20 janeiro 2013

TRATADO GERAL DO FILHO DA PUTA

Quem vive aqui neste país
Terá que comigo concordar
Há uma raça perversa e infeliz
Mereciam a mira de fuzis
Infelizmente posso assegurar
Tem filho da puta em todo lugar

Povo andando no fio da navalha
Chama de doutor gente canalha
Aturando todo tipo de sevícias
Morrendo de medo das milícias
Sofre quieto! Nem pode reclamar,
Um filho da puta pode lhe estrepar

O assassino era adolescente
Atirou pra mostrar ser mais valente
Nas esquinas, basta aparecer
Um do tráfico vem logo oferecer
Dar um pico, carreirinha aspirar
Filhos da puta destroem seu lar

Desliguei o rádio e a televisão
É noticia ruim, chacina, corrupção
Tiroteios, parece o Velho Oeste
Só herói pra prender tanto cafajeste?
Batman! He-Man! Podem me ajudar?
Filhos da puta não sabem enfrentar

Mulher que do marido só apanha
Chuva arrasta casas da montanha
O crack dizimando a juventude
Quem deveria uma atitude
Só aparece na hora de votar
Filhos da puta querem se locupletar

Longe de pensar só o político
Exemplar desse sujeitinho típico
Multiplicam-se por toda parte
Não adoecem, nunca tem enfarte
Não é preciso muito procurar
Filho da puta é fácil de encontrar

Brotam do nada, vêm em batalhão
Preste atenção, tem um por perto
Bituca ao chão, se achando esperto
Larga o carro à frente do portão
Lixo nas praias, e que dane o mar
Filhos da puta devem nascer de par

Você se escangalha de estudar
Batalha e conquista bom emprego
Fez serões, horas extras sem parar
Ajeita-se e na hora do sossego
Seu tapete um vai querer puxar
Filhos da puta sempre a apunhalar

No Metrô ocupa o banco reservado
Fura fila se fazendo de rogado
Deixa cachorro o dia inteiro a latir
Desgraça alheia, faz piada a sorrir
Pintura nova, surge para pichar
Filhos da puta são mesmo de enervar

Cuidado! Senão você se encaixa
Não respeita pedestre na faixa?
Som alto em plena madrugada?
Não recolhe o cocô da calçada?
Certamente alguém vai praguejar
Um filho da puta acaba de passar
 
Tem filho da puta em todo lugar
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Idéia incidental de Filha da Puta
(Ultraje a Rigor/1989)




Um comentário:

Miriam de Sales Oliveira disse...

Pedro,grande apóstolo da literatura que esbraveja,vc continua demais!
Abç