da Bancoop, o Mensalão, o Petrolão.
O PT é bandido, sim, Chico!  
Se o PSDB é bandido, é outro assunto.
E se um dia, instalar-se a insurreição bolivariana no “Braziu Varemnóis”, você e tantos outros vão se mudar para Paris, pois a Banda desse pessoal não toca coisas de amor e sim de ódio, mensagem não faz parte de seu repertório.
Chico, lembre-se de Bárbara. Você sofrerá a traição e mesmo chamando o ladrão e escondido pela Adelaide, estará fatalmente na alça de mira dos Falcões, que tementes de seu carisma voltar-se contra eles, não hesitarão em colocá-lo a escanteio.
E talvez suas canções voltem a ser censuradas.

08 abril 2015

VILA MARIANA - TEMPOS TRANQUILOS DA PROFESSOR TRANQUILLI

04126-010.
No dia 10 de Outubro de 1928, quando Antonio Augusto Davin, meu bisavô, adquiriu o lote na Travessa Terceira, Freguesia de Villa Marianna, localizado a cinqüenta e cinco metros da Rua Loefreguin, não existia o Código de Endereçamento Postal. A Travessa Terceira só tinha mato. Depois ainda foi denominada Rua da Floresta. Hoje é a totalmente urbanizada Rua Professor Tranquilli, em homenagem ao professor Tranquillo Tranquilli, falecido em 1947, titular de diversas matérias no Colégio São Bento.
Na sala da casa que ocupa o último dos lotes herdados por seus familiares, ainda balança uma cadeira adquirida no dia do meu nascimento, em 1955, para que a dona Maria de Lourdes embalasse seu neto nos últimos dias de vida.
Nessa época, a rua de terra batida já estava com quase toda sua extensão habitada e quase igual ao que é hoje, não fossem dois prédios que roubam a insolação das casas.
Todos vizinhos se conheciam.
No lado par ao lado do muro do Hospital Santa Cruz era casa do Amadeu da venda. Atravessando a Jorge Tibiriçá estava a casa do seu Geraldo, ao lado do último terreno sem construção onde fazíamos guerra de canudos entre os pés de mamona. Depois vinha a venda do Seu Valdomiro e dona Sophia, a lojinha do Seu Domingos e dona Aurora, as três casas de meus primos Elisa, Aurora e Julinho, a casa da Dona Dolores e seu Nicola – estas quatro demolidas em 2005 para construção de um prédio -, vizinha do seu Manoel pintor, meu avô e pai da Dona Olga, a casa construída no terreno do tio Alberto, a casa do seu Hilário, depois a do Seu Luiz, vizinho do Luiz tintureiro, que toda sexta-feira saía de madrugada para pescar na Billings e às vezes levava os meninos da rua. Ao lado a casa do seu Francisco, fotógrafo. Os últimos cinco sobradinhos, que hoje são quatro, foram construídos no começo da década de 60. Do lado ímpar a oficina do Pedrão, a casa que eu achava a mais bonita da rua e está praticamente igual até hoje, na esquina da Rua Manoel de Moraes. A seguir, a dona Maria do 85, a casa do Tiguês, outra oficina mecânica - do Franco -, o açougue do Romeu, a casa da dona Julieta, costureira, a casa da dona Aurora, mãe da Dra. Irene, dentista; a casa da Dona Arlete, mãe do Ariel que correu a São Silvestre num ano da década de 60. Atravessando a Trabiju havia a casa da dona Emília, também costureira, esposa do Alcebíades, ao lado da dona Aparecida, outra costureira, mulher do seu Gino, motorista de praça, como meu pai Pedro, depois a casa e fábrica de cortiça do Seu Antonio e dona Rosinha, a casa da Dona Clélia e seu Davi – estas três também demolidas e finalmente a casa da mãe do Nenê que jogava no Corinthians e a vendinha do seu João, pai do Maurinho, recém demolida..
A gente sabia até quem eram os cães. O Biju do 239, o Banzé do 238, a Flay do 258.
Era necessário prendê-los às pressas para evitar que fossem pegos pela carrocinha que passava “de surpresa” às sextas feiras.
Na década de 60 brincamos “perigosamente” por uns dias, nos buracos onde era instalada a tubulação do esgoto. Era o fim da limpeza das fossas que se escondiam nas calçadas.
Uma grande felicidade. Asfaltaram a rua e pudemos descê-la de carrinho de rolimã. Se o seu Rômulo estivesse em casa, só da casa dele para baixo, por causa do barulho. Mas se ele não estivesse, era desde o topo da Jorge Tibiriçá até a Loefgreen na frente da vendinha do seu João. Algumas vezes nos esborrachávamos no terreno da dona Irma, esposa do seu Irmo, na Loefgreen. Algumas vezes assustamos o cavalo do verdureiro que passava duas vezes por semana.
Foi um grande evento a troca das carroças de lixo pelos caminhões.
Na época junina, Dona Aparecida organizava uma fogueira, ao lado do muro, onde hoje há um pé de romã.
A rua tinha seus defeitos. A feira de domingo atrapalhava as brincadeiras. A mesma declividade, tão útil para as velozes corridas de carrinhos, nos obrigava a jogar bolinha de gude e algumas peladas na Trabiju ou Loefgreen, que eram retas.
Falando em futebol até um poste tinha apelido e completava o time se faltava um. O Carlos Alberto, cortado da Copa de 1966 e que fizemos uma pequena homenagem a ele quando foi o capitão em 1970.
Campeonatos de jogos de botões não faltavam quase todas as tardes.
O começo do final desses bons tempos dourados foi em 1972, quando construíram o viaduto sobre o “buracão ou barroquinha” da Loefgreen e os carros começaram a “cortar caminho” por lá.
Nessa época, quatro moleques criados na rua - Cláudio, Luiz Carlos, Hiroshi e eu - todos vestibulandos nos despedimos da tranqüilidade da Tranquilli, com a última pelada na rua. Nunca mais vi ninguém brincando na rua. Nem meus filhos que cresceram na mesma casa, mas já se mudaram para outros caminhos em suas vidas.
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Crônica publicada no Jornal Vidaqui de 25.fev.2011

27 outubro 2014

ODEIO NORDESTINOS? CUIDADO CANTOR...

Na disputa maniqueísta PT versus anti-PT, depois do telecatch dos programas e debates eleitorais, não há nada mais negativo que o divisionismo que se tenta implantar no país, ao molde mais tenebroso de uma política bolivariana-soviética de guerra de classes sociais.Lembrei-me da frase: ”O capitalismo é a exploração do homem pelo homem. E o comunismo é exatamente o contrário.”, da Revolução dos Bichos, do pouco que conheço dos pensamentos anti-democráticos de Voltaire, da suíte de sete mil reais de Lula no Copacabana.Não adentrarei em meandros filosóficos, mas entendo que instigar a diferenciação de classes sociais, de ódio aos nordestinos é muito pior que Mensalões, Petrolões, Alstons.

É um crime de lesa-pátria.
A Venezuela democrática chavista sobrevivia de vender petróleo para movimentar os carros americanos. Hoje, expulso o “grande mal dos ricos”, os venezuelanos sofrem as consequências.
A Bolívia vive, sem falarmos na cocaína, de exportar gás para os ricos e do confisco de riquezas capitalistas. Sobreviverá até o final da democracia de Evo?.
A ditadura soviética principiou na promessa de igualdade e matou ou congelou na Sibéria, quem dela discordasse.
Nosso grande “pai dos pobres” era um ditador.
Como defender essa tese de guerrilha social?

O PT tem um projeto de poder até o fim dos tempos. Nem que na ânsia traiçoeira do jogo do poder, os mentores da guerrilha social precisem abraçar “coronéis” nordestinos.  

O povo não belicoso do “braziu varemnós” precisa ficar atento para não se deixar iludir e entrar neste jogo sujo proposto, especialmente por aqueles que mais quatro anos estarão de posse da caneta distribuindo muito mais que projetos sociais. Estarão, sem qualquer marco regulatório, instigando um ódio nunca visto neste país.

15 outubro 2014

Debate Eleitoral

Oh! debate chato! Passaram o tempo todo se debatendo para não responder as perguntas. Mas, segundo Diuma o importante é ser fundamental(ista), para não tergiversar fulanizando. De novidade mesmo foi ela ter ficado em cima do muro e não revelar em qual zona de Minas a irmã do "Ai"écio trabalhava. Será que com delação premiada ela entrega?.

Um haikai apropriado  :

Campanhas eleitorais
O pobre povo enganado
Cada um prometendo mais
Mentiras pra todo lado

14 outubro 2014

ÓDIO AOS PETISTAS

Refrescado em meu ar condicionado, assistindo a um desses canais (de)formadores de opinião, tomando uma água mineral francesa, vejo no Facebook reclamações quanto ao comportamento que estaria sendo tomado pela turminha de lá de cima do muro diante dos estrelados ainda aturdidos pela reação de Aécio. Alegam estarem sendo discriminados, hostilizados, bulinizados, com perseguições de patrões a empregados sob a ameaça da perda de seus empregos se os tucanos não ocuparem o poste mais alto do Planalto.
Pobres coitados! Faz-me rir! Fazendo-se de vítimas, ao melhor estilo dos inocentes de punhos erguidos ao serem colocados de castigo pela Polícia Federal.
Quem, salvo maior engano, instiga o ódio às “zelites” e anda de braços com coronéis do Nordeste, não é da turminha de cima do muro e chama-se Luiz. Amicíssimo de governantes defensores da democracia, que não cassam concessões de TV, nem expropriam empresas brasileiras. Aliás, persegue com fervor a corrupção. Tanto que o tesoureiro de campanha de Dilma é nada menos que João Vaccari, indiciado criminalmente quando fazia estágio de desvio de dinheiro na BANCOOP –Cooperativa Habitacional que lesou cerca de três mil famílias em São Paulo.
Mas línguas dizem perseguir corruptos para cobrar seu dízimo do butim.
Ô, Geraldo! Que calor! Nada de chover em São Paulo. As represas vão secar. Assim não dá para transpor o Rio São Francisco. Tem que transpor logo, pois em breve não haverá “Integração Nacional”. Uma das fontes, lá em Minas Gerais – terra do Aécio, vejam vocês – também está seca.
Socorro Padim Ciço!
Minha dose de uísque. Mas, não paraguaio. Não dá para confiar neles, tanto que os expulsamos do Mercosul. Vejam se pode. O Paraguai não compactuava com camarada Chavez.
E por aí poderia seguir desfiando “lições de democracia”. Entretanto está na hora de relaxar em minha banheira de ofurô, antes que o apartamento de cobertura onde moro, seja invadido.
Ódio aos adversários, sabe-se muito bem quem tem.

06 julho 2014

QUERO MORRER NO VERÃO

Quero morrer no Verão!
Não sei se é melhor ou pior que em outras Estações.
Não tenho essa referência, pois ainda não conversei com ninguém que tenha morrido em qualquer Estação.
Mas algo me diz que morrer no Verão é mais leve.
Verão é alegria...
Natal... Carnaval... Fantasias... Roupagens minúsculas de bronzeadas na praia...
Quero morrer no Verão depois do Natal...
Depois do Réveillon também...
Detestaria estragar o período... Ser uma lembrança triste à época das festas...
Quero morrer após as festas, mas de repente... Sem ninguém contando os dias que me restem, sem qualquer parente trocando presentes, pensando em presentes melhores para o natal seguinte, supondo estar incluído num testamento que menti ter feito.
Quero morrer no Verão, mas não no Carnaval... Deixo essa apoteose aos sambistas.
E, caso seja velado de madrugada, não quero atrapalhar o programa de algum convidado da última hora, que houvesse planejado assistir aos desfiles no Sambódromo.
Quero morrer no Verão, antes de meu aniversário para evitar completar mais um ano na contagem regressiva da Vida.
Se morrer aos sessenta e nove (ou setenta e nove ou oitenta e nova) quase certamente ouvirei as habituais frases consternadas: “Morreu tão jovem... Não tinha nem setenta (ou oitenta ou noventa)”...  Morrendo aos setenta (ou oitenta ou noventa), quase ouvirei palavras habituais de consolo: “É a Vida... Viveu bastante... Estava com mais de setenta (ou oitenta ou noventa)!”.
Farei ouvidos moucos aos comentários: “Já foi tarde”.
Quero mesmo morrer no Verão...
Livrar-me-ei da obrigação da única certeza da Vida, depois da morte... Fazer a declaração do Imposto de Renda, no outonal final de Abril... Ao tornar-me Pó, viro Espólio...
Quero morrer no Verão para que se possa servir cerveja gelada, ao invés daqueles cafezinhos insossos das antessalas de velórios.
Com muito salgadinho, salame e azeitonas.
Quero morrer no Verão!
O Verão parece-me ser mais apropriado para rir daquelas passagens hilárias ou pitorescas, sempre lembradas nas últimas horas na presença do “de cujus”.
Quero morrer no Verão, apesar de alguns inconvenientes.
Que traje vestir-me-ão?
Estarei indefeso...
Por favor, não me obriguem um terno... Ficarei com calor.
Nada de melhor roupa
Basta-me uma camiseta polo básica e aquela habitual e surrada calça jeans. Poderia até ser uma bermuda, mas posso estar com as pernas muito brancas.
Quero morrer no Verão, mas se, por motivo de força maior, não for possível, prometo não reclamar no PROCON, nem no SAC da Vida, pois para esta não há garantias ou prazos de validade previsíveis.
Afinal, a Vida é apenas um breve intervalo que passamos acordados na eternidade sonolenta do Tempo.
Importa ser bem vivida em todas as Estações.

03 maio 2014

BANANAS NA MACACADA


Até que um dia, o mais frágil deles...  arranca-nos a voz da garganta... E já não podemos dizer nada. (Maiakovski)

Lá pelo ano 33 d.C., alguns primatas viram outros primatas arremessando algo em direção a uma fêmea. Primeiro acharam que jogavam bananas para alimentá-la.
Mas, não!
Eram pedras.
A fêmea cometera um crime imperdoável.
Um dos primatas falou algumas palavras e pararam os arremessos.
Dias depois, primatas - Erectus, gorilas e macacos-prego – viram àquele primata passar e arremessaram pedras.
Ficaram assistindo ao desfile.
Soube-se que iria ser pregado por ser culpado de crimes imperdoáveis.
Deixaram pregar.
Não era com eles.
Bananas aos macacos!
A todos os macacos.
Aos orangotangos, chimpanzés, micos leão-dourado.
Viva a macacada!
Esses primatas...
À falta de pão... banana e circo, desfile pelas ruas da Galileia. Pela Paulista. Pelo Sambódromo.
Cabeças cheias de bananas ao melhor estilo Carmen Miranda.
Yes! Nós temos bananas.
Por toda parte.
Nem precisa plantar.
Primatas se multiplicam.
Tem banana aí, Painho?
Pra todo mundo. Pra dar e vender.
Quase nada mais ao antigo preço de banana.
O preço a ser pago anda meio alto.
Quanta custa a ética? A dignidade? A capacidade de entendimento ao respeito que merecem todos os macacos desde o respeitável e admirado Dr. Australopitecus até o humilde Sr. Inominado que por falta de galho, dorme no chão?
Cada macaco deveria ter seu galho.
Mas não tem galho para todos.
Isso se resolve.
Lei da Selva.
Acerte-se uma pedrada no macaco e tire-o do galho.
Atirem-se pedras, sem entender-se o espelho, que tantas vezes atingido, nem sente mais as trincas, quase transformado em areia.
À falta de pedras, joguem bananas.
Um primata, em 2014 d.C., pegou a banana e comeu-a, mesmo correndo o risco de levar cartão amarelo.
Que falta de educação jogar a casca no gramado!
Reza a lenda que aquele primata de 33 d.C. ficou feliz por haverem parado de jogarem pedras sobre a primata fêmea.
Depois, cansado, sentou-se e...
Comeu as pedras?
Deve as estar digerindo até hoje face a decepção quanto a ilusória e efêmera vitória.
Pois em verdade, em verdade mesmo, os primatas nunca pararam de jogar pedras em primatas.  Apenas mudam o alvo. E o formato da pedra.
Pedras. Bananas. Madalenas. Genis. Judeus. Negros. Desaforos. Injustiças.
Engolimos tudo. Todos os dias.
Para que importar-me com uma banana jogada num primata?

Não é comigo.


15 abril 2014

NOTA DE FALECIMENTO

Comunicamos, com pesar, o falecimento do Sr. Braz Silva Rennós, decorrente de falência múltipla dos órgãos. O falecido vinha adoentado há muito tempo. Sofrera, por mais de vinte anos, de paralisia de quase todos os membros, decorrente do regime que forçadamente passou para tratamento de suposta doença, que lhe atingia o lado esquerdo do corpo. Quando se pensava curado, foi vítima de desnutrição decorrente de contínuos e intermitentes desvios da circulação de elementos vitais, com entupimento de diversas partes do corpo por excesso de sanguessugas. Tal adoecimento causou-lhe sérias complicações e efeitos colaterais, que se estenderam até a data de seu óbito. Padecia ainda de micoses na virilha pelo hábito de esconder cédulas junto às partes íntimas. No começo do século começou a enfrentar séria degeneração que o levou à perda da visão. Os sintomas iniciais da doença era ver estrelas vermelhas quando piscava. Logo a seguir veio a obnubilação total. Após atingir os olhos o mal atingiu também diversas partes do corpo. Equipes médicas fizeram tratamento perfunctório contra essa alergia, mas ela se disseminou por todas as partes internas do organismo, causando rigidez na execução das atividades mais essenciais e na capacidade de julgamento, entre outras. De outra parte, talvez como efeito colateral, Sr. Braz passou a ter problemas mentais, com atitudes alopradas. Passou a se automedicar com imensos gastos mensais pagos a especialistas no mal das estrelas. Elas se multiplicaram. Preferiu não fazer as cirurgias recomendadas para extirpar os cancros causadores dos males. Em 2008, quando atacado por uma infecção externa, igualmente não levou a sério, causando consequências complicadíssimas no estado geral do paciente. Novamente alertado por especialistas, preferiu tratamento com pão e manteiga. Descuidou-se também quanto ao consumo de álcool, tendo ainda sido contaminada sua carne. Talvez por falta de Educação ou já surdo, fazia ouvidos moucos e nunca escutou os alertas quanto ao seu descuido com a Saúde. Quando deu por si, a metástase estava instalada de modo irreversível. Quase todo apodrecido, exalando fortes odores pelos poros. Prostrou-se incurável. Nem todas as orações a tantos santos por ele admirados puderam salvá-lo. Não havia milagre para tantas doenças. Atendendo seu último pedido, o corpo será velado na Necrópole Central do Bairro do Planalto e posteriormente cremado, para que seu mal não mais se propague.

19 dezembro 2013

NOQUINHO E A SORTE DO LADRÃO


Vovô, você nem sabe a história que me contaram...
O que é desta vez, Noquinho?
Nada! Se eu contar o senhor vai dizer que estou faltando com a verdade outra vez.
Outra mentira, você que dizer... Cuidado aonde você mete o nariz...  Mas conte! Conte!
O senhor acredita em sorte?
Não muito! Acredito em trabalho e honestidade.
Como o senhor explica esta, então?
Se não contar, como poderei explicar... Desembuche, menino!
Então, vovô... Disseram que essa história se passou num lugar chamado de estacionamento. O que é estacionamento?
Deve ser um lugar aonde se guardam charretes.
Sabe, vovô? Diziam que era preciso trocar o cadeado do portão do lugar aonde se guardavam as charretes.
Sim... sim... Conte rápido, porque preciso terminar meu trabalho.
Então, vovô... Um ladrão muito esperto soube que iriam trocar o cadeado... Colocar um mais seguro.
Sempre é bom segurança nestes tempos. Nunca se sabe quem está do nosso lado. Pode ser alguém mentiroso.
Não fale assim, vovô! O senhor me ofende.
Continue, Noquinho.
Ele roubou as charretes... Quebrou o cadeado com uma imensa marreta e entrou no estacionamento.
E ninguém ouviu o barulho? Deve ter feito barulho ou não?
Não sei, vovô... Essa parte eu não perguntei... Nem pensei nisso... O senhor sabe que eu acredito em tudo que me dizem.
Não devia... Você é um exemplo de como alguém pode – como é que você disse mesmo?
Faltar com a verdade.
Isso... Mas, eu acho que alguém ouviria o barulho. Não tinha nenhum cavalariço, um vassalo cuidando das charretes?
Isso disseram... Ele estava de folga nesse dia.
Estou começando a acreditar que esse ladrão era muito bem informado.
O senhor não acredita mesmo em sorte, hein, vovô. Ele roubou um monte de coisas das bolsas onde as pessoas guardam as coisas que carregam na viagem.
E ele não fez nenhum barulho para quebrar os cadeados das bolsas onde as pessoas guardam as coisas que levam nas viagens? Ah! Noquinho...
Verdade, vovô! E ele não roubou só uma charrete, não. Roubou mais.
Quantas?
Todos os dedos da minha mão.
Cinco?
Seis...
Está bem... Mas deve ter demorado muito para ele fazer isso? Uma noite inteira e ninguém viu o portão aberto a noite inteira?
Não, vovô! Ele tinha uma chave falsa que abria os cadeados.
Epa, Noquinho! Se ele tinha uma chave falsa que abria os cadeados, por que ele usou uma marreta para abrir o portão da rua?
Ah, vovô! O senhor pergunta cada coisa. Isso eu não sei.
Noquinho, Noquinho!
Ah! Vovô... O senhor não está acreditando em mim? Não conto mais histórias para você.
Noquinho, pega aquele formão para mim, que eu não tenho essa sorte. Tenho é muito trabalho... Ganhar dinheiro honestamente...
Posso assistir à TV? Está na hora do CSI...

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(Qualquer semelhança com fatos já conhecidos pelo leitor é pura coincidência)

20 outubro 2013

OS BEAGLES E A ARACRUZ


No dia 03.Jun.2006, cerca de 2 mil pessoas entraram no horto florestal da Fazenda Barba Negro, da Aracruz, no RS. Os camponeses protestavam contra lavouras de eucalipto, destinadas à produção de celulose. A Aracruz informou que a destruição do laboratório de pesquisas causou prejuízo de cerca de US$ 400 mil, afora as perdas intangíveis, como a perda de materiais genéticos que levaram cerca de 15 anos para serem produzidos e outros que não podem ser recuperados. (Site Terra).

A invasão da Clinica Royal por dezenas de pessoas, dizendo-se ativistas e defensoras do direito dos animais, foi igual procedimento ilegal juridicamente e com riscos muito maiores que os prejuízos materiais.

Segundo o cientista Carlos Moraes:
“Parece uma ação caridosa, mas estes animais podem representar um risco para a população. Não se sabe que experimentações foram feitas no Instituto Royal, mas os animais usados em testes são inoculados com vírus, patógenos, ou medicamentos que podem contaminar a população. Por isto são confinados, e as pessoas que trabalham lá são todas paramentadas, tanto para não contaminar os animais e também para não serem contaminadas”. Explica, ainda: ”... que animais usados em teste só podem ser adotados por famílias apenas após o aval de veterinários. Quando os animais representam riscos à população, por exemplo, os animais são sacrificados após a experimentação.” (Site Ultimo Segundo-IG).

Ademais, alguns ativistas não seriam assim tão dedicados a causas da adoção, pois:
“A Polícia Civil de São Roque, localizou na tarde deste sábado, dois dos 178 cães que foram retirados à força por ativistas de dentro do Instituto Royal, na madrugada de sexta. Uma denúncia anônima indicou que dois beagles circulavam em uma estrada de bairro próximo ao instituto. Investigadores fizeram buscas e os levaram até a delegacia." (site Estadão)
.
As questões levantadas questionam friamente a atitude.
Se havia indícios de maus tratos aos animais, o caminho correto seria o Judiciário e não a ação truculenta e impensada.
Perguntas que ficam:
Quem se responsabilizará pelo ato criminoso da invasão de propriedade privada? 
Qual a diferença de quem invadisse as casas dos ativistas, roubando seus bens com o argumento de defenderem a desigualdade social de uns terem mais que outros?
Quem responderá pelos riscos de infecções que possam ser disseminadas pelos animais?

A ação revela também a pequenez do conhecimento cientifico dessas pessoas. Talvez, à similaridade daqueles que tentaram impedir o programa de vacinação de Oswaldo Cruz, no início do século XIX. Vencedores estes, estaríamos até hoje morrendo de febre amarela.
Em países mais avançados, seres humanos são utilizados como cobaias para experimento de medicações. Quem sabe por isso o Prêmio de Medicina sempre esteja distante de nós.
Provavelmente, alguns ativistas de hoje tenham apontado o dedo para a Via Campesina em 2006, mas agiram igual.

Que ninguém seja infestado por algum vírus e que todos paguem judicialmente pelo seu ato.


30 setembro 2013

EU ODEIO PROFESSORES

Outra vez greve...
Todo ano essa ladainha.
Com quem eu deixo meu filho?
Coisa de sindicalista!
Quatro meses de férias, reclamam do que?
Sinceramente?
Professor deveria parar de trabalhar definitivamente. Ao lixo essa conversa de vocação, serem vigas-mestras (sic) e importantíssimos para o desenvolvimento de um país movido a escravagismo capitalista chinês, Ipods, Ataris, .
Para que serve um professor?
Melhor seria perguntar: A quem serve o professor?
Descreio, hoje de sua necessidade em termos de aprendizado e cultura.
Via-de-regra trata-se apenas de uma babá a baixo preço de custo, atendendo de  modo coletivo ao proletariado classe média dos novos tempos.
Ei! Peralá, que não sou Madalena!
Antes da terceira pedra, reflitam...
Tantas agressões recebidas. Talvez essa mal formada (deformada) categoria dos professores precise de especializações. Uma delas mestrado em lutas marciais. Se não para ensinar a arte às crianças, sirva para autodefesa.
Outra especialização.
Artes circenses. Mágica, equilibrismo, ser um palhaço.
Mágica para ensinar o trivial ABC, um dois, três com os propositadamente parcos recursos disponibilizados para a Educação movida a Pibinho Amantegado.
Ser palhaço, na expressão mais pura da palavra, ao dedicar um sorriso a uma criança ávida da ilusão que a escola mudará sua vida. Sabemos muito bem que noventa e nove por cento dos alunos têm seu destino traçado ao nascer pela renda de seus pais. E nas costas, um peso imenso de serem futuramente culpados pela taxa de desemprego e déficit da previdência.
Finalmente, professor tem que aprender a equilibrar-se no dia a dia arrastado de sonhos de consumo impossíveis com a esmola mensal das escolas públicas
Eis aí o xis de uma equação que não interessa a nenhum governante resolver. Dizem que não há número que solucione esse problema.
Não sei a fórmula e se tivesse a solução, não revelaria gratuitamente. Guardaria a sete (esse número é o que vem depois do seis, certo?) chaves para ser minha plataforma de campanha e, vendendo promessas, angariar alguns votos junto a categoria.
Mas, em verdade, em verdade vos digo (alguém disse isso):  Quanto mais precária a educação, maior dependência, mais cotas, mais “zelite” a culpar.
Voltando ao palhaço do professor.
Talvez, os governantes de plantão não tenham, na infância, jamais recebido um sorriso de um professor.  Talvez, fizessem, já em treinamento para serem poderosos, zombarias e agressões, sabedores não necessitarem deles para seu “progresso e crescimento”. Por isso, tratem tão mal a categoria.
Tenham ódio e desprezo pela categoria.
Estão vendo só professores? Quem planta colhe...
Vamos lá! Sorriam
Não vão sorrir?
Então, vão cuidar de suas vidas, abram uma Igreja, um partido político, mas parem de amolar com essas graves.
Senão...
Gás lacrimogênio já...
Temperinho de pimenta...
Para adoçar uma balinha de borracha.
E se me acusarem de perturbar a ordem pública, aproveitem a borracha e apaguem o que eu disse.

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N.A
1) Dia 28.Set.2013 - A mando do governador Sergio Cabral (PMDB) e do presidente da Câmara Municipal, Sr. Jorge Felipe (PMDB), professores municipais foram retirados "à força" pela PM/RJ do prédio da Câmara.

2) Site G1 - A P.M.arrombou uma porta lateral da Câmara Municipal do RJ na noite deste sábado (28) para retirar os professores que ocupavam o local desde quinta-feira (26). Os professores disseram que foram retirados à força e, de acordo com o sindicato da categoria, cerca de 20 pessoas teriam ficado feridas. A 5ª DP confirmou a detenção de três manifestantes, que foram liberados ainda na madrugada. Policiais usaram spray de pimenta contra manifestantes.

3) Que saudade da professorinha! (Ataulfo Alves)

24 setembro 2013

A VINGANÇA DE HILLARY CLINTON

Nossos apóstolos especiais, enviados a Assembléia da ONU garantem que Hillary vibrou ao saber que o maridão passaria a noite na companhia de Dilma Roussef e Cristina Kirchner. Após ficar, por quase duas décadas, com Mônica Levinsky entalada na garganta, chegou a gritar, ao melhor estilo Galvão: ”Vai que são suas, Bill!”

27 julho 2013

A VISITA DO PAPA CHICO

O Papa Francisco usa um cocar que ganhou dos índios no Teatro Municipal Foto: Mônica Imbuzeiro / Agência O GloboQuando Francisco chegou
O país, novamente, parou
Correu o povo em juras de fé
Enforcando mais uma semana
De carro zero, peregrinos a pé
Remediados e gente bacana
Todo mundo pra Copacabana


Menino! Coitado do Chico
Tá certo que ele é argentino
Mas não precisava pagar esse mico
Pra começar seu tormento
Deu-lhe boas vindas o braziu
Com um congestionamento
Típico das avenidas do Rio

Naquele recua e avança
Policia espantando fiel a tapa
Camelô correndo: Olha o rapa!
Chiquinho não se fez de rogado
Deu beijinho em criança
Ao lado do ônibus parado
Perdoou um monte de pecado

Na hora do beija-mão
Quem é que agüenta 
Discurso da presidenta
Falou quase meia hora
Pediu pro país solução
Permiso, mas o que é isso
Que conversa é essa agora
Não faço milagre não
Quem fez foi o João

Baixinho ouviu-se o cochicho
Enxugando o suor na batina
Chico fala ao bispo do lado
Tenho tanto compromisso
Viajei muito, estou cansado
Se me aparecer a Cristina
Juro que viro bicho

Visitar a santa Aparecida
Chuva, frio e céu nublado
Helicóptero é risco de vida
Solução de um deputado
Afinal, quem sabe, sabe
Comitiva num avião da FAB.
Chico abençoa, tudo perdoado

Subiu morro, viu menino raquítico,
Rezou missas, mil orações
Não apareceu nenhum político
No dia das confissões
Homenagens, apresentações
Promessas entre as canções
Neste pais de padres show-men
Cantou de novo Fafá de Belém

Preparando o fim da viagem
No repouso em singela cama
Zapeando viu de passagem
Noticias de um telejornal
Guaratiba era um  mar de lama
Chico, por aqui isso é normal
Pergunte ao Paes e ao Cabral

No cortejo, trocou solidéu
Acenos, mãos erguidas ao céu
Da criança ganhou um boné
Não querendo se comprometer
Um pergunta o fez emudecer
E partiu sem responder

Foi melhor Maradona ou Pelé?


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(em processo de registro junto a BN)

07 março 2013

SARAUS E RODAS DE POESIA



De definições diferentes, saraus e apresentações de poetas chegam a confundir-se.
Este texto não pretende dizer que um é melhor que outro, mas diferenciá-los e emitir opinião pessoal.
Saraus podem apresentar todos os tipos de arte. Música, pintura, artes plásticas, performances e até, se sobrar espaço, poesia. Não nos esqueçamos da fertilidade de idéias da Semana de Arte Moderna de 1922, que renovou conceitos artísticos.
A Roda de Poesias caracteriza-se por abrir espaço apenas à poesia. E quanto espaço a poesia abre. Especialmente a troca de idéias entre seus participantes, a descoberta de diferentes formas de manifestação escrita, inclusive com o plágio criativo, e até a formação de parcerias na construção da literatura.
Nos últimos anos participei ativamente de múltiplos saraus, mas apenas de algumas raras rodas de poesia.
Cansaram-me os saraus. Sem abandoná-los, passei a ir a poucos..
Embora seus participantes sejam, em sua ampla maioria, competentes na arte que praticam, os saraus tornaram-se repetitivos ao meu gosto. Fartei-me de ouvir as mesmas canções durante dois terços ou mais de cada evento, restando aos poetas parcos segundos, entre as cantigas, para apresentar sua poesia. Assim, tipo um comercial para as pessoas se prepararem para o próximo cantor se apresentar.
Mas, se é disso que a maioria do público gosta. Ao show... Abram-se as cortinas.
Diferentemente das rodas de poesias, onde podemos prestar toda atenção no poeta, perguntar-lhe o que quis dizer, sugerir uma pequena alteração num verso, pedir o texto para relê-lo. Claro para isso necessário eliminar-se todas as suscetibilidades e estar pronto para aprender e aceitar o novo, uma vez que, salvo alguns – desculpem-me - repetidamente “enluarados”, “estrelados” ou “sempre apaixonados”, nenhum poeta é melhor ou pior em sua arte. Apenas diferentes.
Lembro, ainda, que nem toda poesia é feita para ser apresentada em público. Há, minimamente, três espécies de poesia.
Poesias para serem declamadas, rápidas para que a atenção do ouvinte não se disperse, poesias para serem lidas, mais longas, onde se permite prestar-se maior atenção a cada segmento da poesia, as articulações de rimas, os encadeamentos de versos e ainda há poesias para serem vistas, como a concreta.
Ainda há a possibilidade dos varais de poesia, onde cada leitor segue sua velocidade, pode copiar versos, voltar-se ao verso anterior para entendê-lo melhor. Há um segundo sentido sendo aguçado. De quebra, ainda talvez, tenhamos a oportunidade de se aprender novas palavras, sem vergonha de ficar com aquele jeito de não entendi nada.
Enfim, passadas as rápidas considerações, cada ao leitor pensar sobre o assunto e encaixar-se onde melhor lhe aprouver.
Para terminar um pedido:
Se souber aonde há roda de poesias, mande-me informações, pelo 
email: plugal01@gmail.com 
Um grande abraço a todos os poetas. E aos que não são também.

06 março 2013

TABU



Sempre me lembro.
Sentados na sala.
Meu pai e eu.
TV antiga.
Ganha usada.
Sintonia ruim.
Bombril na antena.
Preto e branco.
Todos os personagens
Ansioso não tirava os olhos.
Vai ser hoje.
Tinha de ser.
Sofrimento juvenil.
Promessas à imagem na parede.
Hoje já não creio nisso.
Foi-se metade.
Metade da fé perdida?
Que não perdêssemos servia.
Era costume. 
Pedrada de Paulo.
Lá no alto.
Era hoje, não é pai?
Ralhou: Senta...Não grite!
Olha lá, olha lá!
Outra vez...
Minuano...
No cantinho.
Mais uns miinutinhos.
Terminara um sofrimento.
Abracei meu pai.
Fui dormir feliz.
Seis de março de 1968.
Faz 45 anos.
O pessoal do Rei e Santos era vencido
Dois a zero.
Acabava-se o tabu...

 

A foto é do jogo seguinte, mas foi esta equipe que derrotou o Santos.

05 março 2013

PININHA NA RINHA DO MMA



Qual a desculpa de hoje, Pina?
Não me olhe com essa cara, dona Gertrudes.
Foi o ônibus, o congestionamento, falta de energia no trem, despertador atrasou?
Tudo isso e nada disso, Gegê.
Gertrudes, por favor, que hoje não estou para Gegê. Estou atrasadíssima para a Academia. Fala logo, a desculpa...
A senhora não me deixa falar...
Desembucha...
Foi o seu Takeo...
Ora, Pina... Até o Sr. Takeo vai levar a culpa de seus atrasos. Tenha a paciência.
Verdade, Gegê... Eu passava no ônibus e vi que estava cheio de viatura na frente da casa dele.
O que aconteceu? Ele estava ferido? Foi assalto?
Não entendi direito, mas ele estava sendo algemado.
O que foi, fala logo...
Calma, ai! Eu desci do ônibus e fui tomar informações sobre o qüiproquó.
Sabe o que os poliça me disseram?
Claro que não!
Primeiro eles mandaram eu circular. Disse que estava circulando desde madrugada no ônibus, aí eles disseram que eu estava desacatando a autoridade e veio pondo a mão em mim. Aí, eu falei para ele que ia contar tudo para minha patroa, que ela era mulher de um repórter e ia denunciar “eles” na TV. Eles ia tudo aparecer naqueles programas da tarde.
Está bem, Pina! Agora conta por que estavam prendendo o Sr. Takeo.
Eu comecei a gritar: Takeo, Takeo, Takeo... O que aconteceu? Um poliça com duas estrelinhas na lapela falou grosso: Ele cometeu uma contra invenção. Eu respondi: O Takeo não é inventor. Ele é, Gegê?
Contravenção, Pina, contravenção. Que contravenção ele cometeu?
Sei lá! Se eu souber o que é isso posso explicar...
Bom, volta a fita. O Sr. Takeo foi preso por que?
Disseram que ele tinha galo no quintal.
E daí?
Também não entendi e pedi para explicarem: Disseram que ele estava treinando os galos para uma tal de rinha...
Ai! O Takeo fazendo rinha de galo? Isso é piada. O Takeo cria umas duas ou três galinhas por que gosta de ovos naturais, sem produtos químicos.
Pois é... Mas, eu tive uma idéia para soltarem o Takeo,
Ai, ai, ai, ai, ai... Que você fez?
Falei que os galos eram encomenda da minha patroa para fazer canja.
Canja de galo, Pina?
Sei lá, com essas modernidades, galo pode ser galinha.
E soltaram o Takeo?
Eles falaram que iam vir aqui investigar se era verdade... Se eles aparecerem, a senhora confirma.
Está bem! E o Takeo?
Perguntei para um moço que estava assistindo a confusão o que era rinha. Com paciência ele explicou... Os galos ficam num cercado lutando até sangrarem e se matarem. Demorou um pouco, mas quando entendi, virei mulher-macho... No bom sentido... Comecei a gritar: Se o Takeo está contravertendo (existe isso, Gegê?) tem um monte de gente na televisão fazendo igual e eles ganham até dinheiro.
Como é que é, Pina?
Eu vi o marido da Zefa assistindo. Dois homens entram no cercado e ficam se batendo até sangrarem e um desistir.
Isso é MMA...
O que é isso?
Artes Marciais Mistas. Uma luta onde vale quase tudo.
Homem pode e galo não pode? Não entendi. A senhora pode me explicar a diferença?
Acho que os dois estão errados, mas fazer o que? Briga de galo é proibida, MMA não é... Bem, mas o Takeo? Os policiais o soltaram?
Em parte...
Como em parte?
Colocaram ele na viatura, mas tiraram as algemas.
E para onde foram?
Disseram que iam para a Delegacia, mas antes iriam confirmar a história que eu contei...
Que história?
Da canja, ora...
Ai, não, Pina... Assim não dá... Tocaram a campainha... Vá lá, veja quem é?
Vixe, Gegê...  São os poliças... Deixo entrar ou digo que não está?