13 março 2017

FANTASMAS EXISTEM



O menino começou a acreditar em fantasmas numa noite em que ninguém soube explicar por que a cortina balançava, sem que houvesse vento na janela. Por misterioso paradoxo, quando uma brisa passou pela janela, a cortina parou de balançar.
Em seu raciocínio crédulo e simplista, concluiu que a brisa era um fantasma saindo da casa. Naquela noite quente, tremeu muito antes de, cansado de tanto relutar com o sono, adormecer.
Não sem antes fechar a janela.
Daí em diante, todas as noites conferia, desconfiado, o balanço da cortina. Abria e fechava a janela, olhava debaixo da cama e em sua oração noturna pedia que o fantasma não viesse assustá-lo.
Medo de fantasmas é realmente paradoxal.
Há pessoas que não pregam os olhos, madrugada a dentro, temerosos ao surgimento de um. Ignoram que fantasmas só costumam aparecer quando menos se espera.
Outras fecham os olhos a noite inteira para não ver os fantasmas. Apesar de algumas dessas pessoas jurarem de pés juntos, não acreditarem nessas “bobagens”, sabem que eles estão ali quietinhos em seu canto e, quando querem, aparecem na forma de pesadelos.
Há fantasmas em toda parte.
Todos têm seu fantasma de estimação.
Nem que surja na forma de uma prova de química orgânica ou de óptica.
Recentemente, até o futebol aceitou sua existência e instituiu o “Fantasma do Rebaixamento”.
Os vivos, talvez ignorando serem apenas futuros fantasmas, criaram um local apropriado para a coexistência pacífica;
No fundo queriam que os fantasmas ficassem reclusos.
Deram-lhe o imponente nome de Necrópole – “Cidade dos Mortos”. Regulamentaram que os fantasmas poderiam circular livremente na Necrópole.
À noite.
De dia, dormiriam.
No começo tudo parecia resolvido.
Mas, os fantasmas logo rebelaram-se.
Se vivos podiam fazer visitas na Cidade dos Mortos de dia, incomodando seu descanso, os fantasmas também podiam sair pela Cidade dos Vivos à noite.
Nada mais justo!
Assim o fazem.
Fantasmas são espertos. Cientes de sua invisibilidade, entram em tudo que é lugar. Veem o que ninguém imagina. Sabem de tudo o que acontece.
Parece 1984.
Todo cuidado é pouco!
Quando resolvem abrir o bico...
Psicografam...
Reza a lenda, exista um setor de censura no mundo dos fantasmas.
Um código de ética: “Você não conta meus podres, eu não conto os seus”.
Assemelha-se, no mundo dos Vivos ao “Fantasma da Delação Premiada”.
E os segredos de família?
Fantasmas sabem mais que fofoca de vizinha.
Língua de sogra é café pequeno.
Veem coisas de arrepiar padre em confessionário.
De deixar o Cão à espera de alguns santos vivos para tirar férias.
Como eu sei disso tudo?
Sabe aquele menino assustado com o balanço da cortina?
Era eu...
Em vida...
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Nota do Autor:
Espero que este texto tenha sido psicografado.
Senão, morri e nem notei.

  






01 março 2017

Braziu das ditaduras


Quem é a favor das ditaduras, levante o braço.
Ou permaneça como está.
Tudo depende da hora e lugar.
Ou da oportunidade e conveniência.
Democracia já!
Você tem o direito de manifestar sua opinião.
Entretanto, evite festejar gol do Corínthians se estiver nas imediações da sede da Mancha Verde.
Isso não seria saudavelmente correto.
O atendimento do SAMU pode estar em greve.
Vá comemorar lá na Zona Leste.
Ditadura militar, eu sei, todos são contra, exceto os admiradores de Cuba e de Chavez.
Noves fora, subtrai a população do Acre, os artistas ativistas (incluo os passivistas?), os nomeados em comissão pelo governo de St. Luigi Ignatius, o Puro e seu poste (ou sua posta?), os que odeiam Bolsonaro, os que repudiam a Globo, mas não perdem suas novelas, os defensores do Gênero, Número e Grau.
Bom, soma aqui, divide acolá...
Esqueci dos manifestantes em protesto ao Patinho da Fiesp.
80% da população é contra a ditadura militar.
Você escapou?
Então, à frente, firme e forte.
Ditadura pet.
Como alguém pode ser contra os pobres cãezinhos... ou gatinhos? Por que não porquinhos da Índia ou ratinhos recém-paridos por ratazanas do centro da cidade?
Ninguém é contra, eu sei, exceto os que são vizinhos de cães que latem o dia inteiro, os que precisam dormir, os que pisam em cocô, os que têm de limpar o cocô de sua calçada e os que teriam o direito natural de não gostar, não fosse isso absolutamente politicamente incorreto.
Some-se a maioria silenciosa, os temerosos de bulliyng, os defensores da fabricação de tamborim de pele de gato, os fabricantes de sabão e os vizinhos das clínicas veterinárias, que desejam entrar em casa, mas tem um carro parado à frente de seu portão, chegamos em 50% da população contra a ditadura pet.
50%, sim, senhor!... Ou você tem seu ratinho de estimação?
Restam 50% contrários a alguma ditadura.
Você prossegue firme e forte?
O teu cabelo não nega, Maria Sapatão!
O que foi, mano? Não gosta de Carnaval?
Então somos dois.
Mais alguém?
Claro que não, eu sei, exceto os que não podem sair de casa, porque tem desfile de blocos nas imediações, os que precisam trabalhar durante o carnaval e têm que aguentar o barulho dos mesmos blocos, os que ficam incomodados pelo mal que o barulho faz ao seu cãozinho.
Que fantasia é essa, moça? Pena de faisão? Isso não pode.
Ora, vá atrás dos seus direitos...
Calma, gente!
Eu sou o culpado?
Quer saber? Os defensores das ditaduras que se entendam.
Ditadura? No Braziu?
Você é favorável a alguma delas ou não?
Claro que não, eu sei, exceto...
Seu politicamente incorreto!
Junte-se a nós...
À frente, firmes e fortes!

19 fevereiro 2017

ADETRACAMAZOLASACOPROFA vai ao STF em defesa das PUTAS



Recebi um “email” que me deixou os pelos do braço (únicos que me restam a mostra) em pé.
Vinha da ADETRACAMAZOLASACOPROFA (Associação de Defesa das Trabalhadoras em Casas de Massagens da Zona do Lago Sul, Acompanhantes e Profissionais Afins) protestando contra o uso indevido de sua marca.
O remetente ADETRACAMAZOLASACOPROFA fez-me prestar mais atenção na reclamação.
Tem fundamento a queixa.
Cabe-me alertar a todos que a Língua Portuguesa, no Braziu, apesar da reforma ortográfica, porém sem reforma política, está mesmo uma “putaria”.
Difícil encontrar um texto escorreito (esta desenterrei)...
Já fico “puto” com esses modismos que conspurcam (e esta ressuscitei) nossa língua.
Tivemos a época do “a nível de“, do “na realidade” ou “na verdade”. Coisas “tipo assim”.
Tivemos “o muito pouco”, o “gerundismo”, et coetera...
Interatividade... Podem encher a página.
I, aki entre nois, hj tem tb o “informatikês”. Admitamos, escrevinhar certo naum é coisa mto fáciu.
E ”la nave va”...
Nessa maracutaia aloprada. Em tempos de “Mulieres sapiens pixada”, é verdade!
Dá um “puta” trabalho escrever corretamente.
Ainda bem que há as ”putas”. E servem para quase tudo. Inclusive para pronto- atendimento. Coisa “tipo assim” Disk 0800 acompanhante.
O leitor já deve estar de saco cheio de teoria “putanesca” e ansiando um exercício prático.
Vamos a ele:
O leitor deverá substituir as palavras indicada entre parêntese pela “puta” correspondente
Prontos?
1 - A (cadela) da minha vizinha fez xixi no elevador do prédio.
2 – A filha da Maricota é uma (vagabunda)... Não estuda... Não trabalha... Vai levar ”pau” na escola.
3 – No sítio, eu tomei leite da (vaca) da comadre.
4 - A (pistoleira) tirou a arma para fora e matou três jagunços.
5 – A companheira do Indiana Jones também é (aventureira)
6 – As (meninas de rua) da Praça da Sé são alimentadas pela Pastoral.
7 – Adoro minhas (primas). Somos uma grande família.
8 – As (galinhas) cacarejam no poleiro.
9 – Aquela (tiazinha) deve ter uns oitenta anos.
10 – Mães de políticos são (senhoras respeitáveis).
Aí, entra a reclamação da ADETRACAMAZOLASACOPROFA.
Cadela, vagabunda, vaca, pistoleira, aventureira, meninas de rua, primas, galinhas, tiazinhas...
Neste braziu, quase tudo vira “puta”!
Alô, Rita Lee! Não era “tudo vira bosta”?
Só mãe de político é que não anda aceitando bem a substituição. Elas têm um ciúme danado de não ganharem joias de empreiteiros.
Puta, cara! Sente só como a coisa está dura!
Ai! Se eu te pego.
Não adiantará pedir socorro ao seu amigo Takeo (primo distante do PQP e compadre do Japa da Federal). Ela nega, mas parece que ele está numa “dilatação” premiada.
Do jeito que vai, logo, logo, o substantivo bitransitivo adjetivado adverbial de quantidade ou modo “puta” terá um capítulo só para ele nas gramáticas de língua portuguesa.
“Tipo assim”, quase “a nível de” tornar-se um “se”, um “que” de Boletim de Ocorrência, um “por que”...
Preocupo-me!
Porque? (ou será Por que?)
Porque (ou será que será por que) já estou velho para reaprender a escrever. Não me lembro nem onde coloco os óculos e neste tempos digitáveis, às vezes pego-me perguntando-me o que é e para que serve um lápis.
Se eu fosse jovem, bonito e ignaro poderia faturar como (modelo). Afinal, tenho que “comer”...
Mas, não! Além de velho, estou careca, gordo, aposentado.
Creio que acabarei fazendo somente uns (biscates) para ganhar uns “putos”.

Ou seja: “mal pago”.
Amanhã cedinho procurarei a seccional da ADETRACAMAZOLASACOPROFA. Quem sabe eu tenha algum direito adquirido, ganhe uma ação no STF e receba uma “puta” grana.
Ao autor do email de alerta: Não me esquecerei de você.
Desde já um “puta” abraço.

11 janeiro 2017

O PEDINTE

O PEDINTE


O Homem caminhava poucos passos a minha frente. 
Chamou-me a atenção a falta do antebraço direito.
O Homem parou defronte a escadaria da Igreja, estendendo o olhar para seu topo.
Instintivamente, também parei.
Quem sabe colheria um flash do cotidiano.
Sentar-se-ia a esmolar ou entraria para orar?
No topo da escadaria de uns quinze ou vinte degraus surgiu a Moça. Jovem, calças brancas, justas, saindo da Igreja.
Ah! Que pecados teria confessado, arguiram meus diabinhos.
A Moça desce, desfilando.
Concluo que nada demais sairia da cena e retomo meu caminhar... Lento...
Passo pelo Homem de olhar fixo na escadaria.
A Moça termina a descida, tomando o mesmo sentido que eu.
“Que gostosa!”, ouve-se murmurante.
Paramos...
A Moça, eu e o mundo...
Quase em estado de choque.
A Moça procura a origem...
Olha para o Homem...
Olha para mim, com um sorriso desaprovador.
Mundo saindo do choque...
A Moça acelera o passo... 
Demoro uns segundos...
Suficientes e necessários para ver o Homem sentar-se na escadaria e começar seu ofício, tilintando uma latinha de moeda, com o braço completo...
No topo da escada, surgem duas Senhoras.
O Homem estende o braço, olhar súplice...
“Uma moedinha”, murmura doloroso à passagem delas.
Diabinhos matutam: “O que o Homem teria falado fossem as Senhoras vinte anos mais jovens?”
Seguem a mesma direção da Moça...
Ah! A Moça...
Sumira na multidão...
Vida que segue...
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http://www.recantodasletras.com.br/cronicas/5879706

22 dezembro 2016

PROJETO MAIS grana NO MEU bolso


A IDEOLOGIA QUE UNIFICA OS VEREADORES DE S.PAULO. PROJETO "MAIS GRANA NO MEU BOLSO" TEVE VOTOS DE QUASE TODOS OS PARTIDOS.

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou na tarde desta terça-feira (20) um aumento no salário dos vereadores. Eles ganhavam em média um salário bruto de R$ 15 mil, e passarão a ganhar R$ 18.991,68, o que representa um aumento de 26%. Trinta vereadores votaram a favor do aumento e onze votaram contra.

Veja abaixo como cada vereador votou:

SIM:

Abou Anni (PV)
Adilson Amadeu (PTB)
Adolfo Quintas (PSDB)
Alfredinho (PT)
Antônio Donato (PT)
Arselino Tatto (PT)
Atílio Francisco (PRB)
Celso Jatene (PR)
Claudinho Souza (PSDB)
Conte Lopes (PP)
Dalton Silvano (DEM)
David Soares (DEM)
Eduardo Tuma (PSDB)
Gilson Barreto (PSDB)
Jair Tatto (PT)
Jonas Camisa Nova (DEM)
Juliana Cardoso (PT)
Milton Leite (DEM)
Nelo Rodolfo (PMDB)
Noemi Nonato (PR)
Paulo Fiorilo (PT)
Paulo Frange (PTB)
Quito Formiga (PSDB)
Reis (PT)
Ricardo Teixeira (PV)
Senival Moura (PT)
Souza Santos (PRB)
Toninho Paiva (PR)
Vavá (PT)
Wadih Mutran (PDT)

NÃO:

Andrea Matarazzo (PSD)
Aurélio Miguel (PR)
Aurélio Nomura (PSDB)
José Police Neto (PSD)
Mario Covas Neto (PSDB)
Natalini (PV)
OTA (PSB)
Patricia Bezerra (PSDB)
Ricardo Nunes (PMDB)
Salomão (PSDB)
Toninho Vespoli (PSOL)

O projeto foi proposto por Milton Leite (DEM), Adolfo Quintas (PSB) e Adilson Amadeu PTB).

http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/veja-como-os-vereadores-de-sp-votaram-o-aumento-do-proprio-salario.ghtml

18 dezembro 2016

DICIONÁRIO DE POLÍTICA - Alguns termos legislativos para entender o Congresso

Votamos. E daí? A maciça maioria de "Brasilis populaxos" não entende nada do que se fala no Congresso. No intuito de colaborar, apresento o significado de alguns termos usados na "Braziulia Homes populis".

- BASE PARLAMENTAR - Quantidade mínima de deputados necessária para ferrar o povo.
- RECESSO - Período de aparente sossego, enquanto os deputados descansam e planejam novas sacanagens.
- QUÓRUM – Encontro público de políticos com finalidade suspeita.
- REUNIÃO DE LÍDERES – Encontro quase secreto dos chefes de facções com a finalidade de acordos e divisões do butim.
- VOTO DE LIDERANÇA – Tipo de “Salve” legislativo.  O mesmo que “Quem manda aqui sou eu”.
- COMISSÃO PARLAMENTAR – Caixinha, Obrigado!
- SUBCOMISSÃO – Divisão das sobras.
- PROJETO DE LEI – “Lá vem bala”. Sinônimo de “Projétil de Lei”.
- EMENDA – Remendo no texto da Lei para beneficiar alguém.
- ORIENTAR A VOTAÇÃO – Significa que se não fizer o que o Chefe mandar, tá ferrado. Fica fora de Comissões e Emendas.
- APRECIAR – Ver se é suficiente. Pode ser também “por o preço”.
- FAZER OBSTRUÇÃO - Peraí! Não foi isso que combinamos.
- PROPOSTA – Aqui e agora não! Podemos estar sendo grampeados.

Ajudou ou continuou não entendendo nada?

14 dezembro 2016

NOTA DA ASBRAPOC protesta contra confusão na imprensa.

NOTA DA ASBRAPOC



ASBRAPOC protesta contra confusão na imprensa.
 
A Associação Brasileira de Pombos-Correios (ASBRAPOC) distribuiu nota à imprensa:
“A ASBRAPOC manifesta seu total repúdio às notas confusas expressas na imprensa e redes sociais sobre o uso de anilhas por parte de seus membros. Esclarece que as anilhas não são “tornozeleiras eletrônicas”, não sendo utilizadas por nenhuma ordem judicial. Seus associados são aves de caráter ilibado e de bom pedigree, sendo vedado ocuparem qualquer cargo em entidades governamentais. A ASBRAPOC não é filiada a qualquer central sindical e sempre norteou seu destino pelo caminho reto. Seus associados são pombos-correios do bem.”