03 fevereiro 2010

VOLTAM AS AULAS... CUIDADO, CRIANÇAS!


VOLTAM AS AULAS... CUIDADO, CRIANÇAS!

Cadê meu silício?
Fui cúmplice e algoz disso durante 30 anos...
Será que tenho perdão?
Escola é um perigo!
Pobres crianças!
Bem, parte disso eu tinha ciência...
Aqueles olhares sonolentos chegando às sete horas da manhã no inverno.
Que pecado terão cometido para tamanho castigo, perguntava a meus zíperes.
Sinto-me menos culpado por haver trabalhado sempre em escolas públicas e umas horinhas depois alguns tomavam sua primeira refeição.
Sei de alguns que só se alimentavam na escola.
Escola faz é muito mal.
Peraí! Segurem as pedras! A escola também tem coisas boas... As férias, por exemplo...
Querem dar mau exemplo para as crianças ficarem mais violentas.
Como é o nome da violência da moda?
Bullying?
No meu tempo era briga de turminhas... E terminava com uma bronca de algum morador.
Estou na calçada esperando o hominho acender e observo o congestionamento à porta de um grande colégio da Zona Sul de São Paulo.
Os agentes de trânsito parecem diretores de bateria de tanto apito para que as mamães (e papais também) não parem em fila dupla para descarregar seus fofíssimos rebentos adolescentes.
Que saudade da aurora da minha vida, quando ia e voltava a pé... Eu era magrinho...
Sabem que eu chegava a caminhar três quilômetros para ir até a escola.
Chutava tampinha pra caramba!
E conhecia um monte de colegas que iam se juntando pelo caminho.
Hoje não tem mais essas coisas.
Os pais de hoje tem razão em levar seus filhos até a porta.
A violência da metrópole.
Quem ia roubar um Keds Bamba ou um Conguinha?
Acho uma violência carregar as mochilas de hoje em dia.
Eu, mirradinho que era, acho que não conseguiria. E esqueceria num canto perto das pedras que faziam os gols na rua.
Fico refletindo...
Se as crianças conseguirem aprender metade do conhecimento que carregam em suas mochilas certamente serão novos Einsteins.
No fundo, acho mesmo que sirva apenas para musculação, nestes tempos virtuais.
Na dúvida o livro ou Dr. Google?
Acendeu o hominho verde. Posso atravessar...
O senhor dá licença de tirar o carro da faixa de pedestre?
Não xinga que o menino está ouvindo...
Eu posso!
O garoto diz algo e desce do carro a uma quadra da escola.
Seu Zíper, fala a verdade! Se era para o garoto descer aqui podia ter vindo de metrô ou de ônibus, que tem faixa exclusiva e parava mais perto do colégio.
Putz! Era o maior prazer quando podia gastar um passe escolar e voltava de trólebus nos dias de chuva.
Trólebus, crianças!
Nunca ouviram falar? Ônibus elétricos? Os sucessores dos bondes.
Parem de rir!
Ainda bem que a mochila dele tem rodinhas... Não entorta a coluna!... Vixe! Quebrou a rodinha no buraco da calçada.
Pela carinha de "Oh! Vida! Oh! Dor! Oh azar!!" deve estar odiando o primeiro dia de aula.
Eu também...
Hoje eu acordei as sete com o buzinaço que dava para ouvir até na minha casa...
E eu não quero mais acordar cedo!
Deve ser castigo!

3 comentários:

Anônimo disse...

Eu sabia!!!!Vc. está é com SAUDADES de estar novamente nas Escolas Públicas...De chegar as sete horas e dá de cara com a escola arrombada,sem computador, sem bebedouro,e até sem a cafeteira da sala dos professores....
Abraços

Anne Lieri disse...

Pedro,realmente eu tenho pena das crianças tb!A escola está cada dia mais sem graça,tinham que reformular tudo!Grandes e deliciosas suas lembranças!Abraços,

Miriam de Sales Oliveira disse...

Professor sofre até aposentado.Vixe Maria vc me deu saudade do meu tempo.Dos dois:de estudante e de fessora.
Abraços